Fatos e mitos sobre a "Revolução Industrial"
por , terça-feira, 1 de janeiro de 2013

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Industrial.jpgAutores socialistas e intervencionistas costumam dizer que a história do industrialismo moderno, e especialmente a história da "Revolução Industrial" na Inglaterra, constitui uma evidência empírica da procedência da doutrina denominada "realista" ou "institucional", e refuta inteiramente o dogmatismo "abstrato dos economistas".[1]

Os economistas negam categoricamente que os sindicatos e a legislação trabalhista possam e tenham beneficiado a classe dos assalariados e elevado o seu padrão de vida de forma duradoura.  Porém, dizem os antieconomistas, os fatos refutaram essas ideias capciosas.

Segundo eles, os governantes e legisladores que regulamentaram as relações trabalhistas revelaram possuir uma melhor percepção da realidade do que os economistas.  Enquanto a filosofia do laissez-faire, sem piedade nem compaixão, pregava que o sofrimento das massas era inevitável, o bom senso dos leigos em economia conseguia terminar com os piores excessos dos empresários ávidos de lucro.  A melhoria da situação dos trabalhadores se deve, pensam eles, inteiramente à intervenção dos governos e à pressão sindical.

São essas ideias que impregnam a maior parte dos estudos históricos que tratam da evolução do industrialismo moderno.  Os autores começam esboçando uma imagem idílica das condições prevalecentes no período que antecedeu a "Revolução Industrial". Naquele tempo, dizem eles, as coisas eram, de maneira geral, satisfatórias.  Os camponeses eram felizes.  Os artesãos também o eram, com a sua produção doméstica; trabalhavam nos seus chalés e gozavam de certa independência, uma vez que possuíam um pedaço de jardim e suas próprias ferramentas.  Mas, aí, "a Revolução Industrial caiu como uma guerra ou uma praga" sobre essas pessoas.[2]  O sistema fabril transformou o trabalhador livre em virtual escravo; reduziu o seu padrão de vida ao mínimo de sobrevivência; abarrotando as fábricas com mulheres e crianças, destruiu a vida familiar e solapou as fundações da sociedade, da moralidade e da saúde pública.  Uma pequena minoria de exploradores impiedosos conseguiu habilmente subjugar a imensa maioria.

A verdade é que as condições no período que antecedeu à Revolução Industrial eram bastante insatisfatórias.  O sistema social tradicional não era suficientemente elástico para atender às necessidades de uma população em contínuo crescimento.  Nem a agricultura nem as guildas conseguiam absorver a mão de obra adicional.  A vida mercantil estava impregnada de privilégios e monopólios; seus instrumentos institucionais eram as licenças e as cartas patentes; sua filosofia era a restrição e a proibição de competição, tanto interna como externa.

O número de pessoas à margem do rígido sistema paternalista de tutela governamental cresceu rapidamente; eram virtualmente párias.  A maior parte delas vivia, apática e miseravelmente, das migalhas que caíam das mesas das castas privilegiadas.  Na época da colheita, ganhavam uma ninharia por um trabalho ocasional nas fazendas; no mais, dependiam da caridade privada e da assistência pública municipal.  Milhares dos mais vigorosos jovens desse estrato social alistavam-se no exército ou na marinha de Sua Majestade; muitos deles morriam ou voltavam mutilados dos combates; muitos mais morriam, sem glória, em virtude da dureza de uma bárbara disciplina, de doenças tropicais e de sífilis.[3]

Milhares de outros, os mais audaciosos e mais brutais, infestavam o país vivendo como vagabundos, mendigos, andarilhos, ladrões e prostitutos.  As autoridades não sabiam o que fazer com esses indivíduos, a não ser interná-los em asilos ou casas de correção.  O apoio que o governo dava ao preconceito popular contra a introdução de novas invenções e de dispositivos que economizassem trabalho dificultava as coisas ainda mais.

O sistema fabril desenvolveu-se, tendo de lutar incessantemente contra inúmeros obstáculos.  Teve de combater o preconceito popular, os velhos costumes tradicionais, as normas e regulamentos vigentes, a má vontade das autoridades, os interesses estabelecidos dos grupos privilegiados, a inveja das guildas.  O capital fixo das firmas individuais era insuficiente, a obtenção de crédito extremamente difícil e cara.  Faltava experiência tecnológica e comercial.  A maior parte dos proprietários de fábricas foi à bancarrota; comparativamente, foram poucos os bem-sucedidos.  Os lucros, às vezes, eram consideráveis, mas as perdas também o eram.  Foram necessárias muitas décadas para que se estabelecesse o costume de reinvestir a maior parte dos lucros e a consequente acumulação de capital possibilitasse a produção em maior escala.

A prosperidade das fábricas, apesar de todos esses entraves, pode ser atribuída a duas razões.  Em primeiro lugar, aos ensinamentos da nova filosofia social que os economistas começavam a explicar e que demolia o prestígio do mercantilismo, do paternalismo e do restricionismo.  A crença supersticiosa de que os equipamentos e processos economizadores de mão de obra causavam desemprego e condenavam as pessoas ao empobrecimento foi amplamente refutada.  Os economistas do laissez-faire foram os pioneiros do progresso tecnológico sem precedentes dos últimos duzentos anos.

Um segundo fator contribuiu para enfraquecer a oposição às inovações.  As fábricas aliviaram as autoridades e a aristocracia rural de um embaraçoso problema que estas já não tinham como resolver.  As novas instalações fabris proporcionavam trabalho às massas pobres que, dessa maneira, podiam ganhar seu sustento; esvaziaram os asilos, as casas de correção e as prisões.  Converteram mendigos famintos em pessoas capazes de ganhar o seu próprio pão.[4]

Os proprietários das fábricas não tinham poderes para obrigar ninguém a aceitar um emprego nas suas empresas. Podiam apenas contratar pessoas que quisessem trabalhar pelos salários que lhes eram oferecidos.  Mesmo que esses salários fossem baixos, eram ainda assim muito mais do que aqueles indigentes poderiam ganhar em qualquer outro lugar.  É uma distorção dos fatos dizer que as fábricas arrancaram as donas de casa de seus lares ou as crianças de seus brinquedos.  Essas mulheres não tinham como alimentar os seus filhos.  Essas crianças estavam carentes e famintas.  Seu único refúgio era a fábrica; salvou-as, no estrito senso do termo, de morrer de fome.

É deplorável que tal situação existisse.  Mas, se quisermos culpar os responsáveis, não devemos acusar os proprietários das fábricas, que — certamente movidos pelo egoísmo e não pelo altruísmo — fizeram todo o possível para erradicá-la.  O que causava esses males era a ordem econômica do período pré-capitalista, a ordem daquilo que, pelo que se infere da leitura das obras destes historiadores, eram os "bons velhos tempos".

Nas primeiras décadas da Revolução Industrial, o padrão de vida dos operários das fábricas era escandalosamente baixo em comparação com as condições de seus contemporâneos das classes superiores ou com as condições atuais do operariado industrial.  A jornada de trabalho era longa, as condições sanitárias dos locais de trabalho eram deploráveis.

A capacidade de trabalho do indivíduo se esgotava rapidamente.  Mas prevalece o fato de que, para o excedente populacional — reduzido à mais triste miséria pela apropriação das terras rurais, e para o qual, literalmente, não havia espaço no contexto do sistema de produção vigente —, o trabalho nas fábricas representava uma salvação. Representava uma possibilidade de melhorar o seu padrão de vida, razão pela qual as pessoas afluíram em massa, a fim de aproveitar a oportunidade que lhes era oferecida pelas novas instalações industriais.

A ideologia do laissez-faire e sua consequência, a "Revolução Industrial", destruíram as barreiras ideológicas e institucionais que impediam o progresso e o bem-estar.  Demoliram a ordem social na qual um número cada vez maior de pessoas estava condenado a uma pobreza e a uma penúria humilhantes.  A produção artesanal das épocas anteriores abastecia quase que exclusivamente os mais ricos.  Sua expansão estava limitada pelo volume de produtos de luxo que o estrato mais rico da população pudesse comprar.  Quem não estivesse engajado na produção de bens primários só poderia ganhar a vida se as classes superiores estivessem dispostas a utilizar os seus serviços ou o seu talento.  Mas eis que surge um novo princípio: com o sistema fabril, tinha início um novo modo de comercialização e de produção.

Sua característica principal consistia no fato de que os artigos produzidos não se destinavam apenas ao consumo dos mais abastados, mas ao consumo daqueles cujo papel como consumidores era, até então, insignificante. Coisas baratas, ao alcance do maior número possível de pessoas, era o objetivo do sistema fabril.  A indústria típica dos primeiros tempos da Revolução Industrial era a tecelagem de algodão.  Ora, os artigos de algodão não se destinavam aos mais abastados.  Os ricos preferiam a seda, o linho, a cambraia.  Sempre que a fábrica, com os seus métodos de produção mecanizada, invadia um novo setor de produção, começava fabricando artigos baratos para consumo das massas.  As fábricas só se voltaram para a produção de artigos mais refinados, e portanto mais caros, em um estágio posterior, quando a melhoria sem precedentes no padrão de vida das massas tornou viável a aplicação dos métodos de produção em massa também aos artigos melhores.

Assim, por exemplo, os sapatos fabricados em série eram comprados apenas pelos "proletários", enquanto os consumidores mais ricos continuavam a encomendar sapatos sob medida.  As tão malfaladas fábricas que exploravam os trabalhadores, exigindo-lhes trabalho excessivo e pagando-lhes salário de fome, não produziam roupas para os ricos, mas para pessoas cujos recursos eram modestos.  Os homens e mulheres elegantes preferiam, e ainda preferem, ternos e vestidos feitos pelo alfaiate e pela costureira.

