Monopólio bom e monopólio ruim - como são gerados e como são mantidos
por , terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

versão para impressão


Substitutos.jpgEm suas seguidas e intermináveis condenações ao capitalismo, os socialistas recorrem a alguns tenebrosos fantasmas.  O mais velho, e talvez o mais eficaz de todos, é aquele que suscita a ideia de que o capitalismo inevitavelmente leva à concentração monopolística do mercado, sendo tal característica inerente ao capitalismo e completamente inseparável dele.  Os socialistas descrevem em cores vívidas todos os horrores gerados pelo capitalismo monopolista e, ato contínuo, concluem que uma economia de livre mercado obviamente necessita sofrer várias intervenções e restrições governamentais, caso contrário irá descambar em um caótico sistema dominado pelo monopólio das grandes empresas, levando à total opressão do povo.

Consequentemente, estes socialistas defendem a criação de todos os tipos de agências reguladoras e conselhos antitruste, os quais, segundo eles, irão suprimir os monopólios.  E sempre irão demonstrar estupefação quando alguém levantar dúvidas a respeito da sagacidade da legislação antitruste.

Infelizmente, mesmo os defensores da livre iniciativa se dividem quanto a este quesito.  Alguns defendem a existência de legislações e agências reguladoras, bem como a concomitante supervisão governamental sobre as empresas; outros rejeitam sumariamente a moderna noção de monopólio, bem como todas as atividades regulatórias e antitruste do governo.

Uma abordagem imparcial e isenta sobre a questão do monopólio poderia começar com a seguinte pergunta: os monopólios são inerentemente ruins?  Seriam eles idênticos à destruição da concorrência — gerando assim enormes ganhos monopolísticos — e à exploração dos trabalhadores e consumidores?  Sob quais condições, se existir alguma, os monopólios realmente representam todos os malefícios que seus críticos alegam representar?

Em uma economia de mercado livre e desimpedida, sem agências reguladoras e conselhos antitruste, um monopólio não é causa para alarde.  Uma empresa que porventura detenha o controle exclusivo de uma mercadoria ou de um serviço em um mercado específico será, ainda assim, incapaz de explorar essa situação, e pelos seguintes fatores competitivos: a concorrência potencial, a concorrência de substitutos, e a elasticidade da demanda.

A concorrência potencial

Em uma economia de mercado, milhares de bens distintos são, cada um deles, produzidos por um único produtor — isto é, por um monopolista —, e isso está longe de ser preocupante.  Todas as mercearias e todas as lojas de conveniência estão repletas de itens produzidos por monopolistas.  E, ainda assim, todos estes itens são vendidos a preços competitivos.  Por quê?  Por causa da concorrência potencial.  Enquanto houver qualquer potencial de concorrência, um monopolista não poderá cobrar preços monopolísticos.

A concorrência potencial existe em todas as áreas da produção e do comércio em que haja liberdade de entrada; áreas em que qualquer pessoa seja livre para entrar e competir.  Em outras palavras, em qualquer setor em que o governo não impeça a livre entrada por meio de licenças, concessões, parcerias e outras formas de controle, a concorrência potencial irá existir.  As empresas e os empreendedores estão continuamente em busca de novos itens e novas linhas de produção.  Motivados pela busca do lucro e guiados pelo sistema de preços, eles estão constantemente ávidos para empreender em qualquer área pouco explorada cujos rendimentos potenciais sejam atipicamente altos.

Não havendo regulamentações e burocracias governamentais, a incursão em um outro setor da economia exigirá de uma empresa pouco mais do que uma simples reorganização, atualização e aquisição de novos equipamentos, algo que pode ser feito em algumas semanas ou meses.  Ou, no extremo, instalações novas podem ser construídas para se empreender uma vigorosa incursão neste novo setor.  Assim, um produtor, seja ele um monopolista, um duopolista ou um concorrente dentre vários, estará sempre enfrentando a concorrência potencial de todos os outros produtores existentes no mercado.

Em um livre mercado, sem leis antitruste, mesmo se uma grande corporação detivesse o monopólio de determinadas mercadorias, ela ainda assim teria de agir como se fosse apenas mais uma produtora entre várias.  Pois ela estaria continuamente submetida à concorrência potencial de várias outras corporações — grandes, médias ou pequenas — que poderiam se unir para competir contra ela, tomando fatias do seu mercado.  Esses potenciais concorrentes indubitavelmente teriam os recursos, o conhecimento técnico e o domínio da maneira de organizar a distribuição e a comercialização das mercadorias, tornando-se capazes de concorrer com a grande.

No extremo, mesmo se não houver concorrentes com tamanho e estrutura similar, o monopolista ainda sim deve se preocupar com a concorrência potencial que pode surgir da noite para o dia.  Vários financistas, organizadores de empresas, promovedores e especuladores, tanto nacionais quanto estrangeiros, estão continuamente em busca de oportunidades para criar e estabelecer novas empresas.  Várias empresas gigantes foram formadas assim no passado.  Havendo liberdade de mercado, estes indivíduos estarão dispostos a arriscar capital caso vejam uma oportunidade para grandes lucros e formar um empreendimento conjunto.

Justamente por temer que seu setor seja invadido por esses empreendedores, o monopolista terá de agir exatamente como se já estivesse cercado por vários concorrentes.  Ele terá de se manter em constante alerta, sendo sempre "competitivo".  Ele terá de aprimorar continuamente seus produtos e serviços, reduzindo seus preços.  Caso contrário, outra empresa irá invadir seu setor.  E essa empresa recém-chegada provavelmente será uma concorrente formidável, pois estará com máquinas e equipamentos novos.  Certamente estará com novas ideias e irá aplicar novos métodos de produção.  E ela certamente contará com a boa vontade de todos os consumidores.  Com efeito, o monopolista que relaxar estará clamando por um desastre.

Se, ainda assim, uma empresa continuar usufruindo uma posição monopolística, então é porque ela deve necessariamente ser a mais eficiente em sua área.  Em outras palavras, em um setor em que haja liberdade de entrada e livre concorrência, qualquer monopólio sempre será um monopólio eficiente.  O governo impor restrições a esta empresa ou mesmo dissolvê-la à força seria o mesmo que destruir o produtor mais eficiente e trazer para o setor o produtor menos eficiente.  Neste caso, a economia irá sofrer uma perda líquida de produção e eficiência.

Em minha cidade, um pequeno produtor conseguiu adquirir uma posição monopolística na produção de testadoras de deformação e distensão — máquinas que testam o comportamento de materiais sob temperaturas elevadas.  Quando perguntei a ele como consegui essa extraordinária posição, ele me disse com um sorriso:  "Afugentei completamente minhas duas concorrentes, ambas corporações bilionárias, simplesmente aprimorando continuamente a qualidade do meu produto, e sempre reduzindo seu preço.  Elas finalmente abandonaram o setor."  É óbvio que ele estaria imediatamente convidando essas suas formidáveis concorrentes a voltarem ao setor caso ele não continuasse aperfeiçoando seu produto no futuro, ou caso passasse a cobrar preços monopolísticos.

Que o governo não tenha investigado ou ameaçado esse monopolista provavelmente se deveu ao fato de ser uma pequena empresa. 

Concorrência de substitutos

Entretanto, mesmo que esse cenário de concorrência potencial não fosse capaz de exercer uma influência restringente sobre os monopolistas, de modo que as empresas não conseguissem concorrer com outras — uma hipótese bastante irrealista —, as pessoas ainda assim poderiam escapar da precificação monopolista de uma empresa por meio da utilização de substitutos.  Em várias áreas, a concorrência de substitutos é mais importante do que a concorrência direta entre produtores.

Os desejos das pessoas podem ser satisfeitos por uma variedade de produtos e materiais.  Na fabricação de roupas, por exemplo, dúzias de diferentes materiais concorrem entre si pelo dinheiro do consumidor.  O monopolista de qualquer um desses materiais é completamente impotente, pois sua precificação monopolista iria induzir os consumidores a saírem imediatamente à procura de outros materiais substitutos.  Os produtores de suspensórios concorrem não apenas entre si e com outros potenciais concorrentes, mas também com os produtores de cintos.  Na indústria de transportes, os trens concorrem com caminhões, carros, aviões, oleodutos e navios.  Na indústria da construção civil, a madeira concorre com alumínio, aço, tijolos e pedras.  Uma aspirina da Bayer concorre com a Medley, a Boehringer Ingelheim e a Eurofarma.

