Em que ponto do ciclo econômico está a economia brasileira?
por , sexta-feira, 16 de setembro de 2011

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size_590_construcao-nova.jpgAs notícias se avolumam.  Redução no ritmo das vendas de imóveis (em algumas cidades, já há queda nos preços dos imóveis), redução no ritmo das vendas de material de construção, montadoras com estoques se acumulando, redução forte no ritmo de contratações para a indústria, para o comércio varejista, para a construção civil e até mesmo para o setor de serviços.  Apenas o setor agrícola apresenta expansão nos empregos, e isso por causa da alta cotação das commodities.

Todos esses fenômenos dão a entender que o ápice da expansão econômica já passou e, a julgar pelos dados macroeconômicos (que veremos mais abaixo), a economia brasileira já está em forte desaceleração, aproximando-se de uma recessão.

E aí vêm as perguntas inevitáveis: Quando isso ocorrerá?  Qual será a intensidade?  Já os mais céticos (ou mais governistas) perguntam até mesmo se realmente haverá alguma recessão.

Antes de abordamos mais especificamente essas perguntas, seria importante apresentar um pequeno, porém completo, resumo da mecânica de um ciclo econômico.  Como ele começa, como ele termina e o que acontece nesse ínterim.  Após essa explicação, poderemos então transportar a teoria para a prática. 

O início de um ciclo econômico

Quando o Banco Central decide reduzir a taxa básica de juros da economia (no caso do Brasil, a SELIC), ele cria dinheiro eletronicamente e, com esse dinheiro criado do nada, compra títulos públicos que estão em posse do sistema bancário.  O dinheiro eletrônico vai então para as reservas que os bancos mantêm depositadas junto ao Banco Central (os depósitos compulsórios).

E como isso afeta a SELIC?

A taxa SELIC nada mais é do que a taxa de juros que os bancos cobram (pagam) entre si no mercado interbancário para emprestar (tomar emprestado) dinheiro que possuem em suas reservas.  Os bancos recorrem a essas operações interbancárias diariamente, pois, ao final de cada dia, precisam manter um determinado volume de dinheiro em suas reservas.  (Esse volume é o equivalente a uma determinada porcentagem do total de suas contas-correntes, e é determinado pelo Banco Central.)

As reservas bancárias, portanto, são fundos que os bancos são obrigados — tanto por lei quanto por necessidade — a manter disponíveis na forma depósitos à vista junto ao Banco Central.  Logo, uma redução na SELIC significa que o Banco Central está injetando dinheiro nas reservas do sistema bancário a uma velocidade maior do que antes. (Inversamente, um aumento da SELIC significa que o BC está injetando dinheiro nas reservas bancárias a uma taxa menor do que antes).

Com mais dinheiro nas reservas, menos bancos se veem na necessidade de pedir dinheiro emprestado no interbancário (ou do público em geral, via CDBs), e mais bancos se veem com reservas acima do nível estipulado pelo Banco Central.  É essa mudança nas condições de oferta e demanda de reservas bancárias que altera a taxa de juros no mercado interbancário.  E essa taxa de juros é justamente a SELIC. 

No exemplo acima, a maior disponibilidade de reservas bancárias levou a uma redução da SELIC.  Consequentemente, houve um aumento na capacidade do sistema bancário de criar contas-correntes adicionais, as quais serão utilizadas para a concessão de empréstimos — algo que os bancos só podem fazer quando possuem reservas em nível acima daquele estipulado pelo Banco Central.  Consequentemente, os juros que os bancos cobram sobre empréstimos concedidos a pessoas e empresas diminuem.

Quando os juros são reduzidos, aqueles projetos de longo prazo que antes eram inviáveis tornam-se agora — justamente por causa dos juros mais baixos — aparentemente viáveis.  Esses projetos de longo prazo (como empreendimentos imobiliários) são aqueles que demandam mais capital, mais investimentos vultosos.  O que antes parecia caro, agora, repentinamente — por causa dos juros menores — parece bem mais acessível.

Consequentemente, os recursos econômicos — maquinário, matérias-primas, metais e mão-de-obra — começam a ser desviados para esses setores intensivos em capital; para esses projetos de longo prazo.

Porém, ao contrário do que muita gente pensa, as taxas de juros não são o principal fator determinante para a formação de bolhas ou mesmo de ciclos econômicos em geral.  A redução da taxa de juros decorrente de manipulações monetárias feitas pelo Banco Central desencadeia o início do ciclo/bolha, porém, a partir daí, alterações na oferta monetária têm mais importância.

Por quê? 

Porque a expansão da oferta monetária da economia, como Mises explicou, não ocorre de maneira uniforme.  Sempre há aqueles setores que recebem esse novo dinheiro antes do resto da economia.  E esse dinheiro recém-criado que entra primeiramente em determinados setores da economia altera toda a estrutura de preços da economia; altera todos os preços relativos.  Se o dinheiro recém-criado vai primeiramente para o setor imobiliário, por exemplo, a estrutura de preços da economia fica distorcida em relação a este setor, fazendo com que investimentos nesse setor aparentem ser mais vantajosos, mais lucrativos, pois os preços estão sempre subindo.

A taxa de juros pode permanecer constante esse tempo todo.  Ela pode estar nominalmente alta (como sempre foi no Brasil).  Não interessa.  O que interessa são as expectativas de lucros.  As taxas de juros por si sós têm pequeno efeito sobre o planejamento empreendedorial e, consequentemente, sobre a formação de bolhas e de ciclos econômicos.  O que afeta uma decisão de planejamento é a expectativa de lucros.  E se os lucros propiciados por um investimento forem maiores do que os juros cobrados sobre os empréstimos para esse investimento, tal investimento é vantajoso.

Ademais, os lucros são totalmente afetados por variações da quantidade de dinheiro na economia.  Mais dinheiro sendo criado, maiores os lucros contábeis daqueles setores que recebem esse dinheiro antes dos outros. 

Portanto, para resumir: a redução da taxa de juros decorrente de manipulações monetárias feitas pelo Banco Central desencadeia o início do ciclo; porém, a partir daí, alterações na oferta monetária têm mais importância. Variações na quantidade de dinheiro na economia afetam os preços relativos dos setores da economia e, consequentemente, alteram as expectativas de lucros de cada setor.  Isso importa mais do que os juros praticados.

O período da expansão econômica insustentável

Após a expansão monetária acima descrita causar uma redução nos juros, os investimentos começam a surgir mais intensamente na economia.  Porém, como essa redução nos juros não foi causada por um aumento na poupança (isto é, pela abstenção do consumo), mas sim pela simples manipulação dos juros feita pelo Banco Central, não houve uma liberação de recursos de um setor para ser utilizado em outro setor.  Aí começam os problemas.

Mais dinheiro entrando economia via financiamentos para investimentos faz aumentar a demanda por mão-de-obra na indústria e na construção civil, mas ao mesmo tempo os setores de serviço e comércio continuam precisando de mão-de-obra e recursos, pois não houve aumento na poupança (abstenção de consumo).  Assim, começa a haver uma batalha por mão-de-obra e por recursos.  Houvesse poupança genuína, a mão-de-obra de um setor seria liberada para outro setor, e os recursos mais demandados por um setor seriam liberados para outros setores.  Mas como não há poupança, esses fatores de produção começam a ser disputados via aumentos salariais e aumentos de preços.

Assim, ao mesmo tempo em que uma construtora passa a demandar mais engenheiros, arquitetos, mestres-de-obras, corretores, vendedores, relações públicas etc., os setores de serviço e comércio continuam demandando com a mesma intensidade esses profissionais, pois as pessoas não estão poupando, o que significa que o consumo segue aquecido em todos os setores — a redução dos juros, como dito, não veio da poupança, mas sim da criação de dinheiro pelo Banco Central.

O desemprego cai e os preços e os salários sobem, exatamente como está acontecendo no Brasil. 

Enquanto estiver havendo essa expansão do dinheiro e do crédito, mas os preços continuarem contidos — subindo a um ritmo moderado —, os números positivos da economia irão durar.  A demanda por bens e serviços irá continuar em alta.  Os estoques das empresas serão prontamente vendidos.  Apartamentos continuarão sendo vendidos na planta.  Novos empreendimentos continuarão sendo iniciados.  Carros zero continuarão sendo vendidos aceleradamente.  Novos restaurantes e novas lojas continuarão sendo abertos.  Os preços e os lucros continuarão subindo.  Trabalhadores continuarão encontrando empregos a salários nominais cada vez maiores.

No entanto, tal expansão econômica não pode durar.  Em algum momento, essa expansão monetária começará a provocar um aumento generalizado nos preços, como já vem acontecendo no Brasil. 

O fim da ilusão

A consequência é que esse aumento de custos vai ficando fora do controle das empresas que estavam realizando investimentos.  Quando começaram a investir, elas não previam (e não tinham como prever) que haveria esse rápido aumento em seus custos (tanto de mão-de-obra quanto de matéria-prima).

O aumento generalizado nos preços e nos custos força as empresas a obterem mais empréstimos (ou a refinanciar seus empréstimos) para que possam finalizar seus projetos já iniciados.  Mais recursos passam a ser demandados.  Essa busca por mais crédito provoca um aumento dos juros dos empréstimos.  Entretanto, o Banco Central pode intervir aumentando o ritmo das injeções de dinheiro no sistema, evitando temporariamente essa subida nos juros.  Porém, tais injeções de dinheiro farão — como foi explicado no início — com que haja ainda mais distorções nos preços relativos e na estrutura de produção da economia, reiniciando o ciclo de mais procura por crédito.  Isso vai se repetir até o momento em que o Banco Central, assustado com a inflação de preços, resolver reduzir o ritmo das injeções monetárias e deixar os juros subirem gradualmente.

Mesmo que o Banco Central continuasse injetando dinheiro indefinidamente, uma hora os bancos teriam de aumentar os juros dos seus empréstimos, pois a expansão monetária estaria provocando um inevitável aumento de preços.  Assim, se os bancos não aumentassem os juros cobrados, eles simplesmente receberiam — no momento da quitação do empréstimo — um dinheiro com um poder de compra menor do que o que esperavam receber quando concederam o empréstimo.

Enquanto isso, os preços dos fatores de produção (mão-de-obra e bens de capital) seguem subindo, por causa da forte demanda.  Quanto mais os preços dos fatores de produção sobem, mais desesperadas por novos empréstimos ficam aquelas empresas que deram início a projetos de longo prazo levadas pela crença de que o crédito seria farto e barato durante muito tempo, e que os lucros seriam fáceis.  O aumento dos preços — e, por conseguinte, dos juros — altera seus planos. 

Esse aumento dos juros inviabilizará a conclusão desses empreendimentos de longo prazo — sejam eles a construção de shoppings, a construção de prédios, a expansão de indústrias ou até mesmo a abertura de franquias de restaurantes.  Descobre-se, finalmente, que não havia poupança suficiente (poupança no sentido de recursos físicos disponíveis; a escassez fez com que seus preços subissem) para sustentar a viabilidade de longo prazo desses investimentos.

Quando isso ocorre, há um processo de correção na economia, também conhecido como recessão.  A mão-de-obra que foi desviada para setores que se expandiram apenas por causa dos juros artificialmente baixos — indústrias e qualquer grande empreendimento de longo prazo — descobrirá que suas habilidades não mais estão sob demanda.  Elas perdem o emprego e passam a ter de se reeducar para adquirir novas habilidades para outros empregos, os quais provavelmente estarão agora no setor de serviços e comércio.

O período da expansão econômica irá terminar e dar-se-á início à recessão.  Quanto mais cedo esta vier, menor terá sido a destruição de capital desse período da expansão.

A expansão monetária no Brasil

Cada economista seguidor da Escola Austríaca tem seu método preferido para analisar a expansão monetária da economia brasileira.  Alguns utilizam o M1. Outros, o M2.  Outros, as reservas bancárias.  E outros olham apenas a evolução dos depósitos em conta-corrente (este método é o meu segundo preferido).

Particularmente, acho que o método mais completo é analisar a evolução dos meios fiduciários.  Meios fiduciários são os depósitos bancários que podem ser utilizados como meios de pagamento e que não estão lastreados por absolutamente nada (no atual sistema monetário, isso significa que não há nenhuma cédula de papel ou moeda metálica depositada no banco para cobrir essa quantia). 

Ou seja, trata-se da moeda escritural que não tem nenhuma reserva lastreando-a, pois foi criada do nada pelo sistema bancário de reservas fracionárias.  Falando mais popularmente, é o dinheiro que você utiliza como pagamento via cheques ou cartão de débito, mas que não possui um correspondente valor em dinheiro físico dentro dos cofres dos bancos ou nos depósitos eletrônicos dos bancos junto ao Banco Central.

Em termos técnicos, para você saber o total de meios fiduciários, basta subtrair o total da base monetária do total do M1[1].  (Aos mais interessados, realmente recomendo clicar nessa nota de rodapé).

E por que analisar os meios fiduciários?  Porque a quantidade de meios fiduciários em qualquer momento representa o acumulado total de toda a expansão de crédito ocorrida na oferta monetária do país até aquele momento.  Ela representa a soma de todos os empréstimos que o sistema bancário de reservas fracionárias fez baseando-se na criação de dinheiro sem qualquer lastro.

E o principal: a diferença entre a quantidade de meios fiduciários entre dois períodos de tempo representa exatamente a expansão do crédito ocorrida nesse intervalo.

Logo, a evolução dos meios fiduciários representa um bom indicador da evolução do crédito artificial no país, além de mostrar como esse crédito está sendo afetado pela política de juros do Banco Central.

Nos dois gráficos a seguir, foi mapeada a evolução dos meios fiduciários desde janeiro de 2003.  Dividi a evolução em dois gráficos para fazer uma análise mais detalhada. 

O primeiro gráfico vai de 2003 até o final de 2006.  (Ignore os solavancos dos meses de dezembro e janeiro, pois são meses em que a oferta monetária aumenta temporariamente para acomodar as demandas por moeda geradas pelas festas de fim de ano, 13º e afins.)

Gráfico 1.png

Em primeiro lugar, é notável a queda ocorrida de janeiro a agosto de 2003.  Quem se lembra dessa época vai se lembrar da total estagnação do país, com desemprego chegando a 13% (hoje está em 6%).  Tal queda se deveu tanto a um aumento do compulsório quanto a um aumento dos juros, pois a inflação de preços em 2002 havia chegado a 12%.  Para piorar o cenário, no primeiro semestre de 2003 ocorreram vários reajustes de preços, pois o câmbio havia disparado em 2002.  A combinação de redução dos meios fiduciários com aumento de preços reduziu sobremaneira o volume de gastos na economia brasileira, o que levou ao aumento do desemprego.

Porém, a inflação de preços começou a cair já a partir de maio de 2003.  Em maio, no acumulado de 12 meses, ela estava em espantosos 17,24%.  (A partir daí, por causa dessa forte redução dos meios fiduciários, a inflação de preços caiu continuamente até maio de 2004, quando atingiu o acumulado de 5,15%.  Mas em maio de 2004, ela volta a subir forte).

Em agosto de 2003, já sentindo a queda da inflação de preços, o Banco Central começa a afrouxar o compulsório, a reduzir os juros e a expandir o crédito, medida essa que dura até o final de 2004.  Os meios fiduciários se expandem fortemente (mas não muito em relação a onde estavam ainda no início do ano de 2003).  A economia cresce e o desemprego cai, mas a inflação de preços — que havia se reduzido rapidamente por causa do baque nos meios fiduciários em 2003 — volta a subir forte no segundo semestre de 2004, fechando o ano em 7,60%.  Isso obriga o BC a iniciar um novo ciclo de elevação dos juros a partir do último trimestre daquele ano. 

Como consequência desse ciclo de elevação dos juros, os meios fiduciários ficam bastante contidos em 2005.  Veja no gráfico que, em termos líquidos, a expansão foi praticamente zero.  A economia cresce pouco (houve uma queda no PIB no segundo trimestre de 2005), e a inflação de preços, que havia chegado a 8,07% em abril de 2005 (consequência da grande expansão dos meios fiduciários havida em 2004), perde fôlego e termina o ano em 5,69%.

A partir de 2006 começa a haver um maior afrouxamento dos juros, pois a inflação de preços indicava tendência de queda já no final de 2005, em decorrência justamente da quase zero expansão dos meios fiduciários ocorrida em 2005.  Mas a expansão dos meios fiduciários só seria intensificada no segundo semestre de 2006, e seus efeitos só seriam sentidos no ano seguinte.  Assim, o ano de 2006 terminaria apresentando uma inflação de preços de 3,14%, a segunda menor do real (perdendo apenas para 1998, quando foi de 1,66%).

O que nos leva ao segundo período da nossa análise: 2007 a julho de 2011. (Obs: desde a publicação original deste artigo, em setembro de 2011, o gráfico abaixo está sendo mensalmente atualizado).

Graficomf.png

Em 2007, principalmente a partir do segundo semestre, a expansão dos meios fiduciários é substancial (ignore, como sempre, os solavancos de dezembro e janeiro).  O PIB cresce e o desemprego cai.  A inflação de preços, que vinha baixa nos primeiros meses do ano, começa a subir continuamente, só que ainda em decorrência da expansão dos meios fiduciários ocorrida no segundo semestre de 2006.  A inflação de preços de 2007 totaliza 4,47%, valor ainda baixo para os nossos padrões.

Logo no primeiro trimestre de 2008, o Banco Central inicia um novo ciclo de elevação da SELIC.  Toda a expansão dos meios fiduciários ocorrida em 2007 começa a fazer efeito.  A inflação acumulada em 12 meses bate em 6,37% já em junho.

Como mostra o gráfico, como consequência desse novo ciclo de aumento de juros a expansão dos meios fiduciários estanca em 2008.  E isso após a vigorosa expansão iniciada ainda em meados de 2006.  Os meios fiduciários aumentaram 34% em apenas um ano e meio.  Essa parada súbita gerou a recessão do último trimestre de 2008 e de todo o ano de 2009.  O setor intensivo em capital, como as indústrias, foi o mais atingido.  Veja todos os detalhes desse período aqui.

Ainda em novembro de 2008, para combater a recessão que se avizinhava, o Banco Central reduziu o compulsório.  Em janeiro de 2009, ele começou a reduzir a SELIC.  Essa combinação expandiu sobremaneira os meios fiduciários, como mostra o gráfico.  O crédito ficou farto.  A partir daí intensificou-se a formação da bolha imobiliária e deu-se início à farra do consumo.

Em 2010, o ritmo da expansão dos meios fiduciários ficou ainda maior.  A economia apresentou números vigorosos, vários setores se expandiram, o PIB foi o mais alto em décadas e o desemprego atingiu o menor patamar da era Lula.  Porém, nos últimos meses do ano, a inflação de preços começou a sair do controle — evidência daquela briga por recursos e mão-de-obra explicada na seção sobre os ciclos econômicos.

De agosto de 2008 a novembro de 2010, os meios fiduciários cresceram 38%.  Toda essa vigorosa expansão creditícia vem se refletindo na atual inflação de preços, que em agosto acumulou 7,23% em doze meses.

