clube   |   doar   |   idiomas
Os empregos e as importações

N. do T.: O artigo a seguir foi adaptado para a realidade brasileira.

 

O governo brasileiro, preocupado com um possível efeito negativo das importações sobre o nível de empregos na indústria nacional, preparou um pacote de estímulos, isenções e subsídios à industria nacional — o Plano Brasil Maior.

Por trás de toda essa pirotecnia está o velho e, aparentemente, inacabável temor da desindustrialização e do consequente desemprego gerado pelo livre comércio e pelas importações chinesas.

Quando não estão culpando os juros altos, políticos e analistas econômicos sempre gostam de explicar o aumento do desemprego na indústria com argumentos protecionistas, os quais estão dentre os mais velhos e mais controversos argumentos econômicos.  O desemprego, exaltam-se eles, é o preço que pagamos por participarmos de uma economia globalizada na qual chineses e vietnamitas desempregados ou subempregados estão dispostos a trabalhar em troca de um salário famélico, o que faz com que o preço final de seus produtos seja imbatível.  

Sendo assim, o livre comércio, prosseguem eles, passa a ser algo extremamente injusto para a nossa indústria nacional, a qual não tem condições de concorrer com os produtos asiáticos — seja porque nossas leis trabalhistas são onerosas, seja por causa da alta carga tributária, seja por causa do câmbio valorizado, o que barateia as importações.  Consequentemente, milhões de brasileiros que trabalham no setor industrial são condenados à indignidade e à privação do desemprego.  A única solução, quando não a manipulação direta do câmbio, é dificultar ao máximo as importações, impondo tarifas protecionistas e aumentando os subsídios para a indústria nacional.

Curiosamente, se o comércio exterior fosse responsável por demissões, o fenomenal aumento das importações observado nas últimas décadas deveria não só ter desempregado todos os brasileiros que trabalham na indústria, como também deveria ter aniquilado a própria indústria nacional.  De acordo com dados do Banco Central, as importações brasileiras na década de 1950 totalizaram US$ 12,8 bilhões.  Na década de 1960, aumentaram US$ 13,8 bilhões.  Na década de 1970, aumentaram em sete vezes, para US$ 97,2 bilhões.  Na década de 1980, com a política da substituição de importações, o ritmo do crescimento reduziu bastante, aumentando em um fator de apenas 1,7, indo para US$ 168,9 bilhões.  Na década de 1990, o aumento foi de 2,3 vezes, chegando a US$ 390,6 bilhões.  E, finamente, de 2000 a 2010, as importações já passaram de US$ 1,04 trilhão.  Se as importações destroem empregos, então esse aumento de 8.025% desde a década de 1950 deveria ter aniquilado com todos os empregos da indústria nacional.

É difícil imaginar como seriam nossas atuais condições de trabalho e nossa atual qualidade de vida caso o governo brasileiro tivesse fechado suas fronteiras, como defendem os protecionistas radicais e os seguidores da CEPAL.  A interrupção do comércio estrangeiro e a consequente retaliação internacional às nossas importações, em conjunto com o esmagador fardo tributário e regulatório que nossos sucessivos governos impuseram à economia, certamente teriam jogado o país em uma profunda depressão.  Com as fronteiras fechadas, não haveria investimentos estrangeiros.  E sem investimentos estrangeiros, não haveria capital com o qual criar novas indústrias no Brasil, principalmente as automobilísticas, e não teríamos como importar todos os bens de capital que hoje são utilizados para aumentar a produtividade da mão-de-obra e, consequentemente, seus salários.  Mais ainda: sem investimentos estrangeiros, não teria sido possível criar o Plano Real, pois não haveria as necessárias reservas internacionais para implementá-lo. 

O Brasil estaria paralisado, empobrecido e completamente isolado do processo de globalização.

Empregos

O emprego sempre foi e sempre será um fenômeno relacionado à produtividade e ao custo da mão-de-obra.  Em uma economia de mercado, tanto em épocas de crescimento quanto em momentos de recessão, a demanda por uma mão-de-obra que faça contribuições positivas sempre será ilimitada.  Aquela mão-de-obra que custa mais do que pode produzir — seja ela não-qualificada ou seja ela detentora de três diplomas — não possui nenhuma demanda.  Do ponto de vista dos potenciais empregadores, ela é absolutamente "improdutiva".  Isso é válido para atores de cinema e para administradores, para analistas de sistemas, programadores de softwares, engenheiros de automação e cientistas aeronáuticos.  Se Ph.D.s em matemática não estão conseguindo encontrar empregos, é porque seus potenciais empregadores acreditam que eles são bastante "improdutivos" considerando-se o custo total de sua mão-de-obra em relação à sua produtividade.

Boa parte da mão-de-obra que possui diploma universitário está desempregada porque está fora de sintonia com o mercado de trabalho.  São pessoas que foram educadas de acordo com currículos formulados por burocratas do Ministério da Educação e fartamente financiadas por impostos.  Não estão acostumadas a cobranças e à realidade do mercado.  Sob esse arranjo, vários diplomados estão extremamente mal equipados para ocupar empregos úteis.  Daí o apagão da mão-de-obra qualificada e o crescente aumento de pessoas diplomadas trabalhando em empregos fora da área em que formaram; empregos estes (teoricamente) abaixo de sua qualificação. 

Em praticamente todos os setores da economia, os empregadores fornecem cursos de treinamento para aumentar o conhecimento e a produtividade de seus contratados, pois estes saíram das universidades sem saber nada.  Porém, tais empregadores não ofertarão tais programas de treinamento caso os custos destes sejam proibitivos em relação ao que o trainee pode produzir, de modo que os resultados finais do treinamento sejam insuficientes para cobrir as despesas do processo.

Os empreendedores de sucesso estão continuamente se ajustando às alterações na demanda, na oferta, na tecnologia, nos custos de transporte, nos custos da mão-de-obra e do capital, nas regulamentações e nos obstáculos governamentais, nos impostos, na burocracia, na concorrência doméstica e internacional.  Cada indivíduo inserido na ordem de mercado está sob pressão para se ajustar a essas mudanças e, com isso, se manter produtivo.  É claro que ele também é livre para ignorar as pressões; a datilógrafa pode perfeitamente continuar querendo apenas teclar sua máquina de escrever.  O que ela não pode é insistir que ela seja subsidiada por outros trabalhadores e empregadores.  O mesmo é válido para um engenheiro aeronáutico graduado com honras no ITA e que sabe construir grandes aviões militares.  Em épocas de guerra e de preparações para a guerra, seus serviços estarão sob forte demanda.  Em épocas de paz, ele terá de aprender atividades mais pacíficas.  Ele não possui o direito natural de viver à custa do trabalho alheio.

A concorrência internacional é tão benéfica quanto a concorrência doméstica.  De um lado, ela obriga os vendedores a superarem seus concorrentes, forçando-os a oferecerem bens e serviços melhores e mais baratos; de outro, ela obriga os consumidores a também superarem seus concorrentes (os outros consumidores), forçando-os a terem a disponibilidade de pagar preços maiores. 