Em alguns casos, a adoção de substitutos requer grandes despesas de capital, nas quais os produtores não estão dispostos a incorrer imediatamente.  Neste caso, uma substituição completa levará tempo, embora no final venha a ser tão eficaz quanto uma substituição imediata.  Uma ferrovia que queira substituir carvão por óleo diesel precisará de um maior volume de capital para poder comprar motores a diesel.  Sendo assim, ela provavelmente irá efetuar essa troca somente quando tiver de substituir suas locomotivas a carvão já desgastadas e antiquadas.  Um proprietário de um imóvel, caso queira trocar seu fogão, pode optar por outro fogão a gás, ou por um fogão elétrico, ou simplesmente por um microondas ou até mesmo por um grill.  Assim, após alguns anos, a substituição exercerá seu efeito restringente sobre um monopolista.

Elasticidade da demanda

A existência de substitutos contribui para que haja uma maior elasticidade da demanda (pequenas alterações no preço geram grandes alterações na demanda), a qual, por sua vez, faz com que os preços monopolistas sejam desvantajosos e não-lucrativos.  Preços mais altos iriam reduzir consideravelmente a demanda pelo produto, e consequentemente as vendas e a renda do monopolista.  Desta forma, ele terá novamente de agir como se fosse um mero concorrente entre vários outros.

O mesmo é válido para todos os casos em que há elasticidade da demanda, haja substitutos ou não.  Por exemplo, nas regiões frias, a eletricidade para a calefação terá de competir com substitutos como óleo diesel, gás e carvão.  Entretanto, como fonte de luz e de energia para ferramentas elétricas, a eletricidade provavelmente não possui substitutos.  Não obstante, um produtor monopolista de eletricidade seria enormemente restringido pela concorrência potencial e pela elasticidade da demanda.

Se as tarifas de energia elétrica aumentassem consideravelmente, aqueles consumidores mais importantes, como as instalações industriais e outras organizações empresariais, iriam rapidamente começar a produzir a própria eletricidade.  Com os equipamentos adequados, qualquer um pode produzir a sua própria.  Obviamente, o monopolista pode neutralizar essa ameaça cobrando tarifas diferenciadas de suas diferentes classes de consumidores: tarifas mais baixas para todos aqueles usuários industriais que são capazes de produzir sua própria eletricidade, tarifas mais altas para todos os outros clientes. 

Supondo-se que nem todos os usuários residenciais podem prontamente recorrer a uma produção energética independente, não seria correto afirmar que eles estão propensos a se tornar reféns de um monopolista?  Não!  A elasticidade da demanda impediria isso.  Muitas pessoas podem, incontestavelmente, reduzir seu consumo de eletricidade sem sofrer maiores desconfortos.  Um indivíduo que gosta de acender várias luzes em sua casa à noite pode facilmente reduzir seu consumo caso as tarifas de energia elétrica aumentem consideravelmente.  E essa redução da demanda irá reduzir as receitas do monopolista.

Todos os produtores concorrem com todos os outros produtores, de quaisquer produtos e de qualquer área da economia, pelo dinheiro do consumidor.  O fabricante de aparelhos de televisão concorre com o fabricante de geladeiras e de computadores.  Se o monopolista de um dado produto — por exemplo, televisores — resolver aumentar seus preços, o consumidor pode desistir da compra de um novo aparelho e, em vez disso, comprar um novo computador ou uma nova geladeira.  Vários consumidores estão constantemente trocando de marcas e ofertantes, sempre buscando o melhor para o seu dinheiro.  Consequentemente, todas as fabricantes de automóveis irão concorrer não apenas entre si e com os importados, mas também com as fabricantes de geladeiras, televisores, computadores, lava-louças, fogões, máquinas de lavar e até mesmo com imobiliárias.  O aumento do preço de um produto pode induzir os consumidores a comprar um produto totalmente diferente.

Nós consumidores não alocamos nossa renda de modo a satisfazer categorias de desejos, mas sim de modo a satisfazer aqueles desejos específicos que nos proporcionarão o maior acréscimo líquido ao nosso bem-estar.  Este acréscimo, por sua vez, é determinado pela urgência de nossos desejos e pelo custo da aquisição do bem em questão.  Custos crescentes obviamente nos afetam de maneira adversa, o que pode nos induzir a comprar um produto totalmente diferente daquele que planejávamos comprar, e que, sob as novas circunstâncias, irá contribuir mais para o nosso bem-estar.

A resistência do consumidor aos preços praticados por monopolistas também pode ser expressa de outra forma.  As pessoas que suspeitam de alguma prática monopolista de um produtor qualquer tendem a dar preferência a qualquer recém-chegado ao mercado que queira concorrer com ele.  Qualquer empresa que se esforce para entrar nesse mercado já tem garantido o apoio e a boa vontade de todos os consumidores insatisfeitos.  No nosso exemplo do produtor monopolista de eletricidade, o usuário industrial que passou a produzir eletricidade para seu próprio consumo pode decidir ofertar energia elétrica também para seus empregados e vizinhos, os quais, a uma tarifa mais baixa, iriam alegremente se tornar clientes.  Assim, em uma economia livre e desregulamentada, até mesmo um produtor monopolista de eletricidade opera altamente restringido, sem muita margem para elevar seus preços.

As mesmas limitações se aplicam a todas as outras indústrias, inclusive as de utilidades públicas.  Um monopólio dos correios enfrentaria não apenas a elasticidade da demanda das pessoas por serviços postais, como também a concorrência potencial de inúmeros sistemas postais entre empresas.  Atualmente, várias empresas possuem serviço próprio de entregas postais entre si, serviço este que poderia — não fosse a proibição do governo — ser expandido para os próprios funcionários das empresas, para seus clientes e para outras pessoas que morassem na vizinhança dessas empresas.  O argumento é o mesmo para outros serviços de utilidade pública, como água, esgoto, telefonia fixa, TV a cabo, internet etc.

Sobre o crescimento ótimo

Em um sistema de liberdade econômica irrestrita, uma posição monopolística de mercado só pode ser conquistada pela eficiência.  Sem intervenções governamentais, uma empresa eficiente tende a crescer até atingir seu tamanho ótimo, quando os custos por unidade produzida são os menores.  Esse ótimo vai depender da natureza da indústria, do produto, dos mercados de capital, da carga tributária e da capacidade administrativa da empresa.  Obviamente, uma siderúrgica requer muito mais gastos de capital e uma mão-de-obra mais volumosa do que requer um consultório de um dentista ou uma barbearia.  Da mesma forma, uma empresa gerida por um empreendedor brilhante será muito mais otimizada do que uma gerida por seus medíocres sucessores.  Uma posição monopolística pode ser obtida somente se o tamanho ótimo for suficiente para suprir completamente um dado mercado.

A extensão territorial do mercado que um dado monopólio é capaz de suprir depende de dois fatores: a diferença entre os custos por unidade produzida do monopolista e os custos de seus potenciais concorrentes, o que irá determinar a margem de superioridade do monopolista, e os custos por unidade transportada, que são determinados pela natureza do produto e pelas distâncias envolvidas.  Uma mercadoria volumosa como cimento, por exemplo, gera custos de transporte muito altos.  Consequentemente, o mercado de um monopolista de cimento será relativamente pequeno, pois um aumento na distância da fábrica até o consumidor irá aumentar substantivamente seus custos unitários.  Por outro lado, mercadorias cujos custos de transporte são baixos, como relógios ou diamantes, podem ser distribuídas ao longo de várias áreas distantes entre si.

Essa análise da extensão territorial dos mercados também revela que os monopólios de itens volumosos estão em uma posição relativamente favorável para conduzir suas políticas monopolistas.  Ao passo que um fabricante de relógios tem de enfrentar todos os seus concorrentes estrangeiros ao redor do globo, um produtor de cimento estará pouco preocupado com a concorrência de outro produtor localizado a 500 quilômetros de distância.  Ele de fato pode se sentir tentado a restringir sua própria produção para, com isso, elevar os preços a fim de maximizar sua renda.  Porém, é claro, tal medida iria estimular outros produtores a entrar em seu mercado, acabando com seu monopólio.  Uma outra grande empresa rapidamente iria construir uma fábrica moderna naquele território.  Com uma fábrica totalmente nova e contando com a boa vontade de todos os consumidores, ela sem dúvidas iria superar o monopolista.

