Reintroduzindo a ideia da eficiência dinâmica na teoria econômica

O que distingue a Escola Austríaca e lhe proporcionará fama imortal é, precisamente, o fato de haver desenvolvido uma teoria de ação econômica e não de "não ação" ou "equilíbrio econômico".

Ludwig von Mises

1. Introdução

A ciência econômica é o processo de construção mental de um arcabouço axiomático lógico-dedutivo para a compreensão da realidade, composta pela ação humana (e interações humanas) e pelos fenômenos da natureza.  No entanto, nesse processo de compreensão, simplesmente não sabemos de que forma os acontecimentos externos — físicos, químicos e fisiológicos — afetam o pensamento humano, as idéias e os juízos de valor.  O fato de humildemente reconhecer essa ignorância nos remete à necessária divisão do reino do conhecimento em dois campos distintos: o campo dos acontecimentos externos ou da natureza, e o reino do pensamento e da ação humana.  Assim, o dualismo metodológico torna-se não uma preferência, um capricho, mas sim algo necessário na construção do conhecimento.

É por não compreender essa necessidade do dualismo metodológico que os economistas do maisntream (escola neoclássica e os que dela derivam, sobretudo a keynesiana e monetarista) colocaram a ciência econômica em tempos turbulentos, com uma infinidade de explicações insuficientes e até mesmo contraditórias sobre a realidade, e teorias falsas que se perpetuam no meio acadêmico.  É, na verdade, uma crise de método, a crise do paradigma walrasiano[1].

O positivismo na ciência econômica não é possível porque a sociedade não pode ser experimentada em laboratório, isolando fenômenos sociais para então submetê-los à observação.  Não se pode, portanto, estabelecer uma teoria econômica a posteriori.  Logo, somente é possível estabelecer uma teoria a priori, com leis de tendência geradas por teoremas válidos e relevantes.[2]

pirâmmide.png 

Mas o mainstream utiliza-se do positivismo.  E é exatamente por ferir esse princípio metodológico, que suas teorias são equivocadas.  Seu princípio fundamental de eficiência alocativa de recursos leva em conta a idéia de eficiência estática por meio de pressupostos como recursos dados e conhecimento perfeito.  Com isso, o futuro torna-se um mero e predizível desenrolar de uma situação inicial.  A história prediz o futuro.  Consequentemente, o comportamento humano está sendo interpretado como um mero fenômeno da natureza, sujeito a teoremas e previsões estabelecidas a posteriori, por observação e análise de fatos e dados históricos.

Tais pressupostos da teoria neoclássica, no entanto, ignoram dois aspectos humanos fundamentais: a criatividade e as escolhas humanas.  Uma teoria como a neoclássica nos subjuga a um comportamento de gado, sujeitos aos sabores da natureza.  Mas não somos gado.  Somos seres dotados de criatividade e livre-arbítrio[3]. E considerar essa realidade como um axioma ou um pressuposto na construção de uma teoria econômica faz toda uma diferença.  A eficiência alocativa de recursos não pode ser estática, mas sim dinâmica. Vejamos por quê.

2. Criatividade

Criar é uma atividade do pensamento humano.  Pode ser definida tomando por base a concepção de São Tomás de Aquino: como fazer algo a partir do nada (ex nihilo).  É a origem da serendipidade (do inglês serendipity), que consiste na capacidade de fazer descobertas importantes por acaso; em dar-se conta de algo que não se havia percebido até então (HUERTA DE SOTO, 2010, p.61).

Mas o importante em relação à criatividade no conceito da ciência econômica e, especificamente, no conceito da eficiência dinâmica, não advém do seu aspecto psicológico.  O que importa são seus efeitos no meio social — ou seja, a criatividade é um elemento gerador de mudanças quando colocada em prática através da ação humana.  É a ação fruto de uma ideia que cria novos recursos, novas informações, novo conhecimento.  Ação essa tipicamente empresarial.

