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A inflação de preços veio pra ficar?

No Brasil, mesmo com a cotação do dólar em queda e com o câmbio em seu nível mais apreciado da história — o que significa que as importações nunca foram tão baratas em termos reais —, a inflação de preços se mantém acima do (já alto) centro da meta, que é de 4,5%.  A última projeção é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) termine 2011 com um acúmulo de 6,31% (o teto da meta é de 6,5%).  Para 2012, o próprio Banco Central, que supostamente tem a função de conter a inflação de preços, prevê aumento de 5,20%.

Na América Latina, reina a bagunça de sempre, com apenas o Chile, a Colômbia e o Peru mantendo a inflação de preços entre 3 e 4%.

Nos EUA, a coisa segue aparentemente pior.  Estatísticas coletadas pelo mundialmente renomado economista John Williams — que se especializou em compilar dados utilizando estatísticas baseadas meramente nas metodologias que eram as oficialmente utilizadas pelos governos anteriores (foi o governo Bill Clinton quem fez a última alteração da metodologia de cálculo da inflação, o que deixou as estatísticas bem mais brandas) — mostram que a verdadeira inflação de preços está na casa dos 11% ao ano.  E o desemprego real chega aos 23%.

Na União Europeia, a inflação de preços anual está em 3,1%.  Pode parecer pouco, mas quando se considera que a média histórica sempre foi de 2%, quando se considera que se trata de estatísticas governamentais (logo, sempre com indicadores mais brandos) e, principalmente, quando se considera o fato de a região estar em recessão, tal cifra é significativa.

Na China, o altamente suspeito índice divulgado pelo governo aponta alta anual de 6,4%, a maior em três anos (o preço dos alimentos subiu 14,4% nesse mesmo período) e a segunda maior em 14 anos.

Até mesmo a Nova Zelândia cedeu e já apresenta inflação anual de preços de 5,3%.

O que ocorreu?

O atual sistema monetário e financeiro mundial existe apenas desde 1971.  Foi apenas há 40 anos que os últimos resquícios do padrão-ouro foram abolidos e os bancos centrais de todo o mundo passaram a ter plena liberdade para imprimir dinheiro como quisessem, sendo limitados exclusivamente pelo próprio bom senso de seus respectivos presidentes.

Vale ressaltar: o arranjo monetário sob o qual vivemos existe apenas e tão somente há ínfimos 40 anos.  Muitas pessoas creem que o presente arranjo é aquele que sempre existiu na história do mundo.  Nada mais ilusório.  O inerentemente instável sistema monetário atual, que parece estar se exaurindo com a atual crise americana e europeia, completará exatamente 40 anos de idade no mês que vem, mais especificamente no dia 15 de agosto.

Após esse rompimento com o que restava do padrão-ouro, o mundo vivenciou um período de crescente inflação de preços, em todos os continentes, e que durou toda a década de 1970.  Até então, tinha-se a desculpa de que os países e as autoridades monetárias ainda estavam se ajustando à nova realidade.

Na década de 1980, principalmente a partir de sua metade final, as coisas aparentemente haviam começado a se ajustar e os preços começaram a apresentar um comportamento um pouco mais previsível (o Brasil, é claro, foi uma exceção; aqui, tudo só piorava).

Já entre meados da década de 1990 e meados da década de 2000, todo o mundo viveu um inegável período de baixa inflação de preços.  Nos EUA, a média da inflação anual foi de 2,60%, e na Inglaterra, 2,67%.  Para se ter uma ideia do que isso significava, durante a década de 1980, esses valores foram de 5,56% e 7,80%, respectivamente.  (Você pode pesquisar todos os valores neste site).

Vários economistas — no que foram secundados por toda a mídia — chegaram a declarar que "inflação é um problema do passado".  Até mesmo o Brasil entrou no clima.  Em março de 2007, o IPCA acumulado de 12 meses bateu em 2,96%, o menor índice desde a liberação do câmbio em 1999 — o que fez a nossa mídia declarar o fim de todas as preocupações com a inflação.  O dragão, finalmente, estava domado.

E, de fato, todos os dados levavam a crer que isso era verdade.  O problema é que, como bem ensinou Mises, dados empíricos não substituem a boa teoria; fatos não podem refutar uma teoria lógica.  Quando se estuda o funcionamento do atual sistema monetário, quando se entende que temos um arranjo em que os governos possuem bancos centrais que estão ali para criar dinheiro para financiar seus déficits e para garantir a solvência do naturalmente insolvente sistema bancário de reservas fracionárias, e quando finalmente se percebe que o que temos é um arranjo intrinsecamente instável e que não poderia durar mesmo que todo o sistema fosse comandado por anjos (sendo que na verdade é comandado por políticos), a verdadeira pergunta que deve ser feita é: por que está demorando tanto tempo para a inflação de preços se generalizar mundialmente?

A teoria econômica é algo que envolve a dedução de leis não-quantitativas e aprioristicamente verdadeiras, do tipo, "dado A, então, tudo o mais constante, temos necessariamente B, que gera C, que provoca D etc."  Para fazer tais deduções, não se deve depender de dados empíricos.  Desde que o raciocínio esteja correto, as proposições econômicas terão de ser, sempre e sem exceção, lógica e irrefutavelmente corretas.  Afinal, o teórico está assumindo que todas as outras variáveis exógenas — que podem influenciar e intervir no processo, alterando os resultados previsíveis — estão mantidas constantes. 

Por outro lado, explicar eventos econômicos é uma tarefa distinta do desenvolvimento de uma teoria econômica.  A explicação de eventos econômicos é algo que não apenas deve sempre se basear em uma fundamentação teórica sólida, como também deve apresentar uma seleção de dados apropriados, os quais devem então ser aplicados a uma sequência encadeada de raciocínios lógicos.  Tal sequência de raciocínios lógicos deve empregar as leis econômicas relevantes para se chegar a um argumento plausível.

Por que falo isso?  Como havia mencionado acima, a questão real, o que realmente impressiona, não é o fato de estar havendo agora uma crescente alta nos preços em nível mundial; o que realmente impressiona é o tempo que se levou para que a inflação de preços começasse a atingir essa dimensão — afinal, as políticas monetárias de todos os países, principalmente a dos EUA, mas inclusive Europa e Brasil, têm sido sensivelmente expansionistas desde o rompimento total com o padrão-ouro em 1971.  É claro que a política monetária do Brasil melhorou sobremaneira a partir de meados de 1994, porém ainda assim a média de expansão do M1 no Brasil está entre 15% e 20% ao ano.