Resta evidente que uma mudança nos custos de transporte, na tecnologia empregada na produção, no gerenciamento das empresas, ou em qualquer outro fator relacionado aos custos pode causar transtornos para uma posição monopolista.  Da mesma forma, uma empresa monopolista que cresce além do ponto de otimização está flertando com o fracasso, pois seus custos unitários de produção tendem a voltar a subir.  A empresa monopolista que desconsiderar este fato estará abrindo as portas para potenciais concorrentes invadirem seu território, produzirem a custos mais baixos e, com isso, reduzirem a monopolista novamente ao seu tamanho ótimo.  Portanto, não há nenhuma necessidade de o governo atacar uma empresa gigante.  Caso ela de fato esteja excessivamente grande, seus concorrentes irão reduzi-la utilizando o próprio mercado.

Isso não significa que se esteja negando o fato de que, mesmo em uma economia capitalista de livre mercado, um monopólio possa temporariamente reduzir sua produção e cobrar preços monopolistas.  Após ter atingido uma posição monopolística em decorrência de sua eficiência, um empreendedor pode, dali em diante, tentar pôr em prática políticas monopolistas.  Porém, toda a análise acima indica que suas tentativas terão vida curta.  Brevemente ele irá se descobrir em uma batalha crucial contra poderosos invasores de seu mercado, que estarão produzindo com novos equipamentos e usufruindo a boa vontade do público.  Ademais, vale ressaltar que é algo bastante atípico e improvável que um empreendedor que tenha ascendido ao topo em decorrência do constante aprimoramento de seus produtos e por causa de seus preços baixos irá repentinamente começar a restringir sua produção e a aumentar seus preços, sem qualquer preocupação com a concorrência potencial, que estará de olho em seu mercado.  Entretanto, caso ele realmente decida agir desta maneira, o que é concebível, ele estará apenas selando sua autodestruição.

É o governo quem cria e sustenta cartéis e monopólios ineficientes

Não se pode negar que, no atual mundo intervencionista em que vivemos, vários monopólios de fato possuem o poder de restringir a produção e praticar preços monopolísticos.  Porém, a causa desta lamentável situação está na multiplicidade de restrições governamentais à livre concorrência, como regulamentações, burocracias, restrições ambientalistas e carga tributária alta, que serve como uma barreira protecionista que defende quem já está no mercado.  Se o governo impede concorrentes de entrarem no mercado, os consumidores perdem a proteção oferecida pela concorrência potencial.  A empresa de utilidade pública que desfruta uma concessão exclusiva é um monopólio local.  Neste caso, a única linha de resistência dos consumidores é a elasticidade da sua demanda — e talvez também sua capacidade de recorrer a uma produção independente.  Enquanto isso, os planejadores estatais vão intensificando os controles políticos.

Por meio de concessões, licenças, patentes, tarifas e outras restrições, o governo na prática criou milhares de monopólios.  Tendo assim debilitado e obstruído a livre concorrência, ele passou a querer combater os monopólios.  Um exército de burocratas agora legisla sobre questões econômicas vitais para vários e importantes setores da economia.  Eles regulam o setor aéreo, o setor ferroviário, o setor viário, o setor portuário e vários outros meios de transporte.  Eles garantem concessões exclusivas em rádio, televisão, telefonia, internet e TV a cabo.  Eles, na prática, monopolizam a produção, a transmissão e a distribuição de eletricidade, petróleo, água e esgoto.  Eles concedem patentes que garantem a seus recebedores posições monopolísticas.  E, finalmente, eles são os proprietários, gerenciam e operam toda a indústria postal, e impedem qualquer tipo de concorrência, impondo meio de multas e até ameaçando de cadeia qualquer um que se atrever a concorrer. 

Em todos estes casos, o governo efetivamente restringe a concorrência e cria monopólios locais e nacionais.  Toda a regulamentação governamental sobre o mercado tem o objetivo de garantir a determinadas empresas — os membros do monopólio, oligopólio ou cartel — uma renda "justa", o que significa uma renda bem maior do que aquela que conseguiriam no livre mercado.

E assim o governo segue destruindo a livre iniciativa e a livre concorrência, que são a base do padrão de vida de toda a sociedade.  Sempre em benefício de uns poucos (aqueles com boas conexões políticas) e em detrimento de todos (o cidadão comum que paga os impostos que sustenta todo este arranjo).


Hans F. Sennholz  (1922-2007) foi o primeiro aluno Ph.D de Mises nos Estados Unidos.  Ele lecionou economia no Grove City College, de 1956 a 1992, tendo sido contratado assim que chegou.  Após ter se aposentado, tornou-se presidente da Foundation for Economic Education, 1992-1997.  Foi um scholar adjunto do Mises Institute e, em outubro de 2004, ganhou prêmio Gary G. Schlarbaum por sua defesa vitalícia da liberdade.

Tradução de Leandro Roque


86 comentários
86 comentários
Felix 28/07/2011 09:35:48

Excelente texto...

Responder
Rhyan 28/07/2011 13:06:05

Fantástico!

Responder
Rovison 28/07/2011 13:15:54

Leandro, na sua opinião, o que explica os elevados preços de bens manufaturados, telefonia, internet e outros serviços praticados no Brasil quando comparados ao resto do mundo, mesmo descontando a abusiva carga tributária. Um exemplo: um Honda Civic custa cerca de 65 mil reais aqui no Brasil e é vendido por aproximadamente 25 mil reais nos Estados Unidos. Mesmo tirando todos os impostos cobrados sobre o automóvel fabricado no Brasil ele continua com um preço muito acima do similar norte-americano. O mesmo vale para o Honda City fabricado no Brasil e exportado para o México. Aqui ele é vendido por 55 mil reais e lá por menos de 25 mil reais.

Responder
Felipe Barbosa 28/07/2011 14:53:57

A resposta seria oligopólio, o que também só acontece por conta da intervenção governamental do alto imposto de importação, supondo que tal taxa não existisse, uma BMW M3 chegaria aproximadamente ao preço de um Honda Civic SI, outra montadoras, outros modelos mais simples, todos se tornariam competitivos as carroças que temos no mercado nacional.

Graças ao alto imposto de importação, o preço fica alto e se ainda assim eles vendem muito, são poucas as pressões para a redução do preço, somente uma boa competição reduziria o preço do mesmo.

Responder
Leandro 28/07/2011 15:00:40

Rovison, sua pergunta específica já foi respondida aqui:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1027

Responder
Dniar Nya 28/07/2011 14:13:07

E quanto ao monopólio de coisas como, digamo, minas?

Se eu possuo o monopólio das minas de um país (todas elas) e de todos os outros, como poderão concorrer comigo?

Não adianta dizer que é improvável, pois quero uma resposta para uma situação extrema mesmo.

Responder
Fernando Chiocca 28/07/2011 14:50:24

Todas as minas de todos os minerais?

Você está se referindo a um monopólio de toda a crosta terrestre? É isso? E quer uma resposta pra isso mesmo? Que tal se você se tornar dono do universo?

Responder
Rovison 28/07/2011 14:55:49

Há minerais raros que só são encontrados em poucos locais na Terra e não é improvável que uma grande multinacional adquira o direito exclusivo de exploração desse mineral raro.

Responder
Fernando Chiocca 28/07/2011 15:00:20

E este mineral raro concorre com outros menos raros e com todos os outros produtos e serviços que existem. Tá tudo no texto.

Responder
Raphael Noronha Auto De Souza Leao 28/07/2011 15:16:54

Um material tão escasso assim não poderia se tornar um bem indispensável para ninguém (acho que já ouvi isso em algum lugar). Se for pra surtar na hipótese tá pra pegar mais pesado com o estado.

Responder
Leandro 28/07/2011 15:11:09

Esta é talvez uma das mais bem difundidas falácias econômicas que atormenta o mundo -- a ideia de que recursos minerais devem ser exclusivamente geridos pelo estado, pois, só com este arranjo, poderá toda a população enriquecer milagrosamente.

Recursos minerais nada mais são do que cadáveres geológicos que só deixarão de ser cadáveres e se transformarão em riqueza se houver investimentos e mercado. Se forem explorados pelo estado, o resultado será enriquecimento político, opressão de todo o povo e miséria generalizada.