Para tornar mais claro a importância desses efeitos no desenvolvimento da sociedade, basta observar a origem etimológica da palavra empresa.  Ela procede do latim in prehendo, que significa descobrir, dar-se conta de; e a palavra in prehesa leva à ideia de ação, significando tomar, agarrar. Em suma, empresa é sinônimo de ação.  Consequentemente, o termo empreendedor remete a uma atividade contínua da ação empresarial. Não obstante, este conceito está ligado ao capitalismo, pois deriva da palavra capital, esta de origem etimiológica caput (cabeça), que remete ao significado de pensar, exercício mental.  Em síntese, é a ação criativa (empresarial) que resolve os problemas econômicos.  Logo, qualquer negação ou limitação do capitalismo nega ou limita, consequentemente, o livre exercício mental do ser humano, a subsequente ação criativa — e, consequentemente, também nega ou limita a resolução dos problemas econômicos.

Porém, o exercício mental, e a subsequente ação, não é um processo automático.  Da concepção da idéia, inerente ao pensamento humano, até sua efetivação através da ação, existe uma escolha.  A ideia pode existir, mas pode não ser executada; e, se executada, a escolha implica uma renúncia de diversas outras possibilidades.  É uma questão de livre-arbítrio baseado em fins, juízos de valor.  Ou seja, preferências ordinais do indivíduo em determinada conjuntura.  O livre-arbítrio seleciona a preferência, e ela é revelada por meio da ação.

3. Livre-arbítrio

Uma definição de senso comum da consciência equipara-se à experiência consciente.  O senso comum diz que experiências conscientes ocorrem com numerosos concomitantes: alguns internos, outros externos.  Vejamos um exemplo:

Você está lendo este artigo e parou para refletir sobre o parágrafo anterior.  Ao mesmo tempo em que reflete, escuta um barulho vindo da rua.  Isto o leva a uma opção: verificar a origem do barulho ou ignorar o fato ocorrido.

Isso é um concomitante externo e é de fácil compreensão.  O leitor não se identifica com a ida até a janela caso fosse verificar a origem do barulho.  Logo, esse concomitante não é um elemento fundamental da consciência.  No entanto, quando o leitor passa ao escopo interno da mente (verificar ou ignorar o barulho), as coisas se tornam muito menos claras.

Isso porque verificar ou ignorar são opções de ação do indivíduo.  As opções antecedem e criam o contexto para os subsequentes atos humanos — e, portanto, a possibilidade de um novo contexto surge quando ele opta.  E é justamente essa possibilidade de saltar para fora do velho contexto e entrar em outro, que proporciona a sua liberdade de escolha.  Em todos os momentos, o ser humano enfrenta literalmente miríades de possibilidades alternativas.  Escolhe entre elas e, quando escolhe, reconhece o curso do seu devenir.  Dessa maneira, a opção e o reconhecimento da opção definem o seu "eu".

Assim, todas as experiências conscientes envolvem uma abertura para o futuro; ou seja, estabelecem possibilidades. Nesse processo, devem-se distinguir dois termos com frequência utilizados como sinônimos, mas que diferem na construção do futuro: opção e livre-arbítrio.  Enquanto a opção aplica-se a todos os casos em que o indivíduo escolhe conscientemente ou não entre as alternativas, o livre-arbítrio aplica-se a todos os casos em que uma ação subsequente é praticada com origem em uma iniciativa causal própria; ou seja, há uma deliberação inerentemente consciente do indivíduo.  O Sujeito é aquele que escolhe.  Não é o Cogito, ergo sum, como pensava Descartes, mas o Opto, ergo sum: Escolho, logo existo.

O livre-arbítrio, consequentemente, contrapõe qualquer doutrina determinística, pois "é o agente capaz de dizer não a respostas condicionadas e aprendidas pela experiência." (GOSWAMI, 2007, p. 243).  A experiência aqui mencionada pode ser encontrada em registros históricos, tradições e costumes populares (conhecimento disperso e não sistematizado), não deixando de estar sujeita à interpretação.  Ela pode ser um exemplo, um condicionante da escolha, mas não a obriga de forma determinística. Sendo assim:

Se as condições iniciais não determinam para sempre o movimento de um objeto [e o curso das ações]; se, em vez disso, em cada ocasião que observarmos há um novo começo, então o mundo é criativo no nível básico. (GOSWAMI, 2007, p. 63).

