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Explicando alguns conceitos básicos de economia

Imagine um indivíduo que esteja letárgico e sem nenhuma energia para funcionar ao seu nível normal de concentração porque, além do cansaço acumulado, não conseguiu dormir nada na noite passada.  Ele pode utilizar algumas drogas que o farão se sentir plenamente revigorado, mesmo após uma noite de completa insônia, e aparentemente capacitado para estudar e trabalhar no dia seguinte com total eficiência.

No entanto, utilizar tais drogas definitivamente não é uma boa ideia.  Isso porque o problema fundamental desse indivíduo — poucas horas de sono — não apenas não é resolvido por esse estímulo narcotizante, como na verdade é piorado por ele.  Afinal, esse estímulo irá apenas exaurir ainda mais a já pequena reserva de energia que tal indivíduo ainda possui, levando-o ao caminho da completa exaustão.

Essa descrição se aplica à atual recessão econômica nos EUA e na Europa, bem como aos esforços de se revertê-la por meio do uso de "políticas fiscais" e de "pacotes de estímulos".  O significado desses termos é 'mais gastos governamentais" e 'menos impostos voltados especificamente para estimular o consumismo'.  Isso inclui dar dinheiro de restituição de imposto de renda para pessoas que não pagam imposto de renda e as quais compreensivelmente, justamente por causa de sua baixa renda, saíram correndo às compras, consumindo mais à medida que mais dinheiro foi lhes sendo repassado pelo governo.

A principal diferença entre estes "estimulantes" econômicos e os estimulantes farmacêuticos é que os estimulantes econômicos são incapazes de fazer com que o sistema econômico retorne, nem mesmo temporariamente, ao seu nível normal de atividade.

Um sistema econômico que entra em uma grande recessão ou depressão está em uma situação muito similar àquela do nosso imaginário e insone indivíduo.  Tudo o que é necessário fazer para se adaptar uma situação à outra é substituir a falta de sono necessária para o funcionamento adequado do organismo pela perda de algo necessário para o funcionamento adequado do sistema econômico.

Capital

No caso do sistema economia, esse algo necessário é o capital.  O sistema econômico atual não está funcionando adequadamente porque ele perdeu capital.  Capital é toda a riqueza acumulada que pertence a empresas ou a indivíduos, e que é utilizada para o propósito de se auferir lucro ou juros.

O capital abrange todas as fábricas, minas e fazendas agrícolas, bem como todos os maquinários e equipamentos, todos os meios de transporte e de comunicação, todos os armazéns, lojas, escritórios, imóveis comerciais e residenciais, e todos os estoques de materiais, componentes, suprimentos, bens semimanufaturados e bens acabados que são propriedades de empresas.

O capital também abrange o dinheiro que pertence às empresas, embora o dinheiro esteja em uma categoria especial.  Adicionalmente, abrange os fundos que são emprestados aos consumidores, a juros, para que estes possam comprar bens de consumo como imóveis, automóveis, aparelhos eletrodomésticos e tudo mais que seja muito caro para ser comprado com a renda obtida em um período salarial e para o qual o comprador não possua poupança suficiente.

A quantidade de capital em um sistema econômico determina sua capacidade de produzir bens e serviços, de empregar mão-de-obra e também de comprar bens de consumo a crédito.  Quanto maior o capital, maior a capacidade de os indivíduos realizarem todas essas atividades; quanto menor o capital, menor a sua capacidade de realizar qualquer uma dessas atividades.

Poupança

O capital advém da poupança.  Ele só pode ser acumulado por meio da poupança.  Poupar é o ato de se abster do consumo; é o ato de se abster de consumir fundos que foram adquiridos através da venda de bens ou de serviços.

Poupar não significa não gastar.  Não significa guardar dinheiro dentro da gaveta (ao que chamam tecnicamente de "entesourar").  Poupar significa não incorrer em gastos que sejam voltados para o consumo.  Abster-se de gastar com consumo torna possível que haja um gasto equivalente voltado para a produção.  Qualquer indivíduo que poupa está em posição de — na medida do volume de sua poupança — comprar bens de capital e pagar salários a trabalhadores, emprestar fundos para outras pessoas para que estas comprem de bens de consumo caros, ou emprestar fundos para terceiros para que estes os utilizem da maneira que mais lhe aprouverem.

É extremamente necessário salientar estes fatos por causa do predominante estado de suprema ignorância que domina este assunto.  Tal ignorância é perfeitamente exemplificada por keynesianos — seja na imprensa, seja na política, seja no meio acadêmico — que recorrentemente fazem declarações do tipo: "Quando as pessoas poupam, o dinheiro não circula pela economia.  Logo, uma maior poupança se traduz em menor consumo, menores vendas e, consequentemente, menos receitas para empresas.  As demissões aumentam." 

Tais declarações são feitas com tamanha convicção, com tanta certeza de que sua veracidade é inquestionável, que elas são tidas como praticamente incontroversas.

Se levarmos ao pé da letra a lógica da declaração acima, tudo indica que keynesianos acreditam que imóveis e outros bens de consumo caros são comprados com os rendimentos obtidos em um mês de trabalho — que é o tempo normal entre dois contracheques.  Pois, para o keynesiano, qualquer tipo de poupança representa risco de estagnação econômica.  Se a lógica keynesiana fosse verdade, absolutamente nenhuma poupança seria necessária para se comprar bens de consumo.  A verdade, é claro, é que a compra de um imóvel tipicamente requer uma soma igual a toda a renda acumulada pelo comprador durante anos, às vezes durante décadas.  A compra de um automóvel, a renda de vários meses.  E a compra de inúmeros outros bens, uma fatia bastante expressiva da renda de um período salarial, o que significa que tal compra seria impraticável caso financiada exclusivamente com a renda auferida durante esse período, pois os fundos para tal seriam muito limitados, e não sobraria dinheiro para mais nada.

Para todos esses casos, um processo de poupança é essencial para a compra de bens de consumo.  A poupança acumulada pode ser aquela do próprio comprador — que reduz seu consumo ao máximo possível —, ou pode ser aquela de outra pessoa, a qual emprestará para esse comprador.  Pode também ser uma combinação dos dois.  Porém, em todos os casos, a poupança é essencial para a compra de bens de consumo caros.