Como exemplo, Venezuela e Nigéria são "ricas" em recursos minerais, e está tudo nas mãos do estado, como o povo gosta. Israel e Japão não tem nenhuma riqueza mineral, e não parecem estar piores do que venezuelanos e nigerianos.

É preciso entender a diferença entre "recurso" e "riqueza": a Nigéria e a Venezuela têm "recursos" e não têm "riqueza", o Japão e Israel têm "riqueza" mas não têm "recursos".

Enquanto isso não for compreendido, essas ilusões estatais ainda continuarão oprimindo muita gente pelo mundo.

Responder
Felipe Barbosa 28/07/2011 15:17:47

A maior concentração que eu tenho conhecimento é o caso do litio, cujo 98% está na bolivia, ele é utilizado para fazer baterias de celular, laptop e carro e o governo boliviano percebendo a mina de ouro que tem em mãos (mina de lítio tum tum tsss), resolveu restringir a venda do produto, mal sabe ele que isso criou uma nova corrida energética das empresas japonesas atrás de uma nova tecnologia de baterias, que deve ser padrão em 5 ou 10 anos, fazendo que todo litio da bolivia caia em desuso.

Isso é claro até o governo americano se atrever a custear pesquisa cientifica para baterias, o que como todos aqui no site sabemos, nada esteriliza mais um mercado do que intervenção governamental.

Responder
Felipe Barbosa 28/07/2011 15:01:02

Se vc detem todo aluminio do mundo, e cobra por ele um preço abusivo poderiamos aprimorar os materiais poliméricos, se detém todo ferro poderiamos tentar reduzir escalas de equipamentos, usar fibras e materiais compósitos, se você detiver todo carvão podemos procurar outras formas de redução e produção de energia

caso semelhante aconteceu com o cobre nos primeiros momentos da explosão de telefones fixos, o preço da tonelada disparou e viabilizou a exploração em minas na colombia, no perú e no brasil, e também viabilizou os cabos de fibra óticas.

para cada problema que um monopolista pode criar, dezenas de inovadores tentariam achar um contorno, cabe ao estado não atrapalhar

Responder
Fernando Chiocca 28/07/2011 15:21:28

Todo aluminio do mundo? E os reciclados?

Responder
Rovison 28/07/2011 15:24:57

E no caso de materiais insubstitíveis ou que não haja no momento tecnologia capaz de fornecer um material substituto num prazo razoável. Há vários materiais que entram na composição de produtos eletroeletrônicos raros e que dificilmente seriam substituíveis num curto prazo.

PS. Esses meus questionamentos não é porque eu defenda qualquer tipo de controle governamental ou monopólio estatal. Sou defensor ardoroso da livre iniciativa, porém quero ter argumentos bastante convincentes para apresentar aos meus opositores estatistas.

Responder
Leandro 28/07/2011 15:33:51

Observe que, sem querer, você já foi acuado a defender posições extremas. Neste seu cenário, por exemplo, quem está no monopólio destes "materiais insubstituíveis" e para os quais não há "no momento tecnologia capaz de fornecer um substituto num prazo razoável"?

Quem? Algum governo? Se for uma empresa, ela por acaso parou de vender o produto? Encareceu-o proibitivamante? Aí ninguém vai comprar? E as receitas dela, ficarão no zero? Como ela vai sobreviver? Tal empresa também está proibindo outras empresas de sequer fazer pesquisas para encontrar substitutos? E as legislações ambientalistas estatais, que praticamente proíbem novas explorações, dificultando vários tipos de pesquisa? Ninguém leva em consideração?

Se isso não for abordado, esse seu cenário não faz sentido nenhum. Apenas um monopólio governamental de tudo isso pode estagnar a economia.

(Ademais, tal argumentação extrema faz lembrar aqueles sujeitos que querem provar que o anarcocapitalismo não funciona e acabam tendo de recorrer a exemplos como 'um exército de marcianos resolve atacar a terra' ou 'um enxame de meteoros é descoberto vindo em nossa direção'. Quem poderá nos defender?)

Responder
Rovison 28/07/2011 18:23:50

Obrigado, Leandro, pelos esclarecimentos. À medida que meus conhecimentos sobre a Escola Austríaca de Economia vão aumentando mais eu valorizo a livre iniciativa e mais anti-estatista me torno. Não sou ainda anarcocapitalista mas concordo com muitas das teses libertarianistas.

Responder
Felipe Barbosa 28/07/2011 15:37:44

NADA é insubstituivel... Toda tecnologia que temos hoje, muito possivelmente tem uma concorrente que por motivos tecnicos ou economicos foi preterida. Se por qualquer motivo natural ou sobrenatural a primeira não puder ser desenvolvida, a segunda será, com novos preços em um novo paradigma.

se uma entidade maligna (estado) dominasse toda a terra capaz para a agricultura do planeta alguém faria fazendas hidropônicas, se também tomar a agua doce, iriamos dessalinizar agua do mar.

Somente um estado seria capaz de ter tamanho monopólio e seria ingenuo acreditar que precisamos de um estado para nos proteger de um estado.

na categoria de perguntas absurdas, a maior que ja ouvi foi "e se um meteoro se aproximasse da terra, sem nações com armas nucleares e foguetes, como um mundo anarco capitalista se protegeria?"

Responder
Felix 28/07/2011 17:58:10

Amigos,
Se viemos da era do pau e pedra lascada
qualquer coisa além disso é superflúo
nióbio, alumínio, ouro...
o que vier é lucro...

Responder
Daniel 28/07/2011 19:43:17

Acho que você está falando os "rare earths" ou "terras raras", quimicamente conhecidos como Lantanídeos. São usados em supercondutores, lasers, turbinas de avião, etc etc...

Estes materiais estão em TODO o globo terrestre. O problema é que estão em concentrações muito pequenas, e a demanda global desses materiais é muito pequena (poucas toneladas/ano). Como a demanda é pequena, só há espaço para 1-2 players no mercado para cada um dos materiais. Se algum desses players resolve restringir a oferta ele faz com que a abertura de outras operações de exploração de terras raras se torne viável. Simples assim. Se a China e a Rússia proibirem as exportações de Escândio, no dia seguinte posso iniciar a abertura de uma mina na Suécia ou em Madagascar e ficar bastante rico. Eu ou qualquer pessoa.

Responder
André Ramos 28/07/2011 14:30:26

"A empresa de utilidade pública que desfruta uma concessão exclusiva é um monopólio local. Neste caso, a única linha de resistência dos consumidores é a elasticidade da sua demanda..."
ÀS VEZES O GOVERNO ACABA ATÉ COM ESSA LINHA DE RESISTÊNCIA DO CONSUMIDOR. PEGUE O EXEMPLO DO TRANSPORTE PÚBLICO. ALÉM DE CONCEDER EXCLUSIVIDADE ÀS EMPRESAS QUE GANHAM AS LICITAÇÕES ROUBADAS, O GOVERNO IMPEDE, EM VÁRIOS LOCAIS, O TRANSPORTE ALTERNATIVO POR KOMBIS OU VANS, AS MOTO-TÁXIS, A CARONA ETC.

Responder
Getulio Malveira 28/07/2011 17:09:25

Interessante texto. Já tinha lido aqui outros textos que apontam o monopólio (tal como normalmente conceituado) como uma falha de governo e não de mercado. O grande mérito deste texto é mostrar que essa falha se refere a monopólios ineficientes e que o fenômeno do monopólio em si mesmo não pode ser dito bom ou mau.

Responder
Amarilio Adolfo da Silva de Souza 28/07/2011 18:06:57

A interferência governamental é sempre maléfica. O mundo deve ser livre.

Responder
Fernando Z 28/07/2011 21:37:20

Sartre dizia isso, e ele é adorado pela juventude revoltada.

Responder
Abs 28/07/2011 22:41:41

Interferência governamental e Sartre são duas bostas.

Responder
Raphael Noronha Auto De Souza Leao 29/07/2011 00:26:37

Hitler respirava. Quem respira é um adorador de Hitler.

Responder
Fernando Z 29/07/2011 07:27:25

Bom, eu não acredito nisso, mas se um pensador que faz parte do movimento revolucionário orientasse as pessoas a respirar eu pensaria 2 vezes antes de puxar o ar.