Tarifas protecionistas e outras restrições ao comércio exterior geram o efeito totalmente oposto: elas criam reservas de mercado, permitindo que produtores protegidos ofereçam produtos inferiores a preços mais altos.  Elas distorcem a cadeia produtiva, pois seus incentivos tortos, criados por burocratas, fazem com que a produção muitas vezes tenha de sair de lugares em que as condições naturais para a produção são mais favoráveis e vá para lugares em que as condições são menos favoráveis.  Elas afetam a distribuição da mão-de-obra, a qual abandona aquelas indústrias exportadoras que operam sob forte ambiente concorrencial, e que pagam salários mais altos, e vai para as indústrias protegidas, que geralmente pagam salários mais baixos.  Em suma, as restrições ao livre comércio afetam a produção e, consequentemente, reduzem o padrão de vida.

A competitividade de uma empresa tanto no mercado doméstico quanto no mercado internacional é determinada pelos seus custos totais, dentre os quais os custos da mão-de-obra (com seus encargos sociais e trabalhistas) são apenas um dos componentes.  Em indústrias intensivas em capital, como a farmacêutica, a química, a aeronáutica, a siderurgia e a indústria de maquinários, o custo do capital tende a determinar a competitividade.  Essas indústrias não concorrem com os produtos chineses, e seus maiores obstáculos são as regulamentações governamentais sobre as importações de bens de capital, bem como a carga tributária sobre tais bens.  Já nas indústrias intensivas em mão-de-obra, o custo total da mão-de-obra é decisivo, e aqui a concorrência chinesa é forte.  Porém, novamente, o maior empecilho a estas indústrias está nos obstáculos criados pelo governo, como a carga tributária e os encargos trabalhistas, nos quais o Brasil é nº 1 do mundo, muito acima da média dos países europeus.

Ademais, se um empreendedor comprar uma máquina para aumentar a produtividade dos seus empregados, ele terá de arcar com ICMS, PIS e COFINS, o que faz com que o investimento fique onerado em até 36%, somente por causa desses impostos.  Quanto mais longa a cadeia produtiva, mais acumulados ficam os impostos.

A questão das importações

Se as importações chinesas estão "tomando mercado" dos produtos brasileiros é porque os consumidores brasileiros estão voluntariamente mostrando que preferem aqueles produtos (talvez por serem mais baratos) aos produtos brasileiros.  E é isso que políticos, analistas econômicos e empresários mercantilistas não querem aceitar.  O que eles querem, na verdade, é um decreto governamental que proíba os consumidores brasileiros de exercerem livremente suas preferências no mercado.  No extremo, querem que os brasileiros sejam obrigados a comprar apenas os bens produzidos nacionalmente.

Até onde se sabe, não há agentes terroristas a soldo do governo de Pequim agindo livremente no Brasil, apontando uma arma para os brasileiros e obrigando-os a comprar seus produtos.  Se os consumidores brasileiros voluntariamente optam por consumir produtos chineses, é porque algum atrativo estes devem ter.  Se não tivessem, não seriam consumidos.  Afinal, por via de regra, um indivíduo só pratica uma transação voluntária quando ele acha que a troca lhe trará benefícios. 

Tarifas sobre produtos chineses afetam os mais pobres de maneira muito mais cruel e direta do que os ricos.  Encarecer artificialmente produtos importados apenas para agradar empresários com boas conexões políticas é um ato no mínimo criminoso.  Proibir que os mais pobres tenham acesso a produtos baratos com a desculpa de se estar protegendo a indústria nacional é, com muita boa vontade, um argumento ridículo e imoral.

Afirma-se também que o câmbio está excessivamente apreciado, e que isso está artificialmente estimulando a importação.  Outro argumento sem sentido.  As empresas que reclamam estar sofrendo "competição desleal" por causa do dólar barato poderiam muito bem se aproveitar desse dólar barato e importar bens de capital que ajudariam a aumentar sua produtividade e, consequentemente, a diminuir seus preços.  Com preços mais baixos, a qualidade dos bens que produzem poderia até ser mantida, pois isso já seria suficiente para concorrer de igual pra igual com os chineses.  

Alguns poderiam contra-argumentar dizendo que preços menores fariam com que os lucros caíssem, o que obrigaria as empresas a reduzir investimentos, cortar a produção e demitir.  Mas eles esquecem que a lucratividade não é determinada pelo número absoluto de reais obtidos; lucratividade é uma questão de margens.  Se os preços caem, mas os custos de produção também caem na mesma medida, então a margem de lucro permanece constante.  Porém, como uma diminuição de preços resulta em um maior volume de vendas, essa margem de lucro constante irá gerar maior lucratividade por causa do maior volume de vendas.  Muito mais bens são vendidos a $100 do que a $150, por exemplo.  Assim, a receita que foi perdida por unidade vendida é mais do que compensada pelo maior volume de vendas.

Mas ao invés de utilizar seu dinheiro para modernizar suas empresas e ganhar lucratividade, os empresários mercantilistas preferem gastá-lo fazendo lobby em Brasília, já que a pressão política traz resultados mais rápidos, mais baratos e, melhor de tudo, evita os árduos esforços exigidos pelo mercado.

Por fim, um argumento aparentemente válido é o de culpar os altos custos trabalhistas impostos pelo governo, o que retira dinamismo e capacidade de investimento em comparação às indústrias chinesas.  Isso é verdade, como mostramos acima.  Mas por que então não atacar justamente esse ponto?  Não é justo e tampouco há qualquer argumento econômico para penalizar aqueles que nada têm a ver com a situação, obrigando-os a comprar produtos mais caros.  Ao passo que o livre comércio gera riqueza — pois podemos adquirir produtos mais baratos daqueles que os fabricam com mais eficiência —, sua proibição significa a necessidade de utilizar mais recursos para produzir menos riqueza.  No final, todos perdem com esse desperdício (exceto os protegidos, como ocorreu com vários setores da economia brasileira durante a década de 1980).

Além de ridículo, o argumento protecionista é também imoral porque nenhum político, burocrata ou empresário tem o direito de definir o que um indivíduo pode comprar, de quem ele pode comprar e a que preço ele pode comprar.  Se damos ao estado o direito de escolher essas variáveis, então já não mais estamos no controle de nossas vidas.  Nosso arbítrio não mais é livre e não mais nos pertence. 

Conclusão

O protecionismo subsidia o ineficiente e tende a agravar a ineficiência, não importa se a indústria protegida é infante ou madura.  Tarifas de importação fazem também com que as administrações incompetentes não sejam punidas pelo mercado, que os custos de produção não sejam controlados (o que provoca o desperdício de recursos escassos) e que haja inúmeras concessões aos sindicatos.  O resultado, no longo prazo, será uma indústria perpetuamente não competitiva — como foi a indústria automotiva brasileira até os anos 1990.  Apenas a livre concorrência pode fazer com que uma empresa ou indústria se mantenha permanentemente competitiva — ou quebre.

Àqueles que creem que adotar tarifas protecionistas é necessário para proteger e melhorar a eficiência das indústrias — por mais paradoxal que seja acreditar que a melhor maneira de levar eficiência a um setor é protegendo-o da concorrência —, ficam as seguintes perguntas: Tarifa de quanto?  Por que tal valor?  Por que não um valor maior ou menor?  Por quanto tempo deve durar tal tarifa?  Por que não um tempo maior ou menor?  Qual setor deve ser protegido?  Por que tal setor e não outro?  E, finalmente, por que o segredo para a eficiência é a blindagem da concorrência?

Àqueles que defendem subsídios diretos via BNDES, as perguntas acima também se aplicam.  Como é possível alguém achar que despejar subsídios em empresas fará com que elas se tornem mais produtivas?