O fato marcante da Revolução Industrial foi o de ela ter iniciado uma era de produção em massa para atender às necessidades das massas.  Os assalariados já não são mais pessoas trabalhando exaustivamente para proporcionar o bem-estar de outras pessoas; são eles mesmos os maiores consumidores dos produtos que as fábricas produzem.  A grande empresa depende do consumo de massa.  Em um livre mercado, não há uma só grande empresa que não atenda aos desejos das massas.  A própria essência da atividade empresarial capitalista é a de prover para o homem comum.  Na qualidade de consumidor, o homem comum é o soberano que, ao comprar ou ao se abster de comprar, decide os rumos da atividade empresarial.  Na economia de mercado não há outro meio de adquirir e preservar a riqueza, a não ser fornecendo às massas o que elas querem, da maneira melhor e mais barata possível.

Ofuscados por seus preconceitos, muitos historiadores e escritores não chegam a perceber esse fato fundamental.  Segundo eles, os assalariados labutam arduamente em benefício de outras pessoas.  Nunca questionaram quem são essas "outras" pessoas.

O Sr. e a Sra. Hammond [citados na nota de referência número 2] nos dizem que os trabalhadores eram mais felizes em 1760 do que em 1830.[5]  Trata-se de um julgamento de valor arbitrário.  Não há meio de comparar e medir a felicidade de pessoas diferentes, nem da mesma pessoa em momentos diferentes.

Podemos admitir, só para argumentar, que um indivíduo nascido em 1740 estivesse mais feliz em 1760 do que em 1830.  Mas não nos esqueçamos de que em 1770 (segundo estimativa de Arthur Young) a Inglaterra tinha 8,5 milhões de habitantes, ao passo que em 1830 (segundo o recenseamento) a população era de 16 milhões.[6]  Esse aumento notável se deve principalmente à Revolução Industrial.  Em relação a esses milhões de ingleses adicionais, as afirmativas dos eminentes historiadores só podem ser aprovadas por aqueles que endossam os melancólicos versos de Sófocles: "Não ter nascido é, sem dúvida, o melhor; mas para o homem que chega a ver a luz do dia, o melhor mesmo é voltar rapidamente ao lugar de onde veio".

Os primeiros industriais foram, em sua maioria, homens oriundos da mesma classe social que os seus operários. Viviam muito modestamente, gastavam no consumo familiar apenas uma parte dos seus ganhos e reinvestiam o resto no seu negócio.  Mas, à medida que os empresários enriqueciam, seus filhos começaram a frequentar os círculos da classe dominante.  Os cavalheiros de alta linhagem invejavam a riqueza dos novos-ricos e se indignavam com a simpatia que estes devotavam às reformas que estavam ocorrendo.  Revidaram investigando as condições morais e materiais de trabalho nas fábricas e editando a legislação trabalhista.

A história do capitalismo na Inglaterra, assim como em todos os outros países capitalistas, é o registro de uma tendência incessante de melhoria do padrão de vida dos assalariados.  Essa evolução coincidiu, por um lado, com o desenvolvimento da legislação trabalhista e com a difusão do sindicalismo, e, por outro, com o aumento da produtividade marginal.  Os economistas afirmam que a melhoria nas condições materiais dos trabalhadores se deve ao aumento da quota de capital investido per capita e ao progresso tecnológico decorrente desse capital adicional.  A legislação trabalhista e a pressão sindical, na medida em que não impunham a concessão de vantagens superiores àquelas que os trabalhadores teriam de qualquer maneira, em virtude de a acumulação de capital se processar em ritmo maior do que o aumento populacional, eram supérfluas.  Na medida em que ultrapassaram esses limites, foram danosas aos interesses das massas.  Atrasaram a acumulação de capital, diminuindo assim o ritmo de crescimento da produtividade marginal e dos salários.  Privilegiaram alguns grupos de assalariados às custas de outros grupos.  Criaram o desemprego em grande escala e diminuíram a quantidade de produtos que os trabalhadores, como consumidores, teriam à sua disposição.

Os defensores da intervenção do governo na economia e do sindicalismo atribuem toda melhoria da situação dos trabalhadores às ações dos governos e dos sindicatos.  Se não fosse por isso, dizem eles, o padrão de vida atual dos trabalhadores não seria maior do que nos primeiros anos da Revolução Industrial.

Certamente essa controvérsia não pode ser resolvida pela simples recorrência à experiência histórica.  Os dois grupos não têm divergências quanto a quais tenham sido os fatos ocorridos.  Seu antagonismo diz respeito à interpretação desses fatos, e essa interpretação depende da teoria escolhida.  As considerações de natureza lógica ou epistemológica que determinam a correção ou a falsidade de uma teoria são, lógica e temporalmente, antecedentes à elucidação do problema histórico em questão.  Os fatos históricos, por si só, não provam nem refutam uma teoria.  Precisam ser interpretados à luz da compreensão teórica.

A maioria dos autores que escreveu sobre a história das condições de trabalho no sistema capitalista era ignorante em economia e disso se vangloriava.  Entretanto, tal desprezo por um raciocínio econômico bem fundado não significa que esses autores tenham abordado o tema dos seus estudos sem preconceitos e sem preferência por uma determinada teoria; na realidade, estavam sendo guiados pelas falácias tão difundidas que atribuem onipotência ao governo e consideram a atividade sindical como uma bênção.  Ninguém pode negar que os Webbs, assim como Lujo Brentano e uma legião de outros autores menores, estavam, desde o início de seus estudos, imbuídos de uma aversão fanática pela economia de mercado e de uma entusiástica admiração pelas doutrinas socialistas e intervencionistas.  Foram certamente honestos e sinceros nas suas convicções e deram o melhor de si.  Sua sinceridade e probidade podem eximi-los como indivíduos; mas não os eximem como historiadores.  As intenções de um historiador, por mais puras que sejam, não justificam a adoção de doutrinas falaciosas.  O primeiro dever de um historiador é o de examinar com o maior rigor todas as doutrinas a que recorrerá para elaborar suas interpretações históricas.  Caso ele se furte a fazê-lo e adote ingenuamente as ideias deformadas e confusas que têm grande aceitação popular, deixa de ser um historiador e passa a ser um apologista e um propagandista.

O antagonismo entre esses dois pontos de vista contrários não é apenas um problema histórico: está intimamente ligado aos problemas mais candentes da atualidade.  É a razão da controvérsia naquilo que se denomina hoje de relações industriais.

Salientemos apenas um aspecto da questão: em vastas regiões — Ásia Oriental, Índias Orientais, sul e sudeste da Europa, América Latina — a influência do capitalismo moderno é apenas superficial.  A situação nesses países, de uma maneira geral, não difere muito da que prevalecia na Inglaterra no início da "Revolução Industrial".  Existem milhões de pessoas que não encontram um lugar seguro no sistema econômico vigente.  Só a industrialização pode melhorar a sorte desses desafortunados; para isso, o que mais necessitam é de empresários e de capitalistas.

Como políticas insensatas privaram essas nações do benefício que a importação de capitais estrangeiros até então lhes proporcionava, precisam proceder à acumulação de capitais domésticos.  Precisam percorrer todos os estágios pelos quais a industrialização do Ocidente teve de passar.  Precisam começar com salários relativamente baixos e com longas jornadas de trabalho.  Mas, iludidos pelas doutrinas prevalecentes hoje em dia na Europa Ocidental e na América do Norte, seus dirigentes pensam que poderão consegui-lo de outra maneira.  Encorajam a pressão sindical e promovem uma legislação pretensamente favorável aos trabalhadores.  Seu radicalismo intervencionista mata no nascedouro a criação de uma indústria doméstica.  Seu dogmatismo obstinado tem como consequência a desgraça dos trabalhadores braçais indianos e chineses, dos peões mexicanos e de milhões de outras pessoas que se debatem desesperadamente para não morrer de fome.



[1] A atribuição da expressão "Revolução Industrial" ao período dos reinados dos dois últimos reis da casa de Hanover — George III e George IV (1760-1830) — resultou do desejo de dramatizar a história econômica, de maneira a ajustá-la aos esquemas marxistas procustianos.* A transição dos métodos medievais de produção para o sistema de livre iniciativa foi um processo longo que começou séculos antes de 1760 e que, mesmo na Inglaterra, em 1830, ainda não tinha terminado.  Entretanto, é verdade que o desenvolvimento industrial na Inglaterra acelerou-se bastante na segunda metade do século XVIII.  Consequentemente, é admissível usar a expressão "Revolução Industrial" ao se examinarem as conotações emocionais que lhe foram imputadas pelo fabianismo, pelo marxismo e pela Escola Historicista.

* Relativo a Procusto, gigante salteador da Ática que, segundo a mitologia grega, despojava viajantes e torturava-os deitando-os num leito de ferro: se a vítima fosse maior, cortava-lhe os pés; se menor, esticava-a por meio de cordas até que atingisse as dimensões do leito. O termo serve para metaforizar o ato de se tentar ajustar arbitrariamente a realidade a um sistema ou teoria previamente concebidos. (N.T.)

[2] J.L. Hammond and Barbara Hammond, The Skilled Labourer, 1760-1832, 2. ed., Londres, 1920, p. 4.

[3] Na guerra dos Sete Anos, 1.512 marinheiros ingleses morreram em combate, enquanto 133.708 morreram de doenças ou desapareceram. Ver W.L.Dorn, Competition for Empire 1740-1763, Nova York, 1940, p.114.

[4] No sistema feudal inglês, a maior parte da área rural constituía-se de campos e florestas. Grande parte dessas áreas era utilizada para o cultivo de grãos e criação de gado para consumo próprio. Com o advento da produção agrícola para o mercado e não para o senhor feudal, essas terras começaram a ser cercadas e apropriadas.  Diversos atos do Parlamento, no século XVIII e parte do século XIX, endossaram esse movimento, que tinha oposição das classes inferiores.  Tal situação resultou num aumento da produção agrícola e na criação de um proletariado rural, que veio a se tornar a força de trabalho usada pelas fábricas inglesas na "Revolução Industrial".