Responder
Alan 31/07/2011 18:29:57

Só uma observação: a esquerda e os keynesianos adoram dizer que os monopólios e dominações de mercado por grandes empresas eliminam a concorrência por impedirem a ascenção das pequenas empresas, mas eles esquecem que praticamente todas as grandes empresas da atual sociedade Ocidental surgiram com dimensões quase desprezíveis. A Apple não poderia ser melhor exemplo (de, literalmente, empresa de garagem a maior empresa tecnológica do mundo).

Responder
anônimo 03/01/2012 04:49:11

E isso se deu em um setor praticamente não atingido, por vários anos, pela regulamentação estatal...

Responder
Alan 31/07/2011 18:33:37

Perdão, eu disse que a Apple não poderia ser melhor exemplo, quando quis dizer que NÃO PODERIA HAVER MELHOR EXEMPLO QUE A APPLE.

Responder
Edimar Estevam 31/07/2011 20:56:35

A própria internet é um perfeito exemplo de que um monopólio numa sociedade livre não tem vida longa se a empresa monopolística não tentar sempre oferecer um melhor produto a preços cada vez mais competitivos para deixar os clientes satisfeitos e prováveis competidores receosos de investir. Vejam o exemplo do Internet Explorer. A Microsoft destruiu o poderoso Netscape e após sua vitória triunfal deixou de se preocupar com a qualidade e meio que deixou o IE de lado por um bom tempo. O monopólio do IE não durou muito tempo e completamente estagnado e parado no tempo, O IE sofreu forte concorrência do Firefox no ínicio do milênio e hoje só tem uma fatia decente de mercado por vir junto com o Windows. Esta aí um exemplo de um monopólio destruído pelo próprio mercado e consumidores.
Um outro exemplo, é o Google. O Google cresceu muito com seu sistema de busca, ganhou muito dinheiro com o Adwords/Adsense, mas seu "monópolio" no setor de buscas online e propaganda se mantem intacto. Porque? Porque sempre inova, sempre melhora seus produtos, procura atender exigências dos clientes e se mantém até hoje insuperável em vários setores online. Se fosse um monopólio garantido pelo Estado, a história seria bem diferente.

Responder
Andre Cavalcante 09/11/2011 20:32:55

Não gostei muito desses exemplos relacionados a tecnologia.

A Microsoft somente conseguiu o seu monopólio porque a sociedade de fato não é livre. E o Firefox somente teve algum êxito depois que a UE passou a exigir que as páginas criadas no seu território seguissem um padrão global. Se fosse pela liberdade pura e dura, nunca a Microsoft e a Apple passariam de empresas de garagem, não ao menos com o tipo de negócio que tem hoje.

A única situação de monopólio privado que talvez fosse realmente mais difícil de romper seria o caso da criação de uma "prefeitura" privada, em que uma única entidade tomasse conta de alguns dos principais elementos em uma cidade: ruas, transportes e segurança, por exemplo. Neste caso, a população não teria muito para quem apelar, somente lhe restando mudar de cidade, mas isso leva tempo (afinal o seu trabalho está ali, família., etc.).

Sobre a questão das terras raras, há uma especialmente rara e cujo monopólio realmente seria "ruim": urânio (claro que se o preço fosse realmente exorbitante não teríamos armas nucleares capazes de nos defender de um ataque alienígena ou calhaus vindos em nossa :), mas também não teríamos como nos matar uns aos outros numa guerra nuclear :D ).

Abraços

Responder
anônimo 12/02/2013 19:21:17

Qualquer tipo de monopólio é ruim. O Google é um claro exemplo disso. Se um dia, o Google fizer com o IMB e/ou outros sites de conteúdo libertário a mesma coisa que fez com o Mídia Sem Máscara e outros sites conservadores entenderão...

Responder
Atylla 12/02/2013 19:50:11

A solução é deixar o PT regular, Com certeza eles vão colocar o site do Olavo no topo da busca.

Responder
Eduardo Marques 12/02/2013 19:51:37

HAHA... CHUPA, Olavo. O Google é uma empresa privada e, se quisesse, poderia simplesmente deixar de exibir o site que quiser no mecanismo de buscas.

Responder
Carlos 06/08/2011 04:00:45

A APPLE não pode ser usada como exemplo de empresa com ideais libertários, já que é uma das que mais usa do estado para interesses próprios.
Basta ver que a Samsung não pode vender seus tablets na Austrália e sofre de inumeros processos por quebra de patente, dentre elas a ridícula patente da tela capacitiva e do formato do ipad (ou seja, fazer uma tela retângular onde eu possa tocar, dá processo).

Responder
José R.C.Monteiro 04/01/2012 04:01:35

Saudações, o próprio trabalhador deveria ser contra o monopólio,quanto mais empresas ou prestadores de um mesmo produto/serviço, mais possibilidades de ofertar a própria mão-de-obra, simples.
Gostaria de saber quanto as aulas de praxeologia, acabaram?
Muito bom o artigo, como sempre.

Responder
Christiano 04/01/2012 09:45:37

Um otimo artigo, porem falta abordar a questão Qualidade do Produto, pois se há um monopolio essa empresa monopolista pode simplesmente não querer inovar pois está sozinha no mercado e possivelmente já tem sua marca escancarada na vida de todos.\r
\r
Exemplo a ELMA CHIPS, não existe hoje uma concorrencia contra ela, todas as empresas de chips não alcança quaisquer tipo de produtos da elma chips e ela pratica preços altos e a muito tempo não inova em seus produtos...\r
\r
Quanto ao que foi dito de elasticidade de preço, concorrencia de preço é de veras real, fato que faz com que as empresas monopolista tendem a manter o preço ao nivel aceitavel, mas e a qualidade do produto ? já que em um mercado so existe esse produto a um preço baixo e já tem uma grande venda ( pois so tem ele no mercado ) como uma empresa ( concorrente pontecial ) poderá entrar nesse mercado, concorrendo com uma empresa que todos ja compram seus produtos e ainda manter um preço baixo ? \r
\r
Minha singela opinião...\r
\r
Agradeço muito aos idealizadores do site...pois muito aprendo aqui !\r

Responder
Hay 04/01/2012 10:37:37

Uma empresa só consegue manter preços altos e qualidade baixa por muito tempo se ela for, de alguma maneira, protegida da concorrência. A Elma Chips é da Pepsico, que concorre com a Coca-Cola, a Nestlé, a Kraft... portanto, não faz sentido dizer que a Elma Chips tem algum tipo de monopólio.

Responder
Christiano 09/01/2012 08:01:25

Me refiro aos produtos especificos da ELMA CHIPS . Exemplo : Fandangos, Ruffles...entre outros.

Responder
Daniel 09/01/2012 15:27:03

E tu não conhece NENHUM concorrente para eles? Tem certeza? Já visitou o setor de salgadinhos de algum supermercado? Tem dezenas de concorrentes, sejam totalmente diretos (salgadinhos de milho ou batata - até posto de gasolina tem batata chips com marca própria), "semi-diretos" (todos tipos de snacks industrializados salgados) ou substitutos (basicamente toda a sessão de snacks, biscoitos e acompanhamentos de um supermercado, com dezenas de opções - desde pipoca doce de 50 centavos até castanha de caju, passando pelas novas linhas "saudáveis/light" que vem ganhando market share a galope). Em termos de número de opções específicas/idênticas a Elma Chips tem muito mais concorrência que pequenos players de nicho, como a Pastelina.

Responder
Allef 20/12/2014 15:01:08

Bem tem sim, salgadinhos como fofura, cebolas, batatas das mais diversas como lay's e uma batatinha q tem aq na minha cidade q se chama. "BAtatinha" hashahsahshashahs
tem bastantes opções algumas com qualidades e outras nem tanto.

Responder
Anarcho 26/01/2012 12:30:27

Uma duvida, se alguém for proprietário de toda a terra, ou pelo menos toda a terra que alimenta um região.

Se ele não quiser produzir para mais ninguém, fazer dessa terra um mega-sitio, onde só gera alimento para sua familia? Até onde vai o direito a propriedade?

Responder
Fernando Chiocca 26/01/2012 12:53:26

Você mesmo já respondeu; se ele for o proprietário, ele é o proprietário.

E as pessoas dessa região sempre deveriam poder comprar alimentos de outras regiões, ou então usar suas próprias áreas para cultivar alimentos. Alimento é algo que tem de sobra no mundo.

