Como o apriorismo permite o verdadeiro conhecimento

I.

Como adquirimos conhecimento sobre o mundo externo — ou sobre a realidade, para ser mais exato?  De onde vem nosso conhecimento sobre ela?  A tentativa de se responder a essa questão nos leva à epistemologia, o ramo da filosofia que lida com a origem, o escopo e a validade do conhecimento humano.

No debate epistemológico, existem dois conceitos arquetípicos e, na realidade, diametralmente opostos: o empirismo e o racionalismo.  O empirismo alega que a experiência sensorial (a observação) é a principal (ou até mesmo a única) fonte de conhecimento do homem, ao passo que o racionalismo alega que o conhecimento advém da razão humana.

Dificilmente alguém negaria que existem conhecimentos que adquirimos por meio de experiência sensorial.  Por exemplo, o conhecimento de que a água congela a zero grau Celsius.  É realmente necessário fazer observações para se adquirir tal conhecimento.

Entretanto, no campo da ciência, que formula conhecimentos que se aplicam universalmente, independentemente do tempo e do local, o racionalismo afirma que o conhecimento empírico adquirido por meio da experiência sensorial não possui a mesma validade que o conhecimento deduzido por meio da razão.

Peguemos, por exemplo, as duas seguintes observações aleatórias:

1. Nas últimas décadas, a oferta monetária aumentou 200% ao todo, ao passo que o PIB real, nesse mesmo período, aumentou 50%.

2. Nas últimas décadas, as receitas de impostos do governo subiram de 10 para 50% do PIB, ao passo que a renda per capita aumentou 40%.

Como podemos tirar algum sentido destes fatos?  O PIB real cresceu por causa do aumento na oferta monetária, ou o PIB real cresceu apesar do aumento na oferta monetária?  Da mesma forma, o PIB real cresceu por causa ou apesar do aumento na carga tributária?

Cada uma destas explicações aparenta ser igualmente plausível.  Sendo assim, qual a correta?  O primeiro passo para se responder a essa questão é entender que empregar uma teoria (a ideia de construir e agrupar, de maneira sistemática, todo o conhecimento que o indivíduo possui acerca dos aspectos da realidade) é algo indispensável para se observar corretamente os "fatos".

II.

Com efeito, é impossível fazer uma observação dos fatos sem qualquer pressuposição, como Ludwig von Mises (1881-1973) apontou:

Não tem sentido registrar fatos autênticos sem fazer qualquer referência a uma teoria. O simples registro de dois eventos como pertencentes a uma mesma classe já implica a existência de uma teoria.[1]

A ideia de "deixar os fatos falarem por si sós" sem se recorrer a nenhuma teoria é algo absurdo.[2]  Mises estava ciente de que "ação sem pensamento e prática sem teoria são inimagináveis.  O raciocínio pode ser falso e a teoria, incorreta; mas o pensamento e a teoria estão presentes em toda ação."[3]

Mas como sabemos e como podemos ter a certeza de que estamos empregando uma teoria correta?  Felizmente, nas ciências sociais, uma resposta satisfatória pode ser dada a essa pergunta ao se recorrer a uma teoria apriorística — proposições que fornecem uma compreensão verdadeira sobre a realidade, e cuja veracidade pode ser confirmada independente de experimentos.

Para explicar melhor, temos de nos voltar brevemente para o filósofo prussiano Immanuel Kant (1723-1804) e seu pioneiro e revolucionário A Crítica da Razão Pura (1781).  Um dos principais resultados daquilo que Kant rotulou de investigação transcendental foi a sua descoberta dos chamados juízos sintéticos a priori.

A expressão a priori denota uma proposição (uma afirmação declarativa) que expressa um conhecimento que é adquirido antes — ou independente — da experiência.  Em contraste, a expressão a posteriori denota um conhecimento que é adquirido por meio da — e baseando-se na — experiência.  Os defensores do aposteriorismo são também chamados de empiristas.

Um juízo sintético se refere ao conhecimento que não está contido no objeto.  Um exemplo seria "Todos os corpos são pesados".  Aqui, o predicado "pesados" transmite um conhecimento que vai além do mero conceito geral de corpo.  Um juízo sintético, portanto, gera novo conhecimento sobre o objeto.

Juízos analíticos repetem aquilo que o próprio conceito do objeto já pressupõe.  Um exemplo seria "Todos os corpos possuem dimensões".  Para saber que corpos possuem dimensões não é necessário fazer experimentos, uma vez que essa informação já está contida no conceito de corpos.

Seria de se esperar que juízos analíticos fossem apriorísticos e juízos sintéticos fossem aposteriorísticos.  Entretanto, Kant afirma que existem juízos sintéticos a priori — um conhecimento que não se limita a repetir o significado do conceito que está sob análise e tampouco requer experimentos para se descobrir alguma novidade sobre o objeto.

Como um juízo sintético a priori pode ser identificado?  De acordo com Kant, uma proposição deve satisfazer dois requisitos para poder ser classificada como um juízo sintético a priori.  Primeiro, ela não pode resultar da experiência, mas sim da razão.  Segundo, ela não pode ser negada sem que o autor da negação caia em contradição intelectual.

III.

Mises constatou que o axioma da ação humana é um juízo sintético a priori.  O axioma da ação humana afirma que os humanos agem.  Isso pode soar trivial à primeira vista.  Entretanto, à segunda vista, torna-se óbvio que o axioma da ação humana possui implicações de longo alcance e de amplas consequências.[4]

O axioma da ação satisfaz os requerimentos de um juízo sintético a priori.  Primeiro, não é possível observar que os humanos agem sem que, antes de se fazer tal observação, o indivíduo saiba o que é uma ação humana.  Ou seja, para se observar que os humanos agem, primeiro é preciso saber o que é uma ação humana.  E esse conhecimento não pode ser adquirido por meio de experimentos, pois ele advém da razão e não da experiência.