A única medida que estimula a produtividade e a inventividade chama-se concorrência.  Qualquer política que proteja um determinado setor da concorrência de outros irá apenas perpetuar a ineficiência deste.

Livre comércio é, por definição, um comércio justo.  Aqueles que o negam para os outros não merecem tê-lo para si próprios.


0 votos

autor

Hans F. Sennholz
(1922-2007) foi o primeiro aluno Ph.D de Mises nos Estados Unidos.  Ele lecionou economia no Grove City College, de 1956 a 1992, tendo sido contratado assim que chegou.  Após ter se aposentado, tornou-se presidente da Foundation for Economic Education, 1992-1997.  Foi um scholar adjunto do Mises Institute e, em outubro de 2004, ganhou prêmio Gary G. Schlarbaum por sua defesa vitalícia da liberdade.


  • Alinson  22/08/2011 08:46
    Nossa, me sinto muito feliz por ter lido tais palavras. Vejo que estou ganhando aos poucos minha liberdade intelectual. Sim, qualquer leigo inteligente entenderá o recado dos artigos aqui publicados.
  • Alexandre M. R. Filho  22/08/2011 15:14
    ESSE AQUI É O MELHOR RESUMO DA "AÇÃO HUMANA" E COMO O ESTADO É CRUEL AO NEGAR O CURSO NATURAL DAS COISAS:\r
    \r
    "Se as importações chinesas estão "tomando mercado" dos produtos brasileiros é porque os consumidores brasileiros estão voluntariamente mostrando que preferem aqueles produtos (talvez por serem mais baratos) aos produtos brasileiros. E é isso que políticos, analistas econômicos e empresários mercantilistas não querem aceitar. O que eles querem, na verdade, é um decreto governamental que proíba os consumidores brasileiros de exercerem livremente suas preferências no mercado. No extremo, querem que os brasileiros sejam obrigados a comprar apenas os bens produzidos nacionalmente.\r
    \r
    Até onde se sabe, não há agentes terroristas a soldo do governo de Pequim agindo livremente no Brasil, apontando uma arma para os brasileiros e obrigando-os a comprar seus produtos. Se os consumidores brasileiros voluntariamente optam por consumir produtos chineses, é porque algum atrativo estes devem ter. Se não tivessem, não seriam consumidos. Afinal, por via de regra, um indivíduo só pratica uma transação voluntária quando ele acha que a troca lhe trará benefícios."\r
    \r
    ENFIM, ÓTIMO TEXTO!!!
  • Getulio Malveira  22/08/2011 19:16
    Muito bom texto, muito bem adaptado e muito conveniente diante do lançamento de mais um programa da infindável série de "programas" do governo (acho que descobri onde foi empregado o sujeito que todo ano inventava novas regras para o campeonato brasileiro até 2003: deve estar em Brasília!)

    Especificamente sobre este trecho:

    "Boa parte da mão-de-obra que possui diploma universitário está desempregada porque está fora de sintonia com o mercado de trabalho."

    gostaria de ver este ponto explorado mais ostensivamente. Desde que tomei conhecimento da análise austríaca que nos faz ver o efeito distorcivo da intervenção estatal sobre a estrutura de produção, me ocorreu a idéia de que o mesmo raciocínio poderia ser aplicado ao efeito da educação pública (ou regulamentada) sobre o mercado de trabalho (com muito mais prejuízo já que o tempo desperdiçado nela é um bem que não se substitui). O IMB publicou a poucos dias alguns artigos sobre educação publica, penso talvez que algum dos membros poderia explorar melhor o assunto.
  • CR  22/08/2011 20:12
    Excelente artigo. Via-de-regra o protecionismo tenta proteger aquelas empresas que "investiram" na campanha, em detrimento de todo povo, encerrado no quintal. O engraçado é que muitas delas, como a indústria automobilística, apenas explora a mão-de-obra e o bolso do consumidor brasileiro, porquanto nenhuma é nacional.
  • ANDRE LUIS  22/08/2011 21:22
    Olá amigos

    O assunto China está cada vez mais em pauta. Tenho uma dúvida e gostaria de levantar a questão aos articulistas e aos demais leitores.

    Ninguém ignora que a China é um país extremamente populoso e possui regime fechado de governo, portanto não há imprensa livre.
    Num ambiente ditatorial, seria muito difícil averiguar as reais condições de trabalho nas empresas. Como afirmar que ainda hoje não estariam funcionando em pleno vapor os Laogai (campos de reeducação pelo trabalho)? Se a China fosse um país comunista atípico, isto é, se não escravizasse sua população (com as mais belas intenções, é claro), como poderiam produzir produtos tão baratos?

    A minha dúvida é: Na hipótese da propaganda oficial chinesa estar encobrindo tais atividades, como o Brasil, por exemplo, poderia sobreviver a esta realidade sem igualmente escravizar uma parcela da sua população?

    obrigado a todos
  • Leandro  22/08/2011 22:18
    Isso não altera nada, Andre Luis. Muito pelo contrário, aliás: só favorece o mercado consumidor (o Brasil) em detrimento do mercado produtor (a China).

    No caso extremo de os chineses estarem sendo tolos o suficiente para nos ofertar produtos a preços realmente abaixo de custo, o certo seria que corrêssemos para aproveitar tal oportunidade, antes que os bobos de lá caíssem em si. Se, por exemplo, a China, por pura extravagância, resolver inundar o mercado brasileiro com aço bom e gratuito, deveríamos, como consumidores, agradecer a barganha e aproveitá-la enquanto possível. Enquanto não chegar o dia - inevitável - em que as empresas chinesas irão falir e consequentemente cancelar essa política maluca, os 'compradores' e consumidores brasileiros só terão a ganhar com essa oferta generosa.

    O dumping só prejudica aquele que o pratica; ele sempre beneficia aquele a quem se destina.

    Quanto à indústria nacional, ou ela se adapta a essa preferência do consumidor (azucrinar o governo para cortar impostos e encargos sobre a folha de pagamento é perfeitamente válido) e volta a se esforçar para conquistar a preferência do mercado nacional -- o que significa que não apenas ela terá de melhorar a qualidade e o preço de seus produtos, como também terá de tolher seus cada vez mais agressivos sindicatos --, ou ela encontra algum um nicho no mercado internacional que esteja disposto a comprar seus produtos.

    O que realmente não dá é prejudicar toda a população, impedindo que ela tenha acesso a produtos baratos, só pra salvar alguns setores que estão ruins principalmente por causa das intervenções governamentais.
  • ANDRE LUIS  22/08/2011 22:57
    Olá Leandro

    Muito obrigado pela sua resposta. Não me refiro a hipótese da empresas instaladas na China venderem produtos abaixo do preço de custo, mas exatamente o contrário. Refiro-me a hipótese de estarem obtendo forte lucro através da parceria com o Estado chinês. Por meio da semi-escravização de parte da sua população (longe dos olhos da imprensa e, consequentemente, do resto do mundo), o Estado chinês forneceria uma formidável vantagem para os empresários ali instalados, e os empresarios, por sua vez, fariam sua "contribuição trabalhista" diretamente ao PC, sem se preocuparem com a demanda por benefícios e maiores salários.

    Não sei se isto acontece hoje na China. Apenas estou raciocinando de acordo com a forma com que regimes comunistas costumam tratar a população sob seu domínio. Escravidão, exploração, propaganda. Nada disso é novidade nos países comunistas, disso todos sabemos. Se não acontece hoje, pode acontecer amanhã ou ano que vem. Como seria a visão de um liberal da escola austríaca nestas circunstâncias? O livre mercado deveria continuar a ser defendido sem nenhum tipo de interferência?

