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O papel crucial da religião no desenvolvimento da ciência econômica

Quando comecei a estudar economia na década de 1940, havia um opressivo paradigma que dominava a abordagem que se fazia da história do pensamento econômico — um paradigma que ainda segue soberano, mas que já não é mais tão opressivo quanto já o foi. Essencialmente, esse paradigma caracteriza alguns poucos Grandes Homens como a essência da história do pensamento econômico, com Adam Smith sendo o fundador praticamente super-humano.

Porém, se Smith de fato fosse o criador tanto da análise econômica quanto da tradição do livre comércio e do livre mercado na economia política, seria trivial e mesquinho questionar seriamente qualquer aspecto de sua suposta façanha.  Qualquer crítica mais áspera tanto ao Smith economista quanto ao Smith defensor do livre mercado pareceria anacrônica: seria como se se estivesse menosprezando, com ares de superioridade, o fundador e pioneiro da ciência econômica, baseando-se injustamente no fato de que há hoje um melhor conhecimento da ciência econômica do que havia na época de Smith.  O crítico seria visto como um descendente insignificante que ataca injustamente os gigantes sobre cujos ombros ele se apóia.

Se Adam Smith criou a ciência econômica, então seus predecessores devem ser nulidades, homens sem nenhuma significância.  E foi assim que, nas clássicas descrições do pensamento econômico, não se perdeu tempo falando de ninguém que tenha tido o infortúnio de preceder Smith.  Geralmente, esses negligenciados eram agrupados em duas categorias, e então bruscamente rejeitados.

Imediatamente anteriores a Smith estavam os mercantilistas, os quais ele vigorosamente criticava.  Mercantilistas aparentemente eram tolos que continuamente exortavam as pessoas a acumular dinheiro mas não gastá-lo, ou insistiam que a balança comercial deveria sempre "estar em equilíbrio" com cada país.

Já os escolásticos do século XVI e XVII eram desprezados ainda mais rudemente como moralistas medievais ignorantes que insistiam em afirmar que o preço "justo" das coisas é aquele igual ao custo de produção de um comerciante mais um lucro razoável.

As obras clássicas sobre a história do pensamento econômico publicadas nas décadas de 1930 e 1940 passaram a expor e a celebrar amplamente algumas figuras de relevo que vieram após Smith.  David Ricardo sistematizou e organizou Smith, dominando a ciência econômica até a década de 1870; então os "marginalistas" Jevons, Menger e Walras corrigiram marginalmente a "economia clássica" de Smith e Ricardo ao enfatizarem a importância da unidade marginal em relação a toda a classe de bens tomados conjuntamente.

E então surgiu Alfred Marshall — que astutamente integrou a teoria ricardiana do custo à ênfase supostamente unilateral dada por Jevons e pelos austríacos à demanda e à utilidade — e criou a moderna economia neoclássica. Como Karl Marx não podia ser ignorado, ele foi tratado como um extravagante ricardiano.

E assim os historiadores eliminaram a história ao decidirem lidar com apenas quatro ou cinco Grandes Nomes, cada um dos quais, com a exceção de Marx, tendo contribuído elementos fundamentais para o progresso ininterrupto da ciência econômica, essencialmente uma história de passos progressivos e sempre ascendentes rumo à luz.  Ou, ao menos, é que eles nos levam a crer.

Nos anos posteriores à Segunda Guerra Mundial, Keynes obviamente foi acrescentado ao Panteão, criando um novo e culminante capítulo ao progresso e desenvolvimento da ciência.  Keynes, adorado aluno do grande Marshall, percebeu que seu professor, " em sua exclusiva ênfase na microeconomia, havia deixado de fora aquilo que mais tarde viria a ser chamado de "macroeconomia".

E assim Keynes "criou" a macroeconomia, concentrando-se no estudo e na explicação do desemprego, um fenômeno que todos os economistas anteriores a Keynes haviam deixado de fora da abordagem econômica porque todo o desemprego que ocorria até então era temporário, fruto de reajustes econômicos após prolongados períodos de expansão econômica.  Sem salário mínimo e sem pesadas regulamentações, a economia operava quase continuamente em "pleno emprego".

Desde então, o paradigma dominante tem sido em grande parte mantido, embora as coisas tenham recentemente se tornado um tanto nebulosas — afinal, a história dessa contínua marcha dos Grandes Homens requer a ocasional criação de novos capítulos finais.  A Teoria Geral de Keynes, publicada em 1936, já está hoje velha; pela lógica, deveria haver um novo Grande Homem para um novo capítulo final.  Mas quem?  Durante algum momento, Schumpeter, com sua moderna e aparentemente realista ênfase na "inovação", tornou-se candidato natural, mas essa ideia acabou naufragando, talvez porque perceberam que a obra fundamental de Schumpeter (ou "visão", como ele próprio colocou) com grande discernimento havia sido escrita mais de duas décadas antes da Teoria Geral.

Os anos após 1950 têm sido obscuros; está difícil para os historiadores encontrar um nome para dar continuidade a essa suposta evolução contínua da ciência econômica.