4. Ação humana e eficiência dinâmica

Devido à criatividade e o livre-arbítrio, a ação humana caracteriza-se como um processo constante de novas experiências.  Quando um agente escolhe um determinado curso de ação, as consequências irão depender, em parte, dos cursos de ação que outros escolheram, estão escolhendo ou ainda irão escolher.  Por isso, parece inevitável a plausibilidade do argumento segundo o qual, em um mundo com decisões autônomas, "o futuro não apenas é desconhecido, mas desconhecível." (IORIO, 2007, p.47).

Sendo assim, o futuro deixa de ser um mero "porvir", um mero decorrer determinístico inexorável a partir de circunstâncias dadas e perfeitamente conhecidas, tal qual se apresenta na teoria neoclássica.  O futuro, na verdade, é um "por fazer", incerto e mergulhado na concepção de tempo real[4]. A alocação de recursos não é, portanto, uma mera conta de otimização predizível, mas sim, um processo dinâmico de ação em virtude da criatividade e das escolhas humanas, propiciando um processo constante de novas descobertas (e novos fins que implicam, naturalmente, novos meios para se atingi-los).

Eis aqui o ponto fundamental.  A eficiência dinâmica ultrapassa o conceito neoclássico de eficiência estática e acrescenta a possibilidade não só da criação de recursos no decorrer do tempo, como também da criação e escolha de novas maneiras de alocação, por meio da ação empresarial.  Ou seja, a descoberta e a escolha de novos meios para atingir os mesmos ou novos fins.  É isso que caracteriza a eficiência dinâmica.  A economia é, por esse motivo, um processo dinâmico, e não um jogo de "soma zero".

5. A retomada e consolidação do conceito de eficiência dinâmica

Naturalmente, com a exposição dos argumentos sobre a eficiência dinâmica, ela será reincorporada na teoria econômica.  Ela condiz com o dualismo metodológico necessário no estudo da ciência econômica, sendo um importante contribuinte para resolver a crise metodológica que a ciência econômica vive desde os tempos de Walras até hoje.

Porém, muitos economistas, condicionados pela antiga visão da teoria, não compreendem o processo da eficiência dinâmica, contribuindo para perpetuar os equívocos:

Poucas pessoas se dão ao trabalho de estudar as origens das próprias convicções.  Gostamos de continuar crendo no que nos acostumamos a aceitar como verdade.  Por isso, a maior parte do nosso raciocínio consiste em descobrir argumentos para continuar a acreditar no que cremos. (ROBINSON apud ARAÚJO 2008 p.13)

Para mudar essa visão, basta que esses economistas usem da introspecção e reconheçam que o ser humano não é um gado que deve ser subjugado a uma engenharia alocativa de recursos, tal qual advoga a teoria neoclássica.  Cada pessoa tem a sua própria hierarquia de fins segundo seus próprios juízos de valor, segundo suas escolhas, e isso não é diferente para os próprios economistas do mainstream. Eles estão submetidos ao processo da eficiência dinâmica e, por isso, precisam reconhecer que é o conceito válido.  O conceito é inerente à ação humana.

________________________________________

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAÚJO, C. História do Pensamento Econômico: uma abordagem introdutória. São Paulo: Atlas, 2008.

GOSWAMI, A. O universo autoconsciente. São Paulo: Aleph, 2007.

HUERTA DE SOTO. Estudios de Economía Política. 2.ed. Madrid: Unión Editorial, 2004.

__________________. Socialismo, Cálculo Económco y Función Empresarial. 4.ed. Madrid: Unión Editorial, 2010.

__________________. The Theory of Dynamic Efficiency. New York: Routledge foundations of the market economy, 2009.

IORIO, U. Economia e Liberdade: a escola austríaca e a economia brasileira. 2.ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007.

KIRZNER, I. Competição e atividade empresarial; Rio de Janeiro: Insituto Liberal, 1986.

MISES, L.; Ação Humana: um tratado de economia; 3.ed. Rio de Janeiro: Instituto Liberal. 1990.

_________;Teoría e História. Madrid: Unión Editorial, 2003.

VARIAN, R. Microeconomia: conceitos básicos. Rio de Janeiro



[1] Tanto o conceito de eficiência estática como o de eficiência dinâmica são conhecidos desde a concepção do próprio conceito de economia por XENOFONTE, na Grécia antiga. No entanto, a partir do século XIX, houve a grande influência das ciências naturais sobre a ciência econômica, que resultou na exaltação do enfoque estático de eficiência (principalmente com León Walras) e na supressão do enfoque dinâmico (ver HUERTA DE SOTO, 2009, p.2). Esse conceito estático conduziu a ciência econômica ao positivismo e a estudos de maximização.  Eis a origem do paradigma walrasiano.