    Obrigado e um abraço a todos
  • Leandro  23/08/2011 07:50
    Andre, que o governo chinês trabalha em conluio com o grande empresariado daquele país, isso não é segredo algum. Aliás, isso não é exclusividade chinesa. Todos os governos, de todos os países, fazem isso. O que varia é apenas o quão explícita é essa promiscuidade.

    Aqui no Brasil, por exemplo, é a mesma coisa. Pense numa grande empresa e você verá seu presidente jantando e tirando fotos com o alto escalão de Brasília.

    Isso, obviamente, não tem nada de livre mercado, e o maior prejudicado é a população do país em que tal relação governo-empresariado existe. No entanto, os consumidores estrangeiros desses produtos são, sim, beneficiados, pois adquirem acesso a produtos baratos -- e, vale enfatizar, não são obrigados a comprá-los.

    O que nos leva à moralidade de comprar algo assim produzido. Isso dá um debate interessante. Em primeiro lugar, não é justo nem correto você ou eu determinarmos autoritariamente o que ou com quem terceiros podem transacionar. Se está havendo algo imoral, devemos fazer campanha contra aquilo.


    Vou dar um exemplo extremo: se consumidores estão comprando produtos importados produzidos com trabalho escravo (algo que não ocorre na China), consequentemente trazendo dificuldades para a indústria nacional, você tem a obrigação moral de censurar e discriminar esses consumidores. Você pode e deve fazer propaganda e incentivar o consumo da indústria nacional, que teoricamente estaria produzindo tudo dentro dos mais perfeitos padrões morais. Mas você não pode se arvorar o direito de impor a sua moral sobre todos e autoritariamente decretar como as pessoas devem agir, instituindo proibições e ameaçando com punições aqueles que não se conformarem à sua moral.

    (Por favor, estamos falando de comércio, e não de assassinatos. Falo isso apenas para evitar truques espertos como: "Ah, então você defende o assassinato, já que proibi-lo é um imposição moral!". Nada a ver, pois ninguém tem o direito de tirar a vida de outra pessoa. Já um emprego garantido não é um direito e nem um dever de ninguém).

    Proibições, além de não funcionarem, acabem tendo o efeito contrário, gerando uma reação adversa e quase sempre beneficiando justamente aqueles a quem se pretendia atacar. (O mais recente e perfeito exemplo foi a censura daquele filme A Serbian Film. A censura só serviu para aguçar a curiosidade do espectador e aumentar a fama do filme.)


    Outro excelente e interminável exemplo é o tráfico de drogas. Tem-se aí uma indústria que se tornou altamente lucrativa justamente porque o estado "proíbe" o consumo dos seus produtos. Como demanda é algo impossível de se abolir (e é isso que ninguém entende), tal proibição logrou apenas transformar comerciantes de drogas em criminosos violentos, ceifando a vida de vários inocentes nesse fogo cruzado -- ao passo que, se as drogas nunca tivessem sido proibidas, não se teria criado os barões do tráfico e toda a violência por eles praticada.

    Portanto, não. A ideia de proibir transações -- indubitavelmente bem intencionada --, além de ser infrutífera, não garante que suas intenções (as quais você considera boas) serão atingidas. E nem que haverá um maior bem-estar geral. Indubitavelmente alguns setores irão se beneficiar, mas sempre em detrimento de todo o resto.

    Se você está insatisfeito com algo, se você acha que as coisas estão indo para a direção errado, utilize o poder das ideias para tentar mudar a mentalidade das pessoas. Não recorra à coerção e à intimidação.

    Assim como nós liberais não defendemos um golpe de estado para impormos nossa política para todos, nós também não queremos que intervencionistas venham impondo ditames às nossas vidas.

    Inspirando-me em Elza Soares, conosco não tem perhaps.
  • Felipe  23/08/2011 17:06
    É lindo ver uma empregada chinesa "feliz da vida" declarando (no filme "Inside Job") que "aqui na cidade a gente ganha muito bem, 80 dólares por mês, lá no campo é que a situação complica!" Não sei muito bem o que considerar trabalho escravo, mas, cá pra nós, que tipo de trabalho é esse?
  • Leandro  23/08/2011 17:36
    Trabalho voluntariamente aceito por chineses que, sem essa opção, estariam comendo ratos no interior do país -- como ainda ocorre com uma enorme quantidade de chineses.

    Você, munido de todo o seu humanismo, pode facilmente mostrar o quanto ama os chineses e o quanto se preocupa com eles: pare de consumir os bens que produzem e jogue-os de volta ao desemprego e à alimentação de ratos. Quando eles voltarem a essa situação, vá até lá, passe a mão na cabeça deles e diga: "Viu só? Graças à minha compaixão você está nessa situação, muito melhor que a outra, né? Ó o rato fugindo! Pega! Pega! Pega! Ô, senhor Chen, perdeu o seu jantar... Agora, com sorte, só amanhã. Torçamos!"

  • Felipe  23/08/2011 18:57
    Caro Leandro, ao invés de criticar "todo meu humanismo" e ridicularizar uma situação deplorável dos chineses, entenda o que estou questionando meu caro (Ou pelo menos queira entender). Quando você diz que não há trabalho "escravo" (e sabemos muito bem o sentido de trabalho escravo que o André Luis mencionou), simplesmente ignora um realidade claríssima da China. Não é dessa maneira teimosa e infeliz que suas convicções econômicas (e que em grande parte são minhas também) poderão ser proveitosas para um debate que deva ser no mínimo coerente. Não é preciso negar uma realidade para facilitar e/ou fazer valer um pensamento liberal pelo qual, inclusive, tenho a maior afinidade(caso contrário, não perderia meu tempo lendo suas traduções). Não sei se essa foi sua intenção, mas infelizmente pareceu ser. Sem mais delongas. Abraço.
  • Leandro  23/08/2011 19:27
    Perdoe-me se pareci obtuso, Felipe, não foi essa minha intenção. Perdoe-me também se o levei a mal. Mas é que esse surrado argumento do "trabalho escravo remunerado" não apenas carece de fundamentação, como também, na esmagadora maioria das vezes, seus críticos não oferecem nenhuma solução plausível que realmente melhore a vida do coitado.

    E nem tem como, diga-se de passagem. Afinal, sabemos que a única coisa que melhora os salários é produtividade. E o que melhora produtividade é acúmulo de capital. Sem isso, temos apenas lamúrias, demonstrações de comiseração e efusões de lágrimas -- tudo sem nenhum efeito prático.

    Grande abraço e desculpe-me novamente.
  • Fernando Chiocca  23/08/2011 19:34

    Felipe, o único que negou alguma realidade aqui, e continua negando, é você.
    Já ouviu falar em Bastiat? O que se vê e o que não se vê.
    Você vê um trabalhador ganhado 80 dólares e trata como se isso fosse o problema, mas se recusa a levar em conta que isto é algo muito bom quando comparada a alternativa da ausência dessa oportunidade de trabalho.
    Logicamente que a trabalhadora chinesa não negou a realidade alternativa dela como você fez e preferiu aceitar este trabalho. E, sem delongas, esta é a crítica ao seu "humanismo", que na verdade é uma perversão da realidade, tentando fazer benefícios parecerem malefícios.