Minha própria visão acerca da grave deficiência dessa abordagem foi enormemente influenciada pela obra de dois esplêndidos historiadores do pensamento.  Um deles foi Thomas Kuhn, cuja famosa obra Estrutura das Revoluções Científicas desmontou em definitivo essa ideia de que a ciência está sempre se movendo para frente e para o alto.  Kuhn não ligava para economia, mas sim para o comportamento padrão de filósofos e historiadores da ciência, centrando-se em nas "ciências pesadas", como física, química e astronomia.

O outro foi meu orientador de dissertação, Joseph Dorfman, cuja incomparável obra de vários volumes sobre a história do pensamento econômico americano demonstrou conclusivamente o quão importante para o movimento das ideias são aqueles nomes considerados "menos importantes". 

Em primeiro lugar, toda a substância da história se perde quando tais figuras são omitidas, o que faz com que a história real seja falsificada pela seleção de — e pelo enfoque exclusivo sobre — alguns poucos e dispersos textos, que passam então a constituir a História do Pensamento.

Segundo, um grande número de figuras supostamente secundárias contribuiu enormemente para o desenvolvimento do pensamento — algumas de forma até mais acentuada do que alguns dos "principais" pensadores.  Disso decorre que características importantes do pensamento econômico são omitidas, e a teoria desenvolvida e apresentada se torna insignificante e improdutiva, quando não sem vida.

Pois se o conhecimento enterrado em paradigmas perdidos pode desaparecer e correr o risco de ter sido esquecido pelos historiadores do pensamento, então o estudo de escolas do pensamento e economistas mais antigos não deve ser feito apenas para propósitos antiquários ou para se examinar como a vida intelectual progrediu no passado; antes, os economistas mais antigos devem ser estudados pela suas importantes contribuições para os conhecimentos hoje perdidos e que, por isso mesmo, se tornam novos. 

Verdades valiosas podem ser aprendidas sobre a ciência econômica ao se analisar não apenas as últimas publicações acadêmicas, mas também os textos de pensadores econômicos mortos há vários séculos.

A importância da religião

Porém, tudo isso são meras generalizações metodológicas.  Eu apenas compreendi, de modo concreto, que uma sumariamente importante variedade de conhecimento econômico havia sido perdida ao longo do tempo quando descobri a grande revisão — desenvolvida nas décadas de 1950 e 1960 — da obra dos escolásticos espanhóis e portugueses.  A revisão pioneira surgiu dramaticamente na grande obra de Schumpeter, História da análise econômica, e foi desenvolvida nas obras de Raymond de Roover, Marjorie Grice-Hutchinson e John T. Noonan.

Ocorre que os escolásticos não eram simplesmente "medievais"; eles surgiram no século XIII e se expandiram e prosperaram ao longo do século XVI e até o século XVII, já na Idade Moderna.  Longe de serem teólogos cristãos moralistas preocupados com o custo da produção, os escolásticos acreditavam que o preço justo era qualquer preço que tivesse sido estabelecido pela "avaliação comum" do livre mercado.  E não apenas isso: longe de serem ingênuos teóricos que diziam que o valor das coisas dependia do "trabalho contido nelas" ou do custo da produção, os escolásticos podem ser considerados "proto-austríacos", pois foram os primeiros a apresentar uma sofisticada e subjetivista teoria utilitária do valor e dos preços.

Ademais, alguns dos escolásticos foram amplamente superiores à atual concepção formalista da microeconomia, ao desenvolverem uma dinâmica teoria "proto-austríaca" sobre o empreendedorismo.  Já em termos "macro", os escolásticos, começando com Jean Buridan e culminando nos escolásticos espanhóis do século XVI, desenvolveram uma teoria francamente "austríaca" ao invés de monetarista sobre moeda, preços, oferta e demanda.  Nessa teoria podem ser encontradas amplas discussões sobre a maneira como o dinheiro flui de uma região para outra, sobre como isso afeta os preços de maneira desigual e sobre a demora para que todos os preços sejam afetados.  Encontra-se até mesmo uma teoria que explica que variações na taxa de câmbio se devem a variações na paridade do poder de compra das moedas.

Não parece ser nenhum acidente que essa dramática revisão do nosso conhecimento sobre os escolásticos tenha sido trazida aos economistas americanos — não necessariamente estimados por seu profundo conhecimento de latim — por economistas europeus fluentes em latim, o idioma no qual os escolásticos escreveram.  Esse ponto aparentemente simples realça uma outra explicação para a perda de conhecimento no mundo moderno: o fechamento e o isolamento em um único idioma (fenômeno particularmente severo nos países anglófonos), algo que, desde a Reforma, causou uma ruptura na até então continental comunidade de acadêmicos europeus.

Para mim, o impacto do revisionismo escolástico foi complementado e fortalecido pela obra, durante as mesmas décadas, do historiador alemão e "austríaco" Emil Kauder.  Kauder revelou que o pensamento econômico dominante na França e na Itália durante o século XVII e especialmente durante o século XVIII também era "proto-austríaco", enfatizando a utilidade subjetiva e a escassez relativa como fatores determinantes para o valor das coisas. 