Segundo, não é possível negar que os humanos agem, pois tal ato resultaria em uma contradição intelectual.  O simples ato de dizer "os humanos não podem agir" é em si uma forma de ação humana e, como tal, contradiz a veracidade dessa afirmação.

Mises também constatou que, utilizando-se a lógica formal, outras verdades universais podem ser deduzidas do irrefutavelmente verdadeiro axioma da ação humana.  Essa abordagem foi por ele rotulada de praxeologia: a lógica da ação humana[5].  Mises reconstruiu a ciência econômica baseando-se na praxeologia.

A praxeologia é uma teoria apriorística.  Ela gera proposições sobre a realidade que são irrefutavelmente verdadeiras — proposições que podem ser validadas sem que se tenha de recorrer à experiência.  Peguemos, por exemplo, o conceito de causalidade — a ideia de que todo efeito possui uma causa.  Tal conceito está logicamente subentendido no axioma da ação humana.

Como disse Mises,

O homem tem condições de agir porque tem a capacidade de descobrir relações causais que determinam mudanças e transformações no universo.  Ação requer e pressupõe a existência da causalidade.  Só pode agir o homem que percebe o mundo à luz da causalidade.  Neste sentido é que podemos dizer que a causalidade é um requisito da ação.  A categoria meios e fins pressupõe a categoria causa e efeito.  Em um mundo sem causalidade e sem a regularidade dos fenômenos, não haveria campo para o raciocínio humano nem para a ação humana.  Um mundo assim seria um caos no qual o homem estaria perdido e não encontraria orientação ou guia.  O homem nem sequer é capaz de imaginar um universo caótico de tal ordem.  O homem não pode agir onde não percebe nenhuma relação causal.[6]

Uma teoria apriorística oferece uma abordagem por meio da qual é possível examinar, criticar, e possivelmente repensar todas aquelas explicações teóricas padrão para eventos históricos.[7]  Quando revistas, reexaminadas e repensadas do ponto de vista da teoria apriorística, o que se pode dizer daquelas duas observações feitas lá no início deste artigo?

Re 1: Do ponto de vista da teoria apriorística, podemos dizer com toda a certeza que um aumento na oferta monetária não pode aumentar o padrão de vida de uma sociedade.  Um aumento na quantidade de dinheiro na economia não possibilita um benefício social, pois a única função do dinheiro é servir como meio de troca.

Ademais, a teoria apriorística demonstra que a moeda fiduciária de curso forçado gera efeitos economicamente perniciosos para a economia.  A moeda fiduciária de curso forçado é normalmente criada por meio da expansão creditícia feita pelo sistema bancário de reservas fracionárias, o qual cria moeda eletrônica literalmente do nada, sem nenhum lastro — o que se chama de meios fiduciários.  Isso necessariamente gera consumo (esgotamento) de capital e investimentos errôneos e insustentáveis.

A criação de meios fiduciários reduz a taxa de juros para um nível abaixo daquele que prevaleceria em um mercado livre de intervenções — a taxa de juros natural, que é aquela determinada pela preferência temporal dos indivíduos da economia.  Essa distorção dos juros, os quais estarão artificialmente reduzidos, fará com que as empresas produzam bens e serviços que na verdade não correspondem à real demanda do mercado.  Isso criará um período de expansão econômica que inevitavelmente terminará em recessão, que é o período em que a economia passa por reajustes estruturais para fazer com que a oferta volte a estar alinhada com a demanda.

CAPA_MetodoAustriaco.jpgO aumento na produção oriundo da expansão monetária é insustentável e inevitavelmente será corrigido mais cedo ou mais tarde.  Os ganhos de produção daquelas atividades que foram estimuladas pela criação de dinheiro tendem a ser vivenciados antes de as perdas de produção se manifestarem, o que gera a sensação de que um aumento na oferta monetária pode aumentar a produção.  A verdade, entretanto, é que a criação de dinheiro não aumenta o padrão de vida das pessoas; ao contrário: faz com que o padrão de vida fique abaixo de onde poderia estar caso não tivesse havido esse aumento na oferta monetária.

Re 2: Podemos dizer com toda a certeza que aumentar impostos irá reduzir, não aumentar, o padrão de vida das pessoas.  Isso porque impostos mais altos retiram proporcionalmente mais recursos escassos dos produtores, e consequentemente redistribuem esses recursos escassos para os não produtores.  Como bem explicou Hans-Hermann Hoppe, "riqueza e renda são forçosamente tomadas de seus proprietários e de seus produtores e transferidas para pessoas que não são proprietárias dessa riqueza e que não produziram essa renda.  A acumulação futura de riqueza e a produção de renda serão, desta forma, desestimuladas, e o confisco e o consumo da riqueza existente serão estimulados."  

A poupança e os investimentos irão declinar, e o estoque de capital e a massa salarial crescerão mais lentamente (ou podem até mesmo diminuir). Como resultado, a sociedade ficará mais pobre em relação a uma situação em que não há tributação.

IV.

A teoria apriorística fornece um verdadeiro conhecimento a respeito do mundo externo, e a veracidade do conhecimento derivado da teoria apriorística pode ser validada independentemente de experimentos sensoriais.