No entanto, o gráfico mostra uma situação interessante.  A partir de fevereiro de 2011, a expansão dos meios fiduciários começou a se retrair fortemente, de modo que ao final de julho eles estavam no mesmo nível de setembro de 2010.  Claramente, houve uma contração em relação ao último trimestre de 2010.  Fenômeno igual a esse só ocorreu em 2003.  É justamente essa contração que vem desacelerando a economia, reduzindo o ritmo de contratações e até mesmo reduzindo os preços dos imóveis em algumas regiões do país.  

Essa forte desaceleração da expansão do crédito vem provocando um aumento dos juros para os empréstimos tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas.  Esse aumento dos juros, ao que tudo indica, está arrefecendo o desejo de se iniciar novos empreendimentos, algo que, por sua vez, está reduzindo a demanda por novos bens de capital — os preços dos produtos industriais, por exemplo, os quais são utilizados em investimentos intensivos em capital, fecharam 2010 com uma inflação de 10,13%.  Com a redução do crédito e o arrefecimento da demanda por novos investimentos a partir de 2011, a inflação acumulada destes bens nos últimos 12 meses caiu para 4,97%.

O que vai acontecer?

A resposta típica é: depende.  Caso esta tendência continue, isto é, caso o Banco Central continue deixando que os meios fiduciários decresçam ou até mesmo que se mantenham no atual nível, é possível que haja uma recessão durante algum trimestre vindouro, talvez no último trimestre deste ano ou no primeiro trimestre de 2012.

Entretanto, e isso deve ser muito enfatizado, caso ele reverta a atual postura, nitidamente contracionista, e adote uma mais expansionista, tanto a desaceleração econômica quanto a desinflação da bolha imobiliária podem ser revertidas — porém, ao custo de uma inflação de preços acima do teto da meta.  A recente redução dos juros de 12,5% para 12%, a julgar pelos números divulgados provisoriamente, não alterou o atual quadro contracionista.

Vale sempre ressaltar que uma recessão nada mais é do que uma fase de correção dos investimentos insustentáveis cometidos no período expansionista.  Em vez de ser combatida, toda recessão deve ser aceita e deixada livre para expurgar todos os desequilíbrios existentes na economia.  Para alguns é difícil aceitar isso, mas recessões nada mais são do que correções necessárias para uma economia artificialmente inflada.  Recessões ocorrem porque parte do capital da economia foi desperdiçada tanto em investimentos insustentáveis quanto na farra consumista, ambos fenômenos provocados pela expansão do crédito.

A importância da recessão está no fato de que ela libera recursos escassos (capital e mão-de-obra) de um setor que os estava sobreutilizando, e faz com que eles sejam alocados para setores que estavam subutilizados, e que agora estão precisando desses fatores.  Trata-se de uma retirada de recursos de setores que não mais possuem a mesma demanda de antes.  E isso representa poupança de recursos; isso evita o desperdício de recursos escassos, algo essencial para a saúde de qualquer economia.

Não adianta tentar utilizar de meios artificiais para se evitar uma recessão, pois ela um dia virá inevitavelmente.  E quanto mais ela for adiada, mais dolorosa ela será quando vir. 

Por que uma estabilização dos meios fiduciários é desejável

A economia brasileira está claramente em desequilíbrio.  A elevação dos preços vem causando vários desajustes setoriais e dificultando a situação fiscal de várias empresas. 

E isso ocorre porque um dos principais efeitos da inflação (tanto a monetária quanto a de preços) é solapar a formação de capital das empresas.  A inflação faz com que a carga tributária efetiva de uma empresa seja muito maior.

Por exemplo, imagine que uma empresa apresente uma taxa de lucro de 10%.  Imagine também que os preços de todos os seus ativos que ela precisa constantemente repor subam 8%.  Nesse cenário, a empresa ainda conseguiria pagar por todos os seus ativos de reposição e ficar com uma taxa de lucro de 2%.  Entretanto, o imposto de renda de pessoa jurídica incide justamente sobre o lucro, a uma taxa que pode chegar a 34%.  Caso seja esta a alíquota, ao invés de um lucro de 10%, a empresa ficará com um lucro líquido de apenas 6,6%, ao passo que ela precisa de 8% para pagar seus ativos de reposição.  Logo, a empresa não conseguirá nem manter seu estoque de capital, muito menos acumular capital.

Daí a importância suprema de se combater a inflação de preços (bem como de se abolir o IRPJ).  E a atual redução e/ou estabilização dos meios fiduciários é algo que vai nesse caminho e, por isso, deve ser comemorado.  Entretanto, é natural — diria até que é compreensível — que nos próximos meses ainda haja substanciais aumentos de preços, pois os agentes econômicos estão aproveitando o momento atual da economia, em que ela ainda aparenta estar bem, para recuperar todas as "perdas inflacionárias" que ocorreram nos últimos anos.

Uma consequência bastante visível destas "perdas inflacionárias" é a insurreição de movimentos grevistas que exigem reposições salariais.  Os funcionários dos Correios ameaçam cruzar os braços em troca de aumentos.  Vários canteiros de obras pelo país afora estão enfrentando piquetes de movimentos sindicais que exigem altos reajustes para operários.  Funcionários públicos de todas as áreas querem aumentos.  No final, quem sai perdendo é o trabalhador comum, pois é o dinheiro dele que cobrirá todas essas exigências.

E há o protecionismo.  Com a inflação em alta e o dólar barato, as importações se tornam atraentes.  Consequentemente, o governo sai criando várias restrições para proteger a indústria nacional.  A última foi um aumento de singelos 30 pontos percentuais no IPI sobre veículos importados, que agora terão taxas de até 55%.  Curiosamente, a legislação não permite discriminar produto importado de nacional para a incidência de IPI.  E depois reclamam dos altos preços dos carros nacionais...

E há também a bolha imobiliária.  Sua duração e os preços tanto dos imóveis quanto dos recursos empregados em sua construção mostram que está havendo um consumo excessivo de bens escassos, bens que poderiam e deveriam estar sendo utilizados mais proficuamente em outros setores da economia, mas que não o estão justamente porque o dinheiro criado está indo majoritariamente para o setor imobiliário, dando-lhe vantagens na aquisição destes recursos.

Por tudo isso, é realmente imperativo acabar com a inflação monetária.

Uma consideração sobre a bolha imobiliária

Imóveis são bens.  Como qualquer bem, seus preços são determinados essencialmente da mesma forma que os preços de todos os outros bens que existem em oferta limitada na economia, sejam eles carros clássicos, mão-de-obra qualificada, livros raros, moedas antigas, discos de vinil etc.  Ou seja, os preços dos imóveis são determinados pela combinação de oferta limitada e intensidade da demanda.

Logo, pela lógica, o que fez aumentar os preços dos imóveis no Brasil foi um rápido e contínuo aumento na demanda por eles.  Esse aumento na demanda, por sua vez, é consequência do aumento contínuo, intenso e progressivo dos meios fiduciários, praticado pelo sistema bancário e coordenado pelo Banco Central.  Isso significa que os preços dos imóveis aumentaram em decorrência do acentuado aumento da quantidade de dinheiro na economia.  O único fator que explica esse boom imobiliário que ocorreu nos últimos três anos é a criação de meios fiduciários. 

Esse dinheiro criado do nada aportou primeiramente no setor imobiliário, financiando a juros baixos novas construções e empreendimentos.  À medida que os projetos iam sendo aprovados, especuladores compravam apartamentos na planta apenas para revendê-los mais tarde, a um preço mais alto.  Isso era possível justamente porque mais dinheiro ia sendo criado e jogado no mercado imobiliário, o que dava sustentação a esse processo de contínua alta dos preços.

Essa criação contínua de dinheiro não elevou apenas os preços dos novos imóveis comprados.  Elevou também os preços de todos os outros imóveis já existentes no mercado.  Isso porque as pessoas que compravam imóveis na planta e os revendiam a preços mais altos utilizavam o lucro obtido nesse processo para adquirir outros imóveis que estavam com preços menores.  E os vendedores destes imóveis, por sua vez, utilizavam esse dinheiro da venda para adquirir outros imóveis.  Assim, o dinheiro criado do nada e jogado no mercado para financiamentos imobiliários ia passando sucessivamente pelas mãos de vários compradores e vendedores, elevando nesse processo os preços de todos os imóveis.

No entanto, é claro que essas injeções monetárias não elevam somente os preços dos imóveis.  Inevitavelmente, uma parte desse dinheiro sempre acaba "vazando" para fora desse ciclo — seja por meio de vendedores que agora resolveram gastar em outras coisas, seja por meio de operários e corretores que, com seus inevitáveis aumentos salariais, resolveram aumentar seu consumo de bens e serviços.  Esse dinheiro irá parar em outros setores da economia, elevando também os preços nesses outros setores (a inflação do setor de serviços é especialmente notável). 

É desta forma que os meios fiduciários criados vão se espalhando pelo resto do sistema econômico, elevando o nível de gastos e, consequentemente, os preços de todos os setores por onde passa.

O leitor mais atento já deve ter percebido que, caso houvesse apenas uma rodada de injeção monetária, ou apenas algumas poucas rodadas, a elevação de preços ocorreria até um certo ponto.  Uma vez findada as injeções monetárias, e todo esse dinheiro novo já tiver perpassado toda a economia, os preços irão se estabilizar.  Não haveria como eles continuarem subindo indefinidamente.

Sendo assim, para que haja uma contínua e sustentada elevação dos preços dos imóveis e, por conseguinte, de todos os bens e serviços da economia, as injeções de dinheiro criado do nada têm de ser constantes e cada vez maiores.  Essas injeções não apenas irão mais do que contrabalançar esse inevitável vazamento de dinheiro para fora do setor imobiliário, como também, em decorrência de já terem estabelecido um padrão de ganhos contínuos no setor imobiliário — desta forma criando e mantendo a crença de que é impossível ter prejuízos nesse setor —, conseguirão atrair para o mercado ainda mais financiamento.  E assim o ciclo de alta se perpetua.

Portanto, todo o processo de formação de bolha se resume à inflação monetária, e eleva os preços não só do setor imobiliário, como também de todos os outros setores da economia.

Esse processo de formação de bolha só será interrompido quando a criação de meios fiduciários for interrompida.  Geralmente isso acontece quando o Banco Central fica preocupado com o nível da inflação de preços e decide elevar os juros.  Consequentemente, o fluxo de dinheiro para esse setor que está em uma bolha será interrompido.  Os preços não somente pararão de subir, como na realidade irão necessariamente cair.

Irão cair por uma combinação de dois motivos: pelo fato de que sempre há aquela parte do dinheiro que vaza e vai parar em outros setores da economia, pelos motivos já explicados acima, e pelo fato de que boa parte da valorização dos imóveis se dava justamente porque as pessoas estavam levadas pela crença de que os preços subiriam continuamente.  Tão logo fica claro que o processo de aumento acabou, o mercado irá necessariamente entrar em declínio.  E ele vai entrar em declínio simplesmente porque não mais se espera que ele continue subindo.

Conclusão

Bolhas e ciclos econômicos são iniciados por reduções nos juros, mas são sustentados por aumentos na oferta monetária, os quais são mais importantes do que o nível nominal dos juros.  Sendo assim, é perfeitamente possível haver bolhas no Brasil, mesmo com sua taxa de juros nominal sendo reconhecidamente alta.

Uma observação à parte: os aficionados podem comparar a evolução dos meios fiduciários com a evolução do Ibovespa.  O processo de alta das ações funciona semelhantemente ao processo descrito de alta dos imóveis.  De 2003 a 2011, o Ibovespa funcionou de acordo com a evolução dos meios fiduciários (e não poderia ser diferente).  O aumento ocorrido a partir de meados de 2003, o soluço ocorrido no primeiro semestre de 2005, a recuperação do segundo semestre, o crescimento trôpego do primeiro semestre de 2006, e finalmente a disparada até abril de 2008, quando chegou à cotação máxima.  A estagnação dos meios fiduciários em 2008 derrubou acentuadamente o índice, o qual recuperou-se fortemente em 2009, manteve-se alto em 2010, e caiu de novo em 2011.

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A atual evolução dos meios fiduciários indica que a economia está adentrando uma fase contracionista.  Caso o atual padrão seja mantido, uma recessão tende a ocorrer já nos próximos trimestres.  Caso o atual padrão seja revertido, a recessão pode ser evitada, mas ao custo de uma inflação de preços perigosamente acima do teto da meta.

O fim do boom do setor imobiliário é algo que deve ser fervorosamente desejado.  Não apenas porque sua eventual continuação gera um crescente estado de mania e obsessão, no qual fortunas são criadas sem nenhuma causa racional, meramente em virtude da pressão de um crescente fluxo de dinheiro que busca vazão em canais que nada mais são do que sonhos e esperanças vazios, mas principalmente porque tal atividade gera um grande desperdício de capital.  Recursos que poderiam ser mais bem aproveitados em outros setores da economia acabam sendo desviados para uma atividade esbanjadora de recursos e destruidora de capital, escasseando e encarecendo toda a oferta de bens de capital e de mão-de-obra para o restante da economia.

E o mesmo deve ser dito para a desaceleração da economia brasileira e a consequente correção de todos os seus atuais desequilíbrios.  Que ela venha rápido para que possa acabar rápido.  Quem mais perde com os atuais desarranjos são justamente aqueles que possuem menos recursos e menos influência política. Além disso, há o fato de que a economia como um todo fica mais pobre durante essa expansão econômica artificial, pois recursos escassos são desperdiçados em empreendimentos insustentáveis.

Uma recessão (ou "reajuste da estrutura de produção da economia") se faz necessária para o bem de nossas riquezas.



Notas

[1] Essa operação é fácil de entender. 

A base monetária é igual ao total de cédulas e moedas metálicas criadas pela Casa da Moeda mais o total de reservas bancárias eletrônicas que os bancos mantêm depositados junto ao Banco Central.

O M1 é igual às cédulas e moedas metálicas (papel-moeda) em poder do público mais os depósitos em conta-corrente.

Ao fazermos a subtração M1 - BM, temos o seguinte resultado:

Meios fiduciários = (a) papel-moeda em poder do público + (b) depósitos em conta-corrente - (c) papel-moeda total - (d) reservas bancárias.

Essas variáveis podem ser rearranjadas da seguinte forma:

Meios fiduciários = (b-d) + (a-c)

b - d = depósitos em conta-corrente que não possuem um valor equivalente em reservas bancárias eletrônicas depositadas junto ao Banco Central

a - c = (papel-moeda em posse da rede bancária; isto é, papel-moeda nos cofres dos bancos, nos caixas eletrônicos etc.); como a é necessariamente menor que c, esse valor será negativo.

Consequentemente,

Meios fiduciários = (b-d) + (a-c) = dinheiro na conta-corrente que não possui lastro nem em reservas bancárias eletrônicas depositadas no Banco Central, nem em dinheiro vivo que os bancos mantêm em seus cofres.

E por que não levar em conta as outras variáveis, como M2, M3 e M4?  Por que escolher apenas os depósitos em conta-corrente?  Porque é sobre o volume das contas-correntes que se baseiam todas as formas de crédito do sistema financeiro de uma economia.  Todas as outras aplicações financeiras (sejam elas depósitos a prazo, renda fixa, curto prazo, multimercado, referenciado, ações etc.) são meros papeis que, para serem convertidos em dinheiro, precisam antes ser vendidos para algum agente obviamente disposto a comprá-los.  E este só irá fazê-lo se tiver dinheiro disponível em sua conta-corrente.  Portanto, os depósitos em conta-corrente definem, em última instância, a oferta monetária da economia brasileira.

Para mais detalhes técnicos sobre meios fiduciários, veja este artigo.

 

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


180 comentários
180 comentários
Alexandre M. R. Filho 16/09/2011 03:29:25

Pô Leandro! Que susto! Amanhã vou vender tudo!

Responder
Capitale 16/09/2011 05:44:03

Nossa quanta besteira! Até a presidente disse que o Brasil não quebra mais...

economia.estadao.com.br/noticias/economia+brasil,o-brasil-nao-quebra-mais-afirma-dilma,84326,0.htm

Brincadeira, o texto é muito esclarecedor, combinou vários conceitos de maneira lógica, qualquer leigo consegue entender as razões da futura recessão. Vou recomendar pra quem conheço.

Responder
Felix 16/09/2011 09:04:32

Um conselho para JAC, Cherry, Lifan e etc...
Fujam deste país, isso aqui não tem futuro!
vendam tudo que investiram em suas lojas aqui e vão para algum lugar decente...
Se quiserem ter sucesso aqui encham os bolsos destes que aí estão e participem do jogo político...

Responder
Felipe Xavier 16/09/2011 09:22:51

Não entendi o trecho

"Assim, começa a haver uma batalha por mão-de-obra e por recursos. Houvesse poupança genuína, a mão-de-obra de um setor seria liberada para outro setor, e os recursos mais demandados por um setor seriam liberados para outros setores. Mas como não há poupança, esses fatores de produção começam a ser disputados via aumentos salariais e aumentos de preços".

Por que os recursos mais demandados por um setor seriam liberados para outros setores?

Obrigado!
Felipe X.

Responder
Paula 16/09/2011 10:25:59

Felipe Xavier

Se houvesse poupança genuína, consumidores abririam mão de consumo presente (poupando) e os setores em que esses consumidores consumiam e não consomem mais (no presente) teria sua demanda reduzida, reduzindo sua produção, liberando recursos para outros setores...

Responder
Giovanni P 16/09/2011 09:32:40

MAS E O DÉFICIT HABITACIONAL?///

assim vomitam os estatistas destpaiz.

Responder
Leandro 18/09/2011 03:04:33

Boa observação, Giovanni. O argumento do déficit habitacional é um ótimo exemplo de ignorância do mais básico dos princípios econômicos: a lei da oferta e da demanda.

Sim, há um enorme déficit habitacional no país. Sim, há vários moradores de favela doidos para ter um apartamento. E há várias pessoas morando de aluguel ansiosas por uma casa própria. No entanto, falta alguém explicar como é que sair construindo vários apartamentos de luxo vai resolver os problemas dessa gente. Favelado vai comprar cobertura em Ipanema? No Morumbi? Nos Jardins? No Moinhos de Vento? Desde quando sair construindo imóveis de luxo resolve o problema do déficit habitacional?

Há sim uma grande demanda por imóveis e está realmente havendo um grande aumento na oferta de imóveis. Porém, falta agora combinar os preços. Essa grande demanda -- pensando exclusivamente em termos de déficit habitacional -- só será satisfeita se estes imóveis forem vendidos a preços que caibam dentro do orçamento de favelados e de moradores de aluguel.

Curiosamente, ninguém faz este raciocínio.

E, se os preços dos imóveis realmente caíssem ao ponto de satisfazer tal demanda -- algo que definitivamente não está no plano das construtoras --, então elas teriam um enorme prejuízo. Consequentemente, não conseguiria quitar seus financiamentos bancários. Consequentemente, os bancos teriam enormes prejuízos. Consequentemente, o capital destes bancos seria reduzido. Consequentemente, estes bancos teriam de pedir a quitação antecipada de vários outros empréstimos pendentes. Consequentemente, por causa do sistema de reservas fracionárias, haveria uma grande contração dos meios fiduciários. Consequentemente, uma brutal recessão.

E isso é comportamento de bolha.