Os keynesianos que recitam essas tolices sobre os "perigos da poupança" também não conhecem outros, e ainda mais importantes, fatos sobre a poupança.  Eles não sabem que poupar é uma precondição para que varejistas possam comprar bens de atacadistas; para que atacadistas possam comprar bens de fabricantes; e para que fabricantes, e todos os outros produtores, possam comprar bens de seus fornecedores, e assim por diante.  A poupança é também a precondição para que os vendedores, em todos esses estágios da cadeia produtiva, possam pagar salários.

Todos esses gastos, por via de regra, têm de ser feitos antes de o empreendedor em questão receber qualquer dinheiro pela venda de seus bens.  Um varejista vai gastar adquirindo bens antes de receber dinheiro com a revenda desses bens.  O mesmo se aplica ao atacadista, ao fabricante e aos fornecedores.  Montadoras de automóveis e siderúrgicas não podem pagar seus empregados e fornecedores com o dinheiro auferido na venda de automóveis, dinheiro esse que será obtido exatamente como resultado da utilização da mão-de-obra e dos bens de capital comprados.  E mesmo nos casos em que os pagamentos são feitos utilizando-se as receitas das vendas dos bens produzidos, o vendedor em questão deve se abster de consumir estes fundos — isto é, ele deve poupá-los e utilizá-los para pagar pelos bens de capital e pela mão-de-obra que adquiriu previamente.

Contrários a essa realidade, os keynesianos acreditam que vendedores nada mais fazem do que consumir ou entesourar o dinheiro que obtêm.  Eles são parvos demais para entender que, se isso fosse realmente verdade, não haveria demanda por mais nada na economia senão por bens de consumo.  Isso se torna claro ao simplesmente seguirmos o padrão de raciocínio apresentado nos livros-textos keynesianos quando descrevem o processo de gastos na economia.

Assim, um consumidor compra, digamos, $100 em camisas em uma loja de departamentos.  O proprietário da loja, por conseguinte, seguindo sua keynesiana "propensão marginal ao consumo" de 0,75, irá gastar $75 comendo em um restaurante, e supostamente irá entesourar os $25 restantes de sua renda.  O proprietário do restaurante, por sua vez, irá gastar $56,25 (0,75 x $75) comprando livros, e supostamente entesourará os restantes $ 18,75, e assim por diante.  Porém, o que os keynesianos aparentemente ignoram é que, se tal sequência de gastos realmente ocorresse, tudo o que existiria na economia seria uma soma de gastos em consumo e nada mais.

O fato é que a maior parte dos gastos no sistema econômico tem de estar fundamentada na poupança.  O vendedor das camisas irá provavelmente poupar e consequentemente gastar produtivamente uns $95 ou mais 1) comprando novas camisetas para repor seu estoque, 2) pagando seus empregados e 3) fazendo outras compras necessárias para a manutenção e condução de seu empreendimento.  Ele talvez gastará apenas $5 em consumo próprio.  O mesmo é válido para a) aqueles que vendem para ele, b) para os fornecedores destes fornecedores, c) para os fornecedores destes últimos fornecedores, e assim por diante.

Qualquer balanço ou declaração de renda de uma empresa pode fornecer uma simples confirmação destes fatos.  A razão entre custos e receitas de vendas de uma empresa é um indicador de como a empresa utiliza sua poupança para gastos com mão-de-obra e bens de capital em relação às suas receitas de vendas.  Os custos declarados no balanço hoje representam os gastos com mão-de-obra e bens de capital que foram feitos no passado.  A poupança e os gastos produtivos (gastos que geram receitas futuras, isto é, gastos com mão-de-obra e bens de capital), ambos financiados por meio das atuais receitas de vendas, aparecerão como custos no futuro.  Quanto maior a proporção dos custos em relação às vendas, maior o grau de poupança e de gastos produtivos em relação às receitas de vendas.  Uma empresa com custos de $95 e receitas de vendas de $100 é uma empresa que está poupando e gastando produtivamente $95 retirados de sua receita de venda de $100.  Essa relação se aplica por todo o sistema econômico.

Entesouramento versus poupança

Quando algum "entesouramento" ocorre — ou, mais corretamente, quando há um aumento na demanda por dinheiro para ser mantido como encaixe —, não é porque as pessoas decidiram poupar.  O que realmente está acontecendo é que as empresas e os investidores decidiram que precisam alterar a composição da poupança que já acumularam, aumentando mais a quantidade de dinheiro em encaixes e diminuindo suas aplicações e investimentos em outros ativos.

Por exemplo, um indivíduo pode decidir que, em vez de aplicar 90% de sua poupança total em ações e em outros papeis e ter apenas 10% em dinheiro na conta-corrente, ele precisa aumentar seus encaixes para 20 ou 25% de sua poupança.

Similarmente, uma grande empresa pode decidir que precisa aumentar seus encaixes em relação a seus outros ativos a fim de estar mais bem preparada para honrar o vencimento de suas contas.  Isso normalmente acontece no início de recessões, quando o crédito se torna escasso (por causa do aumento dos juros) e as empresas descobrem que não mais podem contar com empréstimos para quitar suas pendências.

Ademais, os aumentos nos encaixes que ocorrem em tais circunstâncias não representam um acréscimo à poupança, uma vez que ocorrem em meio a um acentuado declínio na quantia total de poupança acumulada.  Por exemplo, o aumento na demanda por encaixes que ocorreu após o início da crise financeira se deu em reação à enorme queda nos mercados imobiliários e de ações, à quebra de várias empresas de tamanho considerável, e a enormes prejuízos apresentados por bancos e outras instituições financeiras.

Tudo isso representa uma redução nos valores de ativos, isto é, no valor da poupança acumulada.  As pessoas vendem ativos e aumentam seus encaixes com o intuito de evitar mais perdas em sua poupança acumulada.  É claro que essa ampla conversão de ativos em dinheiro provoca ainda mais declínios no valor das poupanças acumuladas, uma vez que a fuga desses ativos reduz seus valores.

Depressões e expansão do crédito

A perda de poupança acumulada está no cerne do problema das depressões econômicas.  Recessões e depressões, bem como os prejuízos que geram, são resultado da tentativa de criar capital não por meio da poupança, mas por meio da expansão do crédito.  Expandir o crédito significa que o sistema bancário está criando, do nada, quantidades adicionais de dinheiro para serem emprestadas para pessoas e empresas.  Tudo isso é feito com o estímulo e a proteção do governo e do banco central.  O dinheiro assim criado e emprestado aparenta ser capital novo e adicional, mas não é.