    O que é "proveitoso para um debate"? Dizer que não sabe bem o que é trabalho escravo? Meu filho, se você não sabe a diferença entre ser obrigado sob ameaça de violência física a trabalhar e trabalhar voluntariamente em troca de algo melhor do que a ausência do trabalho traria, então você deve voltar pro pré-primário e deixar as discussões de filosofia política com os adultos aqui.

    Mas é lógico que você sabe. Esta é a velha tática desonesta socialista de perverter o significado das palavras para tentar esboçar um argumento. Mas aqui não vai funcionar.
  • Felipe  23/08/2011 20:52
    Fernando, não tenha alucinações! Parece-me que você está tão alerta e tão acostumando a contra-atacar que não tem condições de entender o porquê do meu comentário. Leia o questionamento do André Luis e faça um pequeno esforço e, se quiser, você vai conseguir. Ou melhor, ajudo:

    André Luis:
    "(...) Não me refiro a hipótese da empresas instaladas na China venderem produtos abaixo do preço de custo, mas exatamente o contrário. Refiro-me a hipótese de estarem obtendo forte lucro através da parceria com o Estado chinês. Por meio da semi-escravização de parte da sua população (...)

    (...)Como seria a visão de um liberal da escola austríaca nestas circunstâncias? O livre mercado deveria continuar a ser defendido sem nenhum tipo de interferência? (...)"

    Leandro:
    "(...)se consumidores estão comprando produtos importados produzidos com trabalho escravo (algo que não ocorre na China), consequentemente trazendo dificuldades para a indústria nacional, você tem a obrigação moral de censurar e discriminar esses consumidores.(...)"

    Depois desse trecho do pensamento de Leandro, acredito que ele tenha perdido o foco do questionamento feito por André: qual a postura dos liberais sobre as relações econômicas com chineses levando em consideração a situação dos trabalhadores, dando o nome que quiserem: semi-escravidão, trabalho "voluntário" sem alternativa, ou qualquer outro nome que não mudará em nada o que todos nós sabemos como é) E foi exatamente por isso que escrevi:

    " "aqui na cidade a gente ganha muito bem, 80 dólares por mês, lá no campo é que a situação complica!" Não sei muito bem o que considerar trabalho escravo, mas, cá pra nós, que tipo de trabalho é esse?" "

    ...para voltar ao foco principal, e dizer podemos considerar que existe sim trabalho "escravo"/"semi-escravo"/"voluntário sem alternativa" na China!


    Agora eu pergunto: É possivel tentar arrancar alguma opinião de vocês sobre um simples e direcionado questionamento do André Luis ou precisa desse parto todo?



  • Fernando Chiocca  24/08/2011 00:02
    É.. eu tive uma alucinação mesmo.. nela tinha um cara dizendo que não sabia o que é trabalho escravo!!! E o cara ainda tentava relacionar as palavras "escravidão" e "voluntário". Espero que tenha passado.

    Quanto a pergunta do André Luiz, ela não faz sentido. Se existe qualquer tipo de escravidão (semi, total, parcial) então isso quer dizer que não se trata de um livre-mercado. Logo, não é possível "continuar defendendo" algo que não está sendo praticado. Veja aqui o que é o livre mercado e você mesmo pode ver que não tem sentido nenhum esta pergunta.

    De reto já mostramos que por piores que você considere as condições de um trabalhador, ele considera pior o não trabalhar. E qualquer um que queira usar a força para impedir esta relação mutuamente benéfica estará prejudicando as duas partes.

    Então , neste caso, é lógico que qualquer pessoa decente sempre deve continuar defendendo o livre mercado de trocas voluntários.
  • ANDRE LUIS  24/08/2011 21:52
    Caro Fernando

    Agradeço seu comentário. Talvez eu não tenha sido suficientemente claro ao elaborar a pergunta, pois ela refere-se ao comércio entre países.

    Sei que, numa eventual hipótese de haver trabalho escravo num determinado país, ali obviamente não há um livre mercado em operação, então concordo que não há o que se continuar a defender.

    Estou levantando um caso hipotético (considere a China dentro dele ou não). Um país dominado por uma ideologia partidária resolve abrir suas fronteiras comerciais para o mundo. Ocorre que seu controle sobre a população é tal, que proibe qualquer tipo de manifestação de pensamento discordante da orientação do partido, incluindo controle da imprensa. Neste país hipotético, podemos ver mega empresas multinacionais operando a todo vapor, com custo de mão de obra tanto menor quanto maior for a sua contribuição para o partido-Estado. Neste quadro, as empresas lá instaladas levam imensa vantagem sobre as demais empresas instaladas em outros países, pois podem praticar preços muito menores sem abrir mão de grandes lucros.

    Os economistas da escola austríaca não demoram a afirmar que, se tais empresas conseguem produzir mais por menos, então nada deveria impedir o avanço dos seus produtos sobre outros países.

    Dito isto, vem minha pergunta: Como um país poderia tornar-se competitivo num quadro mundial como este, sem ter que recorrer ao mesmo expediente internamente? Haveria uma saida sob o ponto de vista liberal, para evitar que, em nome da liberdade de mercado, nos tornemos prisioneiros de tiranos?

  • Luis Almeida  24/08/2011 23:33
    Andre Luis, por favor, seja mais realista. Veja o cenário que você descreveu: país hipotético, mega empresas multinacionais operando a todo vapor, com custo de mão de obra tanto menor quanto maior for a sua contribuição para o partido-Estado.

    Ora, como seria possível tal arranjo criar produtos de qualidade que seriam exportados para o mundo inteiro a ponto de acabar com todas as indústrias?! Ademais, qual a relação entre preço da mão-de-obra e contribuição da empresa para o partido-Estado?

    Pelo que você deu a entender, o governo fará com que a empresa pague salários cada vez menores. E você realmente acha que isso fará com a qualidade dos produtos aumente a ponto de erradicar todas as indústrias mundiais?

    Por favor, né. Eu até entendo gente com alguma dificuldade para entender lógica econômica. Mas daí a ver gente apelando para exemplos que vão completamente contra qualquer mínima lógica econômica, apenas para tentar validar alguma paranóia própria, já é algo muito além do racional.
  • ANDRE LUIS  25/08/2011 12:56
    Olá Luis

    Obrigado por comentar. Vc acha que descrevi uma situação tão hipotética assim? Vc tem uma vaga idéia do que acontece dentro de países comunistas? A China, por exemplo, abriu suas fronteiras para o comércio, mas seu regime de governo continua tão fechado quanto antes, sem imprensa livre, sem liberdade para circulação de idéias, sem liberdade religiosa.

    Vamos falar um pouco sobre história recente. Vc conhece algum país comunista que tenha agido de acordo com a sua propaganda? Se conhece me diga um só. A verdade é que a falta de liberdade de imprensa torna impossível formar um quadro real de um país comunista, ainda pior se este personifica os sonhos materiais dos meta-capitalistas, e ainda os sonhos utópicos de 90% dos profissionais de mídia.
  • Luis Almeida  25/08/2011 13:27
    Prezado Andre Luis, um país com fronteiras abertas para o comércio, mas com regime político fechado e sem imprensa livre, não é um regime comunista no sentido estrito do termo. Afinal, você diria que o Chile de Pinochet era comunista? Pois lá era exatamente assim.

    Lamento, mas acho que quem está acreditando em propagandas aqui é você.