Partindo desse fundamento, Kauder avançou para uma surpreendente e espantosa constatação quanto ao papel de Adam Smith, constatação essa que segue diretamente de sua própria obra e da obra dos revisionistas dos escolásticos: Smith, longe de ser o fundador da ciência econômica, foi praticamente o seu oposto.  Smith na realidade descartou inteiramente a sólida e quase plenamente desenvolvida tradição proto-austríaca do valor subjetivo, e tragicamente desvirtuou a ciência econômica jogando-a para um caminho falso e nocivo, um beco sem saída do qual os austríacos tiveram de resgatá-la alguns séculos mais tarde.

Em vez de valor subjetivo, empreendedorismo e ênfase no real processo de precificação de mercado e na real atividade de mercado, Smith jogou tudo isso fora e substituiu esse conjunto por uma ilógica teoria do valor-trabalho e por um enfoque dominante no imutável equilíbrio de longo prazo do "preço natural".  A ciência econômica de Smith aparentemente se dava em um mundo onde o empreendedorismo simplesmente não existia.  Com Ricardo, essa trágica alteração de enfoque foi intensificada e sistematizada.

Se Smith não foi o criador da teoria econômica, tampouco foi ele o fundador do laissez faire na economia política.  Não apenas os escolásticos foram analistas e defensores do livre mercado, além de críticos da intervenção governamental, como também os economistas franceses e italianos dos séculos XVIII foram ainda mais laissez faire do que Smith, que introduziu vários lugares-comuns e adjetivos vazios em uma teoria que, nas mãos de franceses como A.R.J. Turgot e outros, já era quase que uma defesa pura do laissez-faire.  O fato é que, ao invés de alguém a ser venerado como criador da moderna ciência econômica ou do laissez-faire, Smith estava mais próximo da caracterização feita por Paul Douglas em 1926, na comemoração de 150 anos do lançamento de A Riqueza das Nações: um imprescindível precursor de Karl Marx.

A contribuição de Emil Kauder não se limitou ao seu retrato de Adam Smith como o destruidor de uma até então sólida tradição teórica econômica; também fascinante, senão mais especulativa, foi a avaliação de Kauder quanto à causa essencial de uma curiosa assimetria na evolução do pensamento econômico em diferentes países.

Por que será que, por exemplo, a tradição da utilidade subjetiva prosperou no Continente, especialmente na França e na Itália, sendo depois ressuscitada particularmente na Áustria, ao passo que as teorias de que o valor das coisas dependia do "trabalho contido nelas" ou do custo da produção surgiram especialmente na Grã-Bretanha?  Kauder atribuiu essa diferença à profunda influência da religião: os escolásticos, a França, a Itália e a Áustria eram católicos, e o catolicismo enfatiza que o consumo é o objetivo da produção, e que a satisfação (utilidade) e o prazer do consumidor — pelo menos com moderação — são atividades e objetivos valorosos.

A tradição britânica, ao contrário, a começar pelo próprio Smith, era calvinista, e refletia a ênfase calvinista no trabalho duro e exaustivo como sendo não apenas algo bom, mas também um grande bem em si mesmo, ao passo que o prazer oriundo do consumo é, na melhor das hipóteses, um mal necessário, um mero requisito para se dar continuidade ao trabalho e à produção.

Embora Smith fosse um calvinista 'moderado', ele não obstante era um calvinista convicto; e é possível concluir que essa ênfase calvinista pode explicar, por exemplo, a enigmática e ilógica defesa de Smith das leis da usura, algo que não condizia com sua própria teoria.  Outra atitude de Smith que pode ser explicada por sua fé calvinista foi a alteração que ele fez na teoria econômica que herdou: o valor das coisas não mais era determinada pelos consumidores arbitrários e adoradores do luxo, mas sim pelo virtuoso trabalhador que embute as suas horas de trabalho árduo no valor do seu produto material.

Mas se os desvios de Smith podem ser explicados pelo calvinismo, o que dizer do judeu convertido em Quaker [seita protestante fundada na Inglaterra no século XVII] David Ricardo, certamente nenhum calvinista?  Nesse ponto, são de extrema importância as pesquisas recentes sobre o papel dominante exercido por James Mill como mentor de Ricardo e principal fundador do "sistema ricardiano".  Mill era um escocês ordenado pastor presbiteriano e profundamente calvinista.  O fato de, mais tarde, Mill ter se mudado para Londres e se tornado agnóstico não teve efeito algum sobre a natureza calvinista das atitudes básicas de Mill em relação à vida e ao mundo.

A enorme energia evangélica de Mill, sua cruzada em prol das melhorias sociais, e sua devoção ao trabalho exaustivo (bem como à cognata virtude calvinista da frugalidade) eram reflexos de sua vitalícia visão de mundo calvinista.  A ressurreição do ricardianismo feita por John Stuart Mill, filho de James Mill, pode ser interpretada como sua pietista devoção à memória de seu dominante pai, e a banalização feita por Alfred Marshall das percepções austríacas, as quais ele incluiu em seu próprio esquema neo-ricardiano, também adveio de um neo-calvinista altamente moralista e evangelista.