[5] J.L. Hammond e Barbara Hammond, op. cit.

[6] F.C. Dietz, An Economic History of England, Nova York, 1942, p. 279 e 392.


Ludwig von Mises  foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".



68 comentários
68 comentários
Felipe Rosa 27/07/2011 10:18:08

Espetacular publicação!!!! Parabens ao IMB por traze-la a tona

Como não se encantar com os escritos desmistificadores de Mises.

Essa parte é uma das que mais me impressionaram entre as minhas (ainda) esparsas leitura do Ação Humana de Mises.

Responder
Marco Túlio Kalil Ferreyro 28/07/2011 00:35:12

Lições para uma agenda libertária

*Marco Túlio Kalil Ferreyro

Está em curso no país, um grande cooptação de corações, mentes e estômagos em prol do projeto de perpetuação no poder daquele que chamo de "moderno príncipe tupiniquim" (PT), em alusão à obra de Maquiavel, O Príncipe e à denominação "moderno príncipe que foi dado pelo grande guru das esquerdas, Antônio Gramsci".
Analisando-se a peça orçamentária da união (OGU) sob a ótica da sua execução, no ano de 2009, foram direcionados R$570 bilhões para a chamada rubrica despesas de pessoal e encargos sociais (funcionalismo público - CC's) + as despesas referentes à chamada rede de proteção social, tais como o bolsa família, programa de combate à pobreza, política de aumentos reais do salário mínimo, o seguro-desemprego, despesas com pensões, etc. Tal montante corresponde a perto de 80% de todos os gastos não financeiros. .
Na verdade, como bem diz o colega economista Raul Velloso especialista em contas públicas, o chamado Orçamento Geral da União - OGU se transformou numa enorme folha de pagamentos. Atualmente, são cerca de 50 milhões de brasileiros que dependem diretamente do dinheiro advindo da arrecadação de impostos. Isto significa, que, por baixo cerca de 100 milhões de habitantes, isto é, mais da metade da população atual do Brasil, se alimenta do bolo tributário que é gerado na maior parte pela classe média tradicional - a chamada classe B e a chamada classe média emergente (C e D).
Tal estimativa resulta que esse enorme contingente populacional recebe pagamentos (seguro-desemprego/bolsa família, etc.) que na prática se configuram em renda familiar. Em suma, são 100 milhões de beneficiários que irão continuar elegendo e reelegendo governos populistas, proselitistas e, porque não dizer, socialistas. Sem dúvida, uma aliança espúria, pois os detentores do poder acabam obtendo condições (leia-se votos suficientes) para seus projetos de perpetuação no comando do país e, ao mesmo tempo, os ditos beneficiários do regime, oferecem em contrapartida, a servidão.
Os atuais mandatários do país nada mais são do que uma nova geração de fariseus, agora revestidos sob o manto da pretensa promoção de uma sociedade mais justa e igualitária, aprisionada na escuridão da cegueira ideológica que não se deixa penetrar pela libertária luz da lógica.
E o que é pior: muitos ainda votam neles, confundidos por uma maniqueísta e maquiavélica dissonância cognitiva que é plantada nos corações e mentes não somente dos pobres e ignorantes e da chamada classe média emergente, mas, também, tal semente do mal é lançada sobre aqueles que se julgam pretensamente menos ignorantes ou mais cultos, profissionais liberais, professores, mestres, doutores, sábios, mesmo que muitos não saibam interpretar um texto, ao menos sob a luz da verdade e, com o beneplácito das elites empresariais, culturais, religiosas e especialmente, de setores da mídia, daqueles que ao invés de contribuir dentro do bom senso e da lógica para a formação da opinião pública acerca de fatos e não de versões, ao contrário, atuam como deformadores de opinião.
Todavia, devido aos insidiosos tentáculos da tirania e dos arroubos totalitários que permeiam o "moderno príncipe tupiniquim" que governa o país, talvez esteja nas mãos da sociedade brasileira a última grande chance de exercer (dentro das ainda existentes regras democráticas.) sua liberdade de escolha no sentido da construção de uma sociedade realmente livre, aberta, educada, rica, fraterna e plural.
Esta última grande chance, na minha percepção, deve ser construída e sedimentada nas redes sociais, na maior parte alheias ao jogo partidário, mas ativa nas redes sociais como Facebook, YouTube e Twitter".
Como diz Ludwig Von Mises, Libertário de primeira grandeza, "Somente idéias podem suplantar idéias". Pois é aí então, nas redes sociais que devemos confrontar não somente idéias, mas, sobretudo, comparar atos de governos com aqueles por nós propostos, defensores dos ideais libertários, com aqueles defendidos pelo Instituto Ludwig Von Mises, "Liberdade , Propriedade e Paz".
Não por acaso, basicamente são esses os direitos fundamentais ou naturais dos seres humanos defendidos por John Locke, já na segunda metade do século XVII, apenas substituindo o último (paz), pela vida, o que convenhamos, vem dar no mesmo.
É a classe média tradicional que busca através do mérito, dentro do espírito do self made man, tão bem incorporado pelos norte-americanos, buscar ascender social, econômica e culturalmente. É ela que invariavelmente, "paga o pato" em termos da cada vez maior voracidade fiscal.
Logicamente, que, ao contrário daqueles que ainda estimulam a luta de classes e de forma paradoxal erguem bandeiras pela igualdade, creio que a mobilidade socioeconômica ascendente da população brasileira nos últimos anos, elevará o contingente da classe média tradicional, desde que aos emergentes possa ser oferecida a igualdade de oportunidades educacionais. É esta condição que contribuirá de forma decisiva no sentido de libertar os trabalhadores e pequenos empreendedores que integram esta nova classe média emergente, do malévolo sentimento da hipossuficiência, nefasto fator de inibição ao processo de formação das competências e habilidades.
O economista norte-americano, Gary Backer, cujas principais teses elucidam a importância da educação como fator de melhoria na distribuição de renda e redução das desigualdades socioeconômicas, faz o simples e correto raciocínio: O trabalhador melhor educado desenvolverá melhor suas competências, qualificando-se e capacitando-se para uma melhor oportunidade no mercado de trabalho.
Vejamos por exemplo, a questão da correção da Tabela do IRPF em 4,5% fixada pelo governo, que é uma migalha perante a defasagem na correção acumulada ao longo do tempo. Desde a entrada em vigência do Real na economia, ou seja, de julho de 1994 até 2010, últimos 16 anos e meio, o IPC-A (IBGE) acumulou variação percentual de 272,79% e a tabela do IRPF em igual período, foi corrigida em apenas 53,5%, o que significa uma defasagem acumulada de 58,8%. Portanto, o que todos nós contribuintes estamos recebendo do atual governo federal, são migalhas, meras migalhas. Além disso, somos obrigados a conviver com a seguinte percepção veiculada na imprensa, "Segundo cálculos do governo, a correção da tabela do IR representará uma renúncia fiscal de R$ 1,6 bilhão em 2011".
Agora, que tal oferecermos ao governo, a visão do outro lado do balcão, ou seja, de nós contribuintes: Em 2010, o governo federal arrecadou R$213,5 bilhões em imposto de renda, segundo dados da Receita Federal. Ou seja, nós, que formamos a sociedade contribuinte (famílias e empresas), estamos RENUNCIANDO AO CONSUMO, A POUPANÇA, A INVESTIMENTOS e, no entanto, o que recebemos em troca? Serviços públicos na área da saúde, educação, segurança e justiça, de péssima qualidade, obrigando-nos a ter que desembolsar cada vez mais recursos para o pagamento de planos privados de saúde, escola privada para nossos filhos e segurança privada para nossas casas e escritórios. E o governo vocifera através da sua retórica discursiva, que a correção da tabela do IRPF em 4,5% este ano implicará em uma renúncia fiscal de R$1,6 bilhão. Ora bolas, e a nossa renúncia compulsória de mais de R$200 bilhões, para que? Apenas para inchar cada vez mais a máquina pública, já para lá de paquidérmica, perdulária, ineficiente e autofágica?
Voltando ao tema da liberdade digital, se alicerçada sob a indispensável orientação e educação familiar dentro dos mais elevados valores humanos e sociais, tais como a ética, a responsabilidade, a subsidiariedade, a fraternidade, além da indelével defesa de vida, da liberdade e da propriedade, somada ao ensino de qualidade, poderá ser o fio condutor (mesmo que wireless...) de uma real mudança para melhor em termos de perspectiva da construção de um Brasil mais e melhor para todos e não somente para os beneficiários do inchaço do Estado. Menos Estado, mais livre-iniciativa. Eis o caminho.
Somente o conhecimento liberta. A questão em cena é transformar a informação em conhecimento. Para isso, precisamos ser seletivos. Não basta ler, temos que pensar e refletir para que possamos agregar através do nosso senso crítico, a marca do nosso saber. Um novo conhecer. Neste sentido, creio que a luta agora é pela qualificação. Pessoal e/ou profissional é esse inexoravelmente o caminho para que possamos construir uma sociedade livre, aberta, e próspera.
Sem um salto educacional, o Brasil continuará apresentando níveis de pobreza e de desigualdade que não são admissíveis em uma sociedade democrática e que quer ser justa.
A história econômica da humanidade já deu provas cabais de a riqueza de uma nação é construída através do capital educacional de seus residentes, da boa governança corporativa de suas empresas, do valor ético-institucional de sua classe política e do cumprimento das funções precípuas (educação, saúde, segurança e justiça) de um Estado descentralizador que produza através de planejamento estratégico, ações governamentais eficientes e eficazes no sentido da mitigação das desigualdades de oportunidades, através da redução das desigualdades educacionais, único caminho capaz de reduzir as desigualdades de renda. Somente através de um povo melhor educado, mais qualificado e capacitado a encontrar um lugar ao sol no mercado de trabalho ou do empreendedorismo, alcançaremos a prosperidade econômica e o desenvolvimento humano.
Liberdade não se mendiga, se conquista. E volto a repetir: Só se conquista a liberdade através do conhecimento.
Senão, correremos sérios riscos de continuarmos plantados sob as raízes do atraso, tais como o patrimonialismo, nefasto fio condutor da corrupção endêmica, e o paternalismo que reproduz a malévola cultura do "coitadismo", que invariavelmente desemboca no assistencialismo empobrecedor.
Disso resulta, inevitavelmente, bem ao gosto dos atuais detentores do poder, uma sociedade igualitariamente pobre e condenada à servidão.
*Economista
CORECON/RS: 5266

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eduardo antonio 30/07/2012 17:16:46

Obrigado pela aula, muita saúde e muitos anos de vida.