Responder
Rafael (buginga) 19/09/2011 11:46:34

Ótimo raciocínio Leandro.\r
\r
Estive vendo os dados do IBGE do último censo . Lá mostra que o índice de "home ownership" no Brasil é de quase 70%. Ou seja, quase 70% das famílias brasileiras moram em imóvel próprio e, desses, num percentual bastante elevado (não me lembro quanto)o imóvel está quitado. Moram de aluguel (meu caso) ou em imóveis cedidos os outros pouco mais de 30%. Conclusão: Déficit? Que déficit? Estamos falando em moradias improvisadas? Autoconstrução? Favelas? Famílias propensas a se mudar para outros imóveis? \r
Fico curioso pra entender como é feita essa conta de déficit, porque os dados oficiais do IBGE não corroboram essa idéia constantemente propagada.

Responder
Marco Aurélio Agarie 21/09/2011 15:01:10

Com inteira razão, caro Leandro, lembrando que nem todos favelados trocariam seus barracos por aptos. A razão é muito simples: não pagam prestações, condomínio, taxas, às vezes nem energia elétrica, água, TV a cabo, etc, graças aos "gatos". Sendo assim, muitos possuem carros novos e outros luxos que não teriam se pagassem prestações de financiamento de imóveis.\r
E quanto ao aluguel, eu mesmo moro nesta situação e não pagaria um financiamento de 20, 30 anos, pois terminaria de pagar no final da vida. Creio que muitos locatários devem pensar assim. Aliás, li num site suiço que neste país mais de 60% da população vive em imóveis alugados. Morar de aluguel não é coisa de terceiro-mundo!\r
Afinal, a bem da verdade, o deficit habitacional não é de pessoas sem teto (parcela diminuta da população que não cresceu muito e, infelizmente, sempre vive à margem da sociedade), mas de pessoas que morem em imóveis próprios financiados ou comprados. Não entendo como, de repente, de 3 anos para cá, o deficit habitacional passou a ser uma preocupação tão premente, tão importante, e digna da atenção de todos os agentes envolvidos nesta farra de construção civil, justificando os absurdos preços e a venda frenética de imóveis.

Responder
Rhyan 16/09/2011 09:48:17

Uma base monetária maior é algo positivo então?

Responder
Leandro 16/09/2011 10:28:58

De modo algum, Rhyan. Uma base monetária maior implica um maior nível de reservas bancárias. E, em um sistema bancário de reservas fracionárias, um maior nível de reservas bancárias implica a criação de mais meios fiduciários.

O simples exemplo a seguir ajuda a entender melhor.

Suponha reservas bancárias de $100 e compulsório de 10%. Logo, as contas-correntes são de $1.000. Os meios fiduciários são (1.000 - 100) = $900.

Suponha agora que as reservas bancárias aumentaram para $200. Logo, as contas-correntes passam para $2.000. Os meios fiduciários agora são (2.000 - 200) = $1.800.

Observe que houve uma duplicação dos meios fiduciários (foram de 900 para 1.800). Logo, houve uma duplicação do crédito artificial.

Abraços!

Responder
Rhyan 16/09/2011 11:16:08

Entendi!

O que devo entender por poder do público na definição "Papel moeda em poder do público? É tudo que está fora do sistema bancário?

Numa economia sem meios fiduciários o resultado de (b-d) seria igual ao (a-c), ou eles necessariamente seriam zero?

Responder
Leandro 16/09/2011 11:27:59

Exatamente, Rhyan. O papel-moeda em poder do público representa todas as cédulas e moedas metálicas que não estão em posse da rede bancária (e nem do Banco Central). É o papel-moeda que está na sua carteira (ou escondido dentro da sua parede), nos cofres das empresas, nos caixas de restaurantes e supermercados etc.

Quanto à segunda pergunta, b-d seria zero, pois o lastro seria de 100%. Cada real na conta-corrente teria um real equivalente como reservas.

Já a-c pode assumir qualquer valor. Dentre o total do papel-moeda existente, parte ficaria com você, e a outra parte você colocaria no banco, seja como depósito em conta-corrente ou depósito a prazo.

Responder
Rhyan 16/09/2011 11:43:20

Mas então o MF seria sempre negativo e não zero, certo?

O item c seria fixo e o item a seria variado, mas sempre menor que c.

a-c = MF

O MF não deveria ser 0?


Obrigado, abraço!

Responder
Leandro 16/09/2011 11:58:52

Rhyan, a operação (a-c) refere-se exclusivamente ao dinheiro físico. Já os meios fiduciários referem-se ao dinheiro fictício. O termo (a-c) só é utilizado para calcular os meios fiduciários quando existem meios fiduciários a serem calculados. Se não existem meios fiduciários -- ou seja, se não há criação fictícia de dinheiro, que é quando o termo (b-d) é zero -- então não existe equação. Trata-se de uma equação condicional. Ela só existe quando o termo (b-d) é diferente de zero.

Ou seja: tal equação é utilizada apenas quando há meios fiduciários. Se eles não existem, então não existe equação. A equação só é válida quando uma de suas variáveis é diferente de zero.

Abraços!

Responder
Rhyan 16/09/2011 14:09:31

Perfeitamente!
Obrigado, Leandro!
Abraço!

Responder
Rhyan 16/09/2011 11:19:58

*Correção: Iguais não, mas inversos, tipo: b-d = 25.000 e a-c= -25.000. Meios Fiduciários = 0.

Responder
amauri 16/09/2011 10:04:31

Bom dia Leandro!
Vem aí a copa e a olimpíada. O gasto em construções será fantástico. Este dinheiro poderia ser gasto em infraestrutura e em formação de profissionais para a criação de tecnologia. O Brasil está fadado a continuar sendo um local para poucos criarem fortunas, e um país dependente de tecnologias. Que futuro é este? Continuamos sendo colonia. Antes o brasileiro pagava um quintal de impostos, hoje é o quintal, sala, cozinha e banheiro. abs

Responder
Túlio 16/09/2011 10:34:35

Parabéns Leandro!\r
\r
Você sabe usar muito bem a simplicidade das palavras para explicar temas complexos.\r
\r
Enviei o link do artigo para todos meus conhecidos. Espero que alguns deles comecem a enxergar o óbvio.\r
\r
Obrigado\r

Responder
Leandro 16/09/2011 10:37:20

Obrigado pelas palavras, Túlio.

Grande abraço!

Responder
Leandro 16/09/2011 11:04:37

Uma notícia relacionada bastante interessante:


Metalúrgicos do Vale do Paraíba votam greve domingo

Categoria reivindica 17,45% de reajuste, mas propostas dos grupos patronais não passam de 9%

Os metalúrgicos de São José dos Campos e Região, no vale do Paraíba, devem decidir no domingo, 18, os rumos da Campanha Salarial, podendo entrar em greve caso não haja acordo com as empresas. A categoria vai decidir os rumos das mobilizações que começaram esta semana e já levaram à paralisação de 12 empresas.

As negociações entre o sindicato e os grupos patronais, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, pouco avançaram nas últimas rodadas e todas as propostas foram rejeitadas na mesa de negociação. Até domingo, se não houver acordo, deverão ser aprovadas greves na categoria.

A categoria reivindica 17,45% de reajuste, mas os grupos patronais estão apresentando propostas que não ultrapassam os 9%. Esta semana, os metalúrgicos da General Motors, em São José dos Campos, conseguiram 10,8% mais abono de R$ 3 mil, além de avanços nas cláusulas sociais, o que representa um dos maiores acordos fechados no país este ano.

Esta semana, metalúrgicos de cinco fábricas já realizaram greves de 24 horas como advertência para os grupos patronais: Bundy, Heatcraft, Hubner, Schrader e Tryco. Também houve paralisações de até três horas em outras oito empresas.

A base dos metalúrgicos da região possui cerca de 40 mil trabalhadores e mais de 900 empresas dos setores de autopeças, eletroeletrônicos, máquinas, fundição, trefilação, refrigeração, estamparia, entre outros.

economia.estadao.com.br/noticias/economia%20geral,metalurgicos-do-vale-do-paraiba-votam-greve-domingo,84393,0.htm



Ou seja: de um lado, trabalhadores querem aumentos salariais para recompor a perda do poder de compra gerada pela inflação de preços. De outro, as empresas não podem ceder facilmente, pois a inflação de preços sobre produtos industriais -- acumulada em mais de 10% em 2010 (e que só entra nos balancetes no ano seguinte) -- em conjunto com o IRPJ vem comendo toda a sua margem de lucro.

Responder
Daniel 16/09/2011 11:13:34

Leandro Roque,\r
\r
muito bom o artigo... mesmo para um leigo como eu.\r
\r
Como sou apenas um curioso não-economista e estou tentando entender um pouco de economia (e encontrei neste site um grande arsenal de artigos, por sinal muito bem escritos e incrivelmente compreensíveis), me restou uma dúvida, cuja resposta deve ser simples, contudo ainda nebulosa para mim:\r
\r
sei que para aumentar a oferta de dinheiro e crédito na economia, o Fed se utilizou dos QE's, comprando títulos podres de entidades financeiras e despejando dinheiro na economia americana. Mas, como funciona esse mecanismo de aumentar a oferta de dinheiro na economia brasileira? Como o Banco Central do Brasil faz para expandir a oferta de meios fiduciários na prática? Como funciona isso? Há em algum lugar algum artigo, livro ou vídeo mais didático, de fácil acesso no site ou fora dele, que explicasse o mecanismo dessa prática?\r
\r
Desde já deixo meus parabéns pela qualidade do site e dos artigos publicados!

Responder
Leandro 16/09/2011 11:20:08

Prezado Daniel, creio que os dois seguintes artigos, lidos nessa ordem, respondem detalhadamente a essa sua pergunta:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=344

www.mises.org.br/Article.aspx?id=311

Caso ainda haja dúvidas, pode perguntar.

Obrigado pelos elogios.

Grande abraço!

Responder
Djalma 16/09/2011 11:51:57

Mais um ótimo artigo do Leandro!\r
Parabéns!!

Responder
Leandro 16/09/2011 11:59:28

Obrigado pela gentileza, Djalma. Abraço!

Responder
Filosofo 16/09/2011 12:07:07

Excelente artigo! Estava faltando alguém fazer uma boa análise economica neste final de ano.

Responder
Guilherme Azevedo 16/09/2011 13:09:05

Parabéns Leandro, ótimo artigo.

Responder
amauri 16/09/2011 13:25:05

Boa tarde Leandro!
Como voce afirmou que credito a base de dinheiro criado e não através da poupança genuína é ruim, posso concluir que:
-muitos compradores estão comprando sem ter possibilidade de fazer uma poupança até aquele momento, por isso usa o credito (de dinheiro criado). O que garante que ele irá pagar suas prestações, se ele não conseguiu poupar? Voce sabe dizer o grau de indimplencia nos bancos e cartões?
abraços.

Responder
Bruno 16/09/2011 14:06:01

Ótimo texto Leandro, pensei em enviar para a Miriam Leitão dar uma olhada, mas acho que seria demais para a cabeça dela....hehehe.\r
\r
Falando sério agora, só gostaria de fazer uma observação: na minha opinião a industria nao surfou a bolha, pois toda a demanda do comércio por produtos esta sendo quase que totalmente preechida por importações. \r
\r
Abraço a todos

Responder
Felix 16/09/2011 19:15:23

Adoro a Mirian Leitão e o Sardenberg, mas tem hora que eles me irritam profundamente...
Este último se diz liberal, mas não bate muito bem com alguns comentários...

Responder
Russo 16/09/2011 14:22:25

Excelente artigo.

O Brasil precisa de mais Leandros.

Responder
Pescador 16/09/2011 17:21:51

Mais um excelente artigo do Leandro. Simples, sem ser simplório. Didático e de fácil entendimento, muito diferente do economês chato que fui obrigado a estudar na faculdade de Comércio Exterior. Já aprendi mais com o IMB do que com meu professorzinho keynesiano.

Responder
Leandro 16/09/2011 17:35:20

Obrigado, Pescador. Grande abraço!

Responder
Arion 16/09/2011 19:49:06

Sensacional.

Muito bom artigo.

Eu estava tentando explicar a bolha imobiliária brasileira aos meus colegas e eles simplesmente não compreendiam. Ficavam afirmando que eu estava errado e que os imóveis "valiam aquilo e sempre se valorizariam".

Parabéns. Enviarei o artigo para todos.

PS: Com quem posso tirar dúvidas sobre conceitos funcionais de sociedade anarcocapitalistas?

Responder
Giovanni P 16/09/2011 21:12:23

Pergunta aí, tá cheio de anarquista lendo os comentários. Ninguém tem respostas exatas, mas com certeza todos têm um monte de hipóteses bacanas de ler sobre praticamente tudo.

Responder
Giovanni P 16/09/2011 21:14:54

Leandro, se é uma bolha, não devia estourar de uma vez ao invés de ir murchando aos poucos? Ou depende das circunstâncias? Quais circunstâncias? Não há nenhum Lehman Brothers para ser quebrado no Brasil, ou há? (Praticamente todos os financiamentos de longo prazo são da Caixa ou do BNDES -- ou não?)

Responder
Leandro 16/09/2011 21:45:17

Isso dá uma boa discussão, Giovanni.

No Japão foi rápido. Já nos EUA foi bem lento. Começou ainda no final de 2005 (exatamente quando o Fed tava elevando os juros de 1 pra 5,25%), quando os preços de alguns imóveis começaram a titubear. Em julho de 2007 houve um grande susto no mercado financeiro. Mas aí o Fed voltou a inflacionar e a coisa pareceu se normalizar. No primeiro semestre de 2008 houve várias corridas bancárias e o problema com a Fannie Mae e a Freddie Mac. Continuou tudo OK. Foi só em setembro de 2008, com a quebra do Lehman Brothers, que tudo finalmente ficou explícito.

Na Europa, foi um meio termo. Irlanda e Espanha inflaram a bolha por muito tempo. O estouro, entretanto, foi rápido que nos EUA.

Em minha opinião, e baseando-se na teoria, tudo depende da velocidade e da intensidade da inflação e da retração dos meios fiduciários. Se eles forem inflacionados prolongadamente durante muito tempo, mas forem contraídos muito rapidamente, aí a bolha estoura rápido. Porém, se eles forem se estabilizando mais gradualmente, aí a bolha desinfla mais lentamente.

Aqui no Brasil, a questão principal é saber qual o grau de exposição dos bancos a tudo isso. É daí que pode vir todo o problema.

Grande abraço!

Responder
Arion 16/09/2011 22:16:30

Eu tenho duas dúvidas muito grandes da teoria anarcocapitalista (anarquista em geral) que não tive soluções práticas ainda: punibilidade criminal (quem pune e com que direito e quem paga essa punição - estabelecimentos penais e etc) e aquisição originária da terra.

Voltando ao tema do artigo, o preço dos imóveis nos EUA vem inflando há duas décadas quase. Porque somente a partir de 2005 começaram a soar os alarmer austríacos? A inflação dos imóveis apesar de muito alta era uma demanda real?

Responder
Leandro 16/09/2011 22:38:24

Arion, 2005 foi quando a bolha começou a desinflar. Muito antes disso, vários austríacos vinham apontando a formação dessa bolha, com fartos dados, mas ninguém deu atenção. Veja alguns artigos em ordem cronológica:

mises.org/daily/1089
mises.org/daily/1177
www.lewrockwell.com/thornton/thornton11.html
mises.org/daily/1627
mises.org/daily/1670
mises.org/daily/1670
www.lewrockwell.com/thornton/thornton27.html
www.lewrockwell.com/thornton/thornton38.html

Vale lembrar que a bolha só começou a realmente ser inflada a partir de 2002/2003, após os vigorosos cortes de juros feitos pelo Fed para combater a recessão que havia começado em 2001 e que havia sido intensificada pelo 11 de setembro.

Abraços!

Responder
Arion 17/09/2011 02:06:05

Leandro.

Muito obrigado.

Os artigos são esclarecedores. Muito boa a relação feita sobre as taxas e o aumento dos preços dos imóveis no artigo escrito pelo Frank Shostak mas eu fiquei abismado com o artigo do Stefan Karlson.
Eu já havia visto um vídeo do Peter Schiff (esqueci como escreve) mas este artigo foi indiscritivelmente melhor. Sintetizou muitos dos problemas que vieram e dos que ainda estão por vir como o fim do dolar e a dívida que, mais cedo ou mais tarde, alguém vai ter que pagar. Afinal, alguém vai ter que ceder.
Não vão continuar sustentando os gastos americanos indefinidamente a juros negativos a troco de nada.

A população em geral lembra o personagem doly do filme "procurando nemo", memória curta.
Não consegue fazer a conexão de que eventos de alguns anos passados serão reflexos de políticas do presente assim como benesses atuais podem não ser méritos do governante que atualmente está no poder.
Infelizmente...

Mas ainda assim gostaria que me ajudasse com as duas questões que propus anteriormente.

Grato.

Responder
Leandro 17/09/2011 02:26:51

Arion, a questão do direito no anarcocapitalismo é um tema que eu evito debater simplesmente porque essa não é minha área. Dado que você é fluente no inglês, sugiro o capítulo 12 deste livro do Rothbard, O Manifesto Libertário.

Há também este livreto do Robert Murphy, que aborda todo o assunto.

Sobre a questão da terra, ela foi bem explorada neste artigo do Hoppe. E ainda mais completamente neste outro.

Abraços!

Responder
Arion 17/09/2011 11:24:15

Leandro.\r
\r
Muito obrigado pelos artigos.\r
\r
Irei le-los com atenção.\r
\r
Sobre o artigo, deixei passar ou não fizeste uma abordagem maior sobre a política de juros muito mais baixos feitos pelo governo para o setor imobiliário fazendo com que justamente fosse ele o primeiro setor a distorcer a economia?\r
\r
Abraços!

Responder
Thiago Pinheiro 17/09/2011 12:41:58

Leandro,

só temos que agradecer pelos seus artigos e pela sua paciência em sanar as nossas dúvidas. Muito obrigado.

OBS: Eu até comentei com o Roberto (Chiocca) lá no Seminário de Economia Austríaca desse ano. Eu costumo imprimir os artigos aqui para ler na volta para casa, só que os deixo no metrô ou no ônibus - é uma espécie de "share" (do Facebook) do século XX. De repente, um dia, alguma boa alma será despertada...

Abraços!

Responder
Flavio 17/09/2011 14:51:20


Nossa que texto, daria um livro: como explicar ciclos economicos de forma compreensível

parabéns Leandro

Responder
Gustavo 17/09/2011 18:21:39

Gostaria de saber qual é a visão do Hélio sobre isso.

Na palestra "starfish" ele comenta que não acredita que bolhas possam ser formadas em meio a juros astronomicos.

Responder
Leandro 17/09/2011 18:34:32

Agradeço muito aos elogios de todos. Sempre estimulante.

Gustavo, o Helio estará fora toda essa semana, e talvez não veja seu comentário por ora. Mas quando voltar, ele comenta.

Abraços a todos!

Responder
Arion 17/09/2011 19:12:33

Leandro, muito obrigado pelos artigos e pelos livros.

Li os artigos das terras e eles foram muito conclusivos. Realmen as abordagens e proposições são lógicas e moralmente corretas.

Existe alguém do IMB que atente mais para a área de Filosofia do Direito?

Li todos os capítulos dos dois livros que tu me indicaste e apesar das partes das contratualidades serem resolvidas as questões de filosofia ainda ficam pendentes.