Tão importante quanto é o fato de que o conhecimento apriorístico sobrepuja o conhecimento empírico: "Uma proposição teórica apriorística jamais pode ser refutada por experimentações."[8]

A praxeologia, a ciência apriorística da ação humana — e, mais especificamente, seu até agora mais bem desenvolvido ramo, a ciência econômica —, fornece em sua área de atuação uma completa interpretação dos eventos passados e uma completa antecipação dos efeitos a serem esperados de determinadas ações futuras.[9]

Um teórico seguidor do apriorismo pode assim decidir antecipadamente (isto é, sem incorrer em experimentações sociais, ou ensaios e verificações) se uma determinada ação — medida política — irá gerar os efeitos desejados e prometidos.

Por exemplo, sabemos a priori que criar meios fiduciários não gera prosperidade econômica, que gastos do governo financiados por meio de impostos ou de endividamento não melhoram o bem-estar material da sociedade, e que essas medidas na realidade são economicamente nocivas.

O apriorismo é uma defesa intelectualmente poderosa contra as promessas feitas pelas falsas teorias e, principalmente, contra as danosas (até mesmo desastrosas) consequências econômicas que inevitavelmente surgiriam caso tais teorias fossem colocadas em prática.  Estudantes das ciências sociais deveriam, portanto, ser contínua e crescentemente estimulados a dominar a teoria apriorística.



[1] Mises, L., Ação Humana, p. 738

[2] Ver, por exemplo, Cohen, M.R., Nagel, E. (2002 [1934]), An Introduction To Logic And Scientific Method, Simon Publications Inc., Safety Harbor, Capítulo XI, esp. p. 199.

[3] Mises, L., Ação Humana, p. 221

[4] Sobre isso, uma leitura obrigatória é Hoppe, H.H. (2007 [1995]), A Ciência Econômica e o Método Austríaco.

[5] Praxeologia: do grego praxis - ação, hábito, prática - e logia - doutrina, teoria, ciência.  É a ciência ou teoria geral da ação humana.  Mises definiu ação como "manifestação da vontade humana": ação como sendo um "comportamento propositado".  A praxeologia a partir deste conceito apriorístico da categoria ação analisa as implicações plenas de todas as ações.  A praxeologia busca conhecimento que seja válido sempre que as condições correspondam exatamente àquelas consideradas na hipótese teórica.  Sua afirmação e sua proposição não decorrem da experiência: antecedem qualquer compreensão dos fatos históricos.  (extraído de Mises Made Easier.  Percy L. Greaves Jr.).

[6] Mises, L., Ação Humana, p. 47

[7] Ver, por exemplo, Hoppe, H.H. (2006), Democracia — o deus que falhou, em particular sua Introdução, pp. xv-xix.

[8] Mises, L. (2003), Epistemological Problems of Economics, 3rd ed., "The Task and Scope of the Science of Human Action," Ludwig von Mises Institute, Auburn, US Alabama, p. 30.

[9] Mises, L. (1985), Theory and History: An Interpretation of Social and Economic Evolution, Ludwig von Mises Institute, Auburn, US Alabama, p. 309.


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SOBRE O AUTOR

Thorsten Polleit
é economista-chefe da empresa Degussa, especializada em metais precisos, e co-fundador da firma de investimentos Polleit & Riechert Investment Management LLP.  Ele é professor honorário da Frankfurt School of Finance & Management.




"parece-me improvável ser coincidência os produtores do metal em questão [ouro] também terem abruptamente reduzido sobremaneira sua mineração e refino na década de 70 e de forma ainda mais intensa do que a supostamente levada a cabo pela OPEP [...]"

Exato! Este é o ponto. Quem afirma que o petróleo encareceu na década de 1970 por causa de uma suposta escassez de oferta tem também de explicar por que o ouro (e outras commodities) se encareceu ainda mais intensamente. Houve restrição na oferta de ouro?

Assim como não houve redução da oferta de ouro (cujo preço explodiu em dólar) também não houve redução da oferta de petróleo (cujo preço explodiu em dólar).

O problema, repito, nunca foi de oferta de commodities, mas sim de fraqueza das moedas -- recém desacopladas do ouro (pela primeira vez na história do mundo) e, logo, sem gozar de nenhuma confiança dos agentes econômicos.

Igualmente, por que o petróleo barateou (junto com o ouro) nas décadas de 1980 e 1990, quando a demanda por ele foi muito mais intensa do que na década de 1970? Por que ele encareceu em 2010 e 2011, em plena recessão mundial? E por que barateou em 2014 e 2015, quando as economias estavam mais fortes que em 2010 e 2011?

O dinheiro representa a metade de toda e qualquer transação econômica. Logo, quem ignora a questão da força da moeda está simplesmente ignorando metade de toda e qualquer transação econômica efetuada. Difícil fazer uma análise econômica sensata quando se ignora metade do que ocorre em uma transação econômica.

"ao menos em tese, não seria possível ocorrer uma elevação do índice "DXY" durante algum tempo simultaneamente a uma alta nas cotações em USD de algumas commodities, configurando uma situação de inflação de preços global generalizada onde a moeda america seria nesta hipótese "a garota menos feia do baile"

Sim, em tese seria possível. Só que, ainda assim, haveria um indicador que deixaria explícito o que está acontecendo: o preço do ouro.

Se o dólar estiver se fortalecendo em relação a todas as outras moedas, mas estiver sendo inflacionado (só que menos inflacionado que as outras moedas), o preço do ouro irá subir.

Mas este seu cenário só seria possível se todas as outras moedas estivessem sendo fortemente desvalorizadas. Enquanto houver franco suíço, iene e alemães na zona do euro, difícil isso acontecer.

Abraços.
Saudações, Leandro.