Responder
Frederico Cosentino 28/07/2011 12:02:49

Eu estava a cursar a cadeira obrigatória de "Economia Marxista" no meu terceiro semestre de faculdade, quando me foi levado a tona esse texto de Mises. Meu primeiro texto da Escola Austríaca. Simplesmente sensacional.

Responder
Felipe Barbosa 27/07/2011 10:54:06

isso me lembra a velha ladainha "o capitalismo é concentrador de riquezas, hoje 1% da população detém 50% da riqueza!"

equalitário mesmo era o feudalismo, que tinha 100% da riqueza na mão de 0,1% da população, os nobres!

Responder
Rafael George 02/01/2013 14:53:29

É impressionante como funciona a propaganda socialista a que somos expostos diariamente. Somos levados a acreditar que a desigualdade econômica é um mal a ser combatido quando na realidade o mal é a pobreza. Não há nenhum problema em termos pessoas no topo que ganham 1000x o que ganham as pessoas na base da pirâmide, desde que as pessoas na base da pirâmide consigam se sustentar e produzir com o que ganham. Se acabássemos com a desigualdade nivelando por baixo, todo mundo seria pobre... Ooops... é o que estamos fazendo.

Responder
Fernando Z 27/07/2011 11:40:17

É impressionante como que na escola (pelo menos na que eu estudei) existe uma propaganda bastante contrária a revolução industrial. É a primeira vez que leio algo que represente "o outro lado", e isso já é motivo suficiente para agradecer.

Muito Obrigado!!

Responder
João 27/07/2011 12:30:30

Será que vai aparecer alguém aqui dizendo para o Mises "estudar mais História", assim como apareceu um gênio dizendo que o Hayek deveria estudar a mais-valia? hehe

Responder
Robson Cota 27/07/2011 15:14:11

Sempre que eu argumento que as condições de vida dos trabalhadores nas fábricas, por mais precário que era, era superior à época quando eram simples camponeses, os "historiadores" me falam que os trabalhadores foram obrigados (sim, eles não tinham opção) a abandonar o campo, por causa das leis de cercamento, que restringia os camponeses e os matavam de fome. Ou seja, o governo os forçou a migrarem para as cidades.

#comofas?

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Gabriel Oliva 27/07/2011 16:27:05

Hoje em dia, é quase consenso entre os historiadores econômicos que as condições dos trabalhadores antes da Revolução Industrial eram iguais ou piores às existentes após a R.I. Mas esse tipo de informação simplesmente não chega às aulas de história dos colégios, dominadas pela cartilha esquerdista.

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Giovanni P 02/08/2011 08:00:32

Se é consenso entre historiadores econômicos, já começo a desconfiar.

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Peterson Mota 27/07/2011 16:38:22

Todos os dias quando entro aqui, vejo serem derrubadas todas as estórias contadas na escola por toda a minha vida.

Todos aqueles que tem filhos, e que estão sintonizados com Mises, devem fazer pelos filhos aquilo que não foi feito para você: ensinar a verdadeira historia!

Sou um pai participante na vida escolar do meu filho, e para mim foi presente de Deus encontrar uma escola que não adota livros didáticos. Isso mesmo, na escola do meu filho ele não vai correr o risco de conhecer a história torta que o governo quer contar. (até por que mesmo as escolas particulares não conseguem se livrar deste mal, já que é raro encontrar um livro de história que não faça propaganda do socialismo e pinte o empreendedorismo como gênio do mal).

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Fábio MS 01/08/2011 18:25:21

O problema é que, na hora que o cara for fazer o vestibular, será cobrado o conteúdo histórico totalmente distorcido que se aprende na escola. Você acaba tendo de aprender um mundo de ilusões históricas para poder ingressar na Universidade. Se você não tem alguém (pai, mãe, até um professor) para te orientar quanto às "verdades" transmitidas na escola, sua mente acaba sendo moldada de acordo com os objetivos do sistema estatal de ensino. Depos disso, fica difícil encontrar a luz.

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Capitale 27/07/2011 17:28:02

Sugestão: colocar a data em que o texto foi escrito. Como alguns textos não são recentes, algumas passagens parecem meio deslocadas, embora tenham sido adequadas na época do texto. Por exemplo, a seguinte passagem não é tão verdade quanto já foi:

'Salientemos apenas um aspecto da questão: em vastas regiões - Ásia Oriental, Índias Orientais, sul e sudeste da Europa, América Latina - a influência do capitalismo moderno é apenas superficial.'

Responder
EUDES 27/07/2011 18:53:20

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Um dos melhores artigos já publicados por este sítio. Há quem diga que a revolução industrial começou com a tecelagem de algodão justamente porque esse setor era mais desregulamentado. O mesmo não ocorria com outros tipos de tecidos.\r
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Apesar de algumas melhoras, o Brasil é terrivelmente apegado ao seu passado colonial. Além de os capitais estrangeiros não serem tão bem-vindos por aqui, a selva de regulamentações e a carga tributária absurda condenam o país ao atraso permanente. A corrupção piora ainda mais esse quadro negativo. O intervencionismo parece estar no sangue dos brasileiros, principalmente nas veias dos políticos. O que acontece no Brasil também acontece em muitas outras regiões.\r

Responder
Tiago Bezerra 01/01/2013 17:00:42

Tem razão. Pelo menos o ano em que o texto foi publicado seria útil para o entendimento, uma vez que faz quase 40 anos que Mises morreu e alguns exemplos que ele cita tem mudado. Fora isso, texto sensacional! Como é de costume do mestre.

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Beto 27/07/2011 20:42:11

É verdade, observei durante a leitura a mesma coisa que o Capitale no trecho que ele cita. Mas acho a sugestão dele boa tb pelo seguinte motivo: alguns textos do Mises(embora esse nem tanto) soam assustadoramente atuais. Para os leitores menos familiarizados com esse site e que não conhecem Mises, Rothbard e Hayek, seria bem legal ter o ano de publicação.\r
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Eudes: eu sempre observei isso no Brasil e as explicações de "colônia de exploração" ou colônia de povoamento" nunca me convenceram. Talvez fosse mais esclarecedor falar em "colônia de estado" (a corte portuguesa muito mais presente no Brasil) e "colônia de economia livre" (o caso das 13 colônias). O que provoca essas diferenças a meu ver é a maior ou menor presença da metrópole, não a FORMA como ela estava presente. Acredito que a história das Américas de norte a sul é um grande argumento empírico contra o intervencionismo

Responder
EUDES 28/07/2011 21:51:45

Beto, o colonialismo beneficia uns poucos em detrimento de muitos e a essência do colonialismo é um pesado intervencionismo na economia. Como o próprio artigo deixa transparecer, o intervencionismo é bem mais antigo que o liberalismo. O fato de a América Latina ter sido colônia influenciou e influencia o atraso da região, mas isso tem de ser entendido corretamente. Não estamos mergulhados no atraso porque fomos explorados e sim porque ainda cultivamos hábitos coloniais. Como eu disse, o intervencionismo parece estar no sangue dos brasileiros.\r
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As pessoas não só aceitam como também defendem monopólios, cartéis, restrições, proibições e regulamentações e mais regulamentações. É oportuno lembrar que essas coisas são a base e o centro do pensamento econômico colonial. A América Latina parou no tempo; é como se Adam Smith não tivesse nascido. Se, por um lado, os capitais estrangeiros não são tão bem-vindos por aqui, por outro, uma gama de fatores impedem a formação doméstica de capital, impedindo assim o florescimento do capitalismo.\r
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Em tese e do ponto de vista legal, as 13 colônias inglesas eram realmente colônias, mas na prática tinham relativa liberdade. Não era tão interessante um navio ir até elas com mercadorias e sair de lá vazio, praticamente vazio ou com produtos não tão desejados no mercado europeu. Mais interessante era levar produtos às regiões tropicais e retornar desses locais com os produtos tão valorizados dos trópicos. Por isso, os ingleses fizeram vista grossa e as leis colonialistas não eram aplicadas. Mas quando as colônias passaram a competir com a metrópole, a coroa inglesa tentou fazer com que as leis fossem cumpridas, leis essas que já existiam. Com essa atitude, o governo inglês despertou um movimento na América do Norte, movimento esse que culminou com a Primeira Revolução Americana, ou seja, a Independência dos Estados Unidos.\r
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Porém, os E.U.A não se tornaram o que são porque foram relativamente pouco explorados. Eles se tornaram uma potência econômica porque não se apegaram a hábitos coloniais. Os imigrantes pobres que lá chegaram tiveram acesso a terras, assim se tornaram pequenos e médios proprietários rurais; não houve repúdio ao capital estrangeiro, capitais domésticos e também capitais ingleses impulsionaram a economia da jovem nação; uma importantíssima rede ferroviária foi construída pela iniciativa privada; etc.; etc. ; etc. ; em suma, ficaram longe de fazer muitas besteiras. Os primeiros americanos tinham como um importante alvo a liberdade, liberdade em todos os sentidos. A cultura americana era e ainda é bem diferente da cultura latino-americana. Dessa forma, houve lá mais oportunidades e menos privilégios que na América Latina.\r
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OBS :\r
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1- Na América Latina, o acesso a terras era privilégio de poucos. Rothbard fala um pouco sobre isso em A ÉTICA DA LIBERDADE ( veja isso em www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=15 ). Talvez você já conheça esse texto, mas essa indicação vale também para outros que porventura venha ler o que escrevemos.\r
2- Ultimamente, o governo tem feito uma reforma agrária baseada no bolchevismo. Uma verdadeira porcaria. O Fernando Chiocca escreveu um artigo com o título A AMAZÔNIA É NOSSA ? Veja os comentários que fizemos em baixo desse artigo. Entre outras coisas, esses comentários falam sobre a reforma agrária preconizada pelo governo (www.mises.org.br/Article.aspx?id=901 ).\r
3- " Na América Latina, os governos nacionais o são apenas nominalmente; refletem, em verdade, os grupos econômicos mais poderosos."(1)\r
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REFERÊNCIA\r
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1- Stanley J. Stein e Barbara H. Stein, casal de historiadores norte-americanos, em A HERANÇA COLONIAL DA AMÉRICA LATINA - Ensaios de Dependência Econômica - 2ª. Edição, 1977 - p.148 - Editora Paz e Terra. \r
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O título do livro pode desagradar alguns, mas essa obra traz informações importantes. Os autores fazem uma breve análise da América, principalmente América Latina, e parte da Europa desde 1492. No epílogo, fazem aquela declaração. \r
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Erick Skrabe 01/08/2011 14:22:53