O fato de aparentar ser um capital novo e adicional cria uma falsa e exagerada noção a respeito da quantidade de capital que está disponível para sustentar a atividade econômica.  Assim como um indivíduo que acredita ter ficado mais rico no decorrer de uma bolha financeira, e que foi levado a adotar um padrão de vida muito além de suas posses, as empresas são levadas a empreender projetos que estão muito além de suas capacidades financeiras.

Para um indivíduo consumidor, a compra financiada de um imóvel ou de um automóvel, sob a ilusão de que ele está mais rico do que realmente é, irá mais tarde se transformar em um grande prejuízo quando os preços e, consequentemente, os juros começaram a subir, o crédito escassear, a economia entrar em recessão e ele finalmente perceber que, na realidade, ele não tem como bancar essas coisas, e que teria sido melhor ele não tê-las comprado.  Da mesma maneira, os empreendimentos das empresas, seja a abertura de novas lojas, ou a aquisição de outras empresas e afins, levadas a cabo sob a ilusão de uma súbita abundância de capital, acabam se revelando fontes de grandes prejuízos quando esse delírio da abundância de capital se evapora.

A expansão do crédito também estimula uma redução artificial na demanda por dinheiro para encaixes, algo que justamente irá preparar o terreno para o futuro aumento na demanda por dinheiro explicada alguns parágrafos acima.  A redução na demanda por dinheiro em caixa ocorre porque, enquanto a expansão do crédito continua, passa a ser possível para as empresas pegarem empréstimos baratos e de maneira ainda lucrativa, de modo que eles passam a crer que podem abrir mão do dinheiro em caixa em prol de empréstimos baratos e de curto prazo.  Adicionalmente, o dinheiro que foi recentemente criado pelos bancos e injetado na economia gera uma crescente receita de vendas, o que estimula o gasto com a reposição de estoques, reduzindo ainda mais os incentivos para se manter dinheiro em caixa — tudo na convicção de que os novos estoques podem ser liquidados rápida e lucrativamente.

Recessões e depressões são o resultado da perda do capital que foi desperdiçado tanto em investimentos insustentáveis quanto na explosão consumista, ambos fenômenos provocados pela expansão do crédito.  As perdas são adicionalmente intensificadas pelo aumento na demanda por dinheiro para encaixes que se segue a esse fenômeno.  E elas podem ser intensificadas ainda mais caso haja uma redução na quantidade de dinheiro na economia, algo que pode ocorrer caso os prejuízos sofridos pelos bancos os obriguem a pedir a quitação de vários empréstimos pendentes — ago que, no sistema bancário de reservas fracionárias, gera uma redução múltipla na quantidade de dinheiro disponível na economia.  Esse redução da quantidade de dinheiro na economia faz com que pessoas e empresas endividadas tenham ainda mais dificuldades para quitar suas pendências.

Conclusão

Desde o início da crise financeira, a poupança acumulada no sistema econômico foi dizimada em vários trilhões de dólares, e nada poderia ser mais incrível do que o fato de que, em meio a tudo isso, existam várias pessoas, incluindo-se aí a grande maioria dos economistas profissionais, criticando qualquer perspectiva de aumento na poupança, na crença de que é necessário estimular o consumo e reduzir ainda mais a poupança para que a economia volte a crescer.  Impossível haver uma mais completa e rematada falta de conhecimento econômico.

Seria de se esperar que pessoas que se gabam de seu empirismo, como a maioria dos economistas da atualidade, ao menos se dessem ao trabalho de dar uma olhada nos fatos reais do mundo em que vivem.  Talvez assim, em meio a essa perda de trilhões de dólares em poupança acumulada, eles finalmente começassem a suspeitar de que há alguma necessidade de se repor toda essa poupança que foi dizimada.  Mas, na realidade, o que estas mentes brilhantes estão empenhadas em fazer é exatamente o oposto: impedir que haja essa reposição e fomentar novas rodadas de consumo de capital.


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autor

George Reisman
é Ph.D e autor de Capitalism: A Treatise on Economics. (Uma réplica em PDF do livro completo pode ser baixada para o disco rígido do leitor se ele simplesmente clicar no título do livro e salvar o arquivo). Ele é professor emérito da economia da Pepperdine University. Seu website: www.capitalism.net. Seu blog georgereismansblog.blogspot.com.

  • Edik  19/08/2011 10:48
    Eu discordo da frase: "Poupar não significa não gastar. Não significa guardar dinheiro dentro da gaveta (ao que chamam tecnicamente de "entesourar"). Se alguém recebe R$100,00 de salário, gasta R$90,00 e mantêm consigo R$10,00, eu considero que ele poupou esses R$10,00, independente se ele manteve esse recurso em dinheiro, ou se realizou algum investimento. Portanto para mim guardar dinheiro na gaveta significa sim poupar. Mas eu sei que esse assunto é polêmico mesmo entre os principais economistas austríacos.
  • Leandro  19/08/2011 11:03
    Mas não há contradição nenhuma entre o seu raciocínio e o de Reisman, Edik. Veja o que ele diz:

    "Poupar é o ato de se abster do consumo; é o ato de se abster de consumir fundos que foram adquiridos através da venda de bens ou de serviços.

    Poupar não significa não gastar. Não significa guardar dinheiro dentro da gaveta (ao que chamam tecnicamente de "entesourar"). Poupar significa não incorrer em gastos que sejam voltados para o consumo."

    O que o Reisman quis dizer nessa frase que você destacou é que poupar, ao contrário do que os keynesianos pensam, não significa apenas "dinheiro embaixo do colchão". Essa seria apenas uma das várias formas de poupança.

    Grande abraço!
  • Carlos  30/08/2011 22:03
    "Poupar não significa não gastar. Não significa guardar dinheiro dentro da gaveta (ao que chamam tecnicamente de "entesourar"). Poupar significa não incorrer em gastos que sejam voltados para o consumo."

    Então incorrer em gastos voltados a produção seriam poupança?

    Estou correto no meu raciocínio?

    Abraço
  • Leandro  30/08/2011 22:56
    Exato, Carlos.

    Você, na condição de pessoa física, se não estiver consumindo, estará aplicando seu dinheiro em algum depósito bancário, em ações ou em algum fundo de investimento. Isso é poupar.

    Da mesma forma, você, na condição de pessoa jurídica, se não estiver consumindo (inclusive mão-de-obra), estará comprando máquinas, equipamentos e outros bens de capital. Isso é investimento, e investimento só é possível se houver poupança -- se não for a sua poupança, então será a poupança daquela pessoa que está lhe emprestando o dinheiro.