Teus comentários me remeteram a
uma recente troca de posts que tive no MI !
A propósito, uma análise da relação entre ouro e petróleo talvez pudesse reforçar nosso argumento em comum. Afinal, parece-me improvável ser coincidência os produtores do metal em questão também terem abruptamente reduzido sobremaneira sua mineração e refino na década de 70 e de forma ainda mais intensa do que a supostamente levada a cabo pela OPEP, caso a explicação p/ o fortalecimento do primeiro em relação ao segundo (i.e. cruede mais barato em Au) também se baseasse no suposto "choque de oferta" ao qual frequentemente se atribuem praticamente todos os episódios de encarecimento do petróleo em US$...

Sobre o "desafio": "Sigo no aguardo de um único exemplo prático de dólar forte e commodities caras. E de dólar fraco e commodities baratas, pergunto: ao menos em tese, não seria possível ocorrer uma elevação (ainda que improvável, inclusive na atual conjuntura) do índice "DXY" (dólar em relação às moedas mais líquidas do mundo) durante algum tempo simultaneamente a uma alta nas cotações em USD de algumas commodities, configurando uma situação de inflação de preços global generalizada onde a moeda america seria nesta hipótese "a garota menos feia do baile" (de ForEx) ?

Att.
Prezado Paulo, obrigado pelo comentário, o qual nada alterou a constatação: o preço das commodities é cotado em dólar; consequentemente, a força do dólar é crucial para determinar o preço das commodities. Impossível haver commodities caras com dólar forte. Impossível haver commodities baratas com dólar fraco.

Perceba que seus próprios exemplos comprovam isso: você diz que a produção americana de petróleo atingiu o pico em 1972, e dali em diante só caiu. Então, por essa lógica era para o preço do petróleo ter explodido nas década de 1980 e 1990. Não só a oferta americana era menor (segundo você próprio), como também várias economia ex-comunistas estavam adotando uma economia de mercado, implicando forte aumento da demanda por petróleo. Por que então o preço do barril não explodiu (ao contrário, caiu fortemente)?

Simples: porque de 1982 a 2004 foi um período de dólar mundialmente forte.

"Período 1973/74: É consenso da indústria mundial de petróleo que a subida abrupta dos preços em 1973/74 deveu-se ao embargo árabe realizado pela OPEP[...]"

Nada posso fazer quanto a esse "consenso", exceto dizer que ele é economicamente falacioso. O preço do barril (em dólares) subiu durante toda a década de 1970 (e não apenas no período 1973-74). O barril só começou a cair a partir de 1982, "coincidentemente" quando o dólar começou a se fortalecer.

Será que foi a OPEP quem encareceu o petróleo de 1972 a 1982? Se sim, por que então em 1982 ela reverteu o curso? Mais ainda: se ela é assim tão poderosa para determinar o preço do barril do petróleo, por que ela nada fez de 1982 a 2004, que foi quando o barril voltou a disparar ("coincidentemente", de novo, quando o dólar voltou a enfraquecer)?

E por que de 2004 a 2012 (dólar fraco) o petróleo disparou? E por que desabou de 2013 a meados de 2016 (dólar forte)? E por que voltou a subir agora (dólar enfraquecendo)?

Sigo no aguardo de um único exemplo prático de dólar forte e commodities caras. E de dólar fraco e commodities baratas.

Se alguém apresentar esse exemplo, toda a teoria econômica está refutada.
Boa tarde Bruno., tudo tranquilo?

Advogados de uma maneira geral tem duas frentes: ou são interlocutores mediante a resolução de conflitos, ou analistas para evitar conflitos. Basicamente são especialistas em detalhes jurídicos, sendo obrigatório o talento nato em retórica, para expor a parte de seu cliente de forma objetiva, lírica e eloquente na mediação, e muita disciplina acadêmica para assimilar todos os enlaces dos códigos a que se propõe atuar.

Sob a batuta do Estado, apenas formados em direito (e aqui no Brasil postulantes ao exame da OAB) podem representar pessoas e empresas nas demandas da Lei. Basicamente, 90% dos advogados no Brasil são decoradores de Lei, tendo parco saber jurídico para analisar de forma contundente demandas mais complexas.

Já em um país libertário, basta a pessoa ter um grande saber jurídico, oratória razoável e ser um bom jogador de xadrez que pode advogar tranquilamente, podendo também adquirir títulos e certificados mediante associações privadas, com o único propósito de destacar aqueles que realmente tem o que é necessário para ser advogado para quem quiser contrata-lo.

Quanto a sua questão, seja pelo monopólio do Estado ou em um país livre, o advogado não propriamente cria riqueza, mas impede que a mesma seja perdida por um descuido na assinatura de um contrato, ou mesmo a ruína causada por uma ex mulher gananciosa. Na assinatura de contratos é como uma companhia de seguros, pois ao analisar os detalhes mitiga os riscos apontando erros e pegadinhas. Por outro lado, se for atuar em uma demanda já existente, seria mais ou menos como o corpo de bombeiros, para apagar o incêndio o mais rápido possível, antes que o fogo consuma tudo.

Prezado Leandro

Aprecio muito seus artigos e comentários, postados aqui no Instituto Mises. Inclusive, suas respostas a indagações minhas sempre primaram pela cordialidade e análise ponderada. E, em relação ao seu comentário acima, não discordo quanto à correlação existente entre uma commoditie e a moeda em que ela é comercializada.