Logo, por que só agora?  Sim, houve aquele período de generalizada inflação mundial de preços — alguns casos, de hiperinflação — no final da década de 1970 e boa parte da década de 1980.  Porém, tudo aparentemente foi corrigido na década de 1990.  Entretanto, quando olhamos por exemplo o gráfico da expansão da oferta monetária dos EUA, nota-se uma aceleração da inflação monetária justamente a partir de meados da década de 1990. 

O mesmo ocorreu na Europa pós-integração, quando o Banco Central mais rígido do mundo à época, o Bundesbank alemão — que, ao adotar políticas monetárias restritivas, acabava obrigando todos os bancos centrais dos outros países da Europa a também controlar suas impressoras, caso contrário suas moedas seriam flagradas em crescente desvalorização em relação ao marco alemão, algo que atemorizava os políticos — foi substituído pelo Banco Central Europeu, que passou a comandar a expansão monetária de toda a Europa visando agora não só a integração das políticas monetárias mas também a sustentação do estado de bem-estar social.

Portanto, o mundo — que já vinha vivenciando uma grande expansão monetária após a abolição total do padrão-ouro na década de 1970 — entrou em uma nova fase de crescente aumento na taxa de expansão monetária a partir do final da década de 1990.  Como é possível ter inflação de preços apenas agora?  Por que ela não foi mais forte antes?

É nesse ponto que, na tarefa de explicar eventos econômicos utilizando uma fundamentação teórica sólida e uma seleção apropriada de dados, devemos levar em consideração os efeitos exercidos por quatro eventualidades; quatro circunstâncias históricas que ocorreram, a primeira na década de 1980, e as outras no início da década de 1990, e cujos desdobramentos se prolongaram para muito além destas datas.  Tais fenômenos ajudam a explicar por que os preços se mantiveram relativamente estáveis durante esse período.

O primeiro evento começou ainda no início da década de 1980, quando houve um grande processo de desregulamentação comercial e financeira, tanto nos EUA (Ronald Reagan) quanto na Europa (Margaret Thatcher).  Ao longo da década, por conseguinte, os mercados financeiros se tornaram mais flexíveis, o comércio entre os países se tornou mais livre e, com isso, a divisão do trabalho foi ampliada em escala internacional.  Essa combinação fez com que a produtividade e, consequentemente, o volume de produção das economias fosse ampliado sobejamente.

Essa combinação de aumento da produtividade, maior liberdade de comércio, maior concorrência entre os mercados e aumento da eficiência gerado pela maior divisão internacional do trabalho (o Brasil, com sua política de substituição de importações, obviamente não se beneficiou do processo) gerou uma pressão baixista sobre os preços de todas as mercadorias que podiam ser transacionadas internacionalmente, desta forma compensando parcialmente a pressão inflacionária advinda da política monetária expansionista.

A estes fenômenos devemos acrescentar o segundo evento, que ocorreu no início da década de 1990 e que intensificou ainda mais os fenômenos acima relatados: o colapso da União Soviética e a consequente libertação de todo o Leste Europeu, que até então era apenas um bloco unificado sob o domínio de Moscou e isolado do mundo.  Todos esses países se juntaram — alguns de forma ampla (como Estônia, República Tcheca e Polônia), outros de forma tímida (como Romênia, Bulgária e Hungria) — à economia mundial.

Com isso, houve uma nova rodada de ampliação da divisão internacional do trabalho, gerando os mesmos fenômenos listados acima, o que compensou e, em alguns casos, até mesmo neutralizou os efeitos das políticas monetárias expansionistas.

A estes dois eventos, devemos acrescentar um terceiro, que na verdade havia começado ainda no final da década de 1970, mas que foi se intensificando na década de 1980, e só chegou ao ápice mesmo a partir de meados da década de 1990: a abertura econômica da China, o que intensificou ainda mais todos os fenômenos descritos acima.  Com uma mão-de-obra dedicada e trabalhadora, escassos dias de férias por ano (uma média de 3 dias), e com a alta taxa de poupança da sua população, o volume de produção do país é enorme (e seria maior caso houvesse mais liberdade econômica).  Como não há uma previdência social, os chineses têm de poupar grande parte de sua renda; e é essa poupança — em conjunto com a produtividade e o trabalho duro chinês — que permite que um grande volume de bens não consumidos seja exportado a preços baixos para todo o mundo.

Entretanto, talvez ainda mais importante do que esses fatores conjunturais seja a taxa de câmbio chinesa — se não o principal, certamente um dos principais segredos dos produtos baratos chineses.  Veja sua evolução em relação ao dólar:

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O eixo Y mostra quantos yuanes era possível comprar com 1 dólar a cada ano.  Quanto maior esse valor, mais baratas são as importações de produtos chineses.

Observe que a moeda chinesa vai se desvalorizando constantemente de 1980 até 1995.  Isso ajudou a deixar as importações de produtos chineses cada vez mais baratas.  No início de 1995 ocorre uma desvalorização ainda mais abrupta e brutal, coisa de aproximadamente 40% — o que significa que os produtos chineses ficaram, em média e de uma só vez, 40% ainda mais baratos para quem os importava.  Esse fenômeno cambial chinês não pode ser negligenciado em um estudo sobre o comportamento da inflação de preços nas últimas décadas, principalmente quando se sabe que o volume das exportações chinesas e o alcance e a variedade de seus produtos são expressivos.

Vale também observar que, a partir de 2005, os chineses aparentemente não mais conseguem acompanhar o ritmo da expansão monetária dos americanos, o que os obriga a promover sucessivas valorizações na sua taxa cambial.  (E o impacto dessas valorizações nos preços futuros não pode ser subestimado.)

O quarto evento foi, obviamente, a invenção da internet, essa fenomenal ferramenta que ajuda — de modo praticamente incomensurável — a cortar custos, poupar tempo, estimular a concorrência e quebrar monopólios, além de fornecer informações vitais gratuitamente, coisa impensável há pouco menos de duas décadas.

A atualidade

Não fossem essas circunstâncias acidentais e extraordinárias, é muito provável que uma alta generalizada dos preços em nível mundial já houvesse se manifestado há mais tempo.  As expansões monetárias e seu efeito sobre os preços dos produtos foram, durante muito tempo, contrabalanceadas pela expansão da divisão internacional do trabalho, pelo aumento da produtividade, pelo maior número de ofertantes, pela abertura comercial, pela concorrência entre os novos mercados, pela maior fonte de informações e, principalmente, pela China, seu povo trabalhador e sua política cambial.

Entretanto, desde pelo menos os últimos cinco anos, todos esses fatores que surgiram nas décadas de 1980 e 90 não mais exercem o mesmo impacto de antes, pois já deixaram de ser uma novidade e já foram totalmente incorporadas pelo cenário econômico mundial.  Consequentemente, o impacto das políticas monetárias de todos os países está sendo cada vez mais intensamente sentida pelos seus cidadãos. A própria China, após atrelar a sua política monetária à política monetária americana, aparentemente perdeu o controle da inflação de preços em sua economia.

