Quatro medidas para melhorar o sistema de saúde
por , segunda-feira, 13 de abril de 2009

0,,11447480,00.jpgÉ verdade que o sistema de saúde (europeu, americano ou brasileiro) está uma bagunça e é insustentável. Entretanto, isso demonstra não uma falha de mercado, mas, sim, uma falha de governo. A cura do problema não requer uma diferenciada regulamentação governamental, tampouco mais regulamentações ou burocracias, como políticos interesseiros querem fazer-nos crer. A cura do problema requer simplesmente a eliminação de todos os atuais controles governamentais.

Já passou da hora de levarmos a sério uma reforma do sistema de saúde. Créditos tributários, vouchers e privatização já ajudariam muito na meta de descentralizar o sistema e remover encargos desnecessários sobre as empresas. Porém, quatro medidas adicionais devem ser tomadas:

1. Eliminar todas as exigências de licenciamento para as faculdades de medicina, hospitais, farmácias, médicos e outros profissionais da área de saúde. A oferta destes itens iria aumentar de imediato, os preços iriam cair, e uma maior variedade de serviços de saúde iria aparecer no mercado.

Agências de credenciamento, competindo voluntariamente no mercado, iriam substituir o licenciamento compulsório do governo - levando-se em conta que os fornecedores de serviços de saúde (afinal, serviços de saúde são serviços como quaisquer outros) acreditem que tal reconhecimento iria melhorar sua reputação, e que seus consumidores, por se importarem com a reputação dos fornecedores, estarão dispostos a pagar por isso.

Como os consumidores não mais seriam ludibriados a acreditar que existe tal coisa como "padrão nacional" de saúde, eles aumentariam sua procura por bons serviços de saúde a custos baixos, e fariam escolhas mais perspicazes.

2. Eliminar todas as restrições governamentais sobre a produção e a venda de produtos farmacêuticos e equipamentos médicos. Isso significa a extinção de agências reguladoras encarregadas de controlar remédios, vacinas, drogas e produtos biológicos (como a Anvisa, no Brasil).  Atualmente, essas agências servem apenas para obstruir inovações e aumentar os custos de produção.

Custos e preços cairiam, e uma maior variedade de melhores produtos chegaria ao mercado mais rapidamente. O mercado também forçaria os consumidores a agir de acordo com suas próprias avaliações de risco - ao invés de confiar essa tarefa ao governo. E os fabricantes e vendedores de remédios e aparelhos, devido à concorrência, teriam que fornecer cada vez mais garantias e melhores descrições de seus produtos, tanto para evitar processos por produtos defeituosos como para atrair mais consumidores.

3. Desregulamentar a indústria de seguros de saúde. A iniciativa privada pode oferecer seguros contra eventos cuja ocorrência está fora do controle do segurado. Por outro lado, uma pessoa não pode se segurar contra o suicídio ou a falência, por exemplo, porque depende apenas dessa pessoa fazer tais eventos ocorrerem.

Como a saúde de uma pessoa, ou a falta dela, depende quase que exclusivamente desta pessoa, muitos, se não a maioria, dos riscos de saúde não são efetivamente seguráveis. "Seguro" contra riscos cuja probabilidade de ocorrerem pode ser sistematicamente influenciada por um indivíduo depende fortemente da responsabilidade própria desta pessoa.

Além do mais, qualquer tipo de seguro envolve um compartilhamento de riscos individuais. Isso implica que as seguradoras paguem mais a alguns e menos para outros. Mas ninguém sabe com antecedência, e com convicção, quem serão os "ganhadores" e quem serão os "perdedores". "Ganhadores" e "perdedores" são distribuídos aleatoriamente, e a resultante redistribuição de renda não é nada metódica. Se "ganhadores" e "perdedores" pudessem ser determinados sistematicamente, os "perdedores" não iriam querer compartilhar seus riscos com os "ganhadores", mas sim com outros "perdedores", porque isso faria diminuir seus custos de seguridade. Por exemplo, eu não iria querer compartilhar meu risco de sofrer acidentes pessoais com os riscos incorridos por jogadores profissionais de futebol; eu iria querer compartilhar meus riscos exclusivamente com os riscos de pessoas em circunstâncias similares às minhas, a custos mais baixos.

Devido às restrições legais impostas às seguradores de saúde, que não têm o direito de recusar certos serviços - excluir algum risco individual por este não ser segurável -, o atual sistema de saúde está apenas parcialmente preocupado em assegurar. A indústria dos seguros não pode discriminar livremente entre diferentes riscos incorridos por diferentes grupos.

Como resultado, as seguradoras de saúde têm que cobrir uma multidão de riscos não seguráveis em conjunto com riscos genuinamente seguráveis. Elas não podem discriminar os vários grupos de pessoas que apresentam riscos de seguridade significativamente diferentes. Assim, a indústria dos seguros acaba gerenciando um sistema de redistribuição de renda - beneficiando agentes irresponsáveis e grupos de alto risco às custas de indivíduos responsáveis e de grupos de baixo risco. Como esperado, os preços desta indústria estão altos e em constante crescimento.