    Mantenho meu desafio.
  • ANDRE LUIS  25/08/2011 22:01
    Luis, você precisa se informar melhor. O Comunismo no sentido estrito do termo nunca existiu e nem poderá existir. Todo sistema precisa de um mínimo de liberdade econômica para ser mantido. Quem diz isso não sou eu, mas ninguem menos do que L.V.Mises. Há mais de um século ele já mandou o marxismo para o lugar que merece, a lata de lixo da história.

  • Luis Almeida  25/08/2011 22:09
    Ora, eu estou perfeitamente a par disso. Quem parece não estar é você. Eu disse que o regime chinês não é comunista. Você afirmou que é, inclusive dando exemplos. E ainda afirmou que poderia ser possível um regime comunista destruir as indústrias de um regime capitalista.

    Tá tudo escrito ali em cima, é só você reler o que você próprio escreveu.

    E aí?

    Mantenho meu desafio.
  • ANDRE LUIS  26/08/2011 11:36
    Luis, me corrija se eu estiver errado, mas seria este o seu desafio?

    1- "Ora, como seria possível tal arranjo criar produtos de qualidade que seriam exportados para o mundo inteiro a ponto de acabar com todas as indústrias?!"

    Não seria possível hipoteticamente. Está sendo possível hoje! Não estamos nos entendendo porque, pelo que percebi, todos os meus interlocutores (você, Leandro e Fernando) não conseguem entender o conceito de autonomia da vontade. Um regime de governo que subtrai a liberdade de sua população transforma todos os indivíduos em escravos sim! Escravidão é ausência de liberdade. Se grandes empresas tomam pessoas sem autonomia de vontade como empregados, estes estão sim empregando mão de obra escrava. São todos escravos do Estado, que se uniu às grandes empresas num formidável esquema de parceria vantajosa para ambos. O Estado que se apossa da liberdade de seus cidadãos não poderia de maneira alguma ser fortalecido por meio de uma injeção maciça de capital, como foi feito na China na década de 90. Isto permitiu que a China se armasse até os dentes, dando-lhes ainda mais poder sobre não só a população sob seu domínio, mas agora também sobre as demais nações do planeta.

    Respondendo a sua pergunta, um indivíduo sem autonomia da vontade pode ser um funcionário muito bem qualificado. Uma coisa não impede a outra.

    2- "Ademais, qual a relação entre preço da mão-de-obra e contribuição da empresa para o partido-Estado?"

    As empresas se beneficiam de todo um aparato de coerção estatal sobre a população, e este conluio empresa-Estado lhes permite ditar regras que certamente não seriam aceitas em outros países, inclusive a política salarial.

    "Pelo que você deu a entender, o governo fará com que a empresa pague salários cada vez menores. E você realmente acha que isso fará com a qualidade dos produtos aumente a ponto de erradicar todas as indústrias mundiais?"

    Sim. Repetindo: Um indivíduo sem autonomia da vontade pode ser um funcionário muito bem qualificado. Uma coisa não impede a outra.


  • Fernando Chiocca  26/08/2011 12:54
    Autonomia da vontade??
    A pessoa só perdeautonomia sobre sua vontade quando coagida através do uso ou ameaça do uso de agressão física a fazer o que ela não quer. O resto é viagem na maionese sua.
    E um indivíduo que trabalha sob este tipo de ameaça, dificilmente pode ser um funcionário muito bem qualificado. O exemplo da Lada que eu dei e você prefiriu ignorar e focar apenas no "comenrcio entre países" mostra isso. O que a URSS produziu de valor para o mundo? O que a Coreia do Norte produz? Está ameaçando empresas de países mais livres?

    E não existe isso de regime de governo subtrair a liberdade da população geral. Todo regime só se mantém no poder com o consentimento da maioria. Na verdade o que ocorre nos países é que uma maioria retira a liberdade de uma minoria.


  • ANDRE LUIS  26/08/2011 22:29
    Fernando, com todo o respeito, sua visão está totalmente equivocada.

    Em todo o seu último comentario, somente a constatação de que a URSS e a Coréia do Norte nada produziram de valor está correta. Vamos por partes.

    1- "A pessoa só perdeautonomia sobre sua vontade quando coagida através do uso ou ameaça do uso de agressão física a fazer o que ela não quer. O resto é viagem na maionese sua."

    A autonomia da vontade do indivíduo pode ser violada pelo Estado em vários níveis. Podemos pensar num extremo, o indivíduo completamente senhor de sua vida, sem nenhuma ordem social que lhe limite a vontade. Isto seria total ausência de Estado. No outro extremo temos a situação que vc descreveu.

    O que faz pender a balança para o lado da maior opressão é justamente a falta de mecanismos de verificação desta liberdade, isto é, reconhecimento pelo Estado dos direitos e garantias individuais , liberdade de imprensa, dentre outros. Sem isso, não há como saber o que se passa por lá, a não ser por meio da propaganda oficial.

    Dito isso, podemos concluir que países como a China exercem um altíssimo nível de violação da autonomia da vontade individual, pois montam um aparato de coerção que impede os indivíduos de sairem da condição que o Estado lhes impõe. Isto não é "ameaça do uso da agressão física a fazer o que ela não quer"? Pergunte a um chinês se ele gostaria de montar uma pastelaria numa esquina de Shangai, de ser dono da própria vida. Você já viu um chinês no Brasil trabalhando para algum empregador? Eu nunca vi. Quando eles vêem liberdade eles a agarram com todas as suas forças, e a primeira coisa que fazem é empreender.

    "E um indivíduo que trabalha sob este tipo de ameaça, dificilmente pode ser um funcionário muito bem qualificado."

    Não quando foi educado e treinado para tal tarefa, e se a única realidade a ele imposta seja esta. Ele não a viola, pois vive sob "ameaça do uso da agressão física a fazer o que ele não quer".

    "O exemplo da Lada que eu dei e você prefiriu ignorar e focar apenas no "comenrcio entre países" mostra isso. O que a URSS produziu de valor para o mundo? O que a Coreia do Norte produz? Está ameaçando empresas de países mais livres?"

    Eu não ignorei o seu exemplo. A diferença entre a China e a URSS/Coréia do Norte foi tão somente o fato destes não terem sido escolhidos alvos pelos donos do capital, foi a falta do conluio entre o capital industrial e o Estado soviético e norte coreano. Se deixada por conta própria, a China jamais seria algo melhor do quea merda que sempre foi.

    "E não existe isso de regime de governo subtrair a liberdade da população geral. Todo regime só se mantém no poder com o consentimento da maioria. Na verdade o que ocorre nos países é que uma maioria retira a liberdade de uma minoria."

    Desculpe Fernando, mas não vou comentar isso. Vc está falando sério?
  • Fernando Chiocca  25/08/2011 11:31
    pois ela refere-se ao comércio entre países.

    Comércio entre países? Se quero comprar uma Ferrari eu não pego o telefone e do outro lado atnede uma mulher vestida de branco, verde e vermelho dizendo "Alô, aqui é a Itália".

    O comércio é sempre entre indivíduos ou empresas.