Inversamente, não é nenhum acidente que a Escola Austríaca, a principal desafiante da visão de Smith e Ricardo, tenha surgido em um país que não apenas era solidamente católico, como também possuía valores e atitudes que ainda eram fortemente influenciados pelos pensamentos aristotélicos e tomistas.  Os precursores alemães da Escola Austríaca surgiram não na Prússia protestante e anti-católica, mas sim naqueles estados alemães que ou eram católicos ou estavam politicamente aliados à Áustria ao invés da Prússia.

A economia de Calvino e do calvinismo

As visões econômicas e sociais de João Calvino eram bastante semelhantes às de Lutero, com apenas dois principais pontos de diferença: suas visões sobre a usura e o conceito de "vocação", embora esta última diferença seja mais pronunciada para os calvinistas puritanos do século XVII.

A principal contribuição de Calvino à questão da usura foi ter tido a coragem de abolir a proibição.

Este filho de um importante funcionário público municipal tinha desprezo pelo argumento aristotélico de que o dinheiro era estéril.  Uma criança, dizia Calvino, sabe que o dinheiro só é estéril quando trancado em algum lugar; porém, quem no seu juízo perfeito pega dinheiro emprestado para deixá-lo parado?  Comerciantes pegam emprestado para obter lucros em suas compras, e assim o dinheiro torna-se frutífero.

Quanto à Bíblia, a famosa injunção de Lucas apenas ordena generosidade para com os pobres, ao passo que a lei hebraica do Velho Testamento não é mais obrigatória na sociedade moderna.  Para Calvino, portanto, a usura é perfeitamente lícita, desde que não seja cobrada em empréstimos aos pobres, os quais seriam penalizados por tais pagamentos.  Da mesma forma, qualquer limite máximo legal deve, obviamente, ser obedecido.  E, finalmente, Calvino afirmava que ninguém deveria ser um agiota profissional.

O resultado bizarro disso tudo foi que, ao cobrir de requisitos sua doutrina explicitamente pró-usura, Calvino na prática convergia para as mesmas visões adotadas por escolásticos como Biel, Summenhart, Cajetan e Eck.  Calvino começou com uma abrangente defesa teórica da cobrança de juros e depois recuou ao impor requisitos a serem obedecidos; os escolásticos liberais começaram com a proibição da usura e então passaram a fazer várias ressalvas de quando ela poderia ser praticada.

Porém, embora na prática os dois grupos convergissem e os escolásticos, ao descobrirem exceções à proibição da usura e elaborarem em cima delas, fossem teoricamente mais sofisticados e frutíferos, a ousadia de Calvino ao quebrar a proibição formal à usura representou uma ruptura libertadora para o pensamento e para a prática ocidental.  Ela também retirou da Igreja ou do estado a responsabilidade de ministrar ensinamentos sobre a usura e a jogou para a consciência individual. 

Uma diferença mais sutil, porém talvez tendo uma maior influência de longo prazo no desenvolvimento do pensamento econômico, foi o conceito calvinista de "vocação".  Esse novo conceito era embrionário em Calvino e foi desenvolvido mais detalhadamente por calvinistas posteriores, especialmente pelos puritanos do final do século XVII.  Historiadores econômicos mais antigos, como Max Weber, exageraram bastante a respeito do conceito calvinista de "vocação" em contraposição aos conceitos luterano e católico.  Todos esses grupos religiosos enfatizavam o mérito de se ser produtivo em seu trabalho ou ocupação, a "vocação" de vida da pessoa. 

Mas há, especialmente nos puritanos da época de Adam Smith, a ideia de que o sucesso na vocação do indivíduo é um sinal visível de que ele é um membro dos eleitos, um predestinado.  O sucesso deve ser batalhado e obtido não para provar que se é um membro dos eleitos destinado a ser salvo, mas sim porque — e assumindo que um indivíduo faz parte dos eleitos pela virtude de sua fé calvinista — o esforço para trabalhar e ser bem sucedido é algo a ser feito pela glória de Deus.  A ênfase calvinista à postergação da satisfação terrena levou a uma ênfase particular ao ato de poupar e viver frugalmente.  Trabalhar e poupar, pelo bem em si dessas atitudes, ou pelo bem de Deus, foram enfatizados pelo calvinismo de maneira muito mais intensa do que pelas outras correntes do cristianismo.

Sendo assim, o enfoque tanto nos países católicos quanto no pensamento escolástico se tornou muito diferente do enfoque calvinista.  O enfoque escolástico estava no consumo, o consumidor, como o objetivo final do trabalho e da produção.  O trabalho não era um bem em si mesmo, mas apenas um meio de se possibilitar o consumo no mercado.  O equilíbrio aristotélico, o meio-termo áureo, era considerado um requisito para uma boa vida, uma vida que levasse à felicidade em harmonia com a natureza do homem.  E uma vida equilibrada deveria enfatizar os prazeres do consumo e do lazer, bem como a importância do esforço produtivo.

Em contraste, uma ênfase um tanto severa e sombria no trabalho e na poupança começou a ser intensificada na cultura calvinista.  Esta rejeição da importância do lazer, obviamente, caiu bem à iconoclastia que atingiu seu ápice no calvinismo — a condenação ao divertimento como sendo uma maneira de expressar devoção religiosa.  Uma das expressões deste conflito veio com os feriados religiosos, que os países católicos desfrutavam em abundância.  Para os puritanos, isso era idolatria; mesmo o Natal não deveria ser uma ocasião para um sensato divertimento.