[2] O esquema da pirâmide é apresentado na aula 09 da disciplina de "Principios Básicos de la Escuela Austríaca I" pelo proprio Prof. Huerta de Soto (http://www.anarcocapitalista.com/JHSLecciones9.htm).

[3] Tanto a criatividade como o livre arbítrio podem ser axiomas, pois, no primeiro, para negar a existência da criatividade é necessário criar um argumento para contestá-la; no segundo, faz-se uso do próprio livre- arbítrio para reconhecê-lo ou ignorar sua existência.

[4] Ver IORIO, 2007, p. 50.


0 votos

SOBRE O AUTOR

Domingos Crosseti Branda
é mestre em Economia da Escola Austríaca pela Universidade Rey Juan Carlos, Madri.


Henrique Zucatelli
Bom dia
Sei que ter capital, fundos, poupança é importante mas:
Será que os consumidores quererão os meus produtos e serviços.
Se ninguém se interessar em comprar meus produto ou serviço que eu estou vendendo?
Se surgir uma oportunidade de negócios vou perder?
Meus concorrentes oferecerem melhores produtos e serviços que eu vou ter que aprimorar meus produtos ou serviços senão vou pra falência.
Isso estou vendo do lado do produtor, fornecedor de produtos e serviços.
Do lado do consumidor:
Será que preciso desse produto ou serviço?
Se preciso vou pagar a vista ou a prazo?
Caso eu compre à vista vou ter de poupar para adquirir o produto ou serviço que quero.
Caso eu compre à prazo vou ter de calcular quanto do meu ganho posso desprender para gastar.
Qual é melhor comprar a prazos curtos ou longos?
E finamente o que não se deve fazer:
Vou tomar empréstimo para comprar bens de consumo.
Vou compra itens no cartão de débito\crédito mesmo que não tenha fundos para cobrir o mesmo.
Vou Tomar empréstimo para pagar o cartão.
Isso do lado do consumidor.
Do lado do produtor\finacista e fornecedor de serviços:
Vou produzir itens em grande quantidade, mesmo que não consiga vender tudo.
Vou me associar a políticos para que tenha venda cativa de produtos e serviços para o governo cobrando acima do mercado e oferecendo produtos e serviços ruis
Vou toma empréstimo do governo para especular a compra e venda de empresas, mesmo que não entenda o que elas produzem ou serviço que elas oferecem.
Criarei lobis junto ao governo para que os meus interesses sejam atendidos.
Se falir terei AMIGOS no governo e me dá uma mãozinha.

O item 4 é contraditório com o item 10.
O professor Mueller tem uma visão um tanto equivocada com respeito à lógica.
Tanto a lógica aristotélica, quanto a lógica simbólica, incluindo a teoria dos conjuntos, são sistemas de ordenação argumentativa orientados na direção dedutiva nos quais a inferência está ligada necessariamente às premissas.
Para que o valor seja logicamente subjetivo, temos que incluir o valor campo dos objetos predicados por subjetivo.
Ora, vejam:
Para que isso ocorra, temos de recorrer às definições desses termos, pensando no método geométrico, as definições deveriam anteceder às teses, não estar incluídas nelas. Se ocorrer essa inversão lógica, o argumento é falacioso, chamada de Petição de Princípio (vide ORGANON - Aristóteles; COPY - Manual de Lógica; pesquisem sobre método geométrico)
Além disso, para que não haja inconsistência entre os itens 4 e 8 o trabalho deveria ter sido definido, tal como o valor o foi, como subjetivo. Senão o item 8 cria uma ambiguidade na passagem (por si só) que, do ponto de vista lógico, é um condicionante. Sem tal definição, o valor parece ter uma parte subjetiva e outra objetiva e, pior ainda, somente o condicionante do valor parece ser subjetivo. Se o trabalho não for caracterizado como subjetivo, o valor é efetivado objetivamente e, portanto, é objetivo.