Beto, vc sabia que os EUA nasceram como uma colonia comunista ? ! ! !

Sim, eu sei que parece brincadeira, mas é verdade. E quase todo todo mundo morreu de fome, incluindo o pessoal do May Flower.

Em determinado momento, os ingleses resolveram uma medida desesperada: permitir a propriedade privada individual.

E em alguns poucos anos, graás a livre iniciativa, os ex-maltrapilhos venceram a nacao mais poderosa do planeta. E esse é um dos motivos pelos quais o individualismo e a propriedade privada foram valores tao arraigados na cultura americana (apesar que hoje em dia eles estarem se esquecendo disso...)

Quanto a colonia de exploracao e povoamento... essa é mais um das besteiras q escutamos. O curioso é que ninguém se pergunta porque o Brasil que era uma das tais ¨colonias de povoamento¨ nunca ter tido uma guerra por causa de escravos ou impostos coloniais, o que aocnteceu nos EUA, supostamente uma das tais ¨colonias de povoamento¨.

Responder
Fernando Chiocca 29/07/2011 12:10:03

O Hoppe tem uma nova teoria sobre o porquê de a Revolução Industrial ter ocorrido quando ocorreu, e ela difere da de Mises, de Rothbard (que é a mesma de Mises)e de todos os outros autores.
Ao invés de dizer que foi através de um desenvolvimento institucional de proteção de direitos de propriedade, que permitiu o acumulo de capital, ele diz que foi um avanço na inteligência humana o responsável pelo salto na melhoria das condições de vida pós século XIX.

Responder
Alan 01/08/2011 22:08:31

Não existe a possibilidade de união entre as duas? A defesa aos direitos de propriedade foi a condição que permitiu ao homem descobrir uma maneira melhor (e sensata) de organização econômica?

Responder
Rhyan 02/08/2011 06:40:57

Inteligência? Biologicamente, difícil de acreditar. Foi apenas uma revolução tecnológica.

Responder
EUDES 02/08/2011 15:23:48

Tecnologia e liberdade econômica. O capitalismo só pode existir onde há essas duas coisas. Tecnologia mais avançada é a causa maior do progresso. Porém, se estiver aliada a um pesado intervencionismo, o qual faz surgir privilégios e restrições, o máximo que técnicas mais avançadas podem trazer é o pré-capitalismo. \r
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É desnecessário comentar o que acontece em um ambiente onde há técnicas primitivas e liberdade econômica.\r
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Responder
Patrick de Lima Lopes 01/01/2013 17:23:22

Fernando, por favor.

Poderia indicar-nos mais a respeito da hipótese do Hoppe?

Antes de julgá-la com meu ceticismo, gostaria de verificar suas evidências empíricas que podem servir para enriquecer sua argumentação. Creio que, se pertence ao Hoppe a proposta, ele provavelmente coletou uma quantidade decente de argumentos para sustentá-la.

Responder
Camarada Friedman 01/01/2013 21:04:06

Se você procurar pelos vídeos do Property, Freedom and Society no You Tube com certeza vai dar de cara com uma palestra do Hoppe falando sobre isso. Já vou avisando, essa Property, Freedom and Society é tão politicamente incorreta que chegou até me ofender. O Hoppe é muito radical.

Infelizmente não tenho o link aqui. Procure amigo, vc vai achar...

Responder
Carlos Prado 30/12/2013 20:04:44

Fernando, tecnologia mais avançada já tinham os chineses com seus alto-fornos de aço, pólvora e máquinas a vapor. E a matemática indiana que chegou até os árabes? Porém a ciência como a conhecemos e a industrialização não nasceu entre essas nações que tinham grandes avanços intelectuais ou tecnológicos, mas foi na Europa que isto foi aplicado no mercado e reinvestido até se popularizar. Algo mais foi necessário. Ter a técnica apenas para exibi-la na corte de pouco adianta para o resto da população. Deve haver visão e possibilidade de empregá-la no mercado.

Responder
Filosofo 31/07/2011 12:41:01

O tal de Marco Túlio está defendendo um "planejamento estratégico" feito pelo Estado. Mais do mesmo. A liberdade se conquista acabando com qualquer orgão que nos rouba para pretensamente investir melhor nosso dinheiro. Quem melhor gasta meu dinheiro sou eu, e ponto final.

Responder
Claudia França 22/10/2013 03:55:03

Estudo História e gostei muito das argumentações do texto, ele abordou pontos nos quais eu ainda não tinha apreendido na minha metacognição, acredito que conhecimento e algo para ser questionado,partindo da ideia que somos diferentes com direitos iguais,por isso não questionarei quem discordou, sendo eu mesma a dizer que certos pontos são meios tendenciosos.

Responder
Alan 01/08/2011 21:58:53

É sensacional ver o velho mito da "pobreza oprimida no sistema Capitalista" sendo derrubado majestalmente no texto.

Grande Mises!

Responder
Ricardo 01/01/2013 16:19:47

Um belo texto para começar o ano! Mais incrível ainda se pensarmos que esse capitalismo da revolução industrial, que logo teve que enfrentar sindicatos e leis trabalhistas, continua existindo e evoluindo até hoje, mesmo com todos os entraves intervencionistas e socialistas. Apesar de tudo ele continuou evoluindo e por mais que hoje em dia pudéssemos ter uma sociedade muito melhor sem os entraves ainda assim certamente temos uma sociedade que oferece melhor qualidade de vida para todos do que na época da revolução industrial.
Pena que nosso governo, como Mises explica no texto, crê que as melhorias foram causadas por suas intervenções e legislações e não entende que as melhorias ocorreram apesar dos mesmos.

Responder
eugenio 01/01/2013 18:03:46

O que foi dito pode-se constatar se observarmos várias partes do mundo;operários da Alemanha de anteontem,ontem, hoje,operários chineses de ontem e hoje repetem o que já tinha acontecido.Jornadas longas,salários baixíssimos...também os "tigres asiáticos" apresentam E APRESENTARAM as mesmas etapas, e podemos concluir seguramente a evolução do padrão das massas trabalhadoras APESAR DOS SINDICATOS,DAS INTERVENÇÕES E DOS DEMAGOGOS!
Os produtos que um operário JAMAIS sonharia possuir(ex um celular com tv) hoje é comum, e é fabricado para êle, para as suas necessidades, como dizem CUSTOMIZADO.
Os produtos tem padrões de qualidade e preço em função dos consumidores,maior parte operários,"funcionários" pertencentes aos varios setores.Graças aqueles que economizaram,gastaram menos do que ganhavam, e reinvestiram seus lucros,arriscaram em novas técnicas,criaram empregos,geraram riquezas.
Em nenhum pais onde o governo assumiu o papel de "paizão" "gerentão" deu certo.
Considero liderança e empreendorismo individual uma espécie de dom,não dá para pegar um indio qualquer e transformá-lo em cacique.
Sempre vai ter mais indio que cacique,náturalmente.Não se trata de o mais hábil escravizando o menos esperto.Graças aos mais capazes naturalmente, os menos capazes tem emprego e podem sustentar suas famílias.

Responder
Johnny Jonathan 01/01/2013 18:50:02

Gostaria que o pessoal do Mises Brasil traduzisse esse artigo do Mises Institute ? Is Secession a Right? di David Gordon (o mesmo que fez a introdução do E´tica da liberdade do Rothbard), no qual fala sobre direitos naturais (individuais) e ao mesmo tempo usa um argumento do Mises em favor da secessão. É algo que corrobora tanto com libertários céticos morais consequencialistas e com libertários a favor de uma ética dos direitos naturais. Vale a pena estar, se você não já estão traduzindo, no acervo do site.

Responder
Henrique 01/01/2013 21:42:44

Gostaria de ver no IMB artigo sobre como o welfare state estimula a disgenia, sobre como ele incentiva as pessoas menos inteligentes e mais irresponsáveis a terem mais filhos e, portanto, diminuir a qualidade genética da população!

Será que um artigo assim vai ferir demais a sensibilidade dos leitores?
Fica o meu pedido.

Abraços.

Responder
Gustavo BNG 01/01/2013 23:40:37

Explique, por gentileza, o que é "qualidade genética".