No entanto, se me permite, gostaria de discordar parcialmente do seus comentários acima sobre a causa e efeito nos preços dos mercados do petróleo, a partir do chamado Choque Nixon (1971). Entre outras medidas, ele cancelou unilateralmente a conversão do dólar em ouro. Baseei meus comentários em inúmeros autores, que usamos na indústria, não para fins políticos, mas para nosso negócio (tenho 38 anos de indústria do petróleo).

Para melhor acompanhar meus comentários, é interessante analisar os mesmos acompanhado de dois gráficos:

1) Preço do petróleo entre 1986 e 2015, fonte: BP Global:
www.bp.com/en/global/corporate/energy-economics/statistical-review-of-world-energy/oil/oil-prices.html

2) Produção e importação de óleo cru nos EUA: //en.wikipedia.org/wiki/Petroleum_in_the_United_States#/media/File:US_Crude_Oil_Production_and_Imports.svg

Vou colocar os eventos em ordem cronológica, com meus comentários após aspas de seus comentários, as vezes com ... :

SEU COMENTÁRIO: Igualmente, a acentuada e abrupta desvalorização do dólar na década de 1970 ... : não era o petróleo que estava ficando escasso; eram as moedas, recém-desacopladas do ouro, que perdiam poder de compra aceleradamente.

MEU COMENTÁRIO:
- A indústria do petróleo nunca correlacionou a culpa do aumento dos preços do petróleo na década de 1970 como sendo por causa de escassez do produto.

- Ano de 1972: A produção total Americana atinge o pico, próximo a uma média diária de nove milhões de barris por dia (bpd) e, a partir deste ponto, entra num declínio acentuado e contínuo, só interrompido em meados dos anos 2000, por conta do crescimento estratosférico da produção americana está ligado ao boom do "shale oil" americano (óleo de folhelho).

- Período 1973/74: É consenso da indústria mundial de petróleo que a subida abrupta dos preços em 1973/74 deveu-se ao embargo árabe realizado pela OPEP contra os países que apoiavam Israel na Guerra do Yom Kippur. Entre o início e o fim do embargo os preços tinham subido de US$ 3/barril (US$ 14 hoje) para US$ 12/barril (US$ 58 hoje).

SEU COMENTÁRIO: Tanto é que, nas décadas de 1980 e 90, o barril do petróleo despencou (dólar forte).

MEU COMENTÁRIO: Período 1985-1999:

- Em 1986 a Arábia Saudita resolveu recuperar sua participação no mercado global (market share) aumentando sua produção média diária de 3,8 milhões bpd em 1985 para mais que 10 milhões bpd em 1986. As reservas sauditas são tão grandes que ela sempre pôde se dar o luxo de "fechar ou abrir torneiras" para controlar demanda e oferta. Mas, atualmente isto está começando a ser modificado.

- 1988: Com o fim da Guerra Irã-Iraque, ambos voltaram a aumentar substancialmente a produção média diária.

SEU COMENTÁRIO: O boom das commodities (principalmente minério e petróleo) na década de 2000 foi "auxiliado" pelo enfraquecimento do dólar.

MEU COMENTÁRIO: Principais eventos para o aumento quase contínuo dos preços na década de 2000:

- Final dos anos 1990 e início dos anos 2000: Crescimento das economias Americana e Mundial.

- Pós 11/01/01 e invasão do Iraque: crescente preocupação quanto a estabilidade da produção do Oriente Médio.

- Segunda metade da década: Combinação de produção declinante mundial com o aumento acelerado e contínuo da demanda asiática pelo produto, especialmente China.

A causa da produção mundial declinante está relacionada à enorme expansão da produção OPEP na década anterior e que inibiu o investimento da indústria em exploração (pesquisa para descoberta de novas jazidas). Para quem não é da área, investimentos em exploração de petróleo tem retorno de médio a longo prazo.

SEU COMENTÁRIO: a recente queda a partir de 2012 (dólar forte).

MEU COMENTÁRIO: A partir de 2014 a queda dos preços está ligada a dois grandes eventos:

- Aumento substantivo da produção nos EUA e na Rússia, sendo que em 2015 a produção Americana atingiu o mais alto nível em mais de 100 anos, com os EUA voltando a serem os maiores produtores mundiais após mais de 50 anos (Figura a seguir)

- O crescimento estratosférico da produção americana está ligado ao boom do "shale oil" americano (óleo de folhelho), com o avanço tecnológico do fraturamento hidráulico (hydraulic fracturing, or fracking), ela começou a ser utilizada com progressivo sucesso em reservatórios não convencionais como o shale oil. Com isto, nunca os estoques americanos estiveram tão altos. E, aqui o básico da economia de Adam Smith: oferta maior que demanda gera queda nos preços.

Saudações, Paulo









Não, Xiba. Continua sendo pirâmide do mesmo jeito.

Essa questão da Previdência brasileira é um assunto bastante interessante pelo seguinte motivo: talvez seja a única área da economia que não está aberta a opiniões ideológicas.

Não importa se você é de esquerda ou de direita; liberal, libertário ou intervencionista. Também pouco importa se você acredita que a Previdência atual seja superavitária (como alguns acreditam). O que importa é que o modelo dela é insustentável. E é insustentável por uma questão puramente demográfica.

E contra a realidade demográfica não há nada que a ideologia possa fazer.

Comecemos pelo básico.

Ao contrário do que muitos ainda pensam, o dinheiro que você dá ao INSS não é investido em fundo no qual ele fica rendendo juros. Tal dinheiro é diretamente repassado a uma pessoa que está aposentada. Não se trata, portanto, de um sistema de capitalização, mas sim de um sistema de repartição: o trabalhador de hoje paga a aposentadoria de um aposentado para que, no futuro, quando esse trabalhador se aposentar, outro trabalhador que estiver entrando no mercado de trabalho pague sua aposentadoria.