Desregulamentar esta indústria significa devolver a ela a irrestrita liberdade de contrato: permitir que uma seguradora de saúde seja livre para oferecer qualquer tipo de contrato, para incluir ou excluir qualquer tipo de risco, e para discriminar quaisquer tipos de grupos ou de indivíduos. Riscos não seguráveis perderiam cobertura, a variedade de políticas de seguridade para as coberturas remanescentes aumentaria, e os diferencias de preços refletiriam os riscos reais de cada seguridade. No geral, os preços iriam cair drasticamente. E a reforma restauraria a responsabilidade individual na questão da saúde.

4. Eliminar todos os subsídios para os doentes ou adoentados. Os subsídios sempre criam mais daquilo que está sendo subsidiado. Subsídios para os doentes e enfermos alimentam a doença e a enfermidade, e promovem o descuido, a indigência e a dependência. Se estes subsídios forem eliminados, seria fortalecida a intenção de se levar uma vida saudável e de se trabalhar para o sustento próprio. De início, isso significa abolir todos os tipos de tratamento e assistência  médica "gratuitos" - isto é, financiado compulsoriamente pelo contribuinte saudável e zeloso de sua saúde.

Apenas essas quatro medidas, conquanto drásticas, irão restaurar um completo livre mercado no fornecimento de serviços médicos. Enquanto estas medidas não forem adotadas, a indústria continuará tendo sérios problemas - assim como nós, seus consumidores.

Hans-Hermann Hoppe professor de economia da Universidade de Nevada, Las Vegas, é um membro sênior do Ludwig von Mises Institute, fundador e presidente da Property and Freedom Society e co-editor do periódico Review of Austrian Economics. Ele recebeu seu Ph.D e fez seu pós-doutorado na Goethe University em Frankfurt, Alemanha. Ele é o autor, entre outros trabalhos, de Uma Teoria sobre Socialismo e Capitalismo e The Economics and Ethics of Private Property.



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5 comentários

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Leonardo Sampaio
Confesso ter achado interessante. Economicamente até poderia funcionar, o problema seria convencer a opinião pública da viabilidade da aplicação.
Publicado em 21/2/2010 00:33:39
Prezados,
essa e' uma boa doscussao porque bate logo em certos limitacoes a aventura ideologica libertaria.
Nao vou nem discutir a necessidade de se reformar o sistema de saude. Nisso concordamos. Se bem que a comparacao de voces entre Brasil, USA e Europa e' completamente fora de proposito.

Mas vamos ao que interessa, a proposta de HH Hope e' sem esperanca, totalmente no-hope.
1. ELIMINAR toda forma de credenciamento, e' absurdo e quem pagaria, ja paga no Brasil, e' o publico. Que o credenciamento possa ser feito por intituicoes privadas, trabalhando com as Associacoes Medicas, isso poderia ser feito. Agencias Reguladoras tem o problema do APARELHAMENTO, da perda de IMPARCIALIDADE e concomitante qualidade. Mas e' absurdo eliminar o Credenciamento. Na verdade temos que AUMENTAR o controle sobre o exercicio desta profissao.
2. E' de uma imbecilidade militante. Basta lembrar Contergan para os medicamentos e Goianobyl para os Equipamentos (Disposal). Basta lembrar o Escandalo da AIDS nos Hemofilos que essa sugestao fica abjeta. Nos USUARIOS queremos MAIOR controle da seguranca de medicamentos e de equipamentos e insumos como Sangue.
3. A industria dos Seguros pode ser bastante desregulada, mas teriamos que discutir um Codigo minimo de Conduta, ou Seguro Basico, para evitar que infancia, Gestantes e Velhice, por exemplo, venham ser discriminados. Uma pessoa pode ser dada a opcao de NAO ter seguro algum. Ela pode se assegurar atravez da poupanca, p.ex. Mas os que optarem por Seguro, devem ter certas garantias de cobertura e qualidade.
4. Eu sou muito a favor da reducao do subsidio, especialmente para as doeancas de comportamento, como vicios e comportamento de alto risco. Mas, ha casos, onde a Solidariedade fala mais alto. NINGUEM deve ser impedido tratamento de emergencia em NENHUM hospital porque nao pode pagar, ou nao tem cartao de credito com ele. E' uma questao de ETICA, se voces sabem o que isso significa?

Publicado em 14/5/2010 18:15:47
é flavio, entao ninguem deve ser impedido de comer ,se não puder pagar,em nenhum restaurante se estiver passando fome?
e outra, ninguem está dizendo que nao deve haver um controle de qualidade, mas este deve ser privado e opcional, quer comer churrasquinho de gato na esquina, é sua opção, sua vida, vc pode escolher tbm comer naquele restaurante credenciado por um veiculo CONFIAVEL de credenciamento, que vive de credibilidade e que ao menor sinal de corrupção ou após erros grotescos e evidencias de ineficiencia seriam condenados pelo mercado perdendo clientes.
Publicado em 15/5/2010 12:51:25
No mundo do Ortegão, é ético obrigar uns a trabalharem para os outros, desde que seja para os fins mais benéficos para todos, sob a observância rígida de garantidores da qualidade e do bem estar geral. Eu já vi esse filme, que começa bonitinho, como nos filmes de Walt Disney, mas descamba no desenrolar. E o final é lamentável.
Publicado em 15/5/2010 16:42:34
José
esse ortigão é uma afronta contra a liberdade. Ele agora quer controlar o que eu posso ou não ingerir. Agora o estado sabe o que é melhor para mim do que eu mesmo então?
Publicado em 18/5/2010 01:06:24

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