Ou seja, a menos que surja alguma novidade completamente inesperada, que intensifique a produtividade e aumente a divisão do trabalho, a tendência é que sintamos os efeitos de políticas monetárias expansionistas cada vez mais diretamente.

Um bom exemplo disso vem acontecendo justamente no Brasil.  Como dito no início do artigo, estamos com um câmbio em seu nível mais apreciado da história, e a inflação de preços acima do teto da meta.  Ao que me consta, nunca houve um período que combinasse câmbio em apreciação e inflação de preços em ascensão.

Na Europa, embora o problema atualmente enfrentado seja outro, a situação é mais dramática e até mesmo mais interessante.  Justamente por causa dos fatores listados acima, os europeus se acostumaram a ter acesso a produtos baratos.  As autoridades monetárias, por sua vez e em decorrência disso, se sentiram mais à vontade para expandir a oferta monetária e, com isso, ajudar os governos europeus a financiar seus crescentes déficits.  E os governos, por sua vez, gastavam muito e tinham déficits justamente para sustentar o estado assistencialista europeu, algo que sempre garante bons votos.

Ou seja, fatores que ocorreram na década de 1980 e 90 ajudaram os europeus a manter um estado de bem-estar social de maneira muito menos dolorosa do que ensina a teoria econômica: a expansão monetária garantia parte do financiamento dos déficits governamentais sem que os governos tivessem de se preocupar com a inflação de preços e nem com a solvência do sistema bancário.  Os efeitos deletérios da inflação monetária foram camuflados e apenas a sua parte "positiva" — o prolongamento dos estados assistencialistas — era sentida.

Porém, ao que tudo indica, o conto de fadas acabou.  Toda essa expansão monetária e o consequente endividamento dos governos agora estão cobrando a fatura.  Com o iminente calote grego, com a insolvência da Irlanda e com as situações calamitosas de Portugal, Espanha e Itália, a nova realidade parece estar se impondo.  Os chineses não mais poderão ajudar muito.

Finalmente, nos EUA, está ocorrendo aquilo que todos sabem.  O país chegou à humilhante posição de ter de avisar ao mundo que, logo ele, o detentor da moeda de troca internacional, pode não mais conseguir pagar suas dívidas.  Imprimiu tanto dinheiro e se endividou tanto — mas sem sentir a inflação de preços —, que agora corre o risco de não poder nem imprimir e nem se endividar mais (embora nós todos saibamos que, no final, o teto da dívida será elevado).  As agências da classificação Moody's, Fitch e Standard & Poor's — todas reguladas pelo governo americano — estão ameaçando rebaixar a classificação de risco dos títulos do país justamente para pressionar o Congresso a aprovar a elevação do teto da dívida.  É tudo jogo político.

Conclusão

As conclusões de um economista historiador jamais podem ser absolutamente certas.  Tampouco suas previsões futuras.  Embora as leis econômicas que ele utilize em sua análise tenham de ser absolutamente verdadeiras, a inclusão de fatores causais específicos — bem como a avaliação da importância relativa de cada um deles — vai depender em última instância de seu julgamento pessoal e do seu entendimento do assunto.  Sendo assim, uma análise histórica jamais pode ser utilizada para comprovar ou refutar qualquer teoria econômica; ela pode ser utilizada apenas para ilustrá-la.

Ainda mais importante: ao passo que o historiador possui todo um arranjo de dados ao seu dispor, um prognosticador não pode ter conhecimento de todas as influências externas que poderão surgir e alterar todas as suas previsões.  Antecipar quais serão ou quais poderão ser essas influências é algo totalmente fora do escopo da ciência econômica, pois depende de uma variedade de fatores políticos, psicológicos e até mesmo tecnológicos.

Embora nem o historiador nem o prognosticador possam dizer com toda a certeza que um determinado conjunto de fatores A causou uma determinada situação B, ou que A irá causar B, o fato é que a teoria utilizada em sua análise deve ser sólida, lógica e sensata.  As leis econômicas utilizadas, bem como toda a sequência argumentativa aplicada, devem estar logicamente corretas.

Creio que as explicações aqui apresentadas para justificar o cenário econômico inflacionário das décadas de 1990 e 2000 são logicamente sensatas — podendo, é claro, ter-me escapado algum outro fator relevante.  Por outro lado, tentar prever eventos futuros é uma proposta bastante arriscada, não apenas porque os fatos futuros são algo desconhecido, como também porque não há como saber de antemão como os indivíduos irão reagir a estes possíveis fatos.  Prever a natureza e a intensidade de inúmeras variáveis exógenas é algo que não depende da lógica da ciência econômica, mas sim da aplicação de disciplinas como a praxeologia, a ciência política e a tecnologia.  E nenhuma delas pode fornecer uma resposta que seja definitiva. 

A inflação de preços veio para ficar?  Tudo o mais constante, sim.  Caso não haja substantivas alterações no cenário monetário mundial, e nem na atual tendência intervencionista, regulatória e burocrática que vem sendo adotada pelos governos ao redor do mundo, não há como haver um cenário mais róseo. 

No Brasil, por exemplo, caso o governo continue com sua sanha regulatória, gastadeira e intervencionista, e caso o Banco Central continue coniventemente financiando tudo isto, haja importação chinesa para abrandar nossa inflação de preços.

Por outro lado, já se fala abertamente na volta do padrão-ouro [o IMB foi o único site brasileiro a falar sobre essa possibilidade há 3 anos], muito embora o formato que porventura venha a ser adotado provavelmente estará longe do ideal.  O que se sabe é que a cotação do ouro sobe aceleradamente no mercado internacional, justamente por causa dos temores inflacionários.  Quem comprou ouro em 2008 está rindo à toa hoje.

Uma solução eficaz e que poderia ser adotada a curto prazo seria um livre mercado de moedas, no qual as pessoas pudessem transacionar na moeda em que quisessem, podendo abandonar imediatamente aquelas que estão inflacionadas.  Ou seja, seria necessária a abolição do monopólio estatal sobre a moeda.  O dinheiro passaria a ser um bem como qualquer outro, e cada um utilizaria aquele que considerasse ser o mais bem gerido.  Com o tempo, a moeda menos inflacionária seria a escolhida.  Isto teria salvado, por exemplo, a economia brasileira na década de 1980.

Mas o governo não deixou antes e aparentemente não vai deixar de novo.  A menos que haja grande pressão popular.  Daí a importância de se saber economia e, principalmente, de se saber como popularizá-la.  É tudo uma questão de sobrevivência.