Responder
anônimo 02/01/2013 10:08:15

Falar isso é pedir pra ser processado, sem chance

Responder
Carlos Prado 30/12/2013 20:52:41

Henrique, não existe isto de melhor qualidade genética. Melhor para que? A pessoa nasce com maior resistência ao frio? Que vantagem tem com os outros podendo se vestir? Correr mais rápido? A menos que ele queira ser atleta de nada adianta também com os outros possuindo veículos mais rápidos que qualquer humano.
É sabido que há diferenças entre as pessoas. Mas todas podem ser incentivadas a construir um patrimônio próprio. O problema de pessoas preguiçosa cuidando(ou não) de mais crianças é que estas podem passar a a serem preguiçosas. Mas elas podem se inspirar em outros além de seus pais e mudarem de vida.
Sabe-se que um pode ter mais facilidade com cálculos, podendo se tornar um engenheiro, um bom negociante ou gerente. Mas mesmo assim é exigido uma dedicação e prudencia do individuo. Outro pode ter bom condicionamento físico e ser atleta. Cabe a ele se dedicar á atividade, buscar oportunidades em bons clubes ou com entusiastas que possam bancá-lo e ele poderá construir uma carreira. Agora também pode-se nascer com nenhuma habilidade que o desponte, mas este ainda pode se esforçar para conseguir o que quer. No inicio terá que se esforçar mais do que outro que tenha facilidade, porém pode em muito o superar com a dose necessária de dedicação. Não existe uma habilidade que um homem tenha que qualquer outro não possa aprender.
Isto de homem inferior é papo de esquerdista que acha que basta eliminar uns ovos podres com mais algumas instituições que desvirtuam os outros e terão a sociedade perfeita.

Responder
Higor Monteiro 01/01/2013 22:20:26

Percebo agora, que tive a sorte de conhecer um pouco do ideal da escola austríaca bem cedo, tenho 16 anos, e muito provável farei faculdade de economia, e é muito bom ver a história sendo contada sob um outro ponto de vista, que me parece bem mais realista, muito dos textos que vejo aqui do instituto, confesso, que chego a entender cerca de uns 60% a 75%, não incluindo os textos que tem certos complicados vocabulários econômicos, mas ainda sim, consigo absorver as mensagens principais.

Bem, muito obrigado a escola austríaca a ajudar a formular meu senso crítico.

Responder
Felipe Ferreira 02/01/2013 04:39:43

Realmente é muito bom você encontrar textos como esses no Brasil, encontrar intelectuais que pensam fora da ´´bolha de ilusão da esquerda`` que a maioria dos meus professores pensam. Eu tenho 15 anos e quase todos os dias eu sou bombardeado por besteiras como ´´Colonia de Povoamento``, ´´Burguesia que dominava o poder político que só se fazia por seus interesses``, etc... (O Pior é ter que estudar isso pra prova e não poder contar a verdade).
Eu tenho uma professora que ano passado, no auge da Euforia do ´´crescimento do Brasil``, choveu elogios as medidas do Lula, dizendo entre outras coisas que as restrições no mercado financeiro foi bom para conter a expeculação financeira, e que as medidas de redução de IPI salvaram o Brasil da depressão.... Eu gostaria de encontra-la hoje pra ver o que as ´´brilhantes`` medidas fizeram
Graças a deus que eu posso encontrar artigos da Escola Austríaca bem cedo, umas
das coisas que mais me chateam é ver amigos meus com ideias idiotas por causa de professores assim.
Muito obrigado pelos artigos, eles realmente impulsionam você a formar o seu senso crítico, como disse o amigo do comentario de cima, te fazem ver alem das besteiras da doutrinação da escola....

Responder
Dalton C. Rocha 02/01/2013 23:53:48

Uma prova da constante melhoria do padrão de vida na Inglaterra e nos Estados Unidos, durante a Revolução Industrial são os jornais diários. Não existiam jornais diários, na Inglaterra e Estados Unidos, em 1600. Na década de 1880, quando o satanista Karl Marx morreu, milhões de jornais eram publicados nos Estados Unidos e Inglaterra todos os dias. De onde veio o dinheiro para comprar toda esta massa de jornais? Dos salários crescentes do operariado, que ganhava cada vez mais e podia comprar jornais. As ferrovias reduziram não apenas o tempo do transporte terrestre, mas também seu custo. O mesmo aconteceu com o transporte de navios a vapor, que não apenas ficou mais rápido, como também mais barato. E a redução do custo do transporte de todos os bens fez, reduzir os custos de todos os produtos.

Responder
Dam Herzog 03/01/2013 03:07:16

Estou muito convencido de quem salvou o proletariado, que não podia nem mesmo prover a propria vida, e morria de fome, foi o Capitalismo. (Capitalism and the Historians: F. A. Hayek) Os senhores feudais deixavam a população morrerem de fome, nem podiam procriar, pois, se muito, podiam sustentar só a si mesmos.

Responder
Ricardo 03/01/2013 03:19:05

Correto. Mises explicou esse fenômeno neste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1126

Responder
leonardo 11/01/2013 23:56:18

Gostei muito do artigo, mas fico pensando, a realidade da população não mudou - e acredito não mudará -, pois a riqueza gerada pela industrialização permanece concentrada em, sua grande maioria, nas mãos de uma pequena parte da população a, elite dominante. A Revolução Industrial foi o que faltava a burguesia, que mesmo de depois da sua ascensão, não tinham uma posição de dominância, assim como reis, nobres e clerigos, que dominaram a situação por tanto tempo, então todo esse processo de industrialição conferiu a burquesia o status de elite dominante, o que permanece até hoje; mas, é claro a industrializão trouxe muitas coisas boas, isto é inegável: antes a população era totalmente imóvel, hoje já é possível mudar de condição social.

Responder
Anônimo 12/01/2013 02:32:41

Você realmente leu o artigo?

A diferença entre um pobre e um rico antes era que um passava fome e o outro comia mal. Hoje, a diferença é o tipo do carro. A revolução industrial barateou enormemente o custo de vida, multiplicou o volume de negociações nas economias, dinamizou o mercado de trabalho e criou produtos acessíveis; principalmente aos mais pobres. A qualidade de vida teve um salto absurdo. Foi definitivamente a época mais próspera da humanidade até então.

O legado dela foi positivo ainda mais aos pobres. Sem ela, chances são que nenhum de nós estaria vivo. Nem mesmo o autor deste artigo e a pessoa quem contigo fala. Se alguém optou por trabalhar na indústria, foi porque os benefícios de todos os outros postos de trabalho na época eram muito inferiores. E se os benefícios dos postos de trabalho cresceram, foi graças ao acúmulo de bens de capital que possibilitou salários marginalmente superiores e o amento do volume de negócios da economia(Que tornou a mão-de-obra mais valorizada). Nenhuma lei de salário mínimo jamais fez milagres.

E a indústria não cessou. Carros, que eram a fantasia dos ricos, passaram a ser cada vez mais comuns em menos de duas décadas e hoje são onipresentes em qualquer país com bom-senso(O Brasil não está incluído). Investigue qualquer lista que faça uma análise empírica da sociedade antes e depois da industrialização.

Responder
Carlos Marcelo 12/02/2013 06:51:29

Fiz um resumo desse texto num debate com os idiotas do Anarcomiguxos:

Ok, mãos à obra. Alguns historiadores têm uma visão de que antes, o dono da pequena manufatura tinha o domínio sobre toda sua técnica de produção e esse conhecimento era passado de pai pra filho. Isso é fato. Porém, eles não costumam contar que eles eram poucos, e que pra manter sua posição, recorriam a privilégios legais dados pelos monarcas e legisladores locais. Restrições de qualidade e monopólios intelectuais chamados de patentes que dificultavam que novos concorrentes entrassem no mercado. Na França, foi assim até Napoleão. Já na Inglaterra, esse sistema foi ruindo a partir do séc XVI(embora tenha havido restrições até o XIX). A produção dos artesãos era voltada para a classe nobre, que gostava de produtos feitos de seda e de linho. Mas então o malvado capitalismo nos trouxe a Revolução Industrial, que "acabou" com os pequenos artesãos e camponeses. Isso, segundo eles. Na verdade, o antigo sistema não consegui atender às demandas de uma população crescente. Era uma maioria que vivia à margem, ou melhor, sobrevivia, das migalhas das castas mais altas. A oportunidade de ascensão social, dentro dos meios legais, era se alistar no exército, e se você não morresse em serviço, talvez, um dia, conseguisse um alto título militar. Centenas de milhares se tornavam mendigos e prostitutas. A produtividade simplesmente não dava pra todo mundo. Após o surgimento do Iluminismo e de toda a filosofia individualista, liderada por escoceses, aos poucos os sistema maquinofatureiro conseguiu superar os privilégios das guildas, a má vontade do poder público e o preconceito contra as fábricas(porque até mesmo alguns liberais achavam-as estéreis, que só o campo era produtivo). A catástrofe social que as autoridades presenciavam ajudou a catalisar as mudanças, pois estava ficando perigoso apoiar uma minoria nobre em detrimento de todos aqueles camponeses e recém-chegados habitantes da cidade. Então, alguns desses cidadãos dos burgos, conseguiram acumular capital o suficiente para abrir manufaturas e fabriquetas. Alguns prosperaram e abriram fábricas com máquinas a vapor. Mas esses donos de fábricas(que contratavam pessoas pelas habilidades e não pelo parentesco) não podiam obrigá-las a vir trabalhar. O salário que eles ganhavam, apesar de baixo, era MAIOR do que quando viviam no campo. Sim, a situação era muito precária, mas os culpados disso nos eram os novos industriais, e sim do antigo sistema pré-capitalista com classes fixas. As fábricas foram uma espécie de salvação da miséria que já existia. Ou se produzia bens primários, ou se dependia da sorte para ser um dos poucos a produzir para a nobreza, como trabalhar de alfaiate ou artista. Mas eis que surge o novo método de produção e comercialização. Fábricas agora produziam para os mais pobres, e para isso, tinha que ser barato, o que, por sua vez, só era possível com a produção em larga escala. E esta surgiu naturalmente, com o processo de tentativa e erros dos progressos técnicos. Claro que a qualidade desses produtos era inferior. Só os ricos tinham sapatos sob medida, enquanto os proletários compravam uns bem vagabundos, tamanho único. Mas veja: até então, a opção era andar descalço. Quanto aos industriais, eles ficaram podres de ricos, mas só mantiveram sua riqueza aqueles que souberam atender às demandas das massas. A história está repleta de casos de falências de "impérios empresariais". E quanto à maioria, que não ficou rica? Bom, em 1770, a Inglaterra tinha 8,5 milhões de habitantes. Em 1830, 16 mi. Vocês podem ver que os problemas demográficos começaram a cessar. Malthus e esse Senior(que originou o debate) tinham uma visão bem cética quanto à explosão populacional, pois não contavam com as novas técnicas possibilitadas pelo capitalismo industrial. A produtividade marginal e o capital investido per capita cresceram como nunca antes. Socialistas gostam de usar a história para dizer que a teoria econômica está errada. Mas não dá pra analisar a história sem uma teoria de funcionamento do sistema. A Rev. Ind. teve capítulos desagradáveis, mas no todo e no final, trouxe grande aumento da qualidade de vida. Isso, devido à acumulação de capital que aumentou a produtividade. Não por causa da legislação trabalhista ou pela pressão sindical, que só fizeram atrasar o desenvolvimento. Graças ao aumento da qualidade de vida, Marx, um dia, recebeu uma carta de Engels reclamando que os salários, comparativamente altos, afetariam o ímpeto do proletariado em realizar "a revolução", porque os pobres estavam se tornando o que se poderia chamar de classe média, e assim, se aburguesando. P.S. Um detalhe importante é o de que a oferta de dinheiro dependia da quantia existente de metais, então os governos não podiam ficar inflacionando a moeda ao bel-prazer. Um bom economista sabe que a inflação pode, no máximo causar um aumento do emprego NO CURTO PRAZO. A longo prazo, só faz criar desigualdade(não entrarei nos detalhes, mas quem quiser, pode ler "Desemprego e Política Monetária, de F.A. Hayek). Graças á estabilidade monetária, o nível geral de preços caiu, já que houve aumento da produtividade sem um correspondente aumento de moeda. Com isso, mesmo que os salários nominais não aumentassem, o poder de compra da população aumentou.