    Abraços!
  • Carlos  30/08/2011 23:03
    Mas a poupança é a abstenção anterior à compra certo? Porque a compra em si não pode ser considerada poupança, porque existe a depreciação destes bens de capital. Ou a produção decorrente do uso destes bens "anula" a depreciação?

    Obrigado pela ajuda!
  • Leandro  31/08/2011 03:59
    A compra de bens de capital é um investimento. Já a depreciação de bens de capital -- a qual ocorre de forma escalonada e geralmente é contabilizada em termos anuais -- é um custo.

    Por exemplo, se você compra um bem de capital por $100.000, e a vida depreciável desse ativo (durabilidade) é de 10 anos, então o custo de depreciação será de 10% ao ano. Sendo assim, no seu balancete, aparecerá imediatamente um ativo de $100.000 e um custo de apenas 10.000 (10% de 100.000) no ano seguinte.

    Somente após 10 anos é que o custo total desse ativo totalizará $100.000. Isso significa que somente após 10 anos o custo desse ativo será igual ao valor despendido em sua aquisição.

    Ou seja, o valor do bem de capital comprado não aparece integralmente como custo. Mas aparece integralmente como ativo. O custo anual ($10.000) será subtraído do valor integral do ativo ($100.000). Essa diferença representa o investimento líquido.

    É assim que funciona a contabilidade no mundo real, e isso explica por que gastos com bens de capital representam investimento. E bens de capital só podem ser produzidos (construídos) se houver materiais disponíveis para construí-los. E esses materiais só existirão se não tiverem sido consumidos em outras atividades (vivemos em um mundo de escassez).

    Logo, para que seja possível adquirir bens de capital é preciso antes ter havido poupança (abstenção de consumo) para que eles, os bens de capital, pudessem ter sido construídos justamente com materiais que estavam disponíveis (isto é, que não foram consumidos).

    Esse artigo esclarece bem essas noções:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=552
  • Carlos  31/08/2011 22:33
    Obrigado pela ajuda Leandro. Estou aprendendo muito com o site. Abraço
  • Edik  19/08/2011 11:41
    Leandro,
    Sendo assim, a falta da palavra "apenas" que me causou confusão. Obrigado pelo esclarecimento.
  • Igor Goes  19/08/2011 11:58
    Edik:\r
    \r
    Essa é só uma questão de nomenclatura. Você acha que o nome para esse "guardar dinheiro na gaveta" é poupar, o autor (penso como ele) diz que o nome para isso é "entesourar". Não é esse o ponto, não é isso que o autor discute. O "x" da questão é a ideia falaciosa keynesiana de que aquilo que não for entesourado (ou poupado, na sua concepção do termo) será necessariamente gasto em consumo, o que é uma tremenda bobagem. \r
    \r
    Grande abraço. \r
    \r
  • Edik  19/08/2011 14:57
    Igor,
    Eu interpretei o referido trecho (Poupar não significa não gastar. Não significa guardar dinheiro dentro da gaveta) como o autor se posicionando na discussão sobre a interpretação do entesouramento como poupança ou não. Veja o link abaixo em que o economista Robert Murphy defende uma tese que eu concordo e que o economista Joe Salerno discorda.

    consultingbyrpm.com/blog/2011/07/mises-was-a-keynesian-too-apparently.html

  • Felipe Rosa  19/08/2011 12:18
    Uma aula econômica em um artigo!! Existe alguma perspectiva de tradução do Capitalism de Reisman?

    Abraços!!!
  • Leandro  19/08/2011 12:22
    O Reisman demorou mais de 16 anos escrevendo o livro. Acho que a tradução não levaria mais do que 10 anos...
  • Igor Goes  19/08/2011 12:48
    Leandro:\r
    \r
    Uma pergunta que não tem muito a ver com o artigo, mas também não está fora completamente: \r
    Se cada indivíduo desse mundo, se cada pessoinha que vive nessa terra, se cada um de nós tivéssemos todas as condições necessárias para o desenvolvimento econômico, se todos nós tivéssemos habilidades empreendedorísticas, se tivéssemos a exata motivação para negócios, se todos tivéssemos a noção da importância de poupar e automaticamente de acumular capital, e tivéssemos fundamentalmente todas as liberdades individuais necessárias para esse desenvolvimento... após divagar muito, é possível pensar em um mundo onde todos viveriam igualmente bem? Não estou querendo com isso fazer nenhuma campanha em prol disso, até porque creio que "os pobres sempre existirão" citando o próprio Cristo, mas apenas fazendo um esforço imaginativo para saber se de fato ter esse arcabouço de condições para o crescimento seria atingível a todos igualmente e ao mesmo tempo. Pela minha mentalidade desenvolvida sobre teses keynesianas e esquerdistas, onde só há 1 ano e meio venho tentando eliminar completamente das minhas percepções de mundo, ainda tenho uma tendência de acreditar que o mundo é feito desse "jogo de soma zero", onde pra um ganhar outro tem que perder. \r
    Se puder me ajudar com essa questão, fico muito grato. Se puder indicar alguns livros que tratem desse tema, também ficarei muito alegre. \r
    Grande abraço!\r
  • Leandro  19/08/2011 13:15
    Prezado Igor, pelo que entendi, você está partindo do pressuposto de que absolutamente todas as pessoas da face terra teriam uma perfeita compreensão da ciência econômica -- logo, todas saberiam como agir e não haveria espaços para populismos econômicos.

    Consequentemente, pelo que continuei entendendo, você quer saber se isso faria com que o todos vivessem iguais.

    A resposta é: "claro que não". É impossível existir uma suprema igualdade entre todos. Tal afirmação é ilógica. Para que haja capitalismo, para que haja produção, é necessário haver divisão do trabalho. E aí já começa uma contradição com a sua tese de todos viverem iguais. É impossível, por exemplo, querer que um cirurgião tenha a mesma vida de um gari, embora ambos sejam necessários para a economia. O trabalho de um gari não é tão exigente quanto o de um cirurgião. Logo, não se pode querer que ambos tenham o mesmo rendimento e, consequentemente, a mesma qualidade de vida.

    Logo, o sistema capitalista necessariamente gera desigualdade. Não dá para todos terem exatamente o mesmo padrão de vida. Humanamente impossível. Os melhores prosperam e os piores ficam para trás. Isso não só é inevitável, como também tem de ser assim, pois é o arranjo mais moralmente correto que existe, além de ser o único compatível com a divisão do trabalho -- médico não vai ser gari, e gari não vai ser médico; ambos vão se especializar naquilo que sabem fazer melhor. E ainda bem!.