1 voto

autor

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Tiago RC  21/07/2011 07:07
    Ótimo artigo Leandro, parabéns. Esse certamente merece ser traduzido para inglês. ;-)

    Abraços,
    Tiago.
  • Leandro  21/07/2011 11:50
    Obrigado, Tiago! Grande abraço!
  • Fernando Z  21/07/2011 07:51
    Oi Leandro,

    Como faço para te certeza de que a inflação atual tem raiz na criação de moeda, e não em aspectos fundamentais como a diminuição da produção de petróleo?

    Muito Obrigado!
  • Leandro  21/07/2011 11:35

    Fernando Z, basta você utilizar um raciocínio lógico e dedutivo. Como é possível haver um aumento generalizado de todos os preços se a oferta monetária permanecer constante?

    Por exemplo, suponha que houve um aumento da gasolina por causa da escassez de petróleo. Isso é perfeitamente possível.

    Consequentemente, todos os bens e serviços essenciais que dependem diretamente do transporte a motor irão aumentar seus preços (porque seus custos aumentaram).

    Consequentemente, as pessoas que consomem estes bens -- que são essenciais e que agora estão mais caros -- terão inevitavelmente de reduzir o seu consumo de outros bens mais supérfluos, que agora se tornaram menos importantes em decorrência do aumento de preços dos bens mais essenciais.

    A redução na demanda por estes bens menos essenciais faria com que seus preços caíssem -- assumindo, é claro, que a quantidade de dinheiro na economia não se alterou.

    Com isso, no geral, o "nível" de preços não se alteraria. Alguns bens ficariam mais caros, e outros, necessariamente, ficariam mais baratos. Se o preço da gasolina sobe, não há por que o cabeleireiro (um dos serviços que mais encareceram ultimamente) aumentar seus preços no mesmo ritmo.

    Porém, o que vemos é que os preços de todos os bens, não importa a sua importância, sobem. Ora, se os preços de todos os bens subissem, mas a oferta monetária permanecesse constante, simplesmente não haveria demanda para toda a oferta. O volume de gastos iria cair, o desemprego iria subir e haveria uma grande recessão.

    No entanto, o que sempre vemos são os preços subindo, o emprego aumentando e a economia crescendo. Esse aumento generalizado de preços, que ocorre continuamente e que não gera recessões, só ocorre porque há um aumento constante na oferta monetária.

    Seria impossível que os preços de tudo subissem constantemente com uma oferta monetária constante. No extremo, chegaríamos a um ponto que simplesmente não haveria dinheiro suficiente para comprar um pão -- ou seja, trata-se de um cenário impossível.

    Grande abraço!
  • Djalma  21/07/2011 08:00
    Ótimo artigo, Leandro!\r
    Tenho apenas uma dúvida neste ponto :¨Na Europa, embora o problema atualmente enfrentado seja outro, a situação é mais dramática e até mesmo mais interessante. Justamente por causa dos fatores listados acima, os europeus se acostumaram a ter acesso a produtos baratos¨. \r
    \r
    Alguns países europeus como a Itália o custo de vida praticamente triplicou depois da adoção do Euro e das exigências econômicas e sociais feitas pelo Parlamento Europeu.
  • Leandro  21/07/2011 11:44
    Djalma, esse aumento do custo de vida italiano está mais ligado à carga tributária do país -- das maiores da Europa -- do que o recente aumento na inflação de preços, algo que só começou a se manifestar agora.

    Via de regra, aqueles países que possuíam moedas historicamente inflacionadas (como Portugal, Espanha, Itália, Grécia) ganharam em termos de poder de compra com a adoção do euro. Repentinamente, eles passaram a ter o mesmo poder de compra de um alemão e seu poderoso marco. Isso gerou uma febre de importações baratas para esses países, e uma euforia de consumo.

    Entretanto, houve também as exigências fiscais para o país fazer parte do euro, o que implicou grande elevação da carga tributária -- sendo essa a origem das reclamações.

    Até o momento, pelo que sei, as reclamações dos italianos estão mais voltadas para a carga tributária e, principalmente, para a questão do endividamento do país. Desconheço, até então, fortes reclamações oriundas de aumentos de preços.

    Grande abraço!
  • Djalma  21/07/2011 14:33
    Leandro,\r
    Concordo com você que a carga tributária na Europa e as exigências econômicas e sociais exigidas pelo Parlamento Europeu foram os grandes vilões pelo aumento do custo de vida europeu. Para você ter uma ideia o impacto destas medidas insanas no velho continente, hoje a Itália tem um baixo índice de natalidade ( talvez seja o mais baixo do mundo ) e um dos motivos é o custo de vida nesse País.\r
    Parabéns pelo seu trabalho que é sensacional!\r
    Grande abraço!
  • Cazelli  21/07/2011 08:48
    Tenho lido os textos deste site nas últimas semanas, e devo parabeniza-los pelo ótimo trabalho que estão realizando.

    Não tenho qualquer formação na área de economia, trabalho com desenvolvimento de software. Contudo é impressionante como os artigos deste site são claros, mesmo para mim, um leigo.

    Adorei o texto, continuem assim.
  • Leandro  21/07/2011 11:48
    Prezado Cazelli, a economia é uma ciência lógica e dedutiva. Logo, por definição, ela tem de ser clara e perfeitamente compreensível para qualquer leigo -- desde que este seja uma pessoa inteligente, é claro.

    Se você vir, ouvir ou ler um economista, e não entender nada do que ele está falando, esteja certo de que ele está apenas repetindo jargões consagrados e sem nenhum fundamento. Na mais comum das hipóteses, ele nem sabe sobre o que está falando.

    Grande abraço e obrigado!
  • Alexandre M. R. Filho  21/07/2011 13:09
    Como é a frase mesmo? "Good economics are basic economics", é isso?\r
    \r
  • Daniel Marchi  21/07/2011 17:18
    No texto publicado ontem, Hayek chegou a tangenciar a questão da linguagem confusa amplamente empregada pela maioria dos economistas.

    "O conflito entre o que o público - em seu estado atual de espírito - espera da ciência quanto à satisfação dos seus próprios anseios e o que ela pode realmente oferecer é uma questão muito séria. Mesmo que todos os verdadeiros cientistas reconhecessem as limitações do que são capazes de fazer no campo das ciências humanas, enquanto houver esperanças da parte do público, sempre haverá quem finja - ou talvez mesmo quem acredite honestamente - que pode fazer anseios populares, mais do que efetivamente pode. Até mesmo para especialistas é muitas vezes difícil - e é certamente impossível para o leigo, em muitas ocasiões - distinguir entre pretensões justificáveis e injustificáveis, levantadas em nome da ciência. Por exemplo, os mesmos meios de comunicação que deram enorme publicidade a um relatório que, em nome da ciência, tratava dos limites do crescimento, silenciaram totalmente quanto à crítica devastadora feita por especialistas competentes a este relatório[6]. Este exemplo nos faz ficar bastante apreensivos quanto ao que se pode fazer em nome do prestígio da ciência."

    sds.