Tem havido muita contestação à "tese de Weber", proposta pelo historiador econômico e sociólogo alemão Max Weber, no início do século XX, a qual atribui o surgimento do capitalismo e da Revolução Industrial ao conceito calvinista de vocação e o resultante "espírito capitalista".  Não obstante todas as suas prolíficas observações, a tese de Weber deve ser rejeitada em vários aspectos. Primeiro, o capitalismo moderno, em qualquer acepção significativa do termo, começou não com a Revolução Industrial dos séculos XVIII e XIX, mas sim na Idade Média, particularmente nas cidades-estados da Itália.  Exemplos de racionalidade capitalista como o método das partidas dobradas e várias outras técnicas financeiras também surgiram nestas cidades-estados italianas.  Todas eram católicas.

Com efeito, foi em um livro contábil florentino de 1253 que foi encontrada a clássica fórmula pró-capitalista: "Em nome de Deus e do lucro".

Nenhuma outra cidade foi um centro financeiro e comercial tão vibrante quanto a Antuérpia no século XVI, um centro católico.  Nenhum outro homem brilhou tanto como financista e banqueiro como Jacob Fugger, um bom católico do sul da Alemanha.  Não apenas isso: Fugger trabalhou toda a sua vida, recusando-se a aposentar, e anunciou que "ganharia dinheiro enquanto pudesse".  Um primoroso exemplo da "ética protestante" weberiana vindo de um sólido católico! 

Por outro lado, embora seja verdade que as áreas calvinistas da Inglaterra, França, Holanda e das colônias da América do Norte prosperaram, a solidamente calvinista Escócia permaneceu uma área atrasada e pouco desenvolvida, mesmo até hoje.[1]

Porém, mesmo que o enfoque na vocação e no trabalho não tenha criado a Revolução Industrial, ele pode muito bem ter gerado outra grande diferença entre países calvinistas e católicos — a crucial diferença no desenvolvimento do pensamento econômico.  A brilhante especulação do professor Emil Kauder quanto a isto irá pautar o restante deste artigo.  Segundo Kauder:

Calvino e seus discípulos colocaram o trabalho no centro de sua teologia social ... Todo o trabalho da sociedade está investido de aprovação divina.  Qualquer filósofo social ou economista exposto ao calvinismo estará tentado a conferir ao trabalho uma posição sublime em seu tratado econômico ou social, e não há melhor maneira de exaltar o trabalho do que combiná-lo à teoria do valor, tradicionalmente a própria base de um sistema econômico.  Assim, o valor se torna valor-trabalho, algo que não é meramente um aparato científico para mensurar preços, mas também a amarra espiritual que combina a vontade divina à economia cotidiana.[2]

Em sua glorificação do trabalho, os calvinistas concentraram-se na diligência sistemática e contínua, em um curso estabelecido para o trabalho.  Assim, o teólogo inglês puritano Samuel Hieron opinou "Aquele que não possui um empreendimento honesto no qual estar ordinariamente empregado, que não possui um curso determinado ao qual ele possa se entregar, não tem como agradar a Deus."

Particularmente influente foi acadêmico da Universidade de Cambridge do início do século XVII, reverendo William Perkins, que se esforçou para traduzir a teologia calvinista para a prática inglesa.  Perkins denunciou quatro grupos de homens que "não possuem nenhuma vocação em particular para seguir": pedintes e vagabundos; monges e frades; cavalheiros que "passam seus dias comendo e bebendo"; e criados, que supostamente passam o tempo esperando.  Todos estes elementos eram perigosos porque indefinidos e indisciplinados.  Particularmente perigosos eram os andarilhos, que "evitavam a autoridade de todos".  Além disso, acreditava Perkins, a "preguiçosa multidão estava sempre inclinada ... às opiniões papais, sempre mais dispostas a se divertir do que a trabalhar; seus membros não encontrarão o caminho para os céus.[3]

Em contraste à glorificação calvinista do trabalho, a tradição aristotélica-tomista era bem diferente:

Em vez do trabalho, uma moderada busca pelo prazer e pela felicidade forma o centro das ações econômicas, de acordo com a filosofia aristotélica e tomista.  Um certo hedonismo equilibrado é parte integrante da teoria aristotélica para uma boa vida.  Se o prazer em forma moderada é o propósito da economia, então, seguindo-se o conceito aristotélico da causa final, todos os princípios econômicos, inclusive a valoração, devem ser derivados deste objetivo.  De acordo com esse padrão aristotélico-tomista de pensamento, a valoração tem a função de mostrar quanta satisfação pode ser derivada dos bens econômicos.[4]

Consequentemente, a Grã-Bretanha, fortemente influenciada pelo pensamento e pela cultura calvinista e sua glorificação do mero esforço do trabalho, desenvolveu uma teoria do valor-trabalho, ao passo que a França e a Itália, ainda influenciadas pelos conceitos de Aristóteles e São Tomás de Aquino, continuaram a ênfase escolástica sobre o consumidor e sua valoração subjetiva como fonte do valor econômico. 