Responder
Leninmarquisson da Silva 18/03/2013 12:36:52

Aewwww!

Esse semestre estou tendo aulas de "Cultura e Sociedade" (Comunismo e Sociedade), e vocês podem imaginar a ideologia do professor...
Típicas baboseiras comunistas à parte, estava discutindo com ele sobre a "exploração capitalista" durante esse período, ele claro apontou toda a situação precária a qual os trabalhadores se sujeitavam, e meu argumento não poderia ser outro a não ser "por pior que eram essas condições, elas deveriam ser a melhor alternativa que eles tinham, já que ninguém os obrigou a trabalharem nas fábricas".

E eis então que, surpreendentemente, ele me disse que foi o Estado inglês que forçou os trabalhadores fora do campo para as fábricas na cidade. Isso procede?

Dei um ctrl+f mas não achei nada no artigo sobre isso.

Responder
david 18/03/2013 14:00:27

Leninmarquisson.
Posso sugerir o seguinte artigo sobre as condições das cidades na época. Talvez ajude.
arquiteturadaliberdade.wordpress.com/2013/01/29/05/

Responder
Lopes 18/03/2013 14:11:39

Lenin, dê ao seu professor uma pequena lição empírica sobre os benefícios da industrialização.

www.youtube.com/watch?v=jbkSRLYSojo

Quando ele falar de globalização:

www.youtube.com/watch?v=LryfamQhFZw&list=FLSmL9PvTJvJ9UcnqCAcNi9A&index=1

Ambos os vídeos possuem conteúdo empírico. Vá ao site "Gap Minder" e acompanhe o impacto da industrialização na China.

Relativo à lógica: Cabe ao seu professor o ônus da prova, gostaria que ele apresentasse a literatura que afirma tal ocorrido e a fonte histórica utilizada por essa.
Independentemente, é sabido que a qualidade de vida nos centros urbanos já era superior à do campo desde aquela época.

Responder
Juno 18/03/2013 15:30:05

Eu já vi gente falando isso também. Parece que teria algo a ver com as chamadas "Leis de Cercamento". Pesquisando um pouco, vi isso no www.marxists.org (sei que a fonte é péssima, só estou querendo mostrar o que parece ser o ponto de vista deles):

"Levou séculos para os capitalistas construirem o seu total monopólio sobre os meios de produção. Na Inglaterra, por exemplo, os parlamentos dos séculos XVII e XVIII tiveram primeiro que aprovar uma sucessão de leis chamadas "Leis de Cercamento" (Enclosure Acts), que separaram os camponeses dos seus próprios meios de produção, a terra que cultivaram por séculos. A terra tornou-se propriedade de uma parte da classe capitalista e a massa rural foi forçada a vender o seu trabalho para os capitalistas ou morrer de fome."
www.marxists.org/portugues/harman/1979/marxismo/cap04.htm

Mas claro, isso é o que eles dizem. Alguém sabe algo mais sobre as ditas Leis De Cercamento?

Responder
historiador 06/06/2013 18:31:43

As consequências sociais da Revolução Industrial são bem conhecidas, mas é útil fixar na memória seus traços de maior relevo. Por um lado, multiplicou enormemente a riqueza e o poderio econômico da burguesia. Por outro, desestruturou o modo tradicional de vida da população, tornando-o permanentemente instável, aprofundando dramaticamente as desigualdades sociais e fazendo tornarem-se familiares duas realidades terríveis: o desemprego e a alienação do trabalhador em relação ao seu produto.

No antigo sistema de corporações de ofícios da época do feudalismo, os artesãos, como se sabe, eram donos dos seus instrumentos e objetos de trabalho, produziam com habilidade pessoal cada artigo em sua casa-oficina, do começo ao fim, para um mercado pequeno e estável e colhiam os resultados financeiros de sua atividade.

No sistema manufatureiro, que havia se desenvolvido na Europa durante a fase inicial do capitalismo (mercantilismo, mais ou menos entre os séculos XVI e XVIII), essa independência do trabalhador deu o primeiro passo em direção ao desaparecimento: os artesãos quase sempre ainda eram proprietários de seus instrumentos, mas o crescimento e a instabilidade do mercado forçaram-nos a trabalharem por encomendas de capitalistas-mercadores, de quem passaram, inclusive, a depender para o adiantamento das matérias-primas. Havia casos em que a antiga oficina já tendia a se expandir, agregando mais empregados e começando a introduzir uma divisão de trabalho com especialização de funções entre eles. Os artesãos, embora já estivessem se tornando tarefeiros-assalariados, ainda executavam pessoalmente quase todas as tarefas necessárias à produção de um artigo, mantendo o conhecimento do conjunto de seu processo produtivo.

Com a Revolução Industrial, tudo se transformou: o empresário capitalista, dono dos novos meios de produção (máquinas, instrumentos, matérias primas e instalações) passou a agrupar no seu estabelecimento grande número de assalariados sob seu comando e a habilidade individual perdeu importância, pois a fábrica mecanizada generalizou e radicalizou a divisão do trabalho, fragmentando a produção de cada artigo em etapas sucessivas e estanques, cada uma delas exigindo quase só movimentos repetitivos do trabalhador. Completava-se, assim, a separação do trabalhador em relação a seu produto: não possuía mais os meios de produção, perdeu o domínio técnico do conjunto do processo produtivo, e deixou de ser senhor dos resultados de seu trabalho. Como a produtividade das fábricas mecanizadas era muito maior do que a das manufaturas, elas não tinham necessidade de absorver toda a imensa força de trabalho "liberada", seja pela expulsão dos camponeses das áreas rurais, seja pela ruína dos remanescentes urbanos do antigo artesanato individual. Em consequência, milhões de trabalhadores vieram a compor o que viria a ser chamado de "exército industrial de reserva": multidões de desempregados que, nos momentos de expansão da economia, eram convocados dessa "reserva" e retornavam ao assalariato enquanto o "capitão" da indústria deles necessitasse. Como essa "reserva" humana nunca se esgotasse, ela logo passou a desempenhar a função econômica de manter baixos os salários dos que estivessem empregados.

www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/direitos/tratado1.htm

Responder
Ricardo 14/06/2013 17:51:04

Um professor meu já me falou que a politica de cercamentos visava atender a demanda por mão de obra da industria local, ou seja, "foi uma política burguesa". O que vocês tem a dizer sobre isso?

Responder
Danielbg 29/08/2013 20:31:04

O corporativismo (essa aliança de alguns empresários com os políticos) é algo fervorosamente criticado por aqui. Mais uma prova de que a revolução industrial salvou o povo das distorções geradas pelos governantes.

Responder
anônimo 29/08/2013 19:29:24

Quais foram as causas da revolução industrial?

Responder
Pupilo 29/08/2013 21:00:19

Diversos fatores... Europa nessa época vivia um crise feudal... A população aumentou nesse período, porém, a produção, que se baseava na agricultura, não. Fome. Quem vivia nos feudos sofriam. Foi nessa época, que as maquinas a vapor foram criadas. Junte a dificuldade que se passavam nessa época com a capacidade criativa do homem e teremos uma revolução industrial. Produtos em massa sendo produzidos pela massa. Industrias, principalmente na área têxtil foram criadas, alocando toda a mão de obra que viam dos feudos.