Responder
Breno Almeida 26/01/2012 13:05:52

@Anarcho

Vai até o direito de propriedade de outra pessoa. Mas se as pessoas estiverem famintas elas tentem a se rebelar e ae fica dificil manter qualquer direito,afinal haveria violência generalizada. Logo me parece improvavel que alguem fize-se tal estupidez apesar de não duvidar que alguns estados tenham feito algo do genero no passado.

Como por exemplo abolir a propriedade privada da terra, construir fazendas coletivas utilizar o alimento das fazendas coletiva para exportação e deixar a população rural faminta.

Responder
void 26/01/2012 15:06:54

Amigo, ter um "mega-sítio" e manter ele produzindo apenas para consumo familiar é CARO. É impossível, a menos que você tenha tantos recursos que possa bancar isso por um longo prazo. Ainda assim, recursos acabam. Supondo que tanto seja dedicado a manter este sítio, torna-se impossível ter qualquer outro meio de obter mais recursos - ou cuida de um sítio para que não produza nada, ou busca recursos... produzindo. Afinal, este sítio não é gerador de riqueza, pelo contrário neste contexto que você deu, ele é destruidor de riqueza. Um "mega-sítio" demanda um "mega-serviço" para produção de bens. A menos que a família seja de centenas ou milhares de pessoas para trabalhar nele - e aí você deixa de ter uma família e tem, então, uma comunidade, e ainda assim é custoso - simplesmente não é economicamente viável produzir apenas para consumo familiar em algo tão grande, e deixar o excedente para apodrecer. Disperdício é custoso de se manter, e isso inclui "disperdício de terra", terra que é necessário, ao menos, defender, ainda que não produza nada nela, o que já é bem complicado para grandes propriedades.
Cedo ou tarde o preço de fazer isto que você sugeriu seria tanto que o proprietário teria que, se livrar de parte de sua propriedade, ou teria que passar a dar um destino melhor à sua produção excedente. Portanto, impossível esta situação que colocou se sustentar. E não é preciso que nenhum burocrata decrete a falência de quem tente fazer isso, as próprias leis da economia tratam de falir a pessoa.

Isso sem considerar que as pessoas podem buscar alimentos em outros lugares, como disse o Fernando. Tente impedir e você estará agindo exatamente como o estado age.

Responder
Roberto 26/01/2012 15:39:01

São os ditos kolkhozes(propriedade coletiva) e sovkhozes(propriedade estatal), mas propriedade coletiva não é anti-liberal se for de arbitraria, imposta pelo estado já é outra coisa.

Responder
Higor Monteiro 23/12/2012 23:16:43

Bem, excelente texto, muito explicativo, compreensivo até para quem não é muito por dentro do assunto. Mas tenho uma dúvida se alguém puder tirar agradeceria.
A escola austríaca condena essas restrições, concessões e é claro que faz sentido essas condenações, mas em uma economia de livre mercado genuína como seria feita por exemplo as fiscalizações ambientais em relação com as restrições ambientais que é dado pelo estado no sistema atual?

Se puderem responder de forma compreensivo, fico grato.

P.S: A escola austríaca foi a principal escola que me fez querer estudar e cursar em breve economia, ótimos textos, críticas reais, muito bom, parabéns pela iniciativa como vocês dizem não-mainstream.

Responder
TL 25/12/2012 22:40:47

Caro Higor Monteiro.

Seu questionamento é semelhante ao questionamento desse outro leitor. Recomendo a leitura desse tópico e dos respectivos artigos sobre meio ambiente.

Caso as leituras recomendadas não sejam suficientes para sanar suas dúvidas, aqui você encontrará outros artigos sobre a questão do meio ambiente.

Responder
w matos 25/12/2012 19:54:42

Bom, a minha dúvida é seguindo a linha do Anarcho, supondo que alguém consiga comprar todas as propriedades rurais do Brasil (ou do mundo, pra tornar o exemplo mais extremo), de forma que toda a produção de alimentos esteja ligado às suas propriedades, mas ao invés de parar de produzir os alimentos, ele jogasse os preços lá em cima, olhando as regras aqui do artigo dá pra ver que não tem como aplicá-las nas propriedades rurais, não teria como aplicar a concorrência potencial, já que a entrada de novos concorrentes no setor dependeria da sua vontade (ele precisaria vender parte da sua terra para alguém), não teria como aplicar a concorrência de substitutos, já que todos os alimentos estariam ligados direta ou indiretamente às suas fazendas e não teria como aplicar a elasticidade da demanda, já que a pessoa não pode parar de comer, e racionar os alimentos pode causar prejuízos à sua saúde e produtividade. A pergunta é: não seria o monopólio rural um caso especial que necessita de um tratamento especial? Justifique. hehehe

E fazendo essa pergunta me surgiu outra dúvida, no caso da concorrência potencial, supondo que uma empresa detém o monopólio de algo e tem um grande poder econômico, ter elevado os preços, daí eu abro uma empresa, com muito menos recursos, pra concorrer com ela, ela pratica dumping e eu quebro, aí ela sobe os preços de volta, isso não eliminaria os riscos da concorrência potencial, já que nenhum empresário abriria uma empresa pra concorrer com ela, pois estaria jogando seu dinheiro fora, já que qualquer empresa que abrir, a monopolista vai tentar derrubar através de dumping?

Responder
Bruno 25/12/2012 21:01:36

O primeiro exemplo é totalmente ridículo e completamente fictício. É uma impossibilidade completa, e ainda bem que você próprio reconhece isso. Aliás, é sempre assim: quando se quer "provar" que o livre mercado não funciona, o detrator recorre a examplos totalmente ignaros.

O segundo exemplo é igualmente ridículo e nunca aconteceu na história do mundo, e o motivo foi explicado em detalhes logo no início deste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1381

Responder
w matos 25/12/2012 23:13:20

O problema é que a sociedade deve estar preparada mesmo para eventos improváveis de acontecer, no mais, espero uma resposta do porque (se) isso seria algo impossível de acontecer.

Responder
Leandro 26/12/2012 12:15:09

Caro w matos, primeiro você diz que "supondo que alguém consiga comprar todas as propriedades rurais do Brasil (ou do mundo, pra tornar o exemplo mais extremo), de forma que toda a produção de alimentos esteja ligado às suas propriedades" e depois ainda acha ruim quando os outros afirma que tal cenário é ignaro?

Façamos o seguinte: primeiro você explica como isso pode acontecer, dando detalhes de financiamento (quem vai emprestar uma quantia suficiente para um sujeito comprar todas as terras do mundo? De onde virá tal dinheiro? Quem vai ser louco de fazer tal empréstimo de altíssimo risco) e ilustrando como dar-se-ia o processo de aquisição de todas as terras do mundo (e se várias pessoas e empresas não quisessem vender as suas terras? Um cenário altamente provável, dado que a posse de terras está intrinsecamente ligada à cadeia de produção de várias empresas).

E então, só então, a gente começa a esboçar a resposta a este seu "desafio insuperável".

Responder
w matos 26/12/2012 20:20:42

Eu entendo, e sei que estou viajando, mas como o Bruno falou, quem quer criticar o livre mercado vai recorrer a exemplos extremos como esse, e se não houver uma resposta concreta e segura para essas dúvidas o próprio sistema perde sua credibilidade, mas não é um cenário assim tão difícil de se imaginar, no Brasil tem-se um monte de grandes propriedades, que geram grandes lucros, e de pequenas propriedades, que praticamente não dão lucros, esses grandes proprietários que têm grandes lucros podem muito bem irem comprando as pequenas propriedades, aumentando, assim, os seus lucros, possibilitando que eles vão comprando mais propriedades. Óbvio que o exemplo do monopólio é pra simplificar as coisas, o que eu falo aqui tende mais a possibilidade de uma cartelização, mas a linha de raciocínio é a mesma.

Responder
Pobre Paulista 12/02/2013 18:05:02

Se comprarem todas as terras do mundo eu começo a vender alface hidropônica feita em casa. A um valor certamente inferior. Extrapole esse raciocínio e vc recai no que está explicado no texto: Ainda que ele consiga o monopólio de todas as terras, ele terá que vender alface a um preço acessível.

Responder
Pedro Evandro Montini 10/04/2013 02:50:14

Simplesmente se tornaria viável o cultivo de carne em laboratório.