    Daniel
  • Djalma  21/07/2011 10:38
    Fernando Z\r
    \r
    A inflação é de cunho monetário e os preços elevados do Petróleo também tem este aspecto, a China que hoje é um dos maiores consumidores deste produto realiza uma uma política monetária expansionista e outras nações também como: o Brasil, EUA, etc......
  • Domingos  21/07/2011 11:42
    Excelente artigo, Leandro. Parabéns.\r
    \r
    Merece escrever o prefácio da edição brasileira do livro "Teoria e história", de Mises.\r
    \r
    Abraço
  • Leandro  21/07/2011 11:49
    Domingos, obrigado! Mas não, nem de longe...

    Abraços!
  • Zecas  21/07/2011 13:43

    Leandro,
    + um brilhante artigo.Porém, não acredito em melhora nesse cenário.
    Imprimir dinheiro e gastar nababescamente é uma tentação para qualquer governo.
    Ademais, os sócios do governo (banqueiros, empreiteiros e mídia) estão muito satisfeitos com esse arranjo.E isso, como bem o seu artigo ilustra, é um comportamento mundial. Brasil, China, Europa, EUA etc etc Todos agem assim.
  • Carolina  21/07/2011 13:56
    Excelente artigo!
  • Carlos Alberto  21/07/2011 15:16
    Leandro,

    caso os EUA não aumentassem o teto de sua dívida, é possível prever seus efeitos e intensidade na economia? Qual é a relação destes eventos com a desvalorização da bolça de valores, ou seja podemos usar este indicador como um tendência da economia?
    Obrigado!
  • Leandro  21/07/2011 16:16
    Prezado Carlos, ante de tudo, não perca muito seu tempo trabalhando com a hipótese de um não aumento do teto da dívida americana. Isso simplesmente não irá acontecer.

    Entretanto, na remotíssima possibilidade de isso vir a ocorrer, o que aconteceria seria o seguinte:

    1) O governo americano não mais poderia incorrer em déficits orçamentários, pois agora ele não poderia mais emitir títulos para se financiar (pois não pode mais se endividar).

    2) Consequentemente, seu orçamento teria de ser equilibrado -- ele só poderia gastar o que arrecadasse.

    3) Adicionalmente, a capacidade do Fed de fazer política monetária (isto é, imprimir dinheiro) seria totalmente afetada. Como os bancos não mais poderiam comprar títulos do Tesouro, o Fed ficaria limitado a poder comprar apenas os atuais estoques de títulos em que já estão em posse dos bancos. (E pelas estatísticas, de todos os títulos que foram emitidos pelo Tesouro, o Fed está em posse de 70%, justamente por causa de suas recentes e malucas expansões da base monetária).

    4) Como atualmente o déficit orçamentário é de 1,4 trilhão, isso significa que ou o governo teria de cortar gastos de 1,4 trilhão ou aumentar impostos nessa mesma quantidade ou uma combinação de meio termo entre os dois.

    5) Qualquer que seja a escolha do item 4, nota-se que ela é politicamente impossível.

    6) Logo, isso não vai acontecer e o teto da dívida será elevado.


    Sobre a bolsa de valores, caso você esteja se referindo à bolsa brasileira, ela está andando de lado porque a expansão da oferta monetária no Brasil está desacelerando -- logo, a quantidade de dinheiro indo para a bolsa está rareando, o que impossibilita uma elevação generalizada e contínua da mesma.

    Grande abraço!
  • Maurício Gonçalves  07/08/2011 17:57
    Olá, Leandro, tudo bem?

    Só uma dúvida:

    Eu acho que o governo não precisaria aumentar o teto da dívida para NÃO dar calote. Ele poderia imprimir dinheiro para "honrar" com as obrigações que estão vencendo. Sei que na prática os investidores iriam sair perdendo, pois receberiam dinheiro que vale menos.

    Eu gostaria de saber se é tão simples quanto isso, ou tem alguma procedimento contábil que impeça o governo de fazer essa grosseria.

    Na minha leitura, o aumento da dívida era simplesmente um pretexto para continuar a política expansionista, que como vc bem explicou, teria de ser freada caso o congresso tivesse "cojones" para não arredar o pé com relação ao teto de endividamento...

    Abraços

    Maurício
  • Leandro  07/08/2011 19:51
    Prezado Maurício, em termos puramente práticos, já há um calote diário nos títulos públicos, no sentido de que o Fed, ao continuamente imprimir dinheiro, faz com que os detentores desses títulos recebam dólares com um poder de compra menor do que aquele "acordado" pelos juros.

    Entretanto, e agora respondendo diretamente à sua pergunta, em teoria (enfatizo: em teoria), é obrigação do Tesouro, e não do Fed, pagar os juros desses títulos. E, em teoria, o Tesouro não pode obrigar o Fed a sair imprimindo dinheiro para fazer isso, pois o Fed, em teoria, é independente.

    Porém, sabemos que no mundo político a teoria sempre se adéqua às conveniências práticas, de modo que não é nada impossível o Fed acabar "sendo convencido" a imprimir dinheiro para saldar essas dívidas. De certa forma, as seguidas rodadas de
    QE? representam exatamente isso: o Fed imprimindo dinheiro para comprar títulos, só que estes estando em posse dos bancos.

    Portanto, é sim possível acontecer isso que você aventou, e não haveria a necessidade de nenhum grande truque contábil; apenas o estatuto do Fed seria mudado e o sinal verde para a hiperinflação teria sido explicitamente dado.

    Grande abraço!