    Em uma sociedade livre, a desigualdade de renda é algo inevitável. Ela é reflexo do mérito individual. É resultado do esforço. E tentar coibir essa disparidade com o intuito de tomar dos mais capazes para transferir aos menos é simplesmente tirania. Uma sociedade que privilegie a igualdade em detrimento do mérito não pode ser livre. É por isso que o mérito sempre deve vir antes da justiça, por mais gritaria que isso possa gerar. Uma sociedade baseada no mérito se desenvolve; uma baseada exclusivamente na justiça é uma incógnita, até porque a definição de justiça sempre estará, em última instância (infelizmente), nas mãos de burocratas com interesses próprios.

    Por fim, mesmo os piores estarão em melhor situação no capitalismo do que aqueles mais bem de vida no socialismo. É preferível ser pobre na Suíça a ser rico na Coréia do Norte ou em Cuba.
  • Rovison  19/08/2011 17:01
    Perfeito, Leandro. Sintetizou de forma magistral o princípio de uma sociedade livre e meritocrática.
  • Leonel  19/08/2011 17:26
    Leandro, mérito é justiça. Discordo do que você escreveu, apesar de entender sua intenção.
  • Leandro  19/08/2011 17:51
    Opa, concordo plenamente: mérito deveria significar justiça. O problema é que o estado e suas autoridades toga discordam de nós, sempre oferecendo sua interpretação particular de ambos. Aí já viu, né?
  • Fernando Chiocca  19/08/2011 18:22
    É.. mas a interpretação do estado não quer dizer justiça. Justiça é algo objetivo.

    Outra coisa que não está bem colocada foi dizer que a desigualdade de renda é reflexo do mérito individual e do esforço.
    Não. É resultado da capacidade individual, avaliada pelo mercado, ou seja, por todas as outras pessoas.

    Um gari pode se esforçar tanto ou muito mais que um médico em seus afazeres diários. E todos merecem receber apenas aquilo que os outros querem lhe dar.

    Um jogador de futebol de um time de terceira divisão pode se esforçar tanto ou muito mais que o Romário, mas ninguém quer pagar para ele o mesmo que queriam pro Romário, por causa da capacidade individual dele.
  • Humberto  19/08/2011 19:39
    Leandro escreveu: "Em uma sociedade livre, a desigualdade de renda é algo inevitável. Ela é reflexo do mérito individual. É resultado do esforço."\r
    Respeitosamente abstenho-me de perguntar como se avaliaria o mérito.\r
    Não será mais correto dizer que a diferença de renda em causa depende da utilidade subjectiva que os consumidores atribuem aos resultados do trabalho e da quantidade desses resultados?\r
    Resumindo, avaliam-se os resultados e não o esforço ou mérito.
  • Leandro  19/08/2011 20:11
    Exatamente, Humberto. A diferença de renda, em uma sociedade livre, será gerada pela utilidade subjetiva que os consumidores atribuirão aos resultados do trabalho dos empreendedores. E isso vai depender do esforço e do mérito desses empreendedores em saber prover exatamente aquilo que tais consumidores mais valoram.

    Você não consegue bons resultados perante determinadas pessoas caso não se esforce para atendê-las justamente naquilo que elas querem receber, independente do que seja isso que elas querem (pode tanto ser filosofia de alta qualidade como também pode ser funk e pornografia).

    Lembre-se que o mercado é amoral. O que é mérito para uns, pode ser desonra e vergonha para outros. Pessoas podem enriquecer tanto com prostituição quanto com livros de autoajuda. Cada um terá seu mérito caso consiga enriquecer naquilo que optou por fazer -- pois, em uma sociedade livre, isso significa que ela teve a competência de saber prover o público consumidor exatamente com aquilo que ele quer.

    Assim, não vejo contradição entre nossos posicionamentos.

    Grande abraço!
  • Humberto  19/08/2011 22:43
    Por certo nenhuma contradição entre as nossas posições. Contudo receio que a sua possa ser interpretada como favorável à teoria do valor-trabalho.\r
    \r
    Como justificação do meu receio tenha em consideração o seguinte:\r
    Cotidianamente vejo-me confrotado com a defesa da criação de um imposto que reduza o rendimento do Cristiano Ronaldo (um jogador de futebol português que aufere um dos rendimentos mais altos do mundo para os profissionais do ramo) ao nível do Vencimento Mínimo Nacional. A defesa dessa posição é precisamente baseada em alegações de que jogar futebol exige menos esforço do que cavar terra e tem menos mérito do que o exercício da medicina. Os comunistas, leitores de Marx, se pressionados a dizerem como se avalia o esforço ou mérito, passam a recitar a teoria do valor-trabalho.\r
    \r
    Uma pergunta. O mercado não tem a noral da propriedade privada?\r
    \r
    Retribuindo o abraço desde já me obrigo pela sua paciência em responder-me.
  • Leandro  19/08/2011 23:52
    Essa conclusão no apenas não procede, como também não faz o menor sentido, Humberto.

    Se o rendimento que as pessoas obtêm no livre mercado depende do valor subjetivo daqueles que consomem os produtos ofertados por essas pessoas, então é impossível que isto esteja ligado à falaciosa teoria do valor-trabalho. Valor-trabalho e valor subjetivo são coisas mutuamente excludentes. O trabalho que você tem para cavar um enorme buraco pode ter, para você, um valor infinito; para mim, terá um valor zero.

    Logo, no livre mercado, se você sair cavando buracos, Marx dirá que o valor desses buracos é infinito -- e que, logo, você deve exigir um preço muito alto por esse seu "serviço". No entanto, para os consumidores, que são quem em última instância determinam o valor final dos produtos, seu trabalho terá valor zero, e você morrerá de fome.

    Logo, não procede essa sua dedução. E sim, o mercado tem a moral da propriedade privada -- desde que funcione livremente, sem obstáculos e regulações. Quando estes surgem, a moral fica distorcida.