Responder
Pedro Evandro Montini 10/04/2013 02:51:08

Convém lembrar que, em um mercado totalmente livre e desregulamentado, mesmo que todas as empresas de eletroeletrônicos se unissem em forma de monopólio ou cartel e se utilizassem desse arranjo para praticar preços abusivos, a flexibilidade e a dinâmica do mercado também faria florescer o segmento de reparos e a venda de produtos usados ou seminovos, diretamente entre os consumidores (via portais online ou outros canais inéditos que surgissem) ou através do comércio alternativo.

Responder
Vinicius Costa 12/02/2013 13:05:29

Queria ter certeza se entendi os diferentes tipo de concorrência. No primeiro caso, poderia ser algo assim:

A concorrência potencial: A Coca-cola tem o melhor produto do mundo, mesmo assim não pode cobrar muito mais caro porque os consumidores iriam comprar de outras marcas, mesmo a qualidade sendo inferior.

E no segundo:

Concorrência de substitutos: Dessa vez, a Coca-Cola consegue tirar do mercado todas outros refrigerantes tipo cola. Pepsi, Dolly e qualquer outra marca não conseguem mais fabricar o produto. Nesse momento, a Coca começa a cobrar 8 reais por uma garrafa de 2 litros. Os consumidores então irão comprar outro produto certo, um suco, guarana etc, até a hora que a Coca terá que voltar atrás e baixar os preços novamente.

Alguma coisa errada?

Responder
Leandro 12/02/2013 14:28:15

Correto. E sempre lembrando que, em ambos os casos, não há um monopólio de facto: para haver monopólio, é necessário que o governo literalmente proíba a entrada de concorrentes. Estando a entrada liberada, não há monopólio. A concorrência existe a partir do momento que o estado não proíbe outras empresas de fazerem sua tentativa.

Se houver apenas um ofertante em um mercado de entrada liberada, isso, por definição, significa que tal ofertante é tão eficiente em servir os consumidores, que ele torna financeiramente inviável o surgimento de um concorrente.

Responder
Gustavo Sauer 12/02/2013 15:39:32

Marxistas da faculdade criticavam o capitalismo pela "criação de monopólios" ao mesmo tempo criticavam a existência de concorrência capitalista por gerar "desperdícios". Consistência lógica zero.

Responder
Tiago Moraes 12/02/2013 21:07:03

É, e ainda por cima defendem uma organização econômica baseada no monopólio dos monopólios, que é a centralização de toda a atividade econômica pelas mãos do Estado (planificação), muito embora critiquem a suposta tendência de cartelização da atividade econômica no capitalismo.

Responder
Gustavo Sauer 13/02/2013 00:32:08

"vamos acabar com o monopólio capitalista gerando um único monopólio". Daí você questiona a lógica desse argumento a toa, visto que marxista segue polilogismo, ou seja, A é A apenas quando convém.

Responder
joao 12/02/2013 17:12:01

resumo da ópera: Monopólios não-eficientes têm vida curta no livre-mercado. O máximo que o dono do mesmo pode fazer é ficar ainda mais rico, e se aposentar antes da empresa quebrar/perder seu monopólio.

Acho que isso me lembra os corners nas ações/futuros.


Ah, outra coisa: alguém aqui se lembra da crise do petróleo? Países árabes fazendo gracinha, estimularam a maior pesquisa energética da história. O álcool surgiu, o carro elétrico...energia nuclear e tudo mais. Fora que a extração ficou mais eficiente nas regiões fora do mundo árabe. Ou seja, menor dependência deles.

O mercado é implacável.

Responder
Trevor Reznik 12/02/2013 17:49:02

Quando ouvi falar de livre mercado pela primeira vez, a formação de monopólios ou oligopólios era justamente um dos meus maiores temores. Curiosamente, este medo começou a ser superado quando li o livro "Full Principles of Economics" do Greg Mankiw. Depois, com mais conhecimento sobre a Escola Austríaca este medo foi demolido completamente.

Responder
Bruno 12/02/2013 21:15:43

Não existe monopólio, o próprio autor quebrou isso, o governo tenta acabar com os "monopolistas" o que é diferente, ou seja o que o governo quer acabar é com a concorrência ao estado.
Tipo de artigo que tinha que sair em colunas e editoriais toda semana.


Responder
Pobre Paulista 13/02/2013 00:39:35

Esse raciocínio é perfeito e se aplica ao próprio governo, acompanhem:

- Os governos detém há muito tempo o monopólio da estupidez.
- Até hoje ninguém conseguiu tirar os governos de seus lugares.
- Portanto os governos são estúpidos da maneira mais eficiente possível.

Confere, Arnaldo?

Responder
Rogerio 13/02/2013 01:02:52

Há mais de um ano li um artigo aqui, que não lembro o autor, mas pode ser que seja o Leandro, que falava da expansão monetária no Brasil e tinha um gráfico com níveis de M1. O gráfico era atualizado automaticamente mensalmente. Alguém sabe que artigo é esse?

Responder
Leandro 13/02/2013 01:46:24

O artigo é esse, mas vale enfatizar que o M1, em 2012, deixou de ser um bom método para prever a evolução da oferta monetária. E por dois motivos:

1) o Banco Central fez várias alterações seguidas no compulsório, tanto dos depósitos à vista quanto dos depósitos em poupança e a prazo, o que levou os bancos a fazerem várias migrações de uma conta para outra (eu mesmo fui vítima disso: tiraram meu dinheiro da poupança e jogaram para uma aplicação a prazo que rendia muito menos, tudo por causa de alterações no compulsório);

2) a maioria dos bancos passou a tratar a conta-poupança como se fosse conta-corrente (com a mesma liquidez), de modo que o M1 também perdeu seu apelo (o M1 não contabiliza a conta-poupança).

Em suma, utilizar o M1 como método de previsão da evolução da oferta monetária funcionava quando o Banco Central não se dava ao deleite de ficar mudando as regras o tempo todo (o Fed e o BCE não fazem isso). Em 2012, ele fez isso umas 4 vezes, e alterou todo o panorama.

No momento, a melhor contabilidade é esta apresentada no terceiro e no quarto gráficos deste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1489

Responder
Rogerio 13/02/2013 14:00:08

É esse mesmo, obrigado pela explicação.

Responder
Jaider 13/02/2013 21:59:35

Excelente artigo!

Responder
ingridt klaesener 22/05/2013 21:35:30

Muito bom, tudo bem, mas o que é realmente o Monopólios privados, qual é sua Formação e formas de obtenção??? aind anao consegui entender amigos.

Responder
Leonardo Couto 31/08/2013 19:03:46


Monopólio, em seu sentido de uma organização com poder único sobre preços, não existe sem governo. Assim como cartel, no sentido de associações com mesmo poder.

Podem existir mercados com um produtor no momento, ou com produtores associados, e não configurar monopólio ou cartel. Se não estiverem protegidos pelo governo, as forças concorrenciais tornarão contraproducente qualquer tentativa de aproveitamento de sua posição que, frise-se, pode decair.

O mercado livre assegura que são nulas tentativas monopolísticas ou cartelizadoras.

Podem existir empresas que estão sozinhas no momento ou associações de empresas, mas enquanto em um ambiente livre, elas não são monopólios ou carteis, e não têm os respectivos poderes.

Não gosto de denominar associações livres em um cenário livre de cartel, de qualquer forma aqui tem um artigo que aborda as tais:

O direito de formar cartéis

Responder
Rhyan 31/08/2013 18:27:21

Afinal, existem monopólios naturais ou não?

Responder
Leonardo Couto 31/08/2013 20:12:26


Tem um artigo sobre isto aqui, Rhyan:

O mito do monopólio natural

Responder
Alexandre M. R. Filho 18/09/2013 02:20:58

Meus amigos,

pedi a um amigo socialista um exemplo de monopólio que se formou e se manteve no livre-mercado.

Ele falou sobre o monopólio de exploração de diamantes na áfrica.

Segundo ele não há regulamentação sobre a exploração de diamantes o que fez com que só uma empresa (De Beers segundo ele) conseguisse monopolizar o mercado mundial (87% segundo ele) com efeitos desastrosos.

E ainda citou o filme famoso sobre o tema.

Eu achei estranho porque jamais imaginei que a exploração de um minério tão raro pudesse ter sido deixado ao livre mercado na àfrica.

Mas não sei se é verdade.

Alguém aí pode ajudar??

Responder
Malthus 18/09/2013 02:44:48

Seu amigo ocultou fatos essenciais.