    P.S.: como havia dito no artigo, as agências de classificação de risco estavam ameaçando o rebaixamento dos títulos americanos para pressionar o Congresso a elevar o teto da dívida. O teto foi elevado, porém sem grandes elevações de impostos, o que significa que não há maiores chances de os títulos futuros serem saldados. Consequência: as agências reduziram a classificação de risco agora com o intuito de forçar o Congresso a elevar impostos, intenção essa explicitamente expressa pela S&P.
  • Marcelo Werlang de Assis  21/07/2011 16:23
    Leandro Roque, com tal artigo, mostra, mais uma vez, que é um articulista extremamente perspicaz e talentoso!\r
    \r
    É bem possível que depois da Copa do Mundo e das Olimpíadas o Brasil finalmente se torne um país socialista, ocorrendo, assim, horrores como o relatado em recente artigo (morte de milhões de ucranianos por fome; tal assassínio em massa é chamado de Holodomor). \r
    \r
    Com a inevitável recessão que virá após este crescimento econômico insustentável que vivemos (expansão de crédito promovida pelo Banco Central), com a altíssima inflação (gastos irresponsáveis em milhares de obras), com o crescente e duradouro desemprego (insatisfação popular), o partido que estiver no poder, provavelmente o PT, terá as condições sociais necessárias para promover a plena estatização da economia: "O capitalismo não funciona! Ele só causa desgraças! A única solução para todos esses graves problemas, caro povo brasileiro, é o socialismo!".\r
    \r
    E, de acordo com todos os ensinamentos deste site e de Mises/Rothbard, fome, miséria, escravidão (campos de trabalhos forçados) e morte de milhões são as lógicas consequências do comunismo...\r
    \r
    Não somente o Brasil, mas também o mundo inteiro poderá se tornar socialista em pouco tempo, pois em todos os lugares florescerão (aliás, florescem) tais desgraças (inflação, desemprego, recessão, etc.).\r
    \r
    O que acham?\r
    \r
    Qual é a tua opinião, Leandro?\r
    \r
    Abraços!!!\r
    \r
    \r
  • Leandro  21/07/2011 17:47
    Marcelo, muito obrigado, mas acho que você está um pouco tenso. Eu realmente ainda não consigo visualizar essa catástrofe toda. Mas talvez isso seja culpa da minha natureza otimista...

    Grande abraço!
  • Marcelo Werlang de Assis  22/07/2011 11:09
    Hehehehehehe... Sim, Leandro, concordo que eu esteja um pouco tenso, mas não posso deixar de pensar na possibilidade de toda essa catástrofe socialista hipotetizada por mim acontecer. Hitler, por exemplo, conseguiu ascender ao poder graças ao estado conturbado da Alemanha na época, que lhe possibilitou a manipulação das massas através de promessas demagógicas de "salvação" (messianismo).\r
    \r
    Mas tentarei ser mais otimista daqui em diante... Só assim para enfrentar o futuro com mais esperança e para sentir-se mais leve!\r
    \r
    E o meu elogio foi sincero. Os teus escritos são de fato espetaculares.\r
    \r
    Forte abraço!!!
  • João  08/08/2011 07:29
    Depois de ouvir várias pessoas (entre elas o Ricardo Boechat, da Bandeirantes) dizer que, "no meio dessa crise do capitalismo, os grandes representantes do capitalismo, como o Banco Central Europeu, tentam resgatar a confiança no capitalismo, etc...", eu não duvido de mais nada, afinal, a estupidez do ser humano não conhece limites.
  • Caio Gübel  21/07/2011 16:59
    Ola Leandro

    Como o governo americano regula as agências da classificação Moody's, Fitch e Standard & Poor's? Existe algum artigo ou link sobre isso?

    Grato

    Caio
  • Leandro  21/07/2011 17:15
    Prezado Caio,

    É a SEC (que é a CVM americana) quem permite a existência dessas 3 agências de classificação de risco, e é ela quem regulamenta e decide quem pode e quem não pode entrar neste mercado.

    Na prática, isso significa que não pode surgir concorrência externa, pois o governo não deixa. Quem vai ter cacife para bancar uma agência de classificação de risco que seja genuinamente independente neste cenário altamente regulamentado? (Há um longo e extenuante processo burocrático-regulatório, de modo que é impossível surgir uma agência para confrontar as classificações dessas 3 grandes).

    Vale lembrar que foram essas mesmas agências de classificação de risco que saíram dando AAA para as hipotecas subprime. Estavam apenas fazendo o que o governo lhes mandava, pois estas agências trabalham em total conluio com Wall Street.

    Ou seja, essa lambança ocorreu justamente por causa das pesadas regulamentações no mercado financeiro, as quais acabaram criando esse cartel de agências de classificação de crédito.

    Nesse cenário de regulamentação, a boa teoria econômica explica perfeitamente por que essas três agências -- que não correm o risco de sofre concorrência externa -- trabalharão em total conluio com os bancos de Wall Street, os quais precisam obter boas classificações para conseguir vender seus derivativos. E isso é de total interesse do governo, que tem no setor bancário sua grande fonte de financiamento.

    Há um ótimo artigo do Rothbard sobre esse conluio entre Wall Street e o governo. As agências de classificação de risco servem apenas para azeitar este arranjo e fazê-lo parecer probo.

    www.lewrockwell.com/rothbard/rothbard66.html

    Abraços!
  • Djalma  21/07/2011 18:48
    A economia brasileira vive um momento de esquizofrenia de um lado o BACEN aumenta a taxa de juro e do outro o BNDES coloca recursos financeiros no mercado.Sobre inflação o Ex- Min. da Fazenda, Guido Mantega, teve a cara-de-pau de dizer que a economia com preços elevados é bom para Economia brasileira essa frase é muito utilizada por esses dementes inflacionistas.
  • Getulio Malveira  21/07/2011 18:50
    Excelente texto, como sempre, Leandro!
  • Ricardo  21/07/2011 19:29
    Desculpe com dúvidas fora do assunto do tópico. Estou extremamente próximo de "me converter" ao anarco-capitalismo. Quer dizer, já compreendi porque esse é o único sistema viável e ético, mas tenho dificuldades de imaginar este sistema funcionando na prática.

    Se alguma empresa MUITO bem armada resolver que vai te roubar 40% de tudo que você ganhar, que vai te fornecer alguns serviços meia-boca por isso e que tem o direito de te julgar e te punir de acordo com as leis que eles mesmos criam. além de eliminar qualquer concorrência. Sim, cai no argumento de que precisamos de um Estado para impedir o surgimento de um Estado, mas viajando um pouco, não podemos dizer que já vivemos em um anarco-capitalismo em que uma empresa conseguiu monopolizar a violência?
  • Fernando Z  21/07/2011 21:27
    Sim, muito inteligente essa observação. O abandono do Estado pregado pelo liberalismo nada mais é do que a entrega dele.
  • Tiago RC  22/07/2011 09:46
    "não podemos dizer que já vivemos em um anarco-capitalismo em que uma empresa conseguiu monopolizar a violência?"

    É contraditório já que, se há uma tal empresa, então por definição essa sociedade não é ancap.