    Grande abraço!
  • Absolut  19/08/2011 23:59
    Quando estes surgem, a moral fica distorcida
    E o "livre mercado" já não é mais tão livre assim.
  • Humberto  20/08/2011 07:48
    Que conclusão? Não usei nenhum argumento, não deduzi o que quer que seja. Expressei o receio que as frases citadas podem ser interpretadas como a favor da teoria do valor-trabalho. Julgo, agora, poder inferir da sua resposta que o senhor avalia como infundado o meu receio. Seja, afinal as frases são suas.\r
    \r
    Obrigado pela clarificação sobre a questão da relação entre mercado e moral ao acrescentar a condição de o mercado ter que ser livre. A minha omissão do atributo livre é descuido indesculpável para quem, como eu, vive num país onde a regulamentação, a pesada carga fiscal sobre empresas lucrativas e os subsídios a empressas inviáveis agrilhoam o mercado e corrompem a moral.\r
    \r
    Saudações liberais (liberal no sentido que na Europa damos ao termo).
  • Igor Goes  19/08/2011 14:00
    Leandro:\r
    \r
    Acho que não fui claro. Minha pergunta não é essa, e também não é uma "tese", é só uma "dúvida". Não estou falando do mundo real, das coisas como elas são mesmo, mas estou fazendo um esforço imaginativo. É claro que o mundo como ele é, e existindo nele pessoas completamente diferentes como existe, pensar nessa possibilidade é uma completa idiotice, e acho que não sou um completo idiota (só em partes (risos)). O que estou lhe perguntando é: em um mundo utópico, em um planeta chamado Imaginação, considerando que as pessoas desse "mundo" tenham tudo o que seja necessário e façam tudo o que seja preciso para serem prosperas economicamente falando, é possível essa relação de troca que beneficia a todos? Não em igualdade de riqueza, mas em igualdade de bem-estar; um mundo sem pobres, quero dizer. \r
    \r
    Entendeu? Se não, deixa pra lá, é só loucura da minha cabeça (risos). \r
    \r
    Muito obrigado!
  • Leandro  19/08/2011 14:32
    Igor, qualquer relação de troca, desde que voluntária, beneficia a todos os envolvidos. Por definição.

    Afinal, caso não beneficiasse, não haveria troca. Quando você compra um bem por $5, você valora esse bem mais do que os $5 de que você abriu mão. Já o vendedor desse bem, por sua vez, valora seus $5 mais do que o bem que ele está lhe dando.

    De novo: caso não fosse assim, simplesmente não haveria trocas voluntárias. E isso vale tanto para compras de bugigangas quanto para relações de trabalho.

    Portanto, não precisamos ir para esse seu mundo imaginário para visualizar isso. Tal coisa já é uma realidade no nosso mundo. Quando não há coerção, e há trocas voluntárias, então tais trocas necessariamente ocorrem porque ambos os lados esperam se beneficiar de tal relação. Se um lado souber de antemão que sairá perdendo, não haverá troca.

    No extremo, se todos os lados acharem que sairão perdendo sempre, simplesmente não mais haverá atividade econômica nenhuma.

    Portanto, todas as relações de trocas necessariamente beneficiam a todos os envolvidos, seja entre pobres, seja entre ricos, seja entre pobres e ricos. O bem-estar de cada envolvido certamente irá aumentar em decorrência dessa troca (exatamente por isso eles vão transacionar).

    Agora, "igualdade de bem-estar" não existe, simplesmente porque é totalmente impossível você mensurar bem-estar. Isso é coisa que economista neoclássico enfiou na sua cabeça. Não existe mensuração de bem-estar, nem comparação interpessoal, nem nada dessas bobagens. O que pode estar bom para você, pode perfeitamente ser péssimo para alguém ainda mais pobre. O que traz alegria para um pobre não é o mesmo que o que traz alegria para um rico. A maneira como um rico se sente alegre não é a mesma como um pobre se sente. O que deixa um pobre triste não é o mesmo que deixa um rico triste. O que deixa um pobre alegre pode deixar um rico triste, e vice-versa. Não há mensuração de bem-estar.

    Da mesma forma, não há como mensurar pobreza. O que é pobreza para um, pode representar fartura para outros. Assim como o bem-estar, você não mensura pobreza; você pode apenas fazer uma lista ordinal do mais rico para o mais pobre. Mas nunca haverá a mesma pobreza ou a mesma riqueza. Antônio Ermírio de Moraes é pobre perto de Steve Jobs mas é um magnata para meus padrões. Logo, em um sociedade formada por nos três, eu certamente seria o pé-rapado, mas ainda assim não estaria em petição de miséria. E não haveria como nós três ficarmos absolutamente iguais em termos de bem-estar, exatamente pelos motivos que expliquei na minha resposta acima.

    Espero ter ficado um pouco mais claro agora.

    Abraços!
  • Edson Carvalho  19/08/2011 15:48
    Leandro, por favor me permita alguns comentarios.\r
    Eu acho que entendi a duvida do Igor pois vivi e vivo no Brasil e Japao e la existe o que Igor cita. Vamos ver: Porque em determinados paises existem empregadas domesticas? Digo pessoas que invariavelmente nao tem um valor de salario de mercado ou que seja fixado pelo Rei como um salario minimo, que se compare aos patroes. Isso so existe onde grande parcela da populacao e pobre. Tipo Brasil ou Estados Unidos. Espantado?\r
    Sim la nos EUA a maior parte de Brasileiros trabalham na area de servicos, e muito dificilmente em fabricas como os brasileiros que estao no Japao. No Japao existe muito timidamente esta profissao de empregada, so que para ter uma e preciso ser tipo um Ermirio de Moraes. Porque? Se voce contratar uma empregada o valor do salario dela pode ser igual ao que voce ganha no seu servico. Por isso nao se tem empregada no Japao. Agora as diferencas? A unica coisa dificil de comprar no Japao para qualquer um e terreno e casa, sem precisar explicar que tem que ser resistente a 30 furacoes por ano e terremotos todos os dias. Quanto ao resto o que um medico ou engenheiro compra e o mesmo que um carpinteiro ou pedreiro pode comprar. Ah! uma mercedes, um lexus, uma BMW? nao importa o dinheiro e o poder aquisitivo e o mesmo.\r
    Ambos ganham quase igual. La ser um pedreiro ou carpinteiro, significa voce poder ter tudo isso e ainda poder comprar sua casa e pagar em 35 anos ou se quiser deixar 10 anos para seu filho completar o total.Vou te dar um exemplo de como isso nunca vai acontecer no Brasil.\r
    Aqui so por exemplo, nos temos carros da Nissan ne? Mas que tal comprar o carro da Nissan do link a seguir pelo preco de:12000reais? ( Desculpem mas esta em japones )520 mil yenes no leilao. ( Deixei de citar outras marcas )\r
    page9.auctions.yahoo.co.jp/jp/auction/k143838877\r
    e um Nissan Presidente que nunca vai vir para o Brasil e nem eu posso trazer.\r
    La brasileiros podem comprar esse carro que e ano de 2005 e com 32 mil km vai rodar ate mais ou menos 350 mil km sem problemas, digo retifica. E pagam com 1 ou 2 meses de salario de fabrica.\r
    Bem resumindo la o pedreiro que foi colocar as pedras na minha casa foi de BMW, aqui ele vai de bicicleta ou com um fusquinha velho ne? Infelizmente. \r
  • Igor Goes  19/08/2011 15:00
    Leandro,\r
    \r
    Ficou sim. \r
    \r
    Abração!\r
    \r
    PS.: O que você acha do economista indiano Amartya Sen? Conhece o trabalho dele? \r
    \r
    Abração!
  • mcmoraes  19/08/2011 16:23
    Se entosourar fosse o mesmo que poupar, ficaria facinho pro Mantega ou qualquer outro burocrata com poder sobre a casa da falsificação, digo casa da moeda, dizer que o Brasil é poupador. Bastaria imprimir trocentos zilhões de reais, enfiar tudo no cofre e dizer: vejam aqui o tamanho da nossa poupança.
  • edik  20/08/2011 20:57
    E entesourar em um ambiente sem expansão monetária seria poupar?
  • mcmoraes  20/08/2011 22:07
    Não necessariamente. Veja o que o Dan Mahoney tem a dizer:

    "...Guardar dinheiro (na sua carteira, em uma lata de estanho no quintal, debaixo da cama, etc.) não é uma forma de poupança. O saldo de caixa - ou o efetivo disponível - pode aumentar sem que as preferências temporais tenham diminuído, que é o que ocorre quando se poupa. (Com efeito, uma pessoa poupa porque sua preferência temporal diminui). É possível que uma pessoa aumente seu efetivo disponível diminuindo seu gasto com consumo E TAMBÉM com bem bens de produção. Poupar, por outro lado, significa diminuir o gasto com bens de consumo e aumentar o gasto com bens de produção..."
  • edik  21/08/2011 16:51
    Mc Moraes,
    Eu conheco esse argumento do Dan Mahoney, que é semelhante ao do Salerno, mas eu nao concordo. Nesse assunto, eu ainda prefiro a visao do Robert Murphy, conforme link que eu passei acima.
    Em um ambiente sem expansao monetaria e desregulamentado, um aumento do entesouramento resultaria em uma diminuicao generalizada dos precos dos bens de consumo, ou seja, aumentaria o poder de compra daqueles que preferissem nao entesourar. Enquanto isso os precos dos bens de producao nao aumentaram, como aumentariam caso essa poupanca fosse direcionada diretamente aos bens de producao. Assim, o entesouramento por parte de alguns individuos significa um estimulos para que outros invistam em bens de producao.
  • Getulio Malveira  19/08/2011 17:45
    Muito boa síntese. A alegoria inicial é perfeita e mostra como uma mente sã aborda um problema. Pena que Descartes estava errado quando disse que "juízo é a coisa mais bem distribuída do mundo".
  • Arnaldo  19/08/2011 17:53
    Prezados Leandro e demais,
    aqui está o link de um artigo de Prof.Samir Keedi.Achei interessante.

    www.dcomercio.com.br/index.php/opiniao/sub-menu-opiniao/71714-repensando-o-ensino-da-economia
    Abs.
  • Fernando Z  19/08/2011 18:41
    Esses artigos são muito bons, Muito Obrigado!
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  20/08/2011 16:54
    As pessoas precisam encarar o fato simples de que não existem "milagres" na Economia. A Razão deve prevalecer sempre quando tratamos de assuntos econômicos. Isso implica aceitar a matemática. 1+1 = 2(SEMPRE).
  • Alexandre  21/08/2011 11:43
    Lendo a citação de Mahoney, fiquei sabendo que não sou um poupador e sim entesourador.
    Sendo eu assalariado, gostaria de saber como tornar produtivo tudo que deixo de gastar com consumo, também tendo em vista a possilibidade de resgate, haja vista, eu ter planos de começar a construção de minha casa daqui uns 3 anos?
  • Robson Cota  02/09/2011 11:34
    Leandro, preciso ainda entender esse conceito de poupança que vc descreveu:

    "Você, na condição de pessoa física, se não estiver consumindo, estará aplicando seu dinheiro em algum depósito bancário, em ações ou em algum fundo de investimento. Isso é poupar.

    Da mesma forma, você, na condição de pessoa jurídica, se não estiver consumindo (inclusive mão-de-obra), estará comprando máquinas, equipamentos e outros bens de capital. Isso é investimento, e investimento só é possível se houver poupança -- se não for a sua poupança, então será a poupança daquela pessoa que está lhe emprestando o dinheiro."

    Por essa explicação, poupar e investir é exatamente a mesma coisa?

    Outra coisa, você dá a entender que o gasto de mão-de-obra como um consumo, ou seja, um gasto (não é investimento), mas o autor do artigo parece considerar que qualquer despesa que o empreendedor gasta, seja em mão-de-obra, seja em maquinário, seja em estoques, tudo é investimento, ou seja, tudo é poupança. Ele diz aqui:

    "O vendedor das camisas irá provavelmente poupar e consequentemente gastar produtivamente uns $95 ou mais 1) comprando novas camisetas para repor seu estoque, 2) pagando seus empregados e 3) fazendo outras compras necessárias para a manutenção e condução de seu empreendimento. Ele talvez gastará apenas $5 em consumo próprio."

    Assim, tudo que não é consumo próprio, é poupança, já que poupar é se abster de consumir. Está certo?
  • Leandro  02/09/2011 18:27
    Prezado Robson, sobre a questão dos salários, estava raciocinando dentro daquele contexto que apresentei ao leitor Carlos: ao passo que o gasto com bens de capital é registrado nos livros contábeis de maneira escalonada, o gasto com salários aparece integralmente no mesmo ano.

    Consequentemente, se uma empresa passar a gastar menos com maquinários e outros bens de capital e mais com o pagamento de salários, seus custos de produção aumentariam em termos contábeis e, consequentemente, seus lucros diminuíram de forma equivalente (partindo do princípio de que as receitas de venda se mantiveram as mesmas)

    Mas, sem dúvida, gastos com mão-de-obra representam um gasto produtivo e, nesse sentido, devem sim ser considerados um investimento. Erro meu não ter deixado essa relação mais explícita. De fato, isso gera confusão. Muito obrigado por chamar a atenção.