Embora não haja como comprovar esta hipótese conclusivamente, a constatação de Kauder possui grande mérito em explicar o desenvolvimento comparativo do pensamento econômico na Grã-Bretanha e nos países católicos da Europa após o século XVI.

Ignorar o ponto de vista religioso, bem como a filosofia política e social, pode gerar desastrosas distorções a respeito de qualquer descrição da história do pensamento econômico.

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Notas

[1] O fato de que somente o calvinismo tardio desenvolveu essa versão da vocação indica que Weber pode ter invertido a sua teoria de causa e consequência: o crescimento do capitalismo pode ter levado a um calvinismo mais adaptável, e não o inverso.  A abordagem de Weber se sustenta melhor ao se analisar aquelas sociedades, como a China, cujas atitudes religiosas parecem ter enfraquecido o desenvolvimento econômico.  Para isso, veja a análise da religião e do desenvolvimento econômico da China e do Japão feita pelo weberiano Norman Jacobs, The Origin of Modern Capitalism and Eastern Asia (Hong Kong: Hong Kong University Press, 1958).

[2] Emil Kauder, A History of Marginal Utility Theory (Princeton, NJ: Princeton University Press, 1965), p. 5.

[3] Michael Walzer, The Revolution of the Saints: A Study in the Origins of Radical Politics (Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1965), p. 216; see also pp. 206-26.

[4] Kauder, op. cit., note 7, p. 9.


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autor

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.


  • Guilherme  28/06/2011 10:17
    Bom artigo.

    Mas por que você não citou ali em cima a publicação original?
  • Leandro  28/06/2011 10:27
  • Felipe  29/10/2014 13:54
    Leandro,

    Existe algum projeto para temos esses dois livros traduzidos?

    - Austrian Perspective on the History of Economic Thought
    - man, economy and state

    Obrigado.
  • Leandro  29/10/2014 14:29
    Isso é com a alta cúpula. Mas parece que o MES está em processo de tradução.
  • João Celidonio  28/06/2011 14:47
    Alguém pode fazer um breve comentário sobre esse artigo? Li e achei muito estranho. Não tenho base para criar opinar a respeito.

    omundoemmovimento.blog.uol.com.br/arch2011-06-01_2011-06-30.html

  • Fernando Chiocca  28/06/2011 15:19
  • Pedro  29/06/2011 14:43
    O artigo citado acima não mente, realmente parece haver um papel muito importante do lucro das montadoras no preço dos automoveis. Porém para explicar isso devemos voltar ao processo de formação de preços. Quem determina o preço é o mercado e se os carros aqui no Brasil estão mais caros (tirando o efeito dos impostos, é claro) é porque o consumidor aqui está disposto a pagar mais, porque o preço de mercado é esse.

    Agora porque isso? Porque muitas pessoas nem sequer olham o preço dos carros, elas simplesmente verificam se a prestação cabe em seu orçamento e compram, a expansão da demanda por veiculos, provocadas pela facilidade do crédito também contribui com isso. Se as pessoas não estivessem comprando e se realmente os lucros tem um papel muito significativo as empresas iriam diminuir o preço dos seus veiculos, caso contrário os carros não seriam vendidos.

    Meu professor de adm (que faz consultoria para montadoras) já dizia: Há acessórios que custam apenas 100 reais para a montadora incluir no veiculo, mas o cliente está disposto a pagar 500 reais a mais por ele, se não tivesse, então esses 500 reais deveria diminuir.
  • Pedro Mundim  28/06/2011 20:10
    A religião é a moral de um mundo estático. A interferência da religião na Ciência e na Economia representou um atraso na História da Humanidade, a ponto ser a extinção dessa influência uma extraordinária conquista do Mundo Ocidental, sem dúvida associada ao progresso que se verificou no Ocidente. Ao imiscuir-se na Ciência, retardou o progresso científico nos países católicos (lembram-se de Galileu?).

    Seria bom se a religião pudesse se adequar facilmente aos novos tempos, mas não pode. Isso decorre da maneira como a pregação religiosa é ministrada. Uma vez que argumentos de ordem filosófica só seriam compreendidos por uma minoria instruída, e a religião tem que valer para todos, a solução é colocar os ensinamentos religiosos na forma de dogmas cuja veracidade não há necessidade de demonstrar. Estes dogmas devem ser convenientemente ditados por uma entidade supra-humana, e aceitos sem discussão pelos devotos. Mas um dogma, por definição, é imutável. Não pode ser alterado, ou deixa de ser dogma, e com isso desmoraliza todo o edifício da crença. Desta forma, o terreno da religião fica restrita somente àquilo que, dentro da ética e da moral, é permanente e imutável. Resta saber se realmente existem coisas que são permanentes e imutáveis.
  • Carlos Araujo  09/12/2011 19:27
    Esse nunca ouviu falar de São Tomás de Aquino.
  • Absolut  09/12/2011 20:14
    Ao imiscuir-se na Ciência, retardou o progresso científico nos países católicos

    "Na Ciência" = no intervencionismo?

    Lembram-se de Galileu?