Novamente obrigado e desculpe pela inconveniência.

Responder
Raphael Noronha Auto De Souza Leao 17/09/2011 19:39:06

Arion, quais são exatamente as partes que ficam pendentes?

Responder
Carlos Jose 17/09/2011 23:32:31

Leandro Roque, desculpe o incomodo, mas estava lendo esse excelente texto: www.mises.org.br/Article.aspx?id=973 , escrito pelo Hoppe e fiquei com uma dúvida: como seria feito em relação ao sistema judiciário e carcerário? Se tiver algum post falando sobre isso por favor me passe(eu nao encrontei).

Obrigado pela compreensão e desculpe a ignorância.

Responder
Leandro 18/09/2011 02:57:55

Prezado Carlos, você pode começar por estes dois textos:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=93
www.mises.org.br/Article.aspx?id=363

Caso seja fluente no inglês, leia o capítulo 12 deste livro, bem como este livreto.

Grande abraço!

Responder
Arion 18/09/2011 00:19:08

Raphael, obrigado. Não sei se este seria o espaço mais adequado mas as primeiras questões que me lembro seriam:
Legitimidade -
A quem caberia a legitimidade de resolver um litígio que envolvesse um bem não material (como por exemplo, a guarda dos filhos)?

Concepções sobre a origem da vida e homicídio: quando há fusão dos gametas masculinos e femininos, quando o feto se forma, quando surge o sistema nervoso central ou quando nasce a criança com vida? De quem é a legitimidade de resolver esta questão no campo jurídico.

A quem cabe punir alguém por crimes que não são contra o patrimônio? De quem é a legitimidade para punir alguém por estes crimes e porquê?

Conceito de crime:
Induzir alguém seria crime ou liberdade de expressão? crime de opinião existe? difamação? crime contra a honra? dependendo do meio social, é mais grave tu ofender alguém do que tu dar um soco (atinge a pessoa por mais tempo) seria um crime então expressar a ofensa ou apenas liberdade de expressão? um soco seria crime? assim por diante. Existiriam crimes omissivos? Existiriam crimes formais? Quem teria legitimidade para definir o que seria crime?

Muito obrigado.

Responder
Raphael Auto 18/09/2011 12:53:48

Arion, você poderia passar seu e-mail. Eu mando minha opinião sobre o assunto junto com links complementares.

Responder
Arion 18/09/2011 23:34:22

arion_dias@terra.com.br

Responder
mcmoraes 18/09/2011 14:52:24

Arion, acho que você vai se interessar pelo livro do Block: Defendendo o Indefensável.

Responder
Marcelo Lopes 18/09/2011 02:34:42

Artigo fantástico. Parabéns, Leandro.

Responder
Leandro 18/09/2011 02:56:38

Obrigado, Marcelo. Grande abraço!

Responder
Kalil 18/09/2011 14:18:04

Excelente Artigo!
Parabéns

Responder
Bruno 18/09/2011 15:11:54

Parabéns Leandro. Como sempre um excelente artigo. Queria aproveitar pra tirar uma dúvida. Que conselho você daria pra quem vai investir em um imóvel? Meus pais venderam a casa e tem 6 meses pra se mudar. Estão procurando um apartamento e, como o mercado na minha cidade anda super aquecido, os preços estão bem salgados. Você nos aconselharia realizar a compra próximo ao fim do nosso prazo de despejo (daqui a 6 meses), visto que tudo indica que os preços vão cair?
Abraços

Responder
Leandro 18/09/2011 15:51:13

Prezado Bruno, assim como seus pais, várias pessoas fizeram o mesmo: venderam na alta (foi um bom momento, em minha opinião) e agora estão à procura de um novo imóvel com preço compatível. Observe que esse fenômeno -- várias pessoas que venderam bem e agora estão à procura de um novo imóvel -- é por si só garantidor de uma pressão altista nos preços dos imóveis. Não sei qual a sua cidade, mas se a situação aí estiver assim, então é meio complicado esperar baixas em um prazo curto.

Ademais, há um complicador adicional: a incerteza quanto ao comportamento futuro do Banco Central. Nada impede que o bom senso vá embora e que os burocratas voltem a expandir os meios fiduciários.

Logo -- levando-se em conta esse cenário por você descrito da sua cidade --, realmente não há grandes indicações de que os preços possam cair já num futuro próximo. Eu lhe aconselharia a analisar bem minuciosamente. Compare a evolução dos preços. Veja se eles ainda estão subindo ou se já estão estabilizados há algum tempo. Se ainda estiverem subindo, então vão demorar a cair. Se já estiverem estabilizados há algum tempo, então há uma chance de ligeiras quedas no futuro.

Agora, prever exatamente se eles vão cair ou não dentro de 6 meses seria muita irresponsabilidade de minha parte (não tenho a mínima ideia das condições específicas do mercado na sua cidade, nem de como foi o enriquecimento da população nos últimos anos e nem de qual é o setor econômico mais forte daí). Tal tarefa de adivinhação eu deixo para os "especialistas" da grande mídia, aqueles que escrevem previsões em revistas e jornais que contêm vários anúncios de corretoras e imobiliárias.

Grande abraço e boa sorte!

Responder
João Hornburg 21/08/2012 11:20:55

"Ademais, há um complicador adicional: a incerteza quanto ao comportamento futuro do Banco Central. Nada impede que o bom senso vá embora e que os burocratas voltem a expandir os meios fiduciários. "

Pois é...

Responder
Augusto 19/09/2011 06:47:47

Eu recomendaria - sem no entanto assumir qualquer responsabilidade sobre as consequencias dessa recomendacao - que em vez de comprar outro imovel, que apenas alugassem um.

Responder
Bruno 19/09/2011 11:26:11

Leandro, eu moro João Pessoa, PB. Aqui o mercado ta super aquecido. Pra vc ter um ideia, tem condomínio de luxo com cobertura (em triplex) valendo R$ 6.300.000 na planta. pt.wikipedia.org/wiki/Tours_Mont-Blanc
Como sugeriu o Augusto, eu também pensei em alugar um imóvel. Acontece que conversando com um colega meu corretor, ele disse que os preços dos imóveis não param de subir, que tem muita área (terrenos sobrando) pra novos empreendimentos, fora os apelos turísticos de João Pessoa. Sua conclusão é que talvez demore uns 2 anos pra esses preços começarem a baixar.
Bom, como ele trabalha no mercado imobiliário, suas conclusões talvez tenham alguma relevância.

Responder
Leandro 19/09/2011 14:06:19

Prezado Bruno, se o seu colega é de confiança e entende do assunto, então realmente os preços aí vão demorar pra cair (e, dependendo do Banco Central, podem até não cair)

Tente seguir aquilo que falei. Analise o histórico dos preços e veja como eles estão se comportando atualmente (se já se estabilizaram ou continuam subindo).

Fora isso, realmente não há muito o que você possa fazer.

Sorte!

P.S.: Mais de R$6 milhões?! Caramba...

Responder
Maurício Goncalves 19/09/2011 14:39:06

Aqui em SP, a maré tá começando a virar...

Responder
Tadeu 18/09/2011 16:02:20

"A recente redução dos juros de 12,5% para 12%, a julgar pelos números divulgados provisoriamente, não alterou o atual quadro contracionista."

Será que essa diminuição súbita da taxa de juros atingiu as expectativas de inflação e teve um efeito oposto sobre a produção do que o que eles esperavam que tivesse?
Muito bom o artigo, parabéns.

Responder
Diego 18/09/2011 17:42:19

Acredito que um índice interessante para ficarmos de olho é o IGMI-C - Índice Geral do Mercado Imobiliário - Comercial...

Dêem uma olhada no gráfico e tirem suas próprias conclusões:
hcinvestimentos.com/2011/02/14/igmi-c-indice-geral-do-mercado-imobiliario-%E2%80%93-comercial/

Responder
Rene 18/09/2011 19:06:37

Leandro, eu tenho uma pergunta: Todo o dinheiro do Brasil é lastreado em títulos de Dívida Pública do governo? Se o Banco Central utiliza os títulos de Dívida Pública para expandir ou retrair a base monetária, o que aconteceria, dado o atual sistema monetário brasileiro, na hipótese do governo quitar todos os títulos de Dívida e deixar de emitir novos? Sobraria algum dinheiro na economia, ou todo o dinheiro seria deletado pelo Banco Central? Existiria alguma outra forma do Banco Central emitir novas moedas?

Responder
Leandro 18/09/2011 20:45:04

Prezado Rene, a atual dívida bruta brasileira está em mais de 2,3 trilhões de reais. O M1 está na casa dos 2,5 bilhões de reais. Logo, vê-se que a total quitação da mesma é impossível sem a impressão de dinheiro.

E é isso que o governo faz. Emite dívida, imprime, paga uma parte e rola a outra parte emitindo mais dívida.

Sendo assim, para responder diretamente à sua pergunta: toda a base monetária da economia foi criada em decorrência da emissão de uma dívida. O Tesouro emite títulos, os bancos os compram com moeda eletrônica e, mais tarde, estes títulos são comprados pelo Banco Central via criação de dinheiro -- o que aumenta as reservas dos bancos (logo, a base monetária). Daí os bancos pegam esse dinheiro recém-criado e o utiliza para criar empréstimos fiduciários (aumentado o M1). Daí esse dinheiro vai sendo investido em uma miríade de outras aplicações, quase todas envolvendo títulos públicos. Como consequência, M2, M3 e M4 aumentam.

No extremo, se o setor privado pagasse toda a sua dívida para com o sistema bancário, os meios fiduciários seriam extintos. Conjuntamente, se o governo também quitasse toda a sua dívida, o M2, o M3 e o M4 seriam extintos, e sobrariam apenas cédulas e moedas metálicas na economia.

É por isso que a dívida pública nunca será paga. Mesmo que fosse fiscalmente possível pagá-la, não haveria nenhum interesse nisso. Logo, a dívida aumentará continuamente, bem como o total de juros pagos sobre ela.

Os austríacos dizem que um [links=www.mises.org.br/Article.aspx?id=851]calote dos títulos públicos[/link] é a solução não apenas economicamente certa, como também a única solução moralmente aceitável. Outros economistas esperneiam quando ouvem isso. Ok, resta então eles explicarem como o governo irá quitar a dívida sem imprimir dinheiro e sem reduzir toda a oferta monetária. Mesmo que ele elevasse brutalmente os impostos, seria impossível quitar a dívida, vide os números do M1 e da dívida bruta.

Por isso alguns dizem que nosso dinheiro é baseado apenas em dívida. Sim, o nosso sistema monetário é tragicamente absurdo.

É por isso também que governo nenhum quer ouvir falar em padrão-ouro. O ouro surge sem depender de dívida e sua criação está fora do controle dos governo. O ouro não permitiria toda essa expansão e perpetuação da dívida. Não permitiria todo esse ludibrio. A defesa do padrão-ouro é, acima de tudo, moral.

Abraços!

Responder
anônimo 18/09/2011 20:15:18

Os preços estão elevados demais e já era esperado a estabilização dos preços e em alguns casos uma pequena queda. Não há como os preços dos imóveis ficarem em patamares tão elevados no longo prazo.\r
E creio que no futuro haverá um movimento de queda ainda maior. É algo assustador um minúsculo apartamento no bairro da Barra Funda custar R$500.000,00. Alguns anos atrás com a mesma quantia um cidadão podia comprar um apartamento no Morumbi. Desde o começo do ano a venda de alguns tipos de imóveis diminuiram drasticamente em São Paulo. Além de tudo isso houve um aumento no custo de produção e na mão-de-obra do setor imobiliário fato importante que muitos deixam de lado. Quem puder guardar dinheiro no futuro poderá fazer bons negócios.

Responder
Marcos 18/09/2011 22:12:06

Por isso que prefiro pagar aluguel no momento. Comprar uma casa a esta altura do campeonato seria um desperdício violento de dinheiro. Espero que o governo pare de segurar a recessão. Mas estou mais inclinado a pensar que vão mandar as metas de inflação às favas e continuar com essa política suicida.

Responder
Bruno Aguiar 19/09/2011 01:14:00

"Por exemplo, imagine que uma empresa apresente uma taxa de lucro de 10%. Imagine também que os preços de todos os seus ativos que ela precisa constantemente repor subam 8%. Nesse cenário, a empresa ainda conseguiria pagar por todos os seus ativos de reposição e ficar com uma taxa de lucro de 2%. Entretanto, o imposto de renda de pessoa jurídica incide justamente sobre o lucro, a uma taxa que pode chegar a 25%. Caso seja esta a alíquota, ao invés de um lucro de 10%, empresa ficará com um lucro líquido de apenas 7,5%, ao passo que ela precisa de 8% para pagar seus ativos de reposição. Logo, a empresa não conseguirá nem manter seu estoque de capital, muito menos acumular capital."

Acredito que não seja tão simples assim. O capital que é necessário ser reposto já está incluído quando do cálculo da margem líquida, já que o lucro líquido considera o custo com depreciação.

No caso de um aumento do preço dos bens de capital a serem repostos, o gasto contábil com depreciação aumentará, o que reduzirá o lucro tributável.

O que se pode discutir é se a velocidade da depreciação contábil condiz com a real depreciação.

Responder
Leandro 19/09/2011 02:04:01

Bruno, as empresas trabalham com o conceito de LAJIDA (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), de modo que tanto a despesa com capital quanto a despesa com o imposto de renda não estão incluídas naquela taxa de 10%.

Ademais, há o detalhe adicional de que gastos com bens de capital são considerados investimentos. E, em termos puramente contábeis, gastos com bens de capital não são integralmente deduzidos nos balancetes -- o que significa o IRPJ vai incidir sobre um valor muito maior. Vou explicar melhor.

Se você compra um bem de capital por $100.000, e a vida depreciável desse ativo (durabilidade) é de 10 anos, então o custo de depreciação será de 10% ao ano. Sendo assim, no seu balancete, aparecerá imediatamente um ativo de $100.000 e um custo de apenas 10.000 (10% de 100.000) no ano seguinte. Isso é regra contábil.

(Somente após 10 anos é que o custo total desse ativo totalizará $100.000. Isso significa que somente após 10 anos o custo desse ativo será igual ao valor despendido em sua aquisição.)

Ou seja, o valor do bem de capital comprado não aparece integralmente como custo. Mas aparece integralmente como ativo. O custo anual ($10.000) será subtraído do valor integral do ativo ($100.000). Essa diferença representa o investimento líquido.

Portanto, observe que embora o seu gasto tenha sido de $100.000, você vai jogar no balancete somente a depreciação de $10.000 (e só no ano seguinte). Logo, você não subtrairá $100.000 do seu LAJIDA, mas sim apenas $10.000. Isso significa que vai sobrar mais lucro para o IRPJ comer.

Não sei se ficou claro (escrever na madrugada de domingo para segunda não é um horário muito grato). Fiz isso apenas para tentar convencê-lo de que o raciocínio apresentado na frase que você destacou está correto.

Grande abraço!

Responder
Bruno A 19/09/2011 01:42:51

"Em 2007, a Tricury e a Incosul eram duas empresas médias, mas que figuravam no ranking das dez maiores incorporadoras de São Paulo. Convencidos pelos bancos de investimentos, as duas se juntaram, formaram a Trisul e foram à bolsa. De uma hora para outra, deram um salto gigantesco: o valor dos lançamentos multiplicou por oito. Até então circunscrita à região metropolitana de São Paulo, a empresa passou a ter canteiros de obra em 25 cidades e a destinar 75% dos negócios para a baixa renda. Os donos ainda não sabiam, mas começavam aí os seus problemas.

Surpresas. O sinal vermelho só acendeu no fim do ano passado, quando o ciclo das primeiras obras do segmento econômico estava acabando. Foi ali que a Trisul descobriu que elas iam custar muito mais do que se previa inicialmente. "Começamos a refazer o orçamento de tudo. E essas perdas foram reconhecidas no primeiro e no segundo trimestres de 2011", diz Cury. "É uma soma de crescimento rápido, margens apertadas do segmento econômico e falta de ajustes internos e de controle para suportar esse crescimento." Cury diz que a fase de surpresas desagradáveis acabou. Mas o mercado prefere ver para crer."

economia.estadao.com.br/noticias/economia,o-erro-de-calculo-da-trisul,84575,0.htm

Essa reportagem é uma bela descrição do ciclo econômico que o setor vive.

Responder
Cesar 19/09/2011 10:43:26

Leandro,\r
Parabens pelo excelente artigo, fosse outra nossa mentalidade a repercussao do mesmo seria maior. Aproveito a ocasiao para solicitar um esclarecimento técnico que nao compreendi bem.\r
Como pode um aumento das taxas de juros nao alterar a expansao dos meios fiduciarios? (no caso em questao a queda das taxas de juros de 12,5 para 12 nao foi suficiente?)\r
Abracos\r
Cesar

Responder
Leandro 19/09/2011 13:56:05

Preado Cesar, isso pode acontecer quando, por exemplo, os bancos estão receosos de fazer novos empréstimos. Sendo assim, aumenta o volume de dinheiro disponível para os empréstimos interbancários. Aí os juros do interbancário (SELIC) caem sem que tenha havido expansão dos meios fiduciários.

Porém, devo enfatizar que a redução na SELIC se deu no final de agosto, e o gráfico vai apenas até o final de julho (ainda não havia dados conclusivos para o mês de agosto, embora dados preliminares apontassem um quadro inalterado). É preciso ficar de olho no comportamento dos meios fiduciários nos próximos meses.

Abraços e obrigado pelas palavras!

Responder
Pedro Ivo 19/09/2011 11:04:27

Caro Leandro:

vi que há seções organizadas de artigos (seção 'Anarcocapitalismo'; 'Artigos para entender a crise', por ex).

Há uma de 'economia brasileira'? Se há, qual o link? Se não há, fica a sugestão.

Bom dia a todos

Responder
Leandro 19/09/2011 13:58:29

Pedro, basta ir à página principal do site e rolar até o final. Estará escrito "Artigos por assunto". Lá, há um "Economia Brasileira" explícito. É só clicar.

Abraços!

Responder
lado bom 19/09/2011 17:29:35

O lado bom é que quando a bolha estourar, o preços dos imóveis vão cair (como aconteceu nos EUA), e quem poupou na era do boom terá o seu dinheiro guardado mais valorizado, e poderá comprar um apartamento a preço de banana. Algumas pessoas estão fazendo isso: perceberam que tem uma bolha imobiliária e estão poupando para sua casa própria a preço de banana depois ue a bolha estourar...

Responder
Diego 19/09/2011 19:47:09

Leandro, você poderia recomendar algum livro sobre a história da economia do Brasil?

Responder
Rhyan 19/09/2011 21:25:57

Leandro, mas uma dúvida:

Se eu calcular a reserva bancária com o compusório de 45% e achar o 100%, ele número significa o quê? Ele é bem próximo ao (b-d), por que não é exato?

Responder
Leandro 19/09/2011 22:07:54

Rhyan, o compulsório atual é de 43%.

Pois bem.

No mínimo 40% deste valor -- isto é, 40% de 43%, logo 17% -- deve necessariamente ser na forma de papel-moeda no caixa dos bancos.

O restante fica na forma de depósitos eletrônicos no Banco Central.