    E sim: poupar e investir produtivamente são a mesma coisa. Ambos são feitos com o intuito de melhorar sua situação futura. E tudo que não é consumo próprio, é poupança, já que poupar é se abster de consumir.

    Grande abraço!
  • Angelo Viacava  17/02/2013 14:18
    Já viram isso? Se alguém puder tecer um comentário, agradeço. Pode ser irônico, não me importo.
  • Renato  20/04/2015 13:48
    Leandro,

    Você já viu esse vídeo acima? Como vocês interpretariam isso?


    Obrigado!
  • Leandro  20/04/2015 14:37
    Não vi.
  • Rafael B. Gomes  20/02/2014 17:43
    Leandro, pode me tirar uma dúvida a respeito da TACE? Venho lendo muito sobre esse assunto, mas ainda não encontrei nenhum material que me pudesse sanar essa dúvida, que é a seguinte: reduzido nível de consumo da população e aumentada a poupança, que incentivos teriam os empresários para aumentar os investimentos (seja na indústria de bens de capital ou na de bens de consumo)? É certo que, com a maior oferta de fundos para investir resultante do aumento da frugalidade, as taxas de juros baixariam. Porém, diante de prejuízos constantes e preços declinantes, não seria mais razoável supor uma REDUÇÃO dos investimentos por parte do empresariado? A TACE sustenta que, assim que o consumo de bens de primeira ordem baixasse, os recursos retidos nas indústrias que se dedicam à produção desses bens migrariam naturalmente para as indústrias de bens de capital, que os empregariam de modo a promover um alargamento da estrutura produtiva da economia e garantir uma maior oferta de bens de consumo no futuro. No entanto, por que essas mesmas indústrias de bens de capital não estariam também sujeitas ao efeito depressor originário da queda do consumo? Também elas não sofreriam prejuízos contábeis e se veriam na obrigação de dispensar recursos ociosos, assim como as indústrias que atuam na etapa final do processo de produção?

    Veja bem: imaginemos que a população decide parar de consumir um pneus. Imediatamente, as empresas que atendem diretamente o consumidor final, percebendo essa queda abrupta no consumo de pneus, cancelam todas as encomendas feitas, ou por fazer, aos seus fornecedores. Neste ponto, o que a EA diz é que esses fornecedores (ou outras empresas ainda mais afastadas na estrutura produtiva, da perspectiva do consumidor, como as que produzem os bens de capital utilizados pelas fábricas de pneus etc.), ao invés de dispensar funcionários e cortar gastos como reflexo do cancelamento em massa de encomendas, iriam, na verdade, EXPANDIR seus gastos com investimentos em novas ferramentas, novo maquinário, com a contratação de mais funcionários etc. Simplesmente não faz sentido.

    Ficarei MUITO agradecido se você puder esclarecer isso para mim. Muito mesmo! Abraços!
  • Leandro  20/02/2014 21:08
    Além de subscrever o que foi dito abaixo pelo Rico Paulista ali embaixo, vale enfatizar: redução do consumo e aumento da poupança implicam menor endividamento, menores juros, mais renda disponível e, logo, mais propensão ao consumo futuro.

    Agora, uma ressalva:

    É obvio que tal cenário por si só não irá produzir uma chuva de investimentos. Tudo vai depender da qualidade do empresariado local e do ambiente de segurança institucional e jurídica criado pelo governo. A maneira como o governo conduz seu orçamento também será crucial. Se elas forem ruins, nada feito.

    Um bom exemplo prático desse arranjo ocorreu no Brasil há 10 anos. Após uma forte recessão em 2003, com o desemprego chegando a 14%, com as vendas no varejo encolhendo 6%, e com os gastos do governo praticamente congelados e a equipe econômica (BACEN e Facenda) sinalizando seriedade, os juros puderam cair de 26,5% para 16% em período de menos de um ano. Resultado: já em 2004 a economia estava saneada e o investimento voltou a crescer. E foi assim até 2010 (com um breve hiato em 2009).

    Por fim, vale também ressaltar que absolutamente ninguém fica sem consumir. Isso é uma impossibilidade humana. Mesmo um eremita consome roupas, alimentos, energia elétrica, utensílios domésticos e aparelhos eletroeletrônicos. Portanto, esse fantasma do "não haverá investimento porque ninguém está consumindo" simplesmente não existe. Sempre haverá necessidade de se produzir mais bens e serviços.
  • Pobre Paulista  20/02/2014 20:04
    Veja sobre os Triângulos Hayekianos neste link.

    Vou tentar explicar resumidamente. No caso de aumento de poupança haverá inevitavelmente uma redução de consumo dos produtos já fabricados que estão prontamente disponíveis em estoque. Essa redução irá fatalmente esfriar este mercado - sobrarão estoques, os preços inevitavelmente terão que baixar, e certamente haverão demissões - aumentando a oferta de mão de obra na economia.

    Agora olhe pelo ponto de vista do empresário: Poupança aumentando = juros baixos. Oferta de mão de obra = salários baixos. Porquê algum empresário não investiria num cenário desses? E uma vez que está claro que os produtos atuais das prateleiras não satisfazem os consumidores atuais, os empresários certamente irão investir ou em novos produtos de prateleira, ou em setores mais iniciais dos estágios de produção.

    Ou seja, redução de consumo não é uma "crise", é apenas uma readequação (muito provavelmente um alongamento) da cadeia produtiva de um modo geral.

    Espero ter esclarecido. De qualquer modo, leia o artigo citado, ele responde muito bem à sua pergunta.
  • Luciano  26/09/2014 22:56
    Prezado Leandro e/ou amigos do site,

    Gostaria de uma uma sugestão sobre qual dos grandes tratados de economia escrito pelos nossos gigantes austríacos vocês recomendam como primeira leitura, desconsiderando qualquer empecilho na leitura da obra no idioma original: Ação Humana (Mises), Man, Economy and State (Rothbard) ou Capitalism (Reisman).

    Acho que Ação Humana seria uma escolha natural por ser a mais antiga das obras e ter sido a influência dos outros dois autores, mas tenho que admitir que acho a prosa do Rothbard fantástica. Como escreve bem! E quanto a Reisman, sempre gostei muito dos artigos dele aqui publicados.


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