    Uhm, sei, aquele cientista que nasceu, viveu e morreu católico?
  • Marcelo  29/06/2011 00:52
    Pedro, deixa de ser palpiteiro.

    Sobra a história de Galileu: www.youtube.com/watch?v=Gpuz3LEny28
  • Fernando  29/06/2011 16:56
    MUITO OBRIGADO!!!!!!!!!! Documentário muito bom :D
  • Rafael  09/12/2011 16:25
    Senhores, boa noite.

    Quando escuto ou leio pessoas falarem que a religião isso e a religião aquilo, estas se esquecem de que a religião é origem de civilizações! No caso do cristianismo e, mais especificamente, do catolicismo, exigir que a doutrina mude é não perceber - ou perceber, mas demonstrar baita má fé - que a própria civilização sofreria alterações. Dois mil anos de história postos abaixo com apenas um comentário de internet. Haja pretensão!

    Abraços.

    Rafael.
  • Rhyan  29/06/2011 10:19
    Quando alguém faz ciência, não importa sua opinião religiosa. Cético é aquele que utiliza o pensamento científico no seu dia-a-dia, fora do laboratório também.

    Por mais que as religiões tenham feito coisas boas, isso nunca servirá como evidência que suas doutrinas sobrenaturais sejam verdadeiras.

    Não há nenhuma evidência cientificamente aceita de vida após a morte.

    Quando alguém ganhar o desafio do James Randi, eu mudo de idéia na hora. Mas esse desafio já dura quase 10 anos e ninguém nem passou dos exames preliminares.

  • Absolut dicionário  29/06/2011 14:31
    [b]Não há nenhuma evidência cientificamente aceita de vida após a morte.[/]

    Defina "vida".
  • Rhyan  29/06/2011 16:12
    A biologia define.
  • João  29/06/2011 16:29
    E como a Biologia a define? Parece um conceito simples, mas não é tão simples quanto parece.
  • Rhyan  29/06/2011 17:00
    Quer chegar onde, João?
  • Robson Cota  29/06/2011 18:45
    Rhyan, a religião define a "vida" da mesma forma que a ciência?

    Se não, é impossível dizer que a religião está equivocada com base na ciência, se as duas usam conceitos diferentes.
  • Rhyan  29/06/2011 21:03
    A religião? Existem centenas de religiões e várias vertentes. Claro, nenhuma delas é baseada na evidência. Não faz a mínima diferença o que uma religião diz sobre o que é vida, a bíblia diz que morcego é avé, que coelhos ruminam, que as plantas surgiram antes do Sol e etc.. Igrejas defendiam o geocentrismo e o criacionismo.

    Se as religiões, as igrejas, e os livros mitológicos erraram tanto sobre diversos temas, por que estariam certo sobre temas sobrenaturais e temas futuros?

  • Absolut  30/06/2011 20:27
    A Bíblia não é um tratado de biologia, astronomia ou geologia. (A não ser para os livre-examinadores, como o Rhyan)
  • Rhyan  01/07/2011 10:49
    A bíblia é um livro mitológico cheio de fantasia. Tem gigantes, tem jumenta falante, tem dragões, tem pessoas que vivem por mais de 1000 anos, pessoas que ressucitam, e muitas outras coisas.

  • Leninmarquisson da Silva  30/06/2011 23:06
    "Se as religiões, as igrejas, e os livros mitológicos erraram tanto sobre diversos temas, por que estariam certo sobre temas sobrenaturais e temas futuros?"

    Quanto às outras, eu não sei, mas me dê um exemplo de onde a bíblia erra:

    Isaías 40:22 "Ele é o que está assentado sobre o CÍRCULO DA TERRA".
    O campo gravitacional: Jó 26:7, 38:4, 6 - Jó 26:7 ". e suspende a Terra sobre O NADA".

    Por algum motivo misterioso o Catolicismo ignorou isso.

    Não sei quanto às outras religiões, mas o Cristianismo traz profecias que estão se concretizando, principalmente em relação ao governo mundial da ONU e as catástrofes mundiais.
    Como se explica isso eu não sei. Se vivessemos na Oceânia de "1984", poderiamos dizer que a bíblia foi adulterada pelo MiniTrue para se encaixar à realidade. Mas não vivemos. Ela é um livro escrito há mais de 2000 anos atrás por pessoas diferentes em épocas e lugares diferentes.

    Agora, confiar somente na limitada e pretenciosa "Ciência humana" é sofrer do "fanatismo politicamente correto".

    Se vc acredita em Deus, é fanatismo. Mesmo que vc tenha a bíblia à mão para comparar o que o padre te disse com o que realmente está escrito lá;
    Agora, quando a ciência diz que fumo faz mal, vc acredita, mesmo quando vc descobre que as pessoas vivem mais nos países onde mais se consome cigarro, e isso não é fanatismo.
    Criou-se um escudo que blinda a ciência de qualquer crítica. Agora só vale a opinião da ciência, mesmo sobre assuntos que ela não tem a mínima condição de estudar.

    Bom, mas o melhor exemplo da credibilidade da ciência se dá pelos membros do IPCC e a teoria do aquecimento global...
  • Paulo Sergio  10/12/2011 10:17
    'Cético é aquele que utiliza o pensamento científico no seu dia-a-dia, fora do laboratório também.'