Uma reordenação não viciada desses itens deve começar supondo o item 4, isto é, ser uma hipótese (eliminação do item 10). Posteriormente, definir o trabalho ou, por extensão ampliativa, incluir o trabalho no item 4.
"Se "4" e o trabalho for subjetivo, então "1""2""3""5""6""7""8""9""

Outro problema, mais grave, é usar o termo subjetivo e, por extensão, objetivo como predicados lógicos, i. é., características de coisas. A distinção entre subjetivo e objetivo é maior, isto é, anterior no processo de conhecimento, do que aquilo sobre o qual a lógica trata: as relações entre enunciados. Digamos, em termos mais simples, subjetivo não é uma característica de coisas, mas de afirmações, frases (vide POPPER - Lógica da Pesquisa Científica; RUSSELL & WHITEHEAD - Principia Mathematica; TARSKI - A Concepção Semântica da Verdade). Para incluir subjetivo e objetivo no vocabulário é necessário realizar uma metalinguagem que, por definição, exigirá a suspensão e a revalidação das definições. Dizer o por que tais definições devem ser aceitas.

A tentativa de criar leis em uma ciência que sejam a priori não funcionou nem na Física (vide KANT - Crítica da Razão Pura), mesmo na matemática (vide o embate entre FREGE e HILBERT) a tentativa foi, em parte, frustrada. Esse tipo de posição, chamada de Fundacionista, é uma visão, sinto informar, ultrapassada. A exigência de indicações empíricas e construções não totalizantes é regra fundamental para alcançar qualquer teoria saudável no pensamento científico atual.

PS. Desculpem-me o tecnicismo, não tenho o hábito de escrever para leigos. Devo melhorar nesse aspecto.
Bom dia Vladimir, como vai?

Que bom que começou a entender o começo da história. Agora falta a outra metade.

Não tem como prevermos a inovação. Pode parecer pleonasmo, mas inovar é fazer o novo, algo que ninguém fez até hoje. E isso pode dar certo (ou não). Claro que quando pensamos em inovações sempre vem a mente exemplos de sucesso como Apple, Microsoft, Ford e outros. Mas nos esquecemos que estes foram os vencedores. Em seus respectivos momentos, existiram dezenas (ou até centenas) de concorrentes brigando para saber quem iria se perpetuar, e a maioria caiu no caminho, foi absorvida ou simplesmente esquecida.

Se quiser entender mais como funcionam todos esses sentimentos de um grande inventor nos primórdios de sua carreira, recomendo que leia um livro muito bom (meu de cabeceira) do próprio Henry Ford- Os princípios da prosperidade . Tenho um exemplar da primeira edição, com o autógrafo do tradutor, ninguém menos que Monteiro Lobato. É um tesouro que guardo com muito carinho.

Voltando ao assunto, como toda inovação é nova (!), precisará de uma dose maciça de confiança de quem produz, aliado ao fato de que são recursos direcionados a esse projeto, com pouca ou nenhuma certeza de que irá dar certo. Repito à exaustão: quando olhamos invenções consagradas damos um valor a elas que não existia na época.

Justamente por esse princípio, é necessária a existência de poupança para financiar esses projetos. Sem poupança, sem inovação, por melhor que seja a ideia. Se tiver interesse nesse assunto, recomendo um ótimo livro de Peter Schiff - Como a economia cresce, e por que ela quebra .

Inclusive está a venda aqui no IMB:
www.mises.org.br/Product.aspx?id=55 .

Para finalizar, é melhor entender um pouco mais sobre como funciona o socialismo, e porque ele está sempre fadado ao fracasso. Como bem ilustra a Venezuela, os defensores do socialismo desconhecem uma lei básica da economia

Um grande abraço, e ótima semana para ti.










"só consigo comprar um IPhone por 'apenas' R$ 2000,00 porque ele é produzido aos milhões. Caso grande parte da população deixasse de comprar IPhone essa economia seria menos efetiva e com certeza cada IPhone custaria mais para ser produzido. Exemplo canônico: quase ninguém compra uma Ferrari e isso não faz ela ser mais barata, muito pelo contrário, ela seria muito mais barata se todo mundo comprasse uma: seria produzida na China e se chamaria Jac. :D"

Existem duas maneiras de um produto baratear, isto é produzir em larga escala com preços reduzidos ou produzir em larga escala com preços reduzidos e não houver demanda para tal produção, isso significa que pessoas estão se abstendo do consumo ou estão em crise. Portanto, as pessoas que pouparam ontem, hoje podem estar consumindo Iphones e ferraris ou investindo em bens de capital e assim aumentando ainda mais a abundância dos produtos.
Essa situação da demanda aconteceu recentemente com o consumo reduzindo e os preços acompanhando essa redução do consumo praticando menores preços.