Ou seja, não há investimento nenhum. Há apenas repasses de uma fatia da população para outra.

Por motivos óbvios, esse tipo de esquema só pode durar enquanto a fatia trabalhadora for muito maior que a fatia aposentada. Tão logo a quantidade de aposentados começar a crescer mais rapidamente que a fatia de trabalhadores, o esquema irá ruir.

Portanto, todo o arranjo depende inteiramente do comportamento demográfico da população. A qualidade da gestão do INSS é o de menos. Mesmo que a Previdência fosse gerida por anjos probos, sagazes e imaculados, ainda assim ela seria insustentável no longo prazo caso a demografia não cooperasse.

E, no Brasil, ela já não está cooperando. Segundo os dados do IBGE, em 2013, havia 5,5 pessoas com idade entra 20 e 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos. Em 2060, a se manter o ritmo projetado de crescimento demográfico, teremos 1,43 pessoa com idade entre 20 a 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos.

Ou seja, a menos que a idade mínima de aposentadoria seja continuamente elevada, não haverá nem sequer duas pessoas trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Aí fica a pergunta: como é que você soluciona isso? Qual seria uma política factível "de esquerda" ou "de direita" que possa sobrepujar a realidade demográfica e a contabilidade?

Havendo 10 trabalhadores sendo tributados para sustentar 1 aposentado, a situação deste aposentado será tranquila e ele viverá confortavelmente. Porém, havendo apenas 2 trabalhadores para sustentar 1 aposentado, a situação fica desesperadora. Ou esses 2 trabalhadores terão de ser tributados ainda mais pesadamente para sustentar o aposentado, ou o aposentado simplesmente receberá menos (bem menos) do que lhe foi prometido.

Portanto, para quem irá se aposentar daqui a várias décadas e quer receber tudo o que lhe foi prometido hoje pelo INSS, a mão-de-obra jovem do futuro terá de ser ou muito numerosa (uma impossibilidade biológica, por causa das atuais taxas de fecundidade) ou excessivamente tributada (algo que não é duradouro).

Eis o fato irrevogável: contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.

A não ser mudar totalmente o sistema.

Uma proposta para uma reforma definitiva da Previdência

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Giovanni P  12/07/2011 13:41
    Nunca vi, nem neste artigo nem em qualquer outra fonte, alguém mostrar por quais deduções passa o axioma da ação humana até chegar na afirmação de que a moeda fiduciária necessariamente "gera consumo (esgotamento) de capital e investimentos errôneos e insustentáveis". Não vejo como chegar até aí, sendo que a praxeologia não pode saber nada sobre as preferências dos agentes. Apenas a experiência pode.
  • Giovanni P  12/07/2011 13:48
    O próprio Rothbard admite, no Man, Economy and State, que a o axioma da preferência temporal, que é fundamental na construção da teoria dos ciclos que ele faz, não é um dado a priori, mas um dado que vem da experiência.

    Muito mais frutífero do que essa insistência no apriorismo das coisas me parece ser o ponto que Carl Menger afirma e reafirma várias vezes, de que a boa teoria parte dos dados da experiência e estabelece relações causais claras entre elas. Esta concepção por si já basta para impugnar praticamente toda a economia neoclássica moderna, que é baseada só em punhado de correlações.

    Por outro lado não vejo incompatibilidade entre o apriorismo de Mises e o empirismo de Menger, a não ser quando tentam exagerar os poderes do apriorismo. Mas isto também pode ser mudado se alguém fizer o favor de me mostrar a resposta à pergunta ali do meu outro comentário.
  • Angelo T.  12/07/2011 16:32
    Poderia apontar em qual capítulo do Man, Economy and State o Rothbard diz isso, por favor? Gostaria de pesquisar.
    Lembro do Rothbard falando de outros pontos empíricos, mas não desse.
  • Giovanni  12/07/2011 19:29
    Confundi, Angelo, não é a preferência temporal, mas a desutilidade do trabalho (ele afirma que o lazer é preferível ao trabalho e diz que não dá pra deduzir isso do axioma da ação humana: mises.org/rothbard/mes/chap1c.asp#8._Factors , nota 27). Em verdade, o da preferência temporal ele deduz sim do axioma da ação humana.

    Em todo caso, a preferência pelo lazer ao trabalho é fundamental para a construção de toda a teoria e não é conhecimento a priori. E aí? Se todo ficar insistindo demais que SÓ A PRAXEOLOGIA DÁ O CONHECIMENTO VERDADEIRO a economia austríaca perde muito. Ou não?
  • Fernando Chiocca  12/07/2011 19:46
    Mas a praxeologia é a ferramenta para analisar a experiência e transformá-la em conhecimento verdadeiro, a priori. Sem experiência, não há o que deduzir. Não daria nem pra estabelecer o axioma básico da ação humana, o de que "o homem age".

    Assim como a mera observação jamais poderia estabelecer este axioma, pois o que há para ser observado são apenas movimentos corporais. Não vemos açõs propositais, que utilizam meios para alcançar fins.