No mês de julho, o papel-moeda no caixa dos bancos foi de 18% dos depósitos em conta-corrente. Já as reservas bancárias eletrônicas depositadas no BC foram de 30%.

Observe que a soma dá 48%, o que significa que os bancos não emprestam tudo o que podem -- obviamente, pois pode haver saques volumosos emergenciais e aí os bancos teriam de pedir empréstimos ao BC (operação chamada de redesconto, com juros punitivos).

Eu falei isso tudo apenas porque eu não entendi bem a sua pergunta, aí preferi explicar tudo de uma vez, pois aí assim talvez sua eventual dúvida seja esclarecida.

Abraços!

Responder
Rhyan 19/09/2011 22:38:00

Beleza!

Digamos que as reservas bancárias em certo mês são de 50.000 (milhões).

50.000/0,48 = 104.167 Esse número obtido representa alguma coisa? Ele deve ser próximo do resultado de (b-d)?

Responder
Mauro Mendes 19/09/2011 23:01:27

Leandro,

Parabéns não só pelo excelente artigo, mas por tirar as dúvidas prontamente, de forma que um artigo bem escrito ainda fica mais completo e abrangente pelas explicações dadas.
Nem sempre comento no site mas estou aqui todo dia para aprender mais.

Abraços,

Responder
Leandro 19/09/2011 23:04:20

Obrigado pela fineza do gesto, Mauro. Grande abraço!

Responder
Maurício Goncalves 19/09/2011 23:05:46

"O M1 está na casa dos 2,5 bilhões de reais"

Olá, Leandro, tem algum indicador que mede a relação entre o M1 e a quantidade de produtos da economia?

Não sei se faz sentido considerar a quantidade de produtos como poupança genuína. Logo, a quantidade de produtos seriam um "lastro" para o PMPP + depósitos à vista (M1).

O que acha?

Abraço

Maurício

Responder
Leandro 19/09/2011 23:52:32

Só pra deixar claro, o valor correto é 250 bilhões de reais e não 2,5 bilhões.

Maurício, a ideia é boa. Falta só alguém pra implementá-la. Não sei como fariam isso acuradamente. O Banco Central divulga o M1 em relação ao PIB, e isso é o mais perto que já chegaram dessa sua ideia.

Grande abraço!

Responder
Mauricio Goncalves 20/09/2011 00:06:46

Eu pensei nesse índice. Ele vem daquela idéia de aumentar a base monetária em função do crescimento do produto interno. Certo?

Eu acho este indíce estranho, pois o PIB é medido em termos monetários. O PIB do país pode aumentar em termos monetários, mesmo se a quantidade física de produtos ficar constante ou até cair.

Além disso, tenho a impressão que é como se fosse o cachorro correndo atrás do rabo. O governo imprime dinheiro e o produto cresce. Para manter o índice nos mesmos níveis, o governo tem que imprimir mais dinheiro. E assim vai...

Mas enfim, era só pra saber se o meu raciocínio fazia sentido.

Uma sugestão: Dei uma olhada na parte de economia brasileira do site e vi que vc já tem uma produção grande de artigos. O que vc acha de fazer uma coletânea dos seus artigos e fazer um livrinho?

Uma maneira dos leitores colaborarem financeira com o instituto, além de prestigiarem o seu trabalho.

Grande abraço!

Responder
Marcelo 20/09/2011 10:06:41

Boa idéia! E podem ter certeza que eu compraria!

Responder
Pedro Ivo 21/09/2011 15:44:30

Prezado Leandro (e d+ leitores):

viste as noticias de hoje?

Mantega diz ainda haver espaço para córtes na SELIC; e autoridades internacionais temem que a expanção monetária afete os emergentes, mas crêem que a inflação deslocar-se-á para o centro da meta.

Achas que eles vão orquestrar mais expansão monetária p/ manter os preços e conseguir aumentar os salários do funcionalismo público?

E vós, prezados leitores? Que pensais.

Responder
Arion 21/09/2011 21:24:38

Caro Pedro:

Infelizmente temos um povo inculto demais. Meu irmão veio me visitar e passeio final de semana discutindo com ele a implementação da anarquia.

Chegamos a conclusão - tanto ele quanto eu - que, infelizmente, temos um povo que não possui fibra moral suficiente para aguentar um sistema destes.

Parece puro preconceito meu dizer isso mas não acredito que todas as pessoas seriam diligentes o suficiente para que não deixassem surgir o Estado novamente.

E, infelizmente, os minarquistas vêm perdendo a guerra também.

Somos liberais, anarcocapitalistas, anarquistas ou definam-se como prefirir, em um mundo controlado pelo Grande Irmão, como já havia previsto Eric Arthur Blair.

Tentem abrir os olhos da maioria das pessoas que conseguirem.

Desculpem, é um desabafo.

Eu, um anarquista assumido, vivo dentro da barriga do dragão depois de ter sido engolido por ele. Depois de falir duas vezes por taxações, virei servidor.

Responder
Pedro Ivo 23/09/2011 17:15:30

Sei como te sentes Arion. Negócios no Brasil vão à falência porque no instante + crítico para sua sobrevivência (os primeiros 2 ou 3 anos) somos forçados a pagar 40% ou mais da renda que geramos em impostos. Somos empurrados pelo estado rumo ao estado.

Quem me ajuda a derrubar o estado no Paraguai? Vai que lá a anarquia dá certo. kkkkkkk.

Responder
Bruno A 25/09/2011 19:43:41

O papel-moeda em poder dos bancos não seria "c-a"? Porque usam "a-c"?

Responder
Bruno A 25/09/2011 20:27:04

"A resposta típica é: depende. Caso esta tendência continue, isto é, caso o Banco Central continue deixando que os meios fiduciários decresçam ou até mesmo que se mantenham no atual nível, é possível que haja uma recessão durante algum trimestre vindouro, talvez no último trimestre deste ano ou no primeiro trimestre de 2012."

Deixe-me fazer uma crítica construtiva. Não é legal esse jeito que você fala do Banco Central fazer ou deixar de fazer algo com a base monetária ou meios fiduciários, porque ambas são variáveis exógenas. O que o BC determina é % do compulsório e taxa selic, o resto é exógeno.

PS: E agora temos também as modernas medidas macroprudenciais.

Responder
Bruno A 25/09/2011 23:00:44

errata: aonde disse exógeno no comentário passado, quis dizer endógeno.

Responder
Lucas 27/09/2011 18:09:37

O que fica dessa análise é que vamos ladeira abaixo na bolsa então, já que em 2011 estavamos empacados entre 70.000.000 e 75.000.000 até agora, mas no fechamento de agosto o governo confirmou a espectativa de "murchar" e estamos em 68.970.000 agora. Ah, e com dólar dando aquela clássica subida as alturas por panico.

Responder
Adriano 18/10/2011 02:10:41

Caro Leandro,

andei trabalhando com os dados mensais de meios fiduciários utilizando a média dos últimos 12 meses (como se faz para avaliar inflação de preços) e é possível obter um gráfico no qual se elimina a sazonalidade de fim de ano, sendo observável uma redução da média anualizada a partir de outubro-novembro de 2010.
Muito obrigado pelos ensinamentos.

Responder
Leandro 18/10/2011 03:07:33

Prezado Adriano, neste seu método, caso eu não esteja enganado, você coleta a média de cada mês e, em seguida, aplica uma média móvel para 12 meses. O gráfico fica bonitinho. Este é o meu segundo método favorito.

Mas eu ainda prefiro me dar ao trabalho de coletar os dados diários (sim, diários), jogar tudo no gráfico e então aplicar uma média móvel para 22 dias (média de dias úteis de cada mês). Acho que assim é possível captar não só todas as variâncias, mas também as regularidades periódicas.

Obrigado pelo comentário e grande abraço!

Responder
Adriano 18/10/2011 14:03:06

Caro Leandro,

Fiz exatamente como vc descreveu.

uma outra solução possível é usar a média móvel dos últimos 252 dias (número aprox de dias úteis anual), para reduzir o efeito da sazonalidade de fim de ano. Não testei porque não tenho essa base de dados, mas pode ser que fique funcional.

abraços

Responder
Leandro 26/10/2011 16:35:30

GRÁFICO ATUALIZADO

Como se pode observar, os meios fiduciários seguem rigorosamente estáveis, tendo havido uma queda agora em setembro. Tal fenômeno explica a estagnação do Ibovespa e prognostica uma recessão vindoura. Da mesma maneira, não há espaço para uma inflação geral de preços no futuro. Os atuais reajustes que seguem ocorrendo nos preços são meros repasses de custos provocados pela inflação anterior. Caso os preços continuem sendo repassados, mas os meios fiduciários continuem estagnados, o volume de gastos tende a cair, o que pode provocar aumento no desemprego.

Quando houver novas alterações voltarei a avisar.

Abraços a todos.

Responder
Leandro 01/11/2011 11:55:39

Os efeitos da redução da expansão dos meios fiduciários finalmente começam a aparecer.

economia.estadao.com.br/noticias/economia%20brasil,producao-industrial-no-pais-cai-2-em-setembro,90505,0.htm

A produção industrial brasileira caiu 2% em setembro ante agosto [...]

Na comparação com setembro de 2010, a produção industrial caiu 1,6% em setembro deste ano. [...]

A produção de bens de capital da indústria brasileira recuou 5,5% em setembro ante agosto. Em relação a setembro de 2010, houve ligeira alta de 0,2% em setembro deste ano.

Queda generalizada

O recuo na passagem de agosto para setembro foi um movimento generalizado, que atingiu 16 dos 27 ramos industriais e três das quatro categorias de uso, segundo informações do IBGE. No entanto, as perdas foram mais intensas nos setores associados à produção de bens de consumo duráveis (automóveis) e de bens de capital (caminhões).

Entre as categorias de uso, houve forte recuo na produção de bens de consumo duráveis (-9,0%) e de bens de capital (-5,5%). O primeiro segmento acumula perda de 12,8% apenas nos dois últimos meses de queda na produção, enquanto o setor de bens de capital eliminou o ganho de 3,0% acumulado entre junho e agosto deste ano.

Já o setor de bens de consumo semi e não duráveis teve retração de 1,3% em setembro ante agosto, após ter registrado um recuo de 0,9% em agosto ante julho. O setor de bens intermediários, por sua vez, repetiu o patamar do mês anterior (0,0%) e foi o único que não assinalou resultado negativo neste mês.

Responder
Fernando Ulrich 01/11/2011 12:34:24

Leandro, veja como o M1 e principalmente os depósitos à vista seguem diminuindo o ritmo de crescimento ou inclusive reduzindo em termos absolutos (depósitos) apesar das baixas de juros do Bacen.\r
\r
Anota aí, na próxima reunião do COPOM periga vir mais 100 pontos base de redução. Pelo menos os índices de inflação vão dar uma aliviada no começo do ano que vem.

Responder
Leandro 01/11/2011 13:00:45

Esta redução só encontra paralelo naquela ocorrida em 2003. Também acho que o Bacen vai querer jogar pra plateia e fazer uma redução de 1pp na SELIC na próxima reunião do COPOM. Aí o rendimento da minha poupança vai pro brejo...

Responder
Domingos 01/11/2011 14:16:14

Prezados Leandro e Ulrich, de acordo.\r
\r
E adequando a descrição das fases do ciclos econômicos por Huerta de Soto (Dinero, credito bancario y ciclos económicos p.277) à economia brasileira, creio que devemos estar entre o penúltimo e último estágio do ciclo (ver p. 295-298).\r
\r
Abraços

Responder
Carlos Araújo 03/11/2011 21:24:03

O comentário acima é de minha autoria.

Responder
anônimo 03/11/2011 21:23:20

O cara do IBGE disse:
"Muito dessa queda da indústria está vinculada ao recuo do setor de veículos automotores. Muitas fábricas tiveram paralisação. Algumas ficaram dois ou três meses paradas."

A seguinte ordem estaria correta?:

1-Redução dos meios fiduciários 2- Consequente redução dos empréstimos para compras à longo prazo (principalmente carros e imóveis) 3- Paralisação citada pelo cara do IBGE.

Se sim, ele estaria então vendo a causa em um das consequências. E a saída seria aquecer o setor de produção, e assim agravando a causa da recessão. Certo?

Responder
Carlos Araujo 03/11/2011 22:34:04

Esse sim, é de minha autoria.
LOL

Responder
Leandro 04/11/2011 06:27:23

O raciocínio mais correto seria o seguinte, prezado Carlos:

Como explicitado na parte inicial do presente artigo, a criação de meios fiduciários altera a estrutura de preços da economia, fazendo com que investimentos em determinados setores sejam mais atraentes do que em outros setores. Consequentemente, isso altera as expectativas de lucros. Essa alteração nas expectativas de lucros fará com que mais recursos (mão-de-obra e bens de capital) sejam desviados de outros setores para serem investidos justamente nestes setores que apresentam maiores expectativas de lucros.

Porém, tudo isso é um arranjo artificial. Todas essas atividades lucrativas (na verdade, bolhas) só podem durar se houver seguidas injeções monetárias. Tão logo as injeções monetárias sejam interrompidas, essas atividades perderão sua força e a lucratividade irá desaparecer.

Ao que tudo indica, no Brasil, os setores que mais se beneficiaram da expansão dos meios fiduciários foram o imobiliário e o automotivo. E são justamente estes que mais tendem a sofrer perdas com a redução da expansão dos meios fiduciários.

Por exemplo, o setor imobiliário de São Paulo já acusou o golpe:

As vendas de imóveis usados caíram 14,47% na capital paulista em agosto frente a julho, de acordo com pesquisa divulgada pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP). Na mesma base de comparação, o preço médio do metro quadrado dos imóveis usados diminuiu 2,51%. O levantamento reuniu dados de 451 imobiliárias.

Segundo o presidente do Creci-SP, Jose Augusto Viana Neto, essa retração já era esperada e a desaceleração geral que se observa no momento não significa que os dois mercados fecharão o ano no vermelho.

Valor do aluguel cai 27%

A locação de casas e apartamentos, por sua vez, recuou 4,89% em agosto na comparação com julho, segundo o Cresci-SP.

Conforme o levantamento, o aluguel que mais baixou foi o de apartamentos de quatro dormitórios situados na Zona B, onde os valores recuaram 27,05%, de R$ 6.666,67 para R$ 4.863,64.



O setor automotivo, pelo visto, vai pro mesmo caminho. Por isso o desespero do governo em sair implementando tarifas protecionistas e pacotes nacionalistas. Eles criam a bolha por meio de intervencionismos e depois saem criando ainda mais intervencionismos para corrigir os efeitos do intervencionismo anterior. Como explicou Mises, isso nunca acaba bem.

Abraços!

Responder
anônimo 04/11/2011 11:54:00

Olá, Leandro.

Supondo que a expansão dos meios fiduciários se mantenha, a fim de manter o crescimento artificial, ela terá de ser cada vez maior, certo? E se ela ainda assim persistir, quais seriam as consequências a médio e longo prazo na economia?

Responder
Leandro 04/11/2011 13:08:26

Hiperinflação e destruição do capital da economia, pois recursos escassos estarão sendo continuamente desviados para os setores que estão em bolha.

E quando se chega à hiperinflação, há uma redução tanto na propensão à poupança quanto na propensão ao investimento -- afinal, a inflação monetária faz com que as pessoas fujam da moeda e se resguardem comprando ativos reais. Quanto mais alta a inflação monetária, mais rapidamente as pessoas querem se livrar da moeda, menos elas querem poupar e mais rápido elas querem consumir.

Em tal cenário, é impossível haver acúmulo de capital. Muito pelo contrário: o capital é rapidamente exaurido, pois a inflação monetária estimula o seu consumo, e não sua acumulação.

E há também o efeito tributário. A inflação monetária (não precisa nem ser inflação de preços alta) faz com que os lucros das empresas sejam artificialmente elevados. Consequentemente, a quantidade de impostos que elas têm de pagar aumenta na mesma proporção. Simultaneamente, a inflação monetária também encarece os preços das peças de reposição do maquinário.

Ou seja, a inflação monetária aumenta artificialmente os lucros das empresas. Tal aumento nos lucros, entretanto, seria quase que totalmente gasto na reposição de ativos a preços maiores. "Seria", mas não é, pois esse aumento nominal dos lucros faz com que as empresas tenham de pagar mais impostos. Portanto, no final, houve uma redução não sua capacidade de investimento -- consequentemente, houve consumo de capital.

Além de tudo isso, há também a "ilusão da prosperidade". O aumento da renda nominal gerado pela inflação monetária estimula as pessoas a consumir mais, pois gera essa falsa sensação de riqueza. Não há aquela urgência de se poupar. Consequentemente, há mais destruição de capital.


Ou seja, a inflação monetária, em toda e qualquer situação, só traz desgraças e desarranjos na economia.

Esse artigo explica bem outras consequências da inflação:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=764

Abraços!

Responder
Carlos Araujo 04/11/2011 23:48:35

Olá Lendro, obrigado pelas aulas grátis! :D

O fato do aumento dos meios fiduciários gerarem investimentos não sustentáveis eu entendi. O que não entendi é, depois que os investimentos foram feitos, porque as montadoras começam a ter recuos?
Não entendo como o simples fato de reduzir os meios fiduciários possa gerar um recesso,se as vendas continuam iguais.
Não é certo dizer que, 1º Ouve criação fiduciária e investimentos não sustentáveis, e 2º Quando começa a redução dos meios, as vendas diminuem, e por isso as montadoras recuam nos faturamentos.

Obrigado.

Responder
Leandro 05/11/2011 11:24:25

Prezado Carlos, é um pouco mais complexo do que isso -- afinal, a quantidade de dinheiro raramente se reduz (apenas quando há quebras bancárias generalizadas); ela apenas se estabiliza.

O que acontece é o seguinte:

Como foi explicado, as empresas programam seus investimentos na expectativa de altos lucros. Por exemplo, elas investem $100 hoje na esperança de obterem $110 no futuro. E os $110 de fato vêm, mas só enquanto estiver havendo aumento na quantidade de dinheiro.

Tão logo ocorra uma interrupção nesse aumento da quantidade de dinheiro, os lucros esperados não mais se materializam. Aí a empresa fica em uma difícil situação: os preços dos bens de capital -- os quais ela adquiriu para expandir sua produção -- seguem aumentando (por exemplo, de $100 para $105), mas a estabilização da quantidade de dinheiro não permite a concretização dos lucros imaginados (os $110 esperados viram, por exemplo, $107). Ao mesmo tempo, a mão-de-obra segue exigindo aumentos salariais para repor a inflação passada. Por conseguinte, os custos da empresa vão aumentando.

Portanto, a interrupção da expansão dos meios fiduciários gera essa "asfixia" e essa interrupção nos lucros nominais das empresas: os custos de produção seguem aumentando, mas os lucros ficam estagnados -- ou, pelo menos, não aumentam no mesmo ritmo.

No primeiro momento, não é que as pessoas deixam de consumir; elas apenas não seguem comprando no ritmo em que vinham comprando antes. E isso afeta os lucros esperados das empresas, pois as empresas contavam que as pessoas mantivessem seu ritmo de compras. Nesse ponto, o correto seria permitir que preços e salários das empresas se reajustassem à nova realidade (a realidade de que a quantidade de dinheiro está estagnada). Mas como uma redução salarial raramente ocorre -- por causa de sindicatos e leis de salário mínimo --, os preços também não são reduzidos como deveriam, pois aí as empresas teriam prejuízos solenes.