    E considerando um exemplo real de seu país hipotético que você descreveu (onde também, de acordo com sua descrição, não tinha trabalho escravo), acho que a Lada e nem nenhuma empresa instalada num país como a URSS leva vantagem sobre a Hyundai ou qualquer outra empresa instalada num país de mercado mais livre.
  • ANDRE LUIS  26/08/2011 11:56
    Olá Fernando. Se é tão importante pra vc, permita que eu me corrija. Onde disse "comércio entre países", entende-se "comércio entre pessoas ou empresas de um país com outras pessoas ou empresas de outros países". Não entendo porém como esta distinção mudaria o contexto que descrevi.
  • Augusto  01/09/2011 22:10
    Talvez eu não tenha sido suficientemente claro ao elaborar a pergunta, pois ela refere-se ao comércio entre países.\r
    \r
    Seu erro esta bem ai: nao existe comercio "entre paises". Apenas comercio entre individuos - no maximo, comercio entre individuos agindo conjuntamente na forma de uma empresa.\r
    \r
    O "Brasil" nao compra brinquedos e eletrodomesticos da "China". Eh uma empresa, que representa os interesses dos seus acionistas ou socios, sediada no Brasil que compra esses produtos de uma empresa sediada naquele pais.\r
    \r
    Ignorar isso eh construir argumentos que nao fazem sentido.
  • ANDRE LUIS  24/08/2011 20:38
    Olá Felipe

    Exatamente como vc, eu também estou aprendendo a admirar muito a escola austríaca de economia. Vejo aqui um ambiente extremamente acolhedor onde, veja só você, pessoas nitidamente bem instruidas no assunto, como é o caso do tradutor Leandro, se dispõe pessoalmente a responder a nossas questões. Isto por si já é algo merecedor do meu maior respeito. Eu realmente não quero trazer pra este ambiente saudável de troca de idéias, um assunto que possa trazer mais polêmica do que real instrução para os demais leitores. Penso que poderíamos solicitar um canal privado, pois de minha parte, gostaria de aprofundar um pouco mais o tema, isto é, se o leandro ou o Fernando aceitarem, é claro.

    Um grande abraço
  • Diego Cardoso  23/08/2011 19:06
    Genial ilustração!

    E outro ótimo texto! Parabéns!
    É um raciocínio claro e capaz de desfazer as falácias repetidas incessantemente pela mídia. Todo dia tem gente da CNI, FIESP e afins nos noticiários fazendo lavagem cerebral em massa e pregando os terríveis malefícios do câmbio apreciado e da concorrência internacional. Uma única leitura das palavras acima bastaria para blindar intelectualmente os que ainda hoje compram tais idéias.
  • Maurício Goncalves  23/08/2011 19:13
    Hehehehe\r
    \r
    Imagino sua cara rindo ao escrever o comentário... Sensacional!!!\r
    \r
  • Raphael Auto  23/08/2011 19:20
    "Não sei muito bem o que considerar trabalho escravo, mas, cá pra nós, que tipo de trabalho é esse?"\r
    \r
    Po Felipe, vai lá uma diga: se é voluntário não é escravo. Mas se mesmo assim ao falar "trabalho escravo" você estiver se referindo a trabalho voluntário, nesse caso, além de defender o trabalho escravo eu torço para meu futuro trabalho ser escravo.\r
    \r
    Ganhar esses 80 dólares por mes é tão ruim que o governo chines faz questão de controlar a migração do campo para a cidade. \r
    \r
    O comentário do Leandro resume o espírito da coisa.
  • mcmoraes  23/08/2011 19:44
    Olhem só o que o "trabalho escravo" de $80/mês vem fazendo gradualmente com a China: China Overtakes U.S. for First Time as Largest PC Market, Researcher Says.
  • Leandro  23/08/2011 19:54
    Sempre lembrando que a China possui uma mão-de-obra dedicada, disciplinada e trabalhadora, que tem escassos dias de férias por ano (uma média de 3 dias), e que apresenta alta taxa de poupança -- o que faz com que o volume de produção do país seja enorme (e seria maior caso houvesse mais liberdade econômica).

    Como não há uma previdência social, os chineses têm de poupar grande parte de sua renda; e é essa poupança - em conjunto com a produtividade e o trabalho duro chinês - que permite a produção e a consequente exportação de um grande volume de bens. (Caso simplesmente reduzissem suas exportações -- e consumissem esses produtos exportados -- sua população poderia desfrutar um padrão de vida bem mais elevado.)

    Ou seja: com uma população com essas características, por mais intervencionista que seja o governo, é praticamente impossível o país não enriquecer. Tivesse um governo mais liberal, a China já poderia ser hoje a maior economia do mundo.
  • mcmoraes  23/08/2011 20:17
    Essa discussão sobre "trabalho escravo" na China me fez lembrar de um artigo excelente do Mises, em especial o seguinte trecho:

    ...A velha história, repetida centenas de vezes, de que as fábricas empregavam mulheres e crianças que, antes de trabalharem nessas fábricas, viviam em condições satisfatórias, é um dos maiores embustes da história. As mães que trabalhavam nas fábricas não tinham o que cozinhar: não abandonavam seus lares e suas cozinhas para se dirigir às fábricas - corriam a elas porque não tinham cozinhas e, ainda que as tivessem, não tinham comida para nelas cozinharem. E as crianças não provinham de um ambiente confortável: estavam famintas, estavam morrendo. E todo o tão falado e indescritível horror do capitalismo primitivo pode ser refutado por uma única estatística: precisamente nesses anos de expansão do capitalismo na Inglaterra, no chamado período da Revolução Industrial inglesa, entre 1760 e 1830, a população do país dobrou, o que significa que centenas de milhares de crianças - que em outros tempos teriam morrido - sobreviveram e cresceram, tornando-se homens e mulheres...
  • José Ricardo  23/08/2011 07:46
    Saudações, prezado tradutor, trabalhei 25 anos em uma estatal, monopolista, e não acrescento nada àquilo traduzido,pois fui testemunha ocular, hoje, exercendo outra atividade, ratifico cada linha, irretocável.
  • ANDRE LUIS  31/08/2011 22:24
    Caro Fernando

    Lamento que vc não tenha dado continuidade a nossa conversa. O mesmo vale ao meu xará Luis Almeida. O desafio de vcs foi aceito e respondido. Se tiverem algo a acrescentar, esta é a hora. Meus questionamentos são profundos, e põem em cheque a eficacia da defesa do livre mercado num caso concreto, isso não é pouca coisa! Não quero causar polêmica aqui, tanto é que me propus a conversar em um canal privado com o Fernando e Leandro, o que não foi me oferecido.

    Em última análise, o que quero é saber até onde posso ir com a teoria liberal austríaca. Funciona mesmo no mundo real, ou existem pontos cegos em que a realidade a engole?
  • Leandro  31/08/2011 22:47
    Prezado Andre Luis, o Fernando saiu de férias (20 dias) e não poderá lhe dar a atenção que você exige. Li seus comentários e nada vi neles de substantivo, apenas várias confusões teóricas.

    Nem na mais benevolente e tolerante das hipóteses você apresenta "questionamentos profundos", e que "põem em cheque a eficácia da defesa do livre mercado num caso concreto". Aponte-me onde estão tais argumentos profundos, que eu respondo.

    No mais, o Luis Almeida já se deu ao trabalho de apontar e desmontar todas as suas contradições (cada hora você defende uma posição).

    Por fim, não existe isso de "teoria liberal austríaca funcionar no mundo real". A verdadeira teoria econômica é uma só -- e calhou de ser a Escola Austríaca a única escola de pensamento econômico que genuinamente a entendeu, por isso somos seguidores dela. Se o marxismo ou o keynesianismo falassem a verdade, então certamente seriamos seus seguidores. Logo, não existe isso de adaptabilidade da "teoria econômica austríaca" a determinadas condições ou conveniências econômicas, assim como não existe anulação da gravidade dependendo do momento. Ou algo é verdadeiro ou não é.