    Quanto ao risco de uma gangue crescer a tal ponto e conseguir estabelecer um monopólio de fato, eu consideraria bastante pequeno se a sociedade em questão não acreditar que tal gangue tem tal direito. Lembre-se que a sociedade seria provavelmente rica e bem armada. Tal coisa só aconteceria se a gangue conseguisse convencer muita gente de que eles devem ter tal monopólio. Aí voltaria ao que temos hoje.

    E finalmente, mesmo que alguém demonstre que a probabilidade de um estado ressurgir a partir de uma sociedade livre é praticamente garantida após um certo tempo, ainda assim isso não é razão para defender a existência de um estado. Seria equivalente a dizer "não há problema em matar pessoas, todas elas vão morrer um dia mesmo".
  • Felix  22/07/2011 12:53
    Muita boa observação...
    No meu condomínio tem segurança particular que funciona muito bem
    creio que numa socieade sem governo esse serviço seria bem difundido por toda a cidade até aniquilar qualquer violência e diminuindo o número de seguranças enquanto o índice de criminalidade ia caindo
    várias empresas de segurança competindo entre si evitariam que uma tentasse assumisse o poder por conta própria
    mas tudo que discutimos aqui são apenas suposições que nunca ocorrerção na prática
  • Raphael Auto  21/07/2011 20:04
    "Se alguma empresa MUITO bem armada resolver que vai te roubar 40% de tudo que você ganhar" \r
    \r
    Qualquer empresa de segurança que resolve-se de uma hora pra outra roubar deliberadamente os outros perderia praticamente todos os clientes. Atitudes assim fortaleceriam demasiadamente empresas rivais, dentro do ramo, que fossem honestas. É bom lembrar que essas possibilidades absurdas (que muitos usam para testar a viabilidade do anarco-capitalismo) são iqualmente possíveis em um país que tem um estado. Porém quando elas acontecem em uma sociedade com estado (não anarco-capitalista) suas consequências são mais incontornáveis.\r
    \r
    \r
    \r
    "que vai te fornecer alguns serviços meia-boca"\r
    \r
    O tipo e qualidade do serviço que ela iria lhe fornecer estaria estipulado dentro do contrato feito voluntariamente entre ambos. É claro que confrontos sempre iriam existir (sempre teria cliente que reclamaria do serviço), então todo contrato também preveria uma ligação com um tribunal X que resolveria a contenda caso ela existisse. Só os melhores tribunais conseguiriam sobreviver a concorrência. O monopólio jurídico disfarça a força que a publicidade pode ter sobre tribunais, afinal, imagine se existissem vários tribunais no EUA, será que a publicidade não ferraria o o tribunal do caso OJ Simpsom? \r
    \r
    "não podemos dizer que já vivemos em um anarco-capitalismo em que uma empresa conseguiu monopolizar a violência?"\r
    \r
    Eu poderia falar muita coisa sobre isso, porém vamos resumir: não, pois nem todas as relações de negócios, jurídicas e etc são voluntárias. \r
    \r
    Para praticamente matar qualquer dúvida que você tenha sobre esse assunto eu recomendo: mises.org/books/chaostheory.pdf\r
  • John Galt  22/07/2011 14:08
    Pelo que eu entendi, a "empresa" a qual ele se refere é o próprio Estado. As práticas desonestas não farão a empresa perder os clientes, porque ela está forçando-os a serem clientes, a empresa não se importa com credibilidade, ela tem armas. Impossível uma gangue em um sociedade livre chegar a esse nível? Basta que um grupo poderoso resolva financiá-la, afinal, isso já não aconteceu uma vez?
  • Luiz Maciel  22/07/2011 17:30
    Qual indice de inflação no Brasil é o mais realista?
  • Leandro  22/07/2011 18:00
    Luiz, todos possuem seus vícios e defeitos, mas se for para escolher um, fico com o deflator utilizado pelo IBGE para calcular o PIB anual. Ele tende a ser o mais sensato.

    Abraços!
  • Paulo  23/07/2011 02:26
    O governo deve cortar gastos. Fazer uma reforma trabalhista, reduzindo encargos e abolir o salário minimo, possibilitando que os miseráveis que recebem o bolsa-família tenham oportunidades de emprego, assim, além de aliviar os cofres públicos com este gasto, ao inves destes pessoas viverem de esmola do governo sem trabalhar, sobreviverão vendendo sua mão-de-obra, ou seja, passarão a produzir, o que já reduziria a inflação brasileira, pois contribuirá para aumentar a produção. Outra coisa: o governo poderia fazer uma reforma da previdência, não é preciso aumentar a idade mínimo para se aposentar, basta abolir a concessão de pensões para viúvas com menos de 40 anos.
  • Marcio Estanqueiro  05/08/2011 13:27
    Caro Leandro

    Gostaria de saber se já existe, ou se não, porque você não publica um livro com esses textos maravilhosos de fácil entendimento de um assunto onde muitos "enrolam" demais. Seria ótimo para ler e dar de presente a muitos que precisam. Quem sabe um Mantega lendro suas análises, como seria diferente nosso Brasil.
    O Instituto Von Mises não poderia publicá-lo? Existe outras obras além dos ebooks tão bons do Instituto, recomendáveis?
    Obrigado,

    um abraço.
  • Igor  11/08/2011 11:03
    Leandro:\r
    \r
    Realmente muito bom esse artigo. Sou leitor assíduo do IMB e de todos os trabalhos feitos pela Escola Austríaca como um todo. Estou querendo citar este seu trabalho em um artigo que estou desenvolvendo, você pode me dizer como cito a referência? \r
    \r
    Grande abraço!\r
    \r
    Obr!
  • Leandro  11/08/2011 11:09
    Prezado Igor, fico agradecido. Se quiser colocar referência -- não é obrigatório, ao menos de minha parte (depois que descobri que um doutor da Universidade Federal do Paraná copiou ipsis litteris meu artigo sobre a bolha imobiliária, sem dar nenhum crédito, resolvi encarar a cópia como elogio puro) -- pode citar apenas o artigo, o nome do Instituto e fornecer o link do artigo.

    Grande abraço!
  • Roberto  11/08/2011 12:04
    Leandro, esse plágio não pode ficar assim. Mesmo que você não queira tomar alguma medida judicial, acho que no mínimo deveria tornar isso mais público para denunciar o farsante. O blog Ciência Brasil (cienciabrasil.blogspot.com/) já divulgou diversos casos de plágio de pesquisadores brasileiros (um artigo publicado em revista internacional era 90% de Copy + Paste e foi cassado). Embora o autor do blog seja da área de biológicas, creio que publicará de bom grado comentários sobre essa fraude.
  • Leandro  11/08/2011 12:12
    Agradeço a consternação, prezado Roberto, mas somos contra a propriedade intelectual. Realmente não ligo que copiem nossas ideias; muito pelo contrário, até: quanto mais elas forem difundidas, melhor. Se a cópia é uma das formas mais sinceras de elogio, então aceito o elogio do doutor universitário.