Pra começar, uma empresa qualquer explorando minas em países da África, onde o conceito de propriedade privada é inexistente, nada tem a ver com livre mercado. Ademais, pelo que se sabe, altos funcionários dos governos destes países eram subornados para fazer vista grossa e garantir o monopólio extrativo desta empresa.

Ou seja, além de não haver propriedade privada das terras, os governos locais garantiam -- por meio de subornos -- o monopólio de fato desta exploração. Nada a ver com livre mercado.

Responder
Felipe 31/10/2014 12:19:31

Eu tenho uma dúvida, no caso de um monopólio hipotético das telecons, recentemente claro, vivo e oi fecharam um acordo para efetuar a compra da TIM, nós sabemos que esse mercado antes tetra axial agora passará a ser triaxial diminuindo assim a concorrência. Sabemos também que os serviços fornecidos por todas as operadoras são péssimo e que a abertura de concorrência é inviável senão impossível por conta dos leilões de faixa de banda que não são frequentes e realizados e regulados apenas pela ANATEL.

Se hipotéticamente uma das operadoras comprar as demais, digo comprar pq assim absorveria toda a estrutura de rede e faixa de banda das demais, impediria o ressurgimento de novas concorrências, hoje as operadoras operam em todos os serviços disponíveis (3G, 4G, WiMax, GSM, TDMA, cabo, etc etc etc) ou seja praticamente não temos substitutos para a tecnologia (lembrando que eu falo apenas de internet, por considerar que telefone tende a sumir) e já hj podemos dizer que internet é um bem básico para trabalho, lazer, comunicação...

Neste caso deveriam haver leis anti-truste?

Responder
Malcolm 31/10/2014 12:54:43

"Sabemos [...] que a abertura de concorrência é inviável senão impossível por conta dos leilões de faixa de banda que não são frequentes e realizados e regulados apenas pela ANATEL."

Ué, você diagnosticou corretamente o problema, mas estranhamente aboliu a única solução: a abolição da Anatel.

O fato é que o setor telefônico não foi desestatizado, não foi desregulamentado, e o estado não saiu do controle. As telefônicas são caras e ineficientes simplesmente porque o estado fechou o mercado para beneficiar estas empresas, proibindo completamente a entrada de empresas estrangeiras.

A ANATEL existe para proteger as empresas favoritas do governo e para impedir que surja qualquer concorrência que possa acabar com o sossego destas empresas. Seu intuito de cartelizar o mercado e proteger grandes empresas da concorrência externa. Não houvesse a ANATEL, qualquer empresas estrangeira poderia se estabelecer no Brasil da noite para o dia, ofertando os serviços que quisesse.

O fato de existir uma agência reguladora (ANATEL) que está ali justamente para fechar o mercado, proteger as empresas favoritas e impedir o surgimento de qualquer concorrência externa explica diretamente a qualidade ruim dos serviços das teles.

O estranho seria se essas empresas realmente fossem boas e se preocupassem com qualidade. Por que iriam? Elas sabem que não há nenhum risco de livre concorrência, pois a ANATEL está ali justamente para protegê-las e impedir a vinda de empresas coreanas e japonesas.

Elas não têm por que se preocupar com nada. Elas têm sua reserva de mercado garantida pela agência reguladora.

Neste cenário de reserva de mercado, qualquer investimento passa a ser um mero ato de caridade.

Solução? Abolição da Anatel a imediata e irrestrita abertura do mercado para livre concorrência.

Há vários artigos falando especificamente sobre o setor de telefonia:

Celular ilimitado por R$30/mês - saiba como aqui

Sobre as privatizações (Parte 1)

Sobre as privatizações (final)

A Guatemala e seu exemplo de privatização

Regulações protegem os regulados e prejudicam os consumidores

Os reais beneficiados por um capitalismo regulado


Por fim, veja aqui esta notícia recente (cuidado para não cair da cadeira):

Anatel é acusada de favorecer cartel formado por Vivo, TIM, Claro e Oi

Responder
Renandré Silva 08/02/2015 13:10:11

E qual seria sua opinião sobre o devir do monopólio mundial da Monsato? A companhia tem se infiltrado em países sem agências reguladoras e patenteado sementes, a administração da transnacional faz governos obrigarem a população a comprar sementes, não podendo utilizar do meio que sempre nos servimos para seleção assistida de alimentos, através da escolha de melhores sementes de uma safra específica.

O caso da Nigéria é ainda mais preocupante, o fato do governo nigeriano ter "estatizado" o petróleo foi por conta de acordos realizados com empresas que hoje exploram e lucram com essa matéria prima, empresas como ExxonMobil, já fui supervisor nesta companhia e sei do que estou falando, exigiram tal medida para impedir a concorrência, o governo Nigeriano decide quem pode e quem não pode explorar o Petróleo, impedindo que empresas locais surjam.

O que falta em seu argumento é pensar que empresas podem ser tão corruptas quanto o mais corrupto dos governos que você possa imaginar. Sem agências controladoras como poderíamos impedir que os empresários atuem como ditadores, controlando governos como se fossem parte de seu quadro de funcionários de alto escalão, nivelando por baixo os preços e benefícios dados a funcionários de um determinado setor, principalmente da operação, transformando consumidores em cobaias e sujeitando a concorrência de pequenos empresários às leis e pesquisas criadas através de lobbies e dados parciais?

Responder
Antonandré 08/02/2015 14:03:48

Monsanto?! Essa empresa é umbilicalmente ligada ao governo americano. Trata-se de uma grande corporação que recebe fartos subsídios do governo. O que há de "natural" em monopólios protegidos pelo governo? Não acuse o mercado de falhas inteiramente geradas por governos e suas intervenções.

Informe-se, Renandré:

Monsanto's Friends in High Places

Responder
anônimo 08/02/2015 14:38:16

Renandré

Todo o seu comentário, pode ser resumido em uma frase do próprio artigo: É o governo quem cria e sustenta cartéis e monopólios ineficientes.

Desculpe, mas seu comentário portanto não faz sentido.

Sua frase:
"Sem agências controladoras como poderíamos impedir que os empresários atuem como ditadores"
É bem tosca porque é como se você perguntasse:
"Sem ditadores, como poderíamos impedir empresários ditadores?"

Realmente não entendo como você não percebeu isso ao digitar.

Responder
Bruno Pacheco Heringer 20/09/2015 17:47:53

Ouvi um comentário na internet dizendo que se monopólios acontecessem em um livre mercado, é porque os consumidores estão pensando em "necessidades e curto prazo", mas não são justamente os consumidores que são soberanos e decidem quem fica e quem sai, independente se estão ou não pensando em longo ou curto prazo?

Responder
Roberto Meira 12/10/2015 21:15:10

Gostei muito do artigo. Obrigado por compartilhar.

Responder
Cássio 23/05/2016 18:13:04

O monopólio pode ser benéfico para sociedade como também um atraso. Do ponto de vista economicamente uma empresa que detenha 100% do mercado poderá determinar as regras do mercado.

Responder
david 31/05/2016 01:44:46

Me desculpe por estar comentando um artigo antigo mas é que me surgiu uma duvida.

Uma empresa grande produz proporcionalmente mais que uma empresa pequena. Isto não ajudaria a formar um monopólio a longo prazo devido ao fato de que com a eficiência das empresas grandes as pequenas morreriam com tempo ?



Gostaria de saber também por que o lucro de uma empresa pequena é proporcionalmente maior do que uma empresa grande ?

Responder
Sirota 31/05/2016 03:40:09

É exatamente o contrário. Como explicado no artigo, quanto mais uma empresa cresce, mais inevitavelmente burocratizada ela se torna. Consequentemente, maior passa a ser a sua ineficiência. É exatamente aí que as pequenas podem surgir e, com suas operações mais enxutas, roubar fatias de mercado das grandes.

Obviamente, a única entidade que pode impedir o surgimento dessa concorrência é o governo, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a grandes empresas, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

Responder

Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
  Nome
  Email   (também utilizado para o Avatar, crie o seu em www.gravatar.com)
  Website
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.







Multimídia   
  Podcast Mises Brasil
        por Bruno Garschagen - 06/01/2019
  Conferência de Escola Austríaca 2014
        por Diversos - 23/10/2014
  Fraude - Explicando a grande recessão
        por Equipe IMB - 31/10/2012
veja mais...



Instituto Ludwig von Mises Brasil



contato@mises.org.br      formulário de contato           Google+
Desenvolvido por Ativata Software