    Esta curta obra do Hoppe linkada no artigo talvez possa esclarecer alguns pontos.
  • Angelo T.  12/07/2011 20:44
    Giovanni, aí sim! A desutilidade do trabalho é reconhecida pelo Rothbard como sendo empírica. \r
    Como a própria nota diz, o seu contrário pode existir, não é auto-contraditório.\r
    Não só isso, mas outros pontos no livro também são reconhecidos como empíricos.\r
    \r
    De minha parte vejo o texto mostrando que é possível ter conhecimento de modo a priori, ao contrário do que é comum vermos por aí. Essa é a principal lição que tiro do texto. Mas não diria que o apriorismo é a ÚNICA forma de se obter conhecimento.\r
    Algumas ferramentas são mais úteis no estudo de alguns fenômenos, enquanto outras ferramentas são úteis no estudo de outros fenômenos.\r
    Por exemplo, acho pouco provável mandarmos a Cassini até Titan pegando impulso dando voltas em outros planetas somente com conhecimento a priori. Mas a praxeologia com sua base a priori é a melhor ferramenta que vejo no estudo da economia.\r
    \r
    Esse artigo é um que gostei bastante quando li no mises.org. \r
    Outro mais desafiador intelectualmente sobre o mesmo assunto, que também gostei bastante é esse:\r
    Mises on Mind and Method\r
    Torço para que ele um dia seja traduzido aqui no IMB.
  • Leandro  12/07/2011 17:15
    Giovanni,

    A moeda fiduciária foi adotada justamente pela facilidade de ser inflacionada. E quando a moeda é inflacionada, isso reduz tanto a propensão à poupança quanto a propensão ao investimento -- afinal, a inflação monetária faz com que as pessoas fujam da moeda e se resguardem comprando ativos reais. Quanto mais alta a inflação monetária, mais rapidamente as pessoas querem se livrar da moeda, menos elas querem poupar e mais rápido elas querem consumir.

    Em tal cenário, é impossível haver acúmulo de capital. Muito pelo contrário: o capital é rapidamente exaurido, pois a inflação monetária estimula o seu consumo, e não sua acumulação.

    E há também o efeito tributário. A inflação monetária faz com que os lucros das empresas sejam artificialmente elevados. Consequentemente, a quantidade de impostos que elas têm de pagar aumenta na mesma proporção. Simultaneamente, a inflação monetária também encarece os preços das peças de reposição do maquinário.

    Ou seja, a inflação monetária aumenta artificialmente os lucros das empresas. Tal aumento nos lucros, entretanto, seria quase que totalmente gasto na reposição de ativos a preços maiores. "Seria", mas não é, pois esse aumento nominal dos lucros faz com que as empresas tenham de pagar mais impostos. Portanto, no final, houve uma redução não sua capacidade de investimento -- consequentemente, houve consumo de capital.

    E há também a "ilusão da prosperidade". O aumento da renda nominal gerado pela inflação monetária estimula as pessoas a consumir mais, pois gera essa falsa sensação de riqueza. Não há aquela urgência de se poupar.


    Bem, esses são apenas algumas das consequências da inflação monetária que podem ser deduzidas aprioristicamente. Não apenas podem, como Mises fez isso. Em seu livro The Causes of the Economic Crises, a primeira parte é composta de artigos escritos em 1919. Ali, ele explica detalhadamente os eventos que só viriam a acontecer na Alemanha em 1923 (para os brasileiros, a teoria misesiana é ainda mais impactante, porque ela explica com décadas de antecedência tudo o que vivemos na década de 1980 e nos primeiros anos da de 1990).

    Caso queira se aprofundar mais, George Reisman dedica umas 10 páginas (cada uma com coluna dupla) em seu "catálogo" Capitalism (seção 5 do capítulo 19).

    E há também esse artigo, que explica bem as coisas:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=764

    Grande abraço!
  • Giovanni  12/07/2011 19:31
    Boa. Não é que o negócio é dedutível mesmo? Obrigado, Leandro.
  • Absolut  12/07/2011 19:46
    Giovanni, você é o responsável pelo inflacao.org?
  • Giovanni  12/07/2011 20:28
    Absolut, sou sim, mas só se você for falar bem (risos).

    Ou então se for dizer que precisa de milhares de correções e aprimoramentos. Eu aceitarei sugestões de muito bom grado e te agradecerei infinitamente.
  • Absolut  12/07/2011 20:36
    Parabéns pela iniciativa!
    Fora que o domínio inflacao.org é beeeeeeeeeeem (mesmo!) atrativo.
    Uma sugestão: ponha o logo e página do IMB lá na página inicial...
  • Giovanni  12/07/2011 21:00
    Obrigado. Ainda estou trabalhando em tudo ali. Sou ruim na parte gráfica e o conteúdo é praticamente nulo, mas será construído aos poucos. De início, acho que só a idéia e a existência do site já valem algo.
  • Absolut  12/07/2011 21:09
    O domínio é perfeito. Sobretudo ele.
  • Breno Almeida  13/07/2011 00:38
    Giovanni,\r
    \r
    Muito bom o seu site não conhecia.
  • Rhyan  12/07/2011 19:42
    Como definir o que é uma ação humana no contexto da praxeologia?
  • Fernando Chiocca  12/07/2011 19:51
    Ação proposital.
  • Rhyan  12/07/2011 19:55
    Quer dizer que atos instintivos são descartados? Respirar, sentir fome, sede, chorar quando nasce?
  • Fernando Chiocca  12/07/2011 20:26
    Sim. Estes atos estão descartados. Movimentos involuntários como bater coração, reflexo de dar um chute depois de uma martelada do joelho etc.