Logo, cria-se aquele fenômeno da "capacidade de produção ociosa" -- estoques acumulados sem serem vendidos.

Portanto, o seu segundo item está parcialmente correto: as vendas diminuem, assim como o faturamento das montadoras. Mas os custos seguem crescendo, o que vai inviabilizando novos investimentos, novas expansões e consequentemente novas contratações. Observe que, a se manter este ciclo, as empresas simplesmente definhariam.

É justamente por isso que a receita para sair de recessões é deixar que preços e salários caiam, pois só assim a lucratividade pode voltar para as empresas.

Vale notar também que, em decorrência da expansão monetária anterior, vários fatores de produção foram deslocados para usos insustentáveis (é daí que vem o fenômeno dos "recursos ociosos"). A razão pela qual há tantos recursos que repentinamente se tornaram ociosos é porque houve algum erro anterior de cálculo. Afinal, os empreendedores incorretamente imaginaram que haveria uma demanda maior do que a que de fato se consumou, e isso os levou a fazer investimentos errôneos -- a saber, a expansão de sua capacidade instalada.

A recessão é o período no qual a economia passa a corrigir esse desequilíbrio. E a única maneira de fazer corretamente esse procedimento é permitindo que os recursos sejam realocados de modo que correspondam às reais demandas do consumidor. E isso apenas o sistema de preços, desde que atuando livre e desimpedidamente, pode efetuar com acurácia. Qualquer intervenção governamental que vise a impedir esse processo vai gerar destruição de riqueza e ineficiência -- exatamente como está ocorrendo agora nos EUA.

Não sei se agora ficou mais claro.

Grande abraço!

Responder
Carlos Araujo 05/11/2011 11:39:10

Um pouco mais complicado que imaginava, mas etendi completamente :D

Novamente, obrigado pela disponibilidade. Sei que o tempo é curto, e um comentário explicativo como esse exige muita boa vontade, Obrigado.

Abraço.

Responder
Bruno Aguiar 13/11/2011 17:28:33

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - Com o intuito de evitar que a crise internacional freie o mercado de crédito brasileiro, e consequentemente a economia como um todo, o Banco Central (BC) decidiu nesta sexta-feira retirar parte das medidas de contenção de empréstimos tomadas no final do ano passado.

Para isso, reduziu a exigência de capital para instituições financeiras com operações e carteira com prazo inferior a 60 meses voltadas a pessoas físicas. Ao mesmo tempo, a autoridade monetária obrigou os bancos a terem mais capital para compensar carteira de empréstimos de longo prazo, com a preocupação de evitar crescimento na inadimplência.

O BC também desistiu de elevar para 20 por cento o pagamento mínimo das faturas de cartão de crédito, que entraria em vigor agora em dezembro, mantendo-o nos atuais 15 por cento. A ação também tem o objetivo de trazer mais liquidez, evitando inadimplência.

br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE7AA0P320111111?sp=true

Responder
Maurício Goncalves 16/11/2011 18:44:04

Olá, Leandro,

Pelo que pude ver a retração no setor imobiliário se deu pela retração no crédito de pessoa jurídica, porém o crédito para pessoa física continua crescendo. Veja nessa apresentação da Febraban, slide 11.

Ao que tudo indica, o aumento dos fatores de produção fez com que o retorno dos projetos ficassem inviáveis. Porém ficam algumas dúvidas:

1)Eu achava que a pessoa física fosse mais sensível à retração de meios fiduciários, as empresas tem uma capacidade maior de se financiar do que os indivíduos, e pelo visto o crédito de pessoa física continua aumentando.

2)Dado que houve uma diminuição na oferta de imóveis, via queda de financiamento PJ, e não de demanda, financiamento PF. Não era para os preços aumentarem mais ainda?

Abraços!

Maurício

Responder
Leandro 16/11/2011 19:52:24

Prezado Maurício,

Esse crédito de pessoa física é um crédito direcionado, o que significa que os bancos são obrigados por lei a ter recursos que devem ser anualmente direcionados para determinadas pessoas. E recursos direcionados, via de regra, têm de ser financiados com poupança genuína, e não com a criação de meios fiduciários.

O que quero dizer com isso tudo? Acompanhe-me.

A expansão dos meios fiduciários segue caindo (novos dados divulgados hoje pelo BACEN confirmam isso). Em decorrência disso, todas as atividades econômicas que foram criadas em decorrência dessa expansão estão começando a serem desfeitas. No entanto -- e isso é extremamente importante --, nem só de meios fiduciários vive a economia. Há sim uma parte do crédito que é financiada integralmente com poupança -- isto é, por dinheiro aplicado em depósitos a prazo, na poupança ou em outros investimentos, dinheiro esse cujo dono abriu mão de utilizá-lo durante um período de tempo.

Portanto, uma resposta parcial ao seu item 1 seria: esse aumento do crédito direcionado se dá por meio de poupança genuína; trata-se de um crédito que os bancos são obrigados a conceder. Por que ele está aumentando? Porque os juros estão caindo. Logo, todos os depósitos a prazo e demais investimentos estão sendo menos remunerados do que antes, o que permite os bancos emprestarem a juros também menores.

Em teoria, esse tipo de crédito não é inflacionário e, por definição, não gera investimentos insustentáveis*. Logo, em teoria, todos os investimentos financiados por esse tipo de crédito não têm por que sofrer abalos.

No entanto, sabemos que na economia atual as coisas são misturadas. Na prática, não há muita distinção entre investimentos financiados com crédito genuíno e investimentos financiados com crédito fiduciário. O mesmo investimento pode estar recebendo os dois tipos de crédito (mais uma encrenca criada pelo sistema bancário de reservas fracionárias, que não faz essa distinção clara em seus empréstimos).

O que realmente se sabe é que os meios fiduciários estão em retração e, portanto, todas as atividades financiadas por eles já estão sob pressão. O que nos leva ao seu item 2, cuja resposta será complementar ao item 1.


Sobre o item 2, confesso que não vejo ainda essa redução na oferta de imóveis. Aqui onde moro (zona sul de BH), há neste momento 3 prédios sendo construídos à minha volta. E dá pra notar que as imobiliárias estão correndo contra o tempo: as obras começam às 7 da manhã, não há pausa para almoço (há peões trabalhando ao meio dia, às 13h e às 14h) e, em vez de terminarem às 17h, estão até agora (19:30h) na bateção. Nunca vi isso antes. Tá todo mundo correndo pra finalizar as obras o mais rápido possível para que assim consigam vender ainda aos preços que imaginavam ser possível vender quando começaram a construção. Caso vendam a preços mais baixos do que o esperado, haverá problemas nos balancetes.

Isso, aliás, já está acontecendo:

www1.folha.uol.com.br/mercado/1006818-gafisa-tem-queda-no-lucro-do-3-tri-e-reduz-meta-de-lancamentos.shtml



Ademais, esse fenômeno da queda de preços por enquanto está ocorrendo em bairros específicos, e geralmente de classe média e de classe alta. Nos bairros mais pobres impera o Minha Casa, Minha Vida, o que garante uma demanda artificial. Meu palpite é que esse aumento no financiamento para a compra de imóveis esteja indo justamente para imóveis mais populares. Ele não está indo para as classes A e B. Veja esta notícia:

"Nas últimas semanas, três construtoras -- Even, Gafisa e Eztec -- cortaram em até 36% o preço de um grupo de imóveis novos. Uma cobertura de alto padrão, que custava R$ 4,2 milhões, passou a ser ofertada por R$ 2,8 milhões. Um apartamento na zona sul de São Paulo, avaliado em R$ 425,6 mil, agora sai por R$ 383,1 mil."

economia.estadao.com.br/noticias/economia,economia-esfria-e-empresas-queimam-estoques-de-carros-a-apartamentos,92137,0.htm



Conclusão: a bolha está arrefecendo, mas as imobiliárias seguem cuspindo imóveis no mercado. Essa combinação de aumento da oferta com redução da demanda (redução dos meios fiduciários) está pressionando para baixo os preços daquele tipo de imóvel que mais foi construído nesse período: imóveis de classe alta e classe média.

Mesmo na situação extrema em que não houvesse mais nenhum aumento na oferta de imóveis, ainda assim não teria como os preços dos imóveis aumentarem se não estiver havendo da demanda (aumento da oferta monetária). Aliás, teria como sim: o governo teria de aumentar a obrigatoriedade da quantidade de crédito que deve ser direcionada para a compra de imóveis (no caso, o crédito baseado na poupança genuína). Isso de fato poderia gerar uma alta no setor, só que aí haveria uma queda de preços em todo o resto da economia.

Ou seja, ainda não há um arranjo que justifique altas nos preços. A oferta de imóveis segue crescendo, só que a um ritmo menor; a demanda está em queda (por causa da redução dos meios fiduciários); e o aumento do crédito direcionado ao financiamento da compra de imóveis provavelmente está indo para o Minha Casa, Minha Vida ou mesmo para imóveis para a classe D ou C.


Não sei se ficou claro tudo o que disse aqui. Caso não tenha, por favor, me pergunte de novo.

Grande abraço!



__________________________________________
*Na verdade, pode gerar sim, desde que haja o fenômeno da maturação descompassada: você empresta seu dinheiro por 1 ano, por exemplo, mas o credor acaba precisando de 3 anos para completar o investimento. Se ele não conseguir rolar a dívida, terá problemas. Se isso ocorrer generalizadamente na economia, poderá haver um ciclo econômico.

Responder
Maurício Goncalves 16/11/2011 21:38:03

Olá, Leandro,

Vou comentar abaixo de alguns pontos seus para ficar mais fácil:

"...uma resposta parcial ao seu item 1 seria: esse aumento do crédito direcionado se dá por meio de poupança genuína; trata-se de um crédito que os bancos são obrigados a conceder.."

1)Só para confirmar, o que vc chama de crédito direcionado é a linha laranja (financiamento imobiliário) do slide 11?

2)Como se vê se o crédito advém de poupança genuína ou não?

"Sobre o item 2, confesso que não vejo ainda essa redução na oferta de imóveis..."

Pelo que eu venho acompanhando, o setor vem diminuindo o número de ofertas. Veja esta reportagem e esta.

Pela sua análise, os preços estão caindo em decorrência de uma queda na participação dos imóveis da classe A e B. Acho que até faz sentido, houve um "boom" primeiro nos imóveis de alto padrão.

A queda na demanda acredito que seja uma combinação da percepção do mercado que os preços ainda estão altos demais, além do efeito no preço médio devido à maior participação de imóveis de baixa renda no mix das vendas, porém confesso que ainda não vi dados que comprovem esse meu achismo. Mas ainda continuo achando estranho que isto não apareça nos dados de evolução do crédito de PF. Veja esta apresentação da SECOVI (slide 13), em que somente o crédito
PJ é afetado. Enfim, como vc mesmo disse, na economia real está tudo misturado. Vale a pena continuar acompanhando...

Abração!

Responder
Leandro 16/11/2011 22:22:55

Prezado Maurício, vamos lá:

1) Só para confirmar, o que vc chama de crédito direcionado é a linha laranja (financiamento imobiliário) do slide 11?

Aí é que tá o problema. De início, não dá pra saber qual porcentagem desse crédito é direcionado e qual não é. Por isso eu me baseei no gráfico do slide imediatamente anterior, que mostra que o maior aumento ocorreu nos recursos direcionados. Aí, pela lógica, concluí que aquele aumento do crédito pessoal para financiamento de compra de imóveis tem de ser majoritariamente composto por recursos direcionados -- afinal, como os meios fiduciários estão em queda, é improvável (para não dizer impossível) que meios fiduciários tenham gerado aquele aumento de 89,4% nos últimos 12 meses. A conta não fecharia.


2) Como se vê se o crédito advém de poupança genuína ou não?

A princípio, não há essa discriminação. Por isso é importante ficar de olho na evolução dos meios fiduciários. Se os meios fiduciários estacionaram, mas o crédito segue aumentando, então ele tem de estar vindo da poupança.


Pelo que eu venho acompanhando, o setor vem diminuindo o número de ofertas. Veja esta reportagem e esta.

A primeira reportagem mostra que está havendo uma redução na quantidade de imóveis lançados. Ou seja, a oferta continua aumentando, só que a um ritmo mais lento. Isso, vale enfatizar, ainda representa aumento na oferta.

Já a segunda reportagem mostra que as vendas de imóveis caíram em relação ao ano passado. Ou seja, a oferta segue aumentando, mas as vendas estão caindo. Impossível os preços subirem assim.


Mas ainda continuo achando estranho que isto não apareça nos dados de evolução do crédito de PF. Veja esta apresentação da SECOVI (slide 13), em que somente o crédito PJ é afetado.

Esse gráfico do crédito PJ mostra que o crédito "cai" regularmente no primeiro trimestre. Mas sempre volta a disparar depois. Aparentemente, trata-se de uma mera sazonalidade. Logo, eu realmente não diria que esse gráfico mostra que o PJ está sendo afetado -- e nem poderia, pois, até o 2º trimestre de 2011, ainda não havia tido redução na oferta no crédito imobiliário; ele apenas estava na fase do encarecimento, como explicado no artigo. Mas as imobiliárias seguiam pegando crédito sem problema.

Confesso que, de minha parte, desse gráfico aí não dá pra concluir nada e nem achar nada estranho (enfatizo, o gráfico vai apenas até o segundo trimestre de 2011, época em que ainda havia euforia).


Abração!

Responder
Maurício Goncalves 17/11/2011 00:40:00

Olá, Leandro, obrigado pela paciência.

Vc tem razão, cometi o erro básico ao confundir queda com crescimento a taxas decrescentes.

Permita-me abusar da sua paciência e boa vontade um pouco mais:

1) Pq, via de regra, recursos direcionados tem de ser financiados via poupança genuína?

2) Dado que, como vc explicou, o aumento no crédito imobiliário de pessoa física foi decorrente de um aumento de recursos direcionados e que estes recursos advém de poupança genuína. Pergunto:

É correto dizer que o governo está "forçando" uma queda de poupança genuína e que deveríamos ter uma queda na poupança seja em estoque ou no fluxo como resultado do aumento de recursos direcionados a financiamento de imóveis?

Grande abraço!

Responder
Leandro 17/11/2011 10:12:54

Prezado Maurício,

1) Pq, via de regra, recursos direcionados tem de ser financiados via poupança genuína?

Não sei se o termo certo seria "tem de ser". Se passei a impressão de que é obrigatório ser assim, me retrato. Acho que a escolha do termo "via de regra" na minha primeira resposta não foi feliz. Confesso, aliás, nem saber se há alguma estipulação do Banco Central quanto a isso.

O que eu quis dizer é que o aumento do crédito direcionado ocorrido recentemente tem de ter advindo de poupança genuína simplesmente porque os meios fiduciários estão em retração -- logo, seria impossível o crédito direcionado estar vindo deles.

Mas o fato é que, dado que os bancos têm de direcionar parte de suas aplicações para um determinado mercado, seria mais, digamos, tranquilo e inteligente utilizar aqueles fundos que estão aplicados em contas a prazo, que rendem juros. E por dois motivos: 1) não seria muito prudente utilizar recursos de conta-corrente, de alta volubilidade; e 2) ademais, como toda aplicação bancária a prazo tem de render juros, os bancos, para pagar estes juros, terão de aplicar esse dinheiro em locais de retorno razoavelmente garantido. O mercado imobiliário é um deles -- por enquanto.

2) Dado que, como vc explicou, o aumento no crédito imobiliário de pessoa física foi decorrente de um aumento de recursos direcionados e que estes recursos advém de poupança genuína. Pergunto:

Só pra deixar mais claro, disse que o recente aumento no crédito imobiliário de pessoa física tem de ter advindo da poupança genuína simplesmente porque os meios fiduciários estão praticamente congelados.

É correto dizer que o governo está "forçando" uma queda de poupança genuína e que deveríamos ter uma queda na poupança seja em estoque ou no fluxo como resultado do aumento de recursos direcionados a financiamento de imóveis?

Confesso não ver por que ele quereria isso. Ademais, o fato de a poupança genuína estar sendo direcionada para algum investimento não significa que está sendo forçada uma queda nessa poupança. Se você aplica seu dinheiro em um depósito a prazo durante um ano, o que quer que façam com o seu dinheiro não altera o fato de que você decidiu poupar por um ano. Logo, não vejo muito bem como o governo poderia forçar uma queda na poupança aumentando os recursos direcionados para o financiamento de imóveis.

O governo pode forçar uma queda na poupança adotando políticas que estimulem o gasto e o endividamento, como redução de juros.


Grande abraço!

Responder
Carlos Araujo 16/11/2011 22:09:35

Moro em Sete Lagoas e aqui ainda não vi uma redução na oferta. E o ritmo das obras segue normalmente.
Mas existem certos empreendimentos que estão no papel e não tem cara de que vão sair.

Agora um off:
Você sabe se haverá alguma palestra ou curso sobre EA e/ou diretório do LIBER em BH?
Gostaria muito de participar.

Responder
Leandro 16/11/2011 22:26:33

Pois é, a oferta segue crescente; apenas está aumentando a um ritmo mais lento.

Sobre o Liber, fui convidado para uma reunião informal neste sábado. Segue o email (na verdade, dois) do responsável (é a mesma pessoa):

emailcaio@yahoo.com.br
bhjosecaio@hotmail.com

Abraços!

Responder
Carlos Araujo 16/11/2011 23:43:06

Grato

Responder
Paulo Sergio 17/11/2011 09:25:12

Eu estava estudando engenharia mecatrônica, tranquei e passei pra civil, será que fiz besteira?

Responder
Leandro 17/11/2011 10:19:53

Prezado Paulo, em nosso atual arranjo financeiro, tudo é cíclico. O que está em baixa repentinamente passa a ficar alta, e o que estava em alta despenca do nada. A destruição de capital que ocorre durante esse processo é maciça, mas aparentemente ninguém se dá conta disso.

No início da década de 2000, eu fazia Engenharia Mecânica. Na época, a profissão estava extremamente em baixa e ninguém via futuro naquilo. Engenharia Civil, então, era vista como profissão de desempregado. No entanto, nos últimos anos, ambas as profissões tornaram-se umas das mais demandadas do mercado. Futuramente, vão cair de novo. E depois vão subir novamente. E por aí vai.

Entre mecatrônica e civil, acho que a mecatrônica tende a ser mais estável, pois ela está associada a corte de custos, algo que sempre estará sendo demandado por qualquer empresa não estatal. Mas eu posso estar completamente enganado.

Grande abraço!

Responder
Paulo Sergio 17/11/2011 11:24:18

Ah valeu Leandro, o que eu pensei foi,como o maior empregador da mecatrônica é o setor industrial e como a indústria no brasil está morrendo...hora de pular fora :)

Responder
mcmoraes 18/11/2011 11:38:54

Parece que uma nova onda de empregos está começando no setor de mineração: The $200,000-a-Year Mine Worker

Responder
Leandro 23/11/2011 21:04:09

Gráfico de meios fiduciários atualizados para o mês de outubro. Segue em queda.

Responder
José Roberto Baschiera Junior 23/11/2011 21:10:24

Tentativa de segurar a inflação(Que vai ultrapassar a meta)?
Se os meio fiduciários estão contraindo, como a inflação continua subindo? E também os preços dos imóveis voltaram a subir depois daquela desaceleração do meio do ano.