Mises disse:

"Sua característica principal consistia no fato de que os artigos produzidos não se destinavam apenas ao consumo dos mais abastados, mas ao consumo daqueles cujo papel como consumidores era, até então, insignificante. Coisas baratas, ao alcance do maior número possível de pessoas, era o objetivo do sistema fabril. A indústria típica dos primeiros tempos da Revolução Industrial era a tecelagem de algodão. Ora, os artigos de algodão não se destinavam aos mais abastados. Os ricos preferiam a seda, o linho, a cambraia. Sempre que a fábrica, com os seus métodos de produção mecanizada, invadia um novo setor de produção, começava fabricando artigos baratos para consumo das massas. As fábricas só se voltaram para a produção de artigos mais refinados, e portanto mais caros, em um estágio posterior, quando a melhoria sem precedentes no padrão de vida das massas tornou viável a aplicação dos métodos de produção em massa também aos artigos melhores."

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1056

Responder
anônimo 05/09/2013 20:43:53

"Os proprietários das fábricas não tinham poderes para obrigar ninguém a aceitar um emprego nas suas empresas. Podiam apenas contratar pessoas que quisessem trabalhar pelos salários que lhes eram oferecidos. Mesmo que esses salários fossem baixos, eram ainda assim muito mais do que aqueles indigentes poderiam ganhar em qualquer outro lugar. É uma distorção dos fatos dizer que as fábricas arrancaram as donas de casa de seus lares ou as crianças de seus brinquedos. Essas mulheres não tinham como alimentar os seus filhos. Essas crianças estavam carentes e famintas. Seu único refúgio era a fábrica; salvou-as, no estrito senso do termo, de morrer de fome."

Não é bem assim. Muitos camponesas foram expulsos de suas terras e onrigados a trabalhar na fábrica.

Responder
Alexandre M. R. Filho 10/09/2013 21:56:28

Ah é? Onde?

Responder
anônimo 11/09/2013 11:58:32

Procure por "cercamentos".

Responder
Renato Souza 11/09/2013 15:00:47

E como você explica a revolução industrial na Alemanha, onde os proprietários de terra buscavam evitar a migração para a cidade?

Os tais cercamentos não foram causa da revolução industrial, foram um evento paralelo que alterou durante algum tempo a forma como ela aconteceu, só isso. Além disso, os proprietários das novas fábricas eram um grupo de pessoas diferente dos proprietários de terras.

A principal razão da revolução industrial foi o desenvolvimento técnico (não coincidentemente, algum tempo após o início de uma enorme revolução científica). E os fatores necessários foram o fato se permitir um grau razoável de liberdade de mercado, e o acúmulo de capital, isto é, o fato de que havia aumentado rapidamente a quantidade de riqueza disponível em vários países (fato demonstrado pelo aumento das suas populações), seja na forma de mais campos cultivados, estradas, cidades, edificações, instalações, capitais vindos do comércio, etc. Só isso já garantia que a revolução industrial aconteceria, e realmente aconteceu em todos os países da Europa ocidental. E não coincidentemente, aconteceu primeiramente em países que mais fortemente estavam vivenciando a revolução científica. Havia uma enorme quantidade de ciência sendo produzida na Grâ Bretanha, França, Itália e Alemanha, tinham um mercado relativamente grande e relativamente livre (as instituições do feudalismo estavam refluindo) a produção de riquezas nesses países vinham aumentando e se popularizando. E justamente nesses países, foi sendo iniciada a revolução industrial. Alguns fatores particulares a cada pais influenciaram, mas o processo era irreversível.

E antes que falem da descoberta das Américas, já havia forte aumento da da riqueza e da população (permitida pelo aumento da riqueza) nesses países no período final da idade média.

Responder
Anônimo 11/09/2013 15:27:22

O mito do "bom bucolismo" segue.

Se a vida na indústria era tão ruim, por que o Ruhr alemão recebeu 400.000 imigrantes internacionais(Principalmente de países que não tinham ao menos fábricas de cimento) apenas no fim do século XIX e início do 20? Trabalhavam em minas de carvão, expostos a tóxicos perigosos e grande estresse físico, porém a expectativa de vida apenas cresceu assim como a qualidade de vida destas pessoas. O que é impressionante.

A enxada é pesada, a jornada é de 24 horas, a fofoca da comunidade pode ser letal e a solidão em dias sem paróquia assusta. As condições de trabalho são terríveis e até as crianças têm de ajudar coletando batatas. Os números de depressão em cidades pequenas e agrárias são maiores que na cidade grande. Os engarrafamentos são chatos e o barulho é estressante, porém a cidade oferece todo tipo de opção de entretenimento a todo tipo de público, desde o forró à exposição de arte.

Qualquer um que tenha vivido no campo ou tenha observado a vida de gente simples sabe que mesmo morar em uma favela já é uma grande evolução, como vislumbrou Edward Gaeser em seu livro "A Ascensão da Cidade". As estatísticas comprovam tal coisa perfeitamente, apenas não vencendo do bom senso.

O campo é um lugar solitário, árduo e suas recompensas não compensam a dureza da vida. O estresse por lá é diferente do da cidade. Na cidade, reclama-se do cansaço; no campo, é o medo de passar fome. É muito mais fácil conseguir emprego e fazer bicos na cidade, mesmo quando há legislação trabalhista.

Responder
anônimo 12/09/2013 14:09:28

O que eu quero dizer é que não dá para afirmar que os trabalhadores eram livres e escolhiam seus oficios voluntariamente. Eles eram expulsos de suas terras.

Responder
Leonardo Couto 13/09/2013 17:04:56


Anônimo, você se refere a um acontecimento que perdurou durante certo tempo em certo lugar e tenta utilizá-lo para caracterizar a revolução industrial como um todo, sendo que esta transbordou o tempo e o lugar onde os cercamentos ocorreram.

Não houve cercamentos na Alemanha, houve camponeses migrando para trabalhar nas fábricas. Os resultados da acumulação de capital não precisam de nenhuma política de cercamento para atrair indivíduos que buscam melhorar de vida.

Responder
Anônimo 17/09/2013 12:29:57

Foi um fenômeno INTERNACIONAL, não só nacional. Gente indo às fabricas e atravessando fronteiras para isso. Saindo de países pouco ou nada industrializados para trabalhar nas cidades alemães.

E outra, melhor tomarmos cuidado ao posicionar a revolução industrial na história. Prefiro posicioná-la no início do século XX pois foi quando a sociedade verdadeiramente mudou e a população urbana explodiu.

Responder
anônimo 10/09/2013 18:07:53

Houve épocas anteriores de liberdade econômica tal como na revolução industrial?

Responder
Cassim 11/09/2013 15:47:35

Consigo pensar em algumas.

Na China durante o período da Rota da Seda, por exemplo. O domínio negligente da dinastia mongol garantiu um cenário de pouca intervenção na economia e uma grande rota comercial onde "um homem poderia andar da Manchúria à Constantinopla com um capacete de ouro sem nunca temer ser roubado".

O desenvolvimento dos bens de capital também foi grande durante tal período e a China viu sua melhor época em milênios, apenas superada por seu período atual. Quando os esquizofrênicos estatistas da dinastia Ming assumiram, o país começou seu lento suicídio.

Responder
Leonardo 16/09/2013 02:00:58

Afirmar que a Revolução Industrial salvou o homem daquele tempo da morte me parece por demais tendencioso e leviano, tendo o único objetivo de levar ao engano. Eu fico impressionado quando aparece gente defendendo, levantando bandeira de algo do qual nem conhece, dizer que a cidade é um lugar melhor que o campo, não faz sentido algum, principalmente no tempo em que estamos inseridos. Olhar o mundo a partir do nosso umbigo é um erro que tem de ser combatido.

Responder
Mauro 16/09/2013 10:50:09

"Afirmar que a Revolução Industrial salvou o homem daquele tempo da morte me parece por demais tendencioso e leviano, tendo o único objetivo de levar ao engano."

Prezado Leonardo, apresente argumentos e substancie-os com fatos ou com teoria sólida. Fazer-se de escandalizado e dizer que "fica impressionado" está longe de representar um argumento minimamente sólido, quiçá sensato.

Explique, por exemplo, como a vida das pessoas era melhor antes da Revolução Industrial (em termos de longevidade, ausência de doenças, taxas de fecundidade e fartura de alimentos) e como tudo piorou após a Revolução Industrial. Este é o debate.

Responder
Leonardo Couto 17/09/2013 01:30:50


Seu comentário é destruído com um simples: por que?

Responder
Ramiro 17/09/2013 04:20:32

Leonardo, observe o seguinte: ninguém aqui está (ou pelo menos o artigo em questão não está) fazendo juízo do que é melhor entre cidade e campo; a questão não é esta. Mesmo porque, esta é uma discussão que, em si e crua, não tem a mais mínima importância sob um ponto de vista misesiano ou "austríaco". Se há algum vestígio disso, só posso imaginar que reside na comparação de Mises entre as eras pré e pós capitalistas. Lendo seu comentário, não consigo não lembrar do "estratagema do desvio" de Arthur Schopenhauer:

"recorrer a um desvio, isto é, começar de repente a falar de algo totalmente diferente, como se fosse pertinente à questão e constituísse um argumento...".

Além do fato, também, de você ter imputado à teoria "adversária" (como a chamaria Schopenhauer num caso desses) algo que ela não defendeu ou "levantou bandeira".

Faça o que o Mauro sugeriu: apresente argumentos contra o que disse o texto. Não precisa nem mesmo ser embasado em alguma teoria "sólida"; sendo focado no assunto em questão, já é um bom começo. Discutiremos, então. (Muito embora eu deva lembrar a obviedade de que qualquer conhecimento sólido se faz, primária e fundamentalmente, com estudos sólidos, e não com discussões - que são absolutamente secundárias.)

Responder
Marcos Fonseca 29/05/2014 20:36:39

Senhores, gostaria de utilizar esse texto em minha monografia. Para tanto necessito da informação de referência deste texto, se puderem me ajudar, agradeço. Preciso saber quando e como foi publicado tal texto.
Se puderem me indicar outros autores que tratem do tema "revolução industrial", voltado a lógica do liberalismo, também agradeço.

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