    Grande abraço e obrigado!
  • Roberto  11/08/2011 12:24
    Entendo que vocês sejam contra a propriedade intelectual, mas um cara não pode plagiar na cara dura impunemente. Se aceitar a sugestão, ao menos não deixe isso perdido nos comentários e faça um post no blog, com sua habitual ironia.
  • Absolut  11/08/2011 17:45
    Isso depende do que você entende por "impune". (Espero que não seja sinônimo de coação)
  • Roberto  11/08/2011 22:43
    Meu sentido de impunidade está nos meus comentários. Não pedi, defendi, sequer sugeri nenhuma medida judicial e no primeiro comentário imaginava que não seria esse o caminho. Um picareta copiar o trabalho de outra pessoa e alegar que é seu ainda acho um fato que mereceria maior divulgação.
  • Getulio Malveira  11/08/2011 14:49
    Leandro, creio que o Igor gostaria de saber qual o formato técnico da citação do artigo para ele incluir em seu trabalho acadêmico. \r
    \r
    Se me permite creio que um formato aceitável seria:\r
    \r
    ROQUE, Leandro. A inflação de precos veio para fica? Instituto Ludwig von Mises Brasil [on line], 2011. Disponível em: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1051&comments=true#acNew. Acessado em: colocar a data do acesso. \r
    \r
    \r
    \r
  • Igor  11/08/2011 17:27
    Leandro e Getulio,\r
    \r
    Muito grato! \r
    \r
  • Maurício Goncalves  31/10/2011 08:40
    Não sei se com medo de represálias por parte do governo, mas a Nestlé está praticando aumento de preços disfarçado.

    De acordo com este site, o pacote de biscoito Bono teve redução de peso em todo o território nacional, menos norte e nordeste...

    Refaço a mesma pergunta do dono do blog, Alguém pode explicar a razão do subsídio?

  • Leandro  31/10/2011 09:19
    Bastante curioso mesmo. Mas não creio que esteja havendo subsídio direto. Era só o que faltava agora, o governo subsidiar a Nestlé de acordo com a região do país.

    O que está acontecendo, na verdade, é a maneira mais insidiosa e menos chamativa de se elevar preços. E o problema é que a culpa quase sempre recai no comerciante, quando na verdade ele está se esforçando ao máximo para não repassar ao consumidor o aumento de custos gerado pela inflação monetária criada pelo governo.

    De fato, não há muito o que os empreendedores possam fazer. Se elevarem o preço e mantiverem a mesma especificação do produto, seus clientes -- geralmente desinformados sobre a real causa da inflação -- irão mudar de produto. E ele não pode deixar isso ocorrer.

    Como disse o Hülsmann,

    "E há o fato de que a inflação perene tende a deteriorar a qualidade dos produtos. Todo vendedor sabe que é difícil vender o mesmo produto físico a um preço maior do que aquele vigente nos anos anteriores. Porém, aumentos nos preços são inevitáveis quando a oferta monetária está em crescimento contínuo. Sendo assim, o que os vendedores fazem? Em muitos casos, a salvação vem por meio da inovação tecnológica, a qual permite um modo de produção mais barato do produto, desta forma neutralizando ou até mesmo compensando em demasia a influência da inflação. Isso ocorre, por exemplo, na indústria de computadores e de equipamentos construídos com uma grande quantidade de insumos de tecnologia da informação.

    Porém, em outras indústrias, o progresso tecnológico possui um papel muito menor. Aqui, os vendedores lidam com o problema acima mencionado. Consequentemente, eles fabricam um produto de qualidade inferior e o vendem com o mesmo nome, junto com os eufemismos que se tornaram costumeiros no marketing comercial. Por exemplo, eles podem ofertar aos seus consumidores café "light" e vegetais "não condimentados" - o que pode ser traduzido como café ralo e vegetais que já perderam todos os resquícios de sabor. Deteriorações similares podem ser observadas na indústria de construção civil. Países flagelados pela inflação parecem ter sempre uma maior proporção de casas e ruas em constante necessidade de reparos.

    Em ambientes assim, as pessoas desenvolvem uma atitude mais desleixada em relação às palavras que utilizam. Se tudo realmente for aquilo de que passou a ser chamado, então é difícil explicar a diferença entre verdade e mentira. A inflação incita as pessoas a mentirem sobre seus produtos, e a inflação perene estimula o hábito de mentir rotineiramente."



    Ainda bem que eu já reduzi a zero os carboidratos de minha dieta. Só como proteínas e gorduras saturadas (e nunca me senti tão bem disposto em minha vida). No dia em que o governo começar a avacalhar esses produtos, sairei dando tiro.

    Abraços!
  • Rivaldo  22/04/2014 22:46
    Leandro,

    Excelente artigo Leandro! Não sou economista e nunca pensei que fosse tão simples entender de economia, é realmente impressionante. Não tem nada haver com aquele monte de números/suposições que vemos nos cadernos dos jornais.

    Agora vem uma dúvida, você citou numa resposta mais a cima a seguinte frase:

    "Prezado Carlos, ante de tudo, não perca muito seu tempo trabalhando com a hipótese de um não aumento do teto da dívida americana. Isso simplesmente não irá acontecer."

    Pelo pouco que li e entendi (me corriga se estiver errado) os EUA tem duas alternativas, continuam o ciclo de aumento da dívida ou não. Se continuarem irão aumentar a inflação, se quebrarem o ciclo darão um calote em todos os países que compraram seus títulos (o que logicamente eles não irão fazer por vontade própria).

    Compreendo perfeitamente o seu ponto de vista, mas fiquei com duas dúvidas uma é se haveria um meio termo possível entre aumentar o teto da dívida ou não. E a outra é se neste ciclo de aumento do teto da dívida não pode haver um ponto de ruptura, onde inevitavelmente eles não teriam mais condições de aumentar o teto (o que levaria a um calote), em resumo (por dedução): imagino que não tem como este ciclo se perpetuar, correto?
  • Emerson Luis  01/04/2016 11:43

    "No Brasil, mesmo com a cotação do dólar em queda e com o câmbio em seu nível mais apreciado da história ... a inflação de preços se mantém acima do (já alto) centro da meta, que é de 4,5%. A última projeção é que o ... (IPCA) termine 2011 com um acúmulo de 6,31% (o teto da meta é de 6,5%). Para 2012, o próprio Banco Central, que supostamente tem a função de conter a inflação de preços, prevê aumento de 5,20%."

    A Dilma nos fez sentir saudades de 2011!

    * * *



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