Responder
Leandro 23/11/2011 21:17:28

Os preços tendem a ser reajustados de acordo com a inflação passada (empreendedores tentam repor seu aumento de custos). Só que aí surge um limite: se os preços continuarem sendo reajustados, mas a quantidade de dinheiro permanecer inalterada, então haverá uma queda no volume de gastos, o que dará início ao aumento do desemprego.

Sobre aumento dos preços dos imóveis, confesso não ser isto o que se vê (leia a minha troca de ideias com o leitor Maurício logo ali em cima).

economia.estadao.com.br/noticias/economia,economia-esfria-e-empresas-queimam-estoques-de-carros-a-apartamentos,92137,0.htm

Aqui onde moro, por exemplo, todos os apartamentos que subiram seus preços estão encalhados. Agora, caso os imóveis de onde você mora estejam de fato subindo de preços, então é porque eles estão sendo financiados com a poupança de todo o resto do Brasil (e o dinheiro está sendo canalizado para estes empreendimentos da sua região).

De novo, tenha a bondade de ler minha conversa com o leitor Maurício, logo acima.

Responder
Leandro 23/11/2011 21:20:00

Quanto à inflação, creio que ficará próxima do teto da meta, que é 6,5%. Para que isso ocorra, o IPCA de novembro e dezembro tem de ser de 0,5% cada (ou quaisquer dois valores cuja média seja 0,5%).

Responder
José 24/11/2011 16:47:59

Leandro, sou leigo,mas trabalho com construção civil e tudo isso me chamou muito a atenção. Onde encontro gráficos como esse do meio fiduciario??
Ou você mesmo que o fez? Caso o fez, onde eu posso coletar os dados necessários, (M1 e BM , né? ) para eu mesmo faze-lo?

obrigado!!

Responder
Leandro 21/12/2011 14:21:39

Gráfico de meios fiduciários atualizados para o mês de novembro. Segue em queda.

Responder
Carlos Araujo 27/12/2011 18:30:15

O fato das consequências das alterações dos meios fiduciários aparecerem com mais ou menos 3 meses tem a ver com o fato de que a maioria das empresas têm apuração trimestral?

Responder
Leandro 27/12/2011 18:57:34

Esse é um bom ponto, Carlos Araujo, e não deve ser descartado. A questão da contabilidade das empresas é extremamente importante.

Mas também não se pode ignorar o fato de que alterações na quantidade de dinheiro demoram um pouco a surtir efeito. Uma estimativa conservadora é de no mínimo seis meses, podendo até mesmo chegar a um ano. Tudo vai depender de onde esse dinheiro está entrando primeiro e como ele está sendo gasto (nada impede, por exemplo, que ele seja entesourado).

Responder
Carlos Araujo 28/12/2011 18:30:34

Isso revela o fato de que todas aquelas expansões americanas ainda não surtiram efeito na economia. Elas estão guardadas pelos bancos, certo?

Obrigado pelas respostas.

Responder
Leandro 29/12/2011 00:20:03

Correto, Carlos, como foi explicado graficamente aqui.

Grande abraço!

Responder
Leandro 10/02/2012 10:28:30

Gráfico atualizado para dezembro, o qual ajuda a explicar a recente alta do Ibovespa em janeiro.

Responder
Hay 10/02/2012 11:30:43

De onde veio essa expansão bastante grande de Dezembro?

Responder
Leandro 10/02/2012 11:55:04

Hay, como explicado no artigo, os meses de dezembro e janeiro são meses em que a oferta monetária aumenta temporariamente para acomodar as demandas por moeda geradas pelas festas de fim de ano, 13º, férias e afins. Nestes dois meses, tanto a base monetária quanto o M1 tendem a crescer sensivelmente, e só retornam ao níveis de novembro em meados de fevereiro.

Por isso, os meses de janeiro historicamente tendem a ser bons para o Ibovespa. Este não foi exceção.

Abraços!

Responder
Rodrigo 14/03/2012 11:09:24

Leandro você tem o gráfico atualizado para fev de 2012?

Abraços

Responder
Leandro 14/03/2012 12:06:48

Ainda não, Rodrigo. O BC ainda não divulgou os valores diários para fevereiro. Achei que ia divulgar hoje no seu Sistema de Séries Temporais, mas pelo visto vai ficar pra quarta-feira que vem.

Responder
Rodrigo 30/03/2012 11:34:54

Sairam os dados de fevereiro do bacen. Parece que a tendência de queda dos meios fiduciários continua.
Você poderia fazer uma versão atualizada do artigo?

Abraços

Responder
Guilherme 12/02/2012 17:44:48

Parabéns Leandro por mais um excelente artigo.
Minha pergunta é complexa e talvez impossível de ser respondida. Quando você acha que nossa bolha imobiliária vai começar a desinflar? Você acha que o governo consegue mantê-la até o ano das eleições em 2014?
O m2 quadrado de imóveis na zona sul do Rio de janeiro praticamente dobraram de 2010 para cá! Muitos argumentam que isso é devido ao aumento da renda...mas eu gostaria de saber quem teve sua renda dobrada em 2 anos?
A mensagem que nosso governo envia para as pessoas é de que quem poupa dinheiro é burro, porque cada ano que passa ele vale menos. Quem vinha juntando dinheiro nos últimos anos para comprar um imóvel se lamenta muito. Nossa poupança a cada dia se desvaloriza mais e quem se endivida se favorece com a enorme inflação que estamos vivendo não só no mercado imobiliário.
Então o que fazer? Continuar poupando e vendo seu dinheiro valer cade vez menos ou se endividar muito para comprar um imóvel, mas pelo menos não ver seu dinheiro virar pó?

Grande abraço.

Responder
Leandro 13/02/2012 00:57:41

Prezado Guilherme, a melhor resposta que eu posso lhe dar é: "Por gentileza, tenha a bondade de ler os comentários deste artigo". Neles, várias pessoas fizeram exatamente esta sua mesma pergunta, com desdobramentos bastantes completos e complexos.

Vale a pena o trabalho adicional.

Grande abraço!

Responder
garfield 04/03/2012 16:44:31

O que acontece se houver uma diminuição (ou inversão) da entrada de capital externo no Brasil? O BC terá que imprimir mais dinheiro para manter a base monetária? Isso não gerará inflação sem crescimento econômico (estagflação)? Depender de poupança externa é ruim até que ponto?
Desculpe, Leandro, sou leigo no assunto mas acompanho com preocupação o que está acontecendo com a economia do Brasil e do exterior.
Será que caminhamos todos juntos para o apocalipse? Pois o mundo todo não para de criar dinheiro a partir do nada...

Responder
Leandro 05/03/2012 04:53:01

Garfield, normalmente, entradas e saídas de capital estrangeiro não têm por que afetar a base monetária e nem a oferta monetária. Mas pode acontecer de o BC imprimir dinheiro quando estiver havendo entrada de dólares, para tentar manter o câmbio inalterado.

Depender da poupança externa é ruim no sentido de que você se torna dependente dos humores de investidores estrangeiros. Basta que eles comecem a tirar a dinheiro daqui, e tudo se esvai. A menos, é claro, que o dinheiro esteja imobilizado em ativos de longo prazo, como construções ou aeroportos, por exemplo. Neste caso, fica mais difícil a retirada imediata.

um artigo comentando com mais detalhes esta questão do investimento estrangeiro.

Abraços!

Responder
Osvaldo 06/03/2012 13:11:08

Leandro,

Muitíssimo interessante o seu artigo, mas fiquei com algumas dúvidas:

1-Considerando que o FGTS, maior financiador do Sistema Financeiro de Habitação, é uma "poupança" forçada poderia ele então gerar expansões sustentáveis?

2-Por outro lado o FTGS sai da conta do empregador e vai para uma conta estéril do empregado. Ou seja, ele existe como fonte de financiamento não porque o empregado deixou de consumir algo para poupar, mas porque o governo resolveu deixar disponível um dinheiro que não podia antes ser usado. Este movimento pode ser considerado um criador de bolhas?

Abraços!

Responder
Leandro 06/03/2012 15:12:54

É uma pergunta interessante, Osvaldo.

O FGTS, por si só, não altera a quantidade de dinheiro na economia. Logo, ele não tem o poder de criar ciclos econômicos. Porém, ele tem sim o poder de criar distorções localizadas.

O principal problema do FGTS, como você bem colocou, é que ele é uma poupança forçada; é o governo quem a comanda. O FGTS não representa o real desejo dos poupadores, o que significa que ele não é direcionado para aquelas atividades que os donos deste dinheiro julgam ser melhor. Ademais, há também o problema de que o volume do FGTS é totalmente variável. Se em um mês ele aumenta, nada impede que no mês seguinte ele diminua, em decorrência de uma quantia anormal de saques, por exemplo.

Todas estas características explicam, portanto, que o FGTS não tem como gerar expansões sustentáveis no setor imobiliário. O direcionamento dos recursos não é definido pelos poupadores, mas sim por burocratas. Seu direcionamento para o setor imobiliário pode gerar tanto escassez quanto oferta excessiva de imóveis. Se porventura a oferta acabar sendo equivalente à demanda, então isso terá sido meramente um golpe de sorte. Suas chances de ser um investimento sustentável são as mesmas de planejadores centrais definindo o número, os tipos e os tamanhos de sapatos a serem produzidos anualmente.

Grande abraço!

Responder
Lucio 26/04/2012 12:57:28

Leandro,

diante desse cenário, em que situação fica uma construtora que trabalha somente com o próprio caixa? certamente ela sofreria num primeiro momento com a queda no preço dos imóveis, mas dado que não possui dívida alguma (pelo contrário, possui um bom caixa)e que os custos dos materiais de construção e mão de obra devam baixar quando a recessão começar, podemos concluir que se trata de um ótimo investimento, visto que existe um défcite habitacional (logo, demanda por imóveis) e o preço dos terrenos provavelmente vão estar mais baratos.

Podemos concluir então que, nesse cenário, uma construtora com deinheiro em caixa e sem dívidas torna-se um bom investimento?

Quando isso acontecer, qual o melhor lugar pra alocar o dinheiro? ouro?


Obrigado e grande abraço!

Responder
Leandro 26/04/2012 13:11:39

Uma construtora assim merece, acima de tudo, os parabéns. Vários críticos da Escola Austríaca dizem que a teoria dos ciclos econômicos é ingênua porque parece desconsiderar a capacidade dos empreendedores de apreender a lição. Segundo os críticos, após sucessivos ciclos econômicos, os empreendedores já teriam aprendido a lição e, na próxima expansão do crédito, não mais iriam se endividar e começar projetos insustentáveis.

Só que o que estes críticos desconsideram por completo é que, durante uma expansão creditícia, aquele empreendedor que se reprimir e não embarcar na euforia simplesmente irá perder uma importante fatia de mercado. Logo, mesmo os empreendedores mais comedidos e totalmente versados na teoria austríaca acabam sendo obrigados a entrar na farra. Se não o fizerem, seus concorrentes agradecerão, tomarão seus clientes e, com isso, poderão até tirá-lo do mercado. Esta é a nocividade de uma expansão creditícia. Ela inevitavelmente pune os prudentes, de um jeito ou de outro.

Portanto, se existe esta empresa que você citou, de novo, parabéns pra ela. A única preocupação passa a ser vender todas as unidades antes de os preços diminuírem. Se ela é um bom investimento ou não aí vai depender justamente de seus balancetes. É preciso analisá-los e ver as perspectivas futuras. Quanto a investir em ouro, nós do IMB, por questões estatutárias, não damos este tipo de conselho. O leitor deve entender a teoria e tomar sua decisão.

Grande abraço!

Responder
Paulo Sergio 26/04/2012 16:34:06

Mas será que existe mesmo esse déficit habitacional? Ou será que é só gente que quer casa (e quem não quer?) e não tem dinheiro pra isso, nem economizou e faz dívidas ou conta com minha casa minha vida?

Responder
Gil 15/05/2012 09:19:29

Mas e se ao invés de recessão tivéssemos um período de crescimento muito baixo?Algo como 0,5% ao ano?

As correções econômicas seriam realizadas?Ou é necessário uma recessão?

Responder
Hay 15/05/2012 16:20:39

Um período de crescimento muito baixo é uma recessão.

Responder
Gil 16/05/2012 08:48:47

Recessão não é um crescimento do PIB negativo por pelo menos 2 trimestres?

Responder
Luis Almeida 16/05/2012 09:16:04

Deixem de fetiche com essa bobagem de PIB. O PIB, por si só, já é um indicador viciado (quem garante que foi 0,5% e não -2%?). Pior ainda, ele é um indicador manipulável. Basta estimular o consumismo e o PIB cresce, sem que nenhuma riqueza tenha sido de fato criada. Para saber se uma economia está recessão ou não, mais vale conversar com trabalhadores e empreendedores do que olhar números do IBGE.

Responder
Guilherme 05/06/2012 06:03:42

Leandro,

Seria possível atualizar o gráfico da evolução dos meios fiduciários? Seria interessante ver em que ponto estamos depois desses últimos cortes da SELIC!

abraço

Responder
Leandro 05/06/2012 07:04:52

Atualizado, Guilherme. Seguem em baixa, como era de se esperar -- afinal, a SELIC está sendo reduzida não porque o BACEN está injetando dinheiro no mercado, mas sim porque não está havendo demanda por empréstimos bancários. Sem demanda por empréstimos bancários, o mercado interbancário fica menos pressionado, e a SELIC cai.

Responder
Guilherme 05/06/2012 07:46:19

obrigado Leandro!

Responder
Andre 17/07/2012 18:34:01

Leandro, considerando esta contração apresentada nos meios fiduciários neste 1º semestre de 2012, o que esperar com relação à bolha imobiiária no Brasil?\r
\r

Responder
Leandro 17/07/2012 18:44:41

André, notícias atualizadas sobre isso e vários outros assuntos estão neste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1347

Grande abraço!

Responder
Pedro Ivo 24/07/2012 04:18:56

noticia do Correio Brasiliense (versão impressa) de domingo 22-07-2012 mostra [1]construtoras com apartamentos encalhados no DF e [2] dando até 20% de desconto em imóveis novos; [3] reduções entre 50% e 75% dos lançamentos previstos p/ 2012 e [4] desejo de desencalhar os estoques de 2012 para só voltar aos lançamentos em 2013; [5] Agência Fitch baixando a classificação de risco das construtoras brasileiras com ações em bolsa, devido aos estoques não desovados, endividamento e exposiçãoo ; [6]lançamentos de imóveis no DF que até 2011 eram negociados em até 90 dias agora levam 180; [7] preços de imóveis no DF ainda apresentam, na média, em 2012, avanço no preço nominal de 4% à 4,5%; [8] quem comprou para investir, contando com valorização, no máximo vai conseguir o investimento de volta (logo, risco de muita gente pondo a venda o imóvel que foi comprado para investir: o que somado a imóveis em estoque das construtoras será o início do estouro da bolha imobiliária no DF); [9] especialistas do IPEA dizendo que o momento é de quem deseja comprar para habitar, não para investir (conclusão: preços não tem + espaço para avançar).

Detalhe: e tudo isto apesar das tentativas do governo para reflacionar a economia, via juros baixos e + crédito.

Admirável mundo (ou será gado) novo!

Responder
Alinson 30/08/2012 06:08:49

Alguém pode explicar essa notícia.

Responder
Leandro 30/08/2012 06:40:22

A CEF está excessivamente alavancada por causa de seus excessivos empréstimos imobiliários. É hoje o banco brasileiro mais alavancado do mercado. Quanto mais alavancado, mais suscetível a quebras.

Em termos mais específicos, alavancagem é a divisão entre os ativos de risco (empréstimos e debêntures, mas não títulos do governo) de um banco e seu capital. O inverso da alavancagem -- ou seja, o capital dividido pelos ativos de risco -- é o requerimento de capital (popularmente chamado de Índice de Basileia).

Para os bancos brasileiros, o índice de Basileia varia de 13 a 24%. Os piores são a CEF, com 12,8% e o BB, com 14,7%.

Sendo assim, a solução para se reduzir a alavancagem da CEF é aumentar seu capital. Tal aumento pode ocorrer de várias maneiras, sendo a mais tradicional uma emissão de novas ações. No caso da CEF, por ser 100% estatal (logo, sem ações na bolsa), o governo está transferindo ações da Petrobras para o balancete da CEF. Isso irá aumentar seu capital temporariamente. Caso seja insuficiente, e caso aumentem os calotes em seus empréstimos imobiliários, nós pagadores de impostor seremos chamados a socorrer o banco, injetando-lhe dinheiro diretamente. Esta, aliás, foi uma prática pra lá de constante nas décadas de 1980 e 90.

Responder
Hay 30/08/2012 06:57:52

Acho que os colegas esconomista de verdade podem explicar melhor, mas depois de ler esta notícia, que explica um pouco melhor o que é o FIIE, acho que o objetivo dessa medida é implementar as tais "medidas anticíclicas" com o dinheiro da "poupança pública". Essa poupança pública veio do "excedente do superávit primário". É mais ou menos como se você fizesse algo assim (lembre-se de que estou tentando também explicar para mim, hehe):

1) Você recebe 5.000,00
2) Você tem 4.000 reais em despesas fixas e 2.000 reais em juros. Na prática, é óbvio que você está com 1.000 reais de prejuízo.
3) Como não pega bem falar que você está no prejuízo, você diz que seu resultado secundário é de déficit de 1.000 reais.
4 Exclua os juros da conta e diga que você tem 1.000,00 reais de "superávit primário".
5) Diga que sua "meta de superávit" é de 10%, ou seja, 500 reais.
6) Use seu "excedente do superávit primário", de 500,00, e guarde em um fundo para "medidas anticíclicas". Na prática, é claro, você está sendo irresponsável, porque está no prejuízo e dificilmente conseguirá fazer esses 500,00 guardados renderem mais do que os juros que pagará.
7) Quando as coisas começarem a sair um pouco dos eixos, use essa "poupança" para poder gastar mais dinheiro. Chame isso de "medida anticíclica". Ignore o fato de que isso só vai distorcer ainda mais suas contas, e será gasto ainda mais dinheiro em coisas que só dão prejuízo.

Acho que essa injeção de dinheiro na Caixa Econômica está no ponto 7.

Para tornar os números mais agradáveis, emita "Títulos pessoais da dívida" e repasse para seu "Banco de Fomento Pessoal". Retire de sua conta de dívidas a emissão de títulos, argumentando que você na verdade não tem dívidas porque você passou a ter ativos do "Banco de Fomento Pessoal". Parece absurdo? E é. Troque "Títulos pessoais da dívida" por "Títulos Públicos" e "Banco de Fomento Pessoal" por "BNDES". É o que o governo faz.

Responder
Pedro Ivo 02/09/2012 18:04:14

Professor da FGV faz uma correlação entre preços dos imóveis e Copa de 2014

"Brazil's housing prices to meltdown after 2014 World Cup," says FGV professor

eis um resuma da notícia:

"Os preços dos imóveis devem experimentar uma desvalorização severa após a Copa do Mundo de 2014, disse que a economia da FGV, o professor Samy Dana. Ele estima que os preços de muitas propriedades nas 12 cidades-sede podem despencar até 50% após o evento, especialmente em São Paulo.