    A teoria econômica pode ser respeitada e entendida, ou pode ser ignorada e deturpada. Cada situação cobrará suas consequências.

    No mais, não estamos aqui preocupados em "converter" pessoas ou em fazer com que elas acreditem cegamente no que dizemos. Apenas defendemos a teoria econômica correta, sem ideologias, sem partidarismos, sem panfletagens e sem politicagens. Fica a cargo do leitor inteligente decidir que rumo seguir -- a verdade, a meia-verdade ou a mentira.

    Grande abraço!
  • ANDRE LUIS  01/09/2011 14:50
    Caro Leandro

    Meus questionamentos foram os seguintes:

    "Na hipótese da propaganda oficial chinesa estar encobrindo tais atividades, como o Brasil, por exemplo, poderia sobreviver a esta realidade sem igualmente escravizar uma parcela da sua população?"

    ...e em seguida:

    "Os economistas da escola austríaca não demoram a afirmar que, se tais empresas conseguem produzir mais por menos, então nada deveria impedir o avanço dos seus produtos sobre outros países.

    Dito isto, vem minha pergunta: Como um país poderia tornar-se competitivo num quadro mundial como este, sem ter que recorrer ao mesmo expediente internamente? Haveria uma saida sob o ponto de vista liberal, para evitar que, em nome da liberdade de mercado, nos tornemos prisioneiros de tiranos? "

    Minha pergunta refere-se sim ao alcance da teoria do livre mercado em um caso concreto, que até agora não foi respondida.

    Nenhuma das questões levantadas pelo Luis Almeida (incluindo o seu "desafio"), assim como os comentários do Fernando ficaram sem resposta. Como vc, eu tb reli todos os meus comentarios, e não encontrei neles nenhuma contradição. Se vc encontrou alguma, por favor aponte-a.

    Um abraço
  • Luis Almeida  01/09/2011 16:28
    Meu desafio segue impávido.

    Como é possível uma "ditadura comunista" (como você próprio classificou a China) acabar com todas as outras indústrias mundiais vendendo produtos de qualidade? Como pode uma ditadura comunista conseguir tal façanha?

    A resposta é que não só não pode como isso sequer está acontecendo. Quem diz isso? Os próprios americanos. Como mostra esse link que o Leandro passou em outro artigo, fatia do consumo total dos americanos que vai para produtos chineses é de míseros 2,7%. Sim, de tudo que os americanos gastam em consumo pessoal, apenas 2,7% disso vai para produtos chineses. No Brasil, o valor certamente é muito menor.

    E ainda vem gente dizer que os chineses estão destruindo empregos no mundo? 2,7%? Pare de se humilhar assim, meu caro. Fica lendo jornal e ouvindo discurso de mercantilista, dá nisso. Faz papel de bobo.

    Portanto, não existe isso de "como o Brasil poderia sobreviver a esta realidade sem igualmente escravizar uma parcela da sua população?". Isso é devaneio puro. O chinês não supre nem as necessidades deles próprios, como é que eles vão suprir todas as minhas, a ponto de eu só consumir bens e serviços chineses? Pára, vai.

    Apenas 2% do consumo é com produtos chineses, a balança comercial bate seguidos recordes de superávits e tem gente vendo chinês malvado debaixo da cama.

    Se isso é o que você chama de "questionamento não respondido", eu não o respondi por pura piedade, pura consideração para com você. Não é possível ver pessoas esclarecidas pensando assim tão distorcidamente.

    E sobre a sua última pergunta, um país se torna competitivo poupando, acumulando capital, desburocratizando, cortando impostos e gastos do governo (veja o artigo de hoje sobre os juros), criando um ambiente propício aos investimentos, aprofundando a divisão do trabalho e, obviamente, mantendo a livre concorrência, que é o que estimula a inovação. Qualquer medida que impeça isso irá atrapalhar o processo de enriquecimento de um país e dar vantagens àqueles países que seguirem esse modelo. Isso não é magia, é sabedoria.

    Como é que você pode dizer que adotar esse modelo para concorrer com os chineses significa nos tornarmos "prisioneiros de tiranos"?! Quer dizer que ter um governo que corta impostos e gastos, que desregulamenta, que cria um ambiente propício aos investimentos e que estimula a concorrência é um "governo tirânico"? Se for, eu quero pra mim.

    Meu caro, a minha sugestão é que você pare de pautar seu pensamento por colunas de jornais e por discursinhos de professores e economistas mercantilistas. Bem como pare de se comover com a choradeira de empresários louquinhos por políticas protecionistas, para terem suas reservas de mercado. (Benjamin Steinbruch é ótimo nisso.)

    Em vez disso, defenda medidas sensatas. Se você quer prática, veja o que ocorreu com Hong Kong e Cingapura. Lá, eles têm de importar até a água que bebem. As tarifas de importação são zero. O que aconteceu com o padrão de vida e com o nível de empregos? Disparou. Na década de 1960, o PIB per capita de Hong Kong era de 700 dólares. Hoje é de mais de 35.000. E tudo sem protecionismo. Aliás, até mesmo sem salário mínimo.

    Pronto. Não me diga agora que não foi respondido. E, caso me responda, por favor venha com argumentos sólidos. Ficar apelando para o emocional comigo não funciona. Aliás, não deveria funcionar com ninguém minimamente inteligente. Faça argumentos e não apelos emotivos.

    Cordiais saudações, xará.
  • anônimo  07/10/2011 09:54
    Luis, vc já ouviu falar em triangulação? Ou vc acha que a China usa este truque barato apenas no Brasil. Quem é o ingênuo aqui xará?
  • ANDRE LUIS  07/10/2011 12:49
    (esqueci de preencher o título) Luis, vc já ouviu falar em triangulação? Ou vc acha que a China usa este truque barato apenas no Brasil. Quem é o ingênuo aqui xará?
  • jaci  01/09/2011 08:26
    Se a TEORIA do fulano que defende a china foce verdade os USA nao estariao falidos .\r
    A unica rasao do fechamento total das industrias e produtos manufaturados dos USA foi a entrada do produto chines \r
    Eles simplesmente pagao o empregado muito bem em INHENS o que ede custo baichicimo na\r
    moeda interna ,,,,,,,,,,e vendem em dolar\r
    Eu VI com meus olhos os produtos sem qualquer MORAL ou CONTROLE matarem cachorros, \r
    peixes criados em pocilgas de anti biotocos brinquedos com pinturas a base de chumbo\r
    Esse Sr esta defendendo o que ?????????????????????\r
    Da espionagem industrial as falcificacoes , \r
    E os incautos que os comprem e os usem sen ADVERTENCIA ou controlre de qualidade , sanidade ou decencia , Querem saber mais ?Como se espera que o consumidor que nao etecnico ou sanitarista sem nenhuma advertencia dos CANAIS COMPETENTES que deveriao controlar o que entra no pais , olha vamos pelo menos ser concientes do que ja foi amplamente divulgado em termos ate de cualidade criminosa \r
    \r
    \r
    \r
    Se duvidarem INFORMENSE Moral tambem esiste em comercio Jaci
  • Carlos  03/09/2011 17:05
    O seu teclado é chinês?
  • Absolut  03/09/2011 23:01
    Deve ser alguma gracinha dos Chiocca, hehe.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.