  • Rhyan  12/07/2011 20:49
    Mas a fome e a sede têm consequências econômicas.
  • Fernando Chiocca  12/07/2011 23:45
    Sim. E a praxeologia entra quando o ser humano age para matar sua fome e sede, escolhendo meios para estes fins, incorrento em custos ao preterir outros tipos de ações (inclusive a não ação) etc..
  • Getulio Malveira  12/07/2011 20:18
    "Mises constatou que o axioma da ação humana é um juízo sintético a priori."\r
    \r
    Creio que o autor se equivocou redondamente nesse ponto, confundindo Mises e Kant. Não encontro em nenhum trecho de Ação Humana uma corroboração a existência de juízos sintéticos a priori.
  • Leandro  12/07/2011 20:22
    Hoppe sobre Mises:

    Para entender melhor sua explicação, devemos fazer uma excursão no campo da filosofia, ou, mais precisamente, no campo da filosofia do conhecimento ou epistemologia. Em particular, devemos examinar a epistemologia de Immanuel Kant conforme mais completamente desenvolvida em seu Crítica da Razão Pura.

    A idéia da praxeologia de Mises foi claramente influenciada por Kant. Mas isto não quer dizer que Mises seja pura e simplesmente um kantiano. Na verdade, como mostrarei mais adiante, Mises leva a epistemologia kantiana para muito além de onde o próprio Kant a havia deixado. Mises aperfeiçoa a filosofia kantiana de uma maneira que até hoje tem sido completamente ignorada e rejeitada pelos filósofos ortodoxos kantianos.

    Apesar de tudo, é de Kant que Mises tira suas distinções conceituais e terminológicas centrais, bem como alguns insights kantianos fundamentais relativos à natureza do conhecimento humano. Deste modo, é importante analisarmos Kant.

    www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=47
  • Getulio Malveira  13/07/2011 18:25
    Sim, absolutamente de acordo quanto a influência kantiana. Porém, continuo totalmente em desacordo com o autor quando este afirma que Mises simplesmente adotou a teoria dos juízos sintéticos a priori. Parece-me muito claro que Mises defende que as proposições da matemática, da lógica e da praxeologia são proposições analíticas, mas que implicam um conhecimento relevante. \r
    \r
    Os próprios argumentos de Hoppe no sentido de que Mises desenvolve a epistemologia kantiana, mostram que para Mises (mas não para Kant) o conhecimento apriorístico é analítico, a saber, está todo contido no conceito de ação. Mises não advoga juízos sintéticos a priori, mas juízos analíticos não-triviais (tautológicos), o que jamais passaria pela cabeça de Kant. \r
    \r
    \r
    \r
  • Foca Lisa  18/07/2011 11:08
    Não consigo divisar o propalado contraste entre o empirismo e o racionalismo. Ambos provém da caverna, da metafísica de Platão. Eles compõem a dialética, ao gáudio dos Trinta Tiranos de Atenas, em revesamento constante. O empirismo sofreu golpe mortal com Galileu e Newton. Mas o racionalismo logra ainda maior equívoco. A tendência natural das ideologias racionalistas é crer num mundo previsível, 'em princípio', em todos os seus aspectos. Elas são hostis à idéia de 'criatividade' (no sentido bergsoniano). O determinismo é aliado natural do racionalismo. Sua viciosidade peculiar é destruir próprio conhecimento que possivelmente viria salvá-lo de si próprio, ou seja, o conhecimento concreto ou tradicional. Um pedaço de matéria, que tomávamos como uma entidade persistente única, é na verdade uma cadeia de entidades, como os objetos aparentemente contínuos em um filme. E não há razão pela qual não possamos dizer o mesmo quanto à mente: o ego persistente parece tão fictício quanto o átomo permanente. Ambos são apenas uma cadeia de eventos que têm certas relações interessantes uns com os outros. "O racionalismo serve apenas para aprofundar a inexperiência a partir do qual ele foi originalmente gerado." (Giddens, A.: 39) A técnica exige previsibilidade e, em não menor grau, exatidão de previsão. Pelo racionalismo é necessário que a técnica prevaleça sobre o ser humano. A técnica precisa reduzir o homem a um animal técnico, rei dos escravos da técnica. Ao contrário do que informa a valiosa Wiki, a pretensão racionalista nada tem de liberal. "Em breve, certamente, daremos o último passo, e a autoridade da ciência se imporá de modo completo no domínio dos conhecimentos sociais. Então, chegaremos a fazer uma política racional, como já fazemos máquinas elétricas racionais, porque construídas unicamente sobre dados positivos, e não sobre tendências subjetivas." J. Novicow, 1910. Pensava-se que se pudéssemos conhecer todas as partículas e forças do universo seria possível prever exatamente todo o futuro do cosmo, mas as descobertas do século XX comprovaram que isto é impossível, devido não à nossa ignorância, mas à íntima natureza da realidade. Ao conhecimento não persiste "imperativo categórico", tal qual vislumbrado por Kant. "A ciência é um sistema de relações. Portanto, só nas relações se deve procurar a objectividade: seria inútil procurá-las nos seres considerados isoladamente uns dos outros." (POINCARÉ, J.H.)
  • Daniel  23/02/2013 13:27
    qual seria, por ventura, o impacto sobre às teorias de misses se fosse provado que o conhecimento não pode ser adquirido aprioristicamente?
  • anônimo  23/02/2013 15:46
    Derrubaria tudo.Só isso.
    Mas claro, depende de que tipo de conhecimento.
  • Emerson Luis  28/03/2016 10:40

    "Um teórico seguidor do apriorismo pode assim decidir antecipadamente (isto é, sem incorrer em experimentações sociais, ou ensaios e verificações) se uma determinada ação — medida política — irá gerar os efeitos desejados e prometidos."

    Um seguidor do socialismo não se deixa convencer nem pelo raciocínio apriorístico e nem pelo empirismo (as inúmeras tentativas mal sucedidas que "deturparam Marx"), a próxima experiência socialista com certeza vai dar certo!

    * * *


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