"Além da economia de escala existe outro fator que você desconsiderou, as indústrias de bens não são facilmente reconfiguradas para produzir bens para as quais não foram inicialmente projetadas."

Para produzir bens tem que haver capital e o último advém de poupança. Contudo, para haver poupança para a população, os impostos sempre terão que ser baixos e isso possibilitaria empresas de várias partes do mundo vir produzir aqui pelas novas medidas do governo. As indústrias vindas do exterior automaticamente estaria trazendo seu conhecimento e técnicas para tal trabalho, isso significa que o país poderá produzir bens que não eram bons. Essa situação ocorreu na Coreia do Sul, Hong Kong, Taiwan, Japão e Singapura.
Coreia do Sul não tinha LG, SAMSUNG e Hyundai, e em pouco tempo pelos investimentos estrangeiros obteve conhecimento necessário para produzir o que não sabiam, produtos de alta tecnologia e carros.
Hong Kong seria tecnologia.
Taiwan idem de Hong Kong.
Japão acho que seria o setor automobilístico.
Singapura seria produtos de alta tecnologia.
Até tempo atrás não eram bons no que fazem hoje, e em pouco tempo conseguiram a façanha de realizarem tal ato.


ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Daniel Marchi  12/09/2011 11:20
    Excelente artigo. É interessante notar que os diferentes conceitos de eficiência expostos pelo autor refletem um dos principais panos de fundo do debate do cálculo econômico no socialismo, ocorrido na primeira metade do séc. XX.

    Grosso modo, sob a abordagem estática da tradição neoclássica, o cálculo econômico no socialismo é viável. Já sob a ótica dinâmica da escola austríaca, o cálculo econômico racional num regime socialista é impossível. A realidade dos fatos e a história permitem que cada um avalie qual arcabouço teórico é o mais apropriado.

    Sobre a história do debate, lembro a palestra do prof. Fabio Barbieri proferida no I Seminário EA.
    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=51
  • Ubiratan Iorio  12/09/2011 14:55
    Escelente artigo, Domingos! Para mim, é extremamente gratificante saber que não me sinto mais sozinho, tal como São João Batista - uma voz clamando no deserto - na defesa dos princípios da EAE. Parabéns e muito obrigado!
  • Domingos  12/09/2011 17:52
    Ilustre,\r
    \r
    Eu é que agradeço ao senhor. Seus artigos e livros contribuíram (e ainda contribuem) em muito na formação do meu pensamento econômico.\r
    \r
    Que o senhor continue com as virtudes de São João Batista e, sobretudo, não desanime na coicidente missão de "chamar os homens à conversão".\r
    \r
    Gostaria que soubesse, realmente, que não está mais sozinho. Seu trabalho já evidencia frutos em diversos lugares, e que pode contar com este discípulo aqui.\r
    \r
    Um grande abraço
  • Felipe Rosa  12/09/2011 16:49
    Artigo sensacional...repito, um daqueles artigos que valem por (pelo menos) uns tres semestres de faculdade.
  • Tiago Moraes  14/09/2011 07:17
    Eu li a obra de Walras, e muito embora ele construa modelos algébricos de Equilíbrio geral, a noção de equilíbrio real, em Walras, é meramente intuitiva e muito mais próxima da visão de equilíbrio dinâmico da EA do que se imagina. Foram os sucessores de Walras que fizeram n interpretações e derivações a revelia do raciocínio deste para construírem a atual noção estática de equilíbrio (principalmente Pareto). Diz Walras em sua obra, que as forças de mercado, caso livres, sempre tenderão a uma situação de equilíbrio mas nunca o alcançando porque na rota da busca pelo ponto de equilíbrio, as variáveis econômicas estarão sempre se modificando, de forma tal que o ponto de equilíbrio nunca estará presente no mesmo lugar, mas sempre se deslocando para posições diferentes.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.