A demanda por imóveis de fato existe, mas Dana argumenta que os níveis de preços atuais parecem infundados. "Por alguma razão os brasileiros acreditam que todo nosso país de infraestrutura, saúde e problemas de segurança será resolvido nos próximos dois anos, o que, teoricamente, deveria justificar preços mais altos", diz o professor.

E não é apenas a ilusão de que deve puxar os preços para baixo. Como hipotecas foram emitidas mais intensidade entre 2009 e 2010, o ano da Copa do Mundo pode marcar um período de grande inadimplência. Edifícios começaram a ser entregues, novos projetos de lei aparecerão, e o consumidor vai começar a dar calote em sua dívida. Isso provocaria uma onda de venda de imóveis reduzindo preços. Por isso o setor imobiliário não é um bom investimento neste momento. Quem está comprando para vender, vai perder dinheiro depois da Copa do Mundo

Como o proprietário não quer perder dinheiro no negócio, num primeiro momento, relutará em reduzir o preço pedido. Mas o problema que os compradores não estão dispostos a pagar mais. Em outras palavras, haverá um momento em que simplesmente nenhuma oferta estará ocorrendo. O primeiro sinal é não diminuir o preço, mas o volume cada vez menor de negócios. A correção de preços é um processo que demora mais para começar, mas quanto mais pessoas querem vender, e havendi menos compradores, os preços vão cair naturalmente."

Não acho que faça muito sentido. Os preços dos imóveis foram inflados por subsídios ao setor de construção e ao crédito para adquirir imóveis. Esta explicação de que o brasileiro acredita que o Brasil vai melhorar em 2 anos e está investindo com base nesta expectativa é infundada, senso comum, academicista, petulante, estúpida e se baseia num nexo de causalidade que brota do umbigo deste Sr..

Os preços já começaram a cair 2 anos antes da previsão desta criatura. Dia 24-07-2012 eu até postei um resumo do que o Correio Braziliense noticiou a respeito. No Brasil inteiro os preços pararam de subir como foi até 2011. As correções de 2012 devem ser suficientes só para corrigir alguma inflação, se corrigirem.

É espantosa a quantia de paralelos, correlações e causalidades infundadas na academia e imprensa brasileira!!!!!!!

Responder
Ray 12/09/2012 11:00:40

Leandro,

Fantástica explicação! Uma aula de economia para não economistas como eu. Parabéns pelo artigo.

Há possibilidades de atualizar o gráfico dos meios fiduciários para acompanharmos a evolução nos últimos meses?

Responder
Leandro 12/09/2012 11:39:13

Obrigado, Ray. Eu recomendaria que, doravante, já tendo entendido a teoria, você se concentrasse neste artigo, que contém dados mais completos e mais atualizados.

Minha ideia seria atualizá-lo mensalmente, mas os bacanas do IBGE entraram em greve e paralisaram a divulgação dos números do emprego com carteira assinada no setor privado. Tão logo estes estejam disponíveis, irei atualizá-lo.

Grande abraço!

Responder
Ray 17/09/2012 07:52:18

Leandro,

Após ler diversos dos seus artigos e aprender que (fora os fatores econômicos) não existe um motivo aparente para o estouro de uma bolha e simplesmente um dia as pessoas "acordam" do transe. Tentei encontrar números que relacionem a busca por informação e as recente bolhas (EUA e Espanha). E encontrei algo no mínimo curioso.

Existe uma ferramenta chamada Google Insights onde você digita um assunto a ser pesquisado e ela mostra a você um gráfico com o histórico das pesquisas feitas (desde de 2004). Ou seja, você pode ver quantas (proporcionalmente) pesquisas foram feitas com as palavras "bolha imobiliária" desde de 2004.

Nos EUA o estouro da bolha se iniciou em 2007, se olhar o link a baixo do Google Insights para pesquisas feitas com o termo "the housing bubble", perceberá que houve um aumento repentino logo antes do estouro.

www.google.com/insights/search/?hl=pt-BR#q=%22the+housing+bubble%22&cmpt=q

Da mesma forma se você for no Google Insights e chacar as pesquisas feitas pelas palavras "la burbuja inmobiliaria" verá que houve um aumento no seu uso logo antes do seu estouro da bolha espanhola (2008).

www.google.com/insights/search/?hl=pt-BR#q=%22la+burbuja+inmobiliaria%22&cmpt=q

E indo um pouco mais além, se olhar os as palavras usadas para pesquisa como sendo "bolha imobiliaria" ou "bolha imobiliaria brasil". É fácil perceber como desde do final de 2010 houve um senhor aumento neste tipo de busca no google, e que o segundo termo o "bolha imobiliaria brasil" houve uma aumento só agora em 2012. Isto por si só já diz que o brasileiro está tentando entender o que é uma bolha.

www.google.com/insights/search/?hl=pt-BR#q=bolha%20imobiliaria&cmpt=q

www.google.com/insights/search/?hl=pt-BR#q=%22bolha+imobiliaria+brasil%22&cmpt=q

Bem interessante.




Responder
Pedro Ivo 19/09/2012 05:02:17

Venho compartilhar mais esta notícia sobre a bolha brasileira com os colegas. Ele foi publicada em inglês. Lambona e rocambolicamente a traduzo com meu inglês macarrônico. Não a coloquei inteira pois vai junto o link.

Particularmente, partilhamos eu e outros leitores nosso pasmo frente a postura preguiçosa/fanfarrona de figurinhas da mídia de massa em tentar desvalidar a bolha com seus argumentos infantilizados e desonestos. O autor desta reportegem tem opiniões, a meu ver, ponderadas e pertinentes a este respeito.

Ai vai!



Uma breve história do mercado imobiliário brasileiro e porque a bolha pode ter começado a estourar em março passado

Bolha imobiliária do Brasil é o centro de conversas em bares, restaurantes e barbearias.

Apesar do fato de que muitos brasileiros estão conscientemente informadas sobre o assunto, a maioria esmagadora da população não está. E isso ocorre não apenas por causa de ignorância, mas também por causa da desinformação massiva, que é constantemente transmitida por meios de comunicação. Brasileiros "especialistas" como o economista Ricardo Amorim (apelidado de "Índice de Cimento Guy") ou Luis Carlos Mendonça de Barros ("Mendonção", um protagonista do escândalo da privatização Telecom), juram por suas mães que não há bolha imobiliária e nunca vai existir em nosso país. E estes são apenas dois exemplares. A mídia inteira do Brasil cerra fileiras contra uma bolha imobiliária. Obviamente, nenhuma notícia nela.

Mas o que é uma bolha imobiliária? O "rebanho" diz que é quando o crédito habitacional total para indivíduos alcança taxas muito altas em relação ao PIB do país. Por isso, dizem, não há bolha porque a relação hipotecas / PIB do Brasil é de apenas 5%. Mas este conceito é uma falácia - que ajuda o "rebanho" para justificar os preços elevados.

A verdadeira definição de uma bolha é quando os preços dos imóveis aumentaram mais do que (dissociaram-se) do crescimento dos salários de renda, alimentada por governos e banqueiros empurrando e motivando esta mesma população para continuar a comprar. E os burocratas fazem-no via qualquer redução das taxas de juros ou aumento das condições de financiamento (basta comparar os atuais 35 anos contra o padrão de 15 anos em 2004). Basta olhar como os nossos preços de imóveis dobraram ou triplicaram em um 4 ou 5 anos e você terá uma ideia do que uma bolha realmente significa.

Abaixo transcrevo alguns números que explicam a formação da bolha brasileira. Aqueles que se opõem a esses dados, por favor, façam o favor e destruir banco de dados do Banco Central. Os dados abaixo representam o valor financiado (por bancos públicos e privados brasileiros) para todas as unidades habitacionais.

MM / AA / Total Unidades / Crédito Total / valor unitário médio

Junho/12 - 408.522 - R$ 69,780,000,000.00 - R$ 170,810.00

junho/11 - 452.761 - R$ 66,320,000,000.00 - R$ 146,484.00

junho/10 - 353.313 - R$ - R 43,380,000,000.00 R$ 119,939.00

Junho/09 - 289.351 - R$ 29,830,000,000.00 - R$ 103,092.00

junho/08 - 240.418 - R$ 23,397,000,000.00 - R$ 97,322.00

junho/07 - 140.820 - R$ 11,770,000,000.00 - R$ 83,588.00

junho/06 - 85.212 - R$ 6,680,000,000.00 - R$ 78,392.00

Junho/05 - 50.760 - R$ 3,637,000,000.00 - R$ 71,650.00

junho/04 - 48.434 - R$ 2,615,000,000.00 - R$ 53,990.00

junho/03 - 31.220 - R$ 1,792,000,000.00 - R$ 57,399.00

June/02 - 29.897 - R$ 1.731.000,000,00 - R$ 57,898.00

Junho/01 - 38.977 - R$ 1,955,000,000.00 - R$ 50,157.00

Desde 2009, tanto os empréstimos totais quanto o valor unitário médio tornou-se "contaminado" pela inserção das propriedades que fazem parte do programa de baixa renda "Minha Casa Minha Vida" (MCMV). Em 2008, o valor unitário médio foi de R$ 97.322, e não incluem as casas MCMV. A partir de 2009 até março de 2010, com o financiamento de 160.000 casas de baixa renda (com valores não superiores a R $ 60.000,00), que faziam parte do projeto MCMV, pode-se inferir que as casas não-MCMV financiadas no Brasil entre julho de 2009 e junho de 2010 foram financiadas com base em super alta valorização (em ordem para obter o preço unitário médio superior ao do ano anterior).


Responder
Pedro Ivo 23/09/2012 08:45:06

Os economistas do IPEA: "bolha de propriedades do Brasil vai estourar quando as taxas de juros subirem" e "é tudo culpa do governo"


{A bolha que o Brasil vive está cada vez mais difícil de esconder (ao menos de pessoas alfabetizadas e que se dão ao trabalho de procurar informações fora da imprensa de vulgarização). Veja, Isto É, Época, Exame, Isto É negócios, Época negócios – imprensa cuja única preocupação é contar 'boas histórias' – ou serão estórias – e se manter aliada ao estado, um gran anunciante – não divulga as informações que vou citar aqui. Preferem citar as falácias do Ricardo Amorim e congêneres, pessoas que não tem compromisso com a verdade; mas em dizer coisas que não alertem o público contra os erros de seus anunciantes, que não vivem de servir ao público no mercado, mas de disfarçar seus equívocos, e repassar seus custos ao público. Como um trouxa que comprou uma falsificação de Picasso, e se cala na esperança de passá-la adiante, imprensa e seus anunciantes (além do estado) mascaram a situação econômica para induzir o público a erros que os salvem de seus prejuízos. Que de um órgão do estado – o IPEA no caso –, que deveria dar-lhe salvaguarda intelectual, venha uma critica tão devastadora e desmascaradora, é um sopro de vento fresco numa tumba. Que eles alem disso hajam citado a escola austríaca como referencia teórica que melhor explica processos de bolha, chega a nos dar um pequeno luxo: a esperança. E que hajam usado modelos neoclássicos em seus estudos de modo coerente e bem fundado (i. é, como arcabouço contábil para analisar dados; sem substituir bem fundada lógica – praxeologia – por estatísticas interpretadas tolamente; e como aquilo que econometria de fato é, "história econômica recente") nos mostra que ainda há gente honesta na academia (honestidade para além de vãs 'boas intenções', e sim como coerência férrea: entendimento de que somente pela compreensão verdadeira da realidade pode-se agir sobre a mesma). Por esta razão segue abaixo a noticia, que traduzi do inglês, e pode ser checada no original no sítio Brazilian Bubble. Seguem também os links para ler-se o artigo dos economistas do IPEA. Bom inicio de semana a todos, e boa leitura.}


Os economistas do IPEA: "bolha de propriedades do Brasil vai estourar quando as taxas de juros subirem" e "é tudo culpa do governo"


Um estudo realizado por dois economistas do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão do governo brasileiro (acredite ou não), sugere que há "provas concretas da existência de uma bolha imobiliária no Brasil", que pode estourar com um potencial aumento nas taxas de juros.

Segundo os autores, Mario Jorge Mendonça e Adolfo Sachsida, os altos preços de casas, terrenos e apartamentos nos últimos anos resultam de valores irreais e insustentáveis. Eles estimam que os preços, entre janeiro de 2008 e fevereiro 2012, aumentaram 165% no Rio de Janeiro e 132% em São Paulo, em comparação com uma taxa de inflação de 25% no período.

Aqui está como eles definem o seu estudo: "Este artigo verifica a ocorrência de uma bolha imobiliária na economia brasileira. No geral, nossos resultados sugerem a existência de uma bolha no setor imobiliário da economia. A Escola Austríaca de Economia fornece uma explicação sólida para este fenômeno [viva nóis!!!!!!!], reforçadas por meio de técnicas estatísticas, sugerindo que o governo federal equivocou-se na política fiscal e monetária, principais responsáveis pela criação deste problema".

Eis a conclusão final (o estudo completo para download abaixo): "Este estudo empregou várias metodologias, tanto microeconômicas como macroeconômicas para verificar a possibilidade de uma bolha no mercado imobiliário brasileiro. No geral, os resultados apontam para a existência concreta de uma bolha imobiliária no Brasil.

Objetivamente, nosso estudo fornece uma base teórica sólida para explicar por que o governo federal, por meio de suas políticas fiscais e de estímulo de crédito, é o principal responsável pelo surgimento desta bolha. A insistência do governo em estimular ainda mais o mercado imobiliário já aquecido só vai fazer o resultado ainda pior.

Também se deve notar que a maioria dos contratos de hipotecas no Brasil é feito com taxa de juros flutuante. Além disso, como resultado dos estudos econométricos sugerem, o mercado de habitação é sensível e responde negativamente a aumentos nas taxas de juros. Em outras palavras, o aumento nas taxas de juros pode trazer problemas significativos para o mercado imobiliário. Por uma questão de fato, isto é precisamente o que causou a implosão da bolha imobiliária dos EUA em 2007-2008. É claro que as atuais políticas fiscal e monetária implementadas pelo governo brasileiro são inflacionárias. Tais políticas conduzirão inevitavelmente à inflação e ao aumento do custo de vida no Brasil. Taxas de juros globais estão em níveis mínimos recordes, o que significa que, mais cedo ou mais tarde, subirão. Quando acontecer, o Brasil também será obrigado a aumentar a sua taxa de juros doméstica. Só então, os verdadeiros custos associados com os impostos correntes e políticas monetárias expansionistas implementadas pelo governo brasileiro aparecerão.

Naturalmente, ninguém acredita que a crise no mercado imobiliário brasileiro vai ter efeitos catastróficos, como foi o caso nos EUA e alguns países europeus, porque a oferta de crédito no Brasil ainda é restrita. No entanto, os efeitos da explosão da bolha não serão desprezáveis. Quando o governo brasileiro aumentar as taxas de juros, haverá efeito direto sobre o mercado imobiliário. Em seguida, será a vez do Brasil para lidar com uma crise criada exclusivamente pela má gestão das políticas monetária e fiscal do governo brasileiro. Não foi o mercado quem criou a crise, mas o próprio governo brasileiro.

Finalmente, quando um desastre ocorrer, o governo vai procurar o culpado. Ele vai culpar a todos, exceto à sua falta de responsabilidade fiscal e monetária. O Brasil deveria ter tomado seu bom momento na economia mundial para fazer os ajustes necessários que o país necessita. No entanto, o tempo está passando e a oportunidade está sendo desperdiçada. Quando a crise surgir, o governo vai dar uma resposta errada, muito provavelmente aumentando gastos ainda mais, pela criação de uma política fiscal mais expansionista, e facilitando o crédito ainda mais. E essas medidas farão da crise ainda mais duradoura e profunda.

Quando várias pessoas estão erradas por um longo tempo e em magnitude significativa, há um preço que precisa ser pago. A interferência do governo só prolonga e aumenta este custo. Não corrige o erro: só transfere os custos do setor, que cometeu o erro, para o resto da economia. A "bolha" no mercado imobiliário brasileiro está sendo criada e sustentada pelo governo. Quando "explodir", o governo vai propor uma correção, de forma errada, a uma crise que ele próprio criou".


Estudo completo (em Português), aqui.

Responder
Eduardo 07/06/2013 23:21:31

Qual a fonte dos dados do gráfico dos meios fiduciários?

Responder
Leandro 07/06/2013 23:36:03

Todo os dados estão publicamente disponibilizados pelo Banco Central em seu site. Mas eles, infelizmente, não possuem um link direto. Você tem de ir à página principal e dali clicar em todas as variáveis desejadas, montando a sua própria tabela.

Responder
Bernardo F 14/06/2013 19:07:13

A propósito de bolhas imobiliárias ao redor do mundo, vejam a situação da Espanha:

MADRI - Os preços dos imóveis da Espanha tiveram a maior queda em seis anos no primeiro trimestre, elevando preocupações de que o combalido setor bancário do país pode precisar de mais capital, apesar do resgate recebido recentemente.

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), os preços dos imóveis no primeiro trimestre recuaram 6,6%, em relação ao último trimestre do ano passado, a maior queda desde que o órgão começou a compilar os dados, em 2007. Os preços recuaram 14,3%, em bases anuais, após caírem 12,8% no quarto trimestre do ano passado.

O declínio dos preços dos imóveis deverá intensificar a pressão sobre os bancos espanhóis, que estão sobrecarregados com empréstimos para incorporadoras imobiliárias e já estão sendo prejudicados pela contínua depreciação dos imóveis. Nos últimos meses, muitos deles transferiram 50 bilhões (US$ 66,69 bilhões) em ativos desse tipo para um "banco ruim", criado para aliviar a carga de ativos tóxicos em suas folhas de balanço de acordo com os termos de uma pacote de resgate da União Europeia para o setor no ano passado. Mas a contínua queda do mercado imobiliário ameaça criar mais ativos problemáticos.

Sob os termos do resgate, a UE disponibilizou uma linha de crédito de 100 bilhões de euros para os bancos espanhóis até meados de janeiro de 2014, com a garantia do governo da Espanha. Até agora, apenas 40 bilhões de euros foram transferidos para os bancos que estão na pior situação. A maior parte desse valor foi transferido para o Bankia SA, que foi nacionalizado.

Funcionários do governo espanhol disseram que qualquer necessidade de capital adicional deverá limitar-se a menos de 10 bilhões para o setor inteiro.
Fonte: Dow Jones Newswires.

economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,imoveis-na-espanha-tem-a-maior-queda-de-preco-em-6-anos,156475,0.htm

Responder
Angelo Viacava 15/10/2013 00:29:00

Leandro: com algum atraso, procede a notícia?
aqui

Responder
Angelo Viacava 15/10/2013 01:00:15

É que eu já havia lido um artigo teu, que não encontrei, sobre a bolha, de algum tempo. Agora tentam dar como novidade o que já era previsto.

Responder
Leandro 15/10/2013 01:37:59

Deve ser este, de fevereiro de 2010.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=611

De fato, naquela época, quase ninguém falava nisso.

Responder
Libra 09/12/2013 23:04:12

Olá
Congratulações pelo artigo . Muito esclarecedor.

Estou pensando em construir casas para vender...pelo minha casa minha vida!

Achas que devo esquecer?
Grato
Libra

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