    Se os céticos fossem coerentes eles não acreditariam que as outras pessoas tem consciência, porque não existe nenhuma evidência científica disso.Nem a neurociência sabe o que é a consciência.
  • Paulo Sergio  10/12/2011 11:02
    Fora que também eles falam que só acreditam nas coisas que tem evidências, mas a própria filosofia e o critério pra decidir o que é ou não uma evidência se baseiam em princípios básicos sem evidência nenhuma, que são só aceitos intuitivamente.

  • anônimo  14/12/2011 03:41
    Por exemplo, a lógica?
  • Paulo Sergio  14/12/2011 04:28
    Sim, sendo que isso que a gente chama de lógica também é uma coisa ingenuamente cartesiana, também é uma forma imperfeita de entender a realidade porque na natureza nem tudo é cartesiano e lógico.Física quantica por ex é a coisa mais absurda, mais ilógica que vc pode imaginar, mas é o que a maioria dos cientistas hoje afirmam que é o certo.
  • anônimo  14/12/2011 04:55
    Qual seria a alternativa à lógica? Seria algo transcendental à razão?
    Porquê? Segundo quais critérios? Sobre quais fundamentos? Novamente porquê?
    Minhas dúvidas são reais, fico feliz se puder respondê-las.
  • anônimo  14/12/2011 05:04
    Esqueci de perguntar: porque a lógica cartesiana é ingênua e deve ser descartada?
  • Rhyan  29/06/2011 16:15
    Ora, islâmicos já contribuiram muito com a ciência. Governos já contribuiram muito com a ciência. Isso não prova nada.

    Não há nenhuma contribuição da fé para a ciência.
  • Fernando  29/06/2011 17:10
    Poxa cara!! Pelo visto Nem esse artigo o senhor leu, porque ele trata justamente da influência da fé sobre a economia !!!!!!!!!
  • Rhyan  29/06/2011 21:05
    Eles não usaram a fé para fazer ciência. Isso nunca aconteceu.
  • francisco baldassini  19/07/2011 18:47
    Caro Rhyan

    Você poderia citar alguns fontes em que se fundamenta para dizer categoricamente "Eles não usaram a fé para fazer ciência. Isso nunca aconteceu"?

    Pois as fontes que tenho estudado mostram justamente o contrário. Aliás, o próprio artigo acima demonstra isso. Por exemplo, Alexandre Koyré, Francis Yates, Paolo Rossi, Christopher Dawson...

    Att
    Francisco
  • Rhyan  21/07/2011 08:42
    Desconheço completamente uma forma de fazer ciência baseada na fé. Pode me dar um exemplo, Francisco?

    Qual avanço científico foi achado por meio da fé?
  • Paulo Sergio  10/12/2011 09:51
    'There is no logical way to the discovery of elemental laws. There is only the way of intuition, which is helped by a feeling for the order lying behind the appearance.'
    Albert Einstein.
  • void  29/06/2011 21:35
    Vejo essa necessidade de alguns crentes em colocar o mérito sobre a fé como algo idêntico a dizer, por exemplo, que o socialismo é anti-autoritário, porque Orwell, um socialista, escreveu 1984.
  • Paulo Sergio  11/12/2011 02:43
    'Não há nenhuma contribuição da fé para a ciência.'

    A própria noção de que a natureza segue certos princípios, que a mente humana pode compreender esses princípios e de que essa ordem não é infinitamente maleável, já é uma crença que inclui fé.
  • Green  24/01/2013 12:28
    Isto não é fé, é um axioma, coisa completamente diferente.

    "Na lógica tradicional, um axioma ou postulado é uma sentença ou proposição que não é provada ou demonstrada e é considerada como óbvia ou como um consenso inicial necessário para a construção ou aceitação de uma teoria. Por essa razão, é aceito como verdade e serve como ponto inicial para dedução e inferências de outras verdades (dependentes de teoria)."

    "Fé (do Latim fides, fidelidade e do Grego pistia[1] ) é a firme opinião de que algo é verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que depositamos nesta idéia ou fonte de transmissão."

    Em um axioma nós tomamos como verdade algo que PODEMOS constatar mas não podemos provar. Por exemplo, não podemos provar que o mundo que vemos e sentimos é real, mas postulamos que isto seja uma verdade absoluta com o objetivo de termos uma base para as deduções e inferências futuras.

    Na fé você diz que algo sobrenatural, que você não pode ver, constatar ou sentir é real porque sim e pronto.

    Comparar uma coisa com a outra é como querer dizer que uma pessoa que diz:
    "O mundo que eu vejo é real"
    E outra que diz:
    "O Homem-Aranha é real"
    Estão usando de argumentos igualmente válidos em ambas as observações.

    A religiosidade deste site é muito destrutiva. Não da pra confiar em alguém que acredita em homem mágico no céu para argumentar sobre economia.
  • anônimo  25/01/2013 10:42
    'um axioma ou postulado é uma sentença ou proposição que não é provada ou demonstrada e é considerada como óbvia ou como um consenso inicial necessário para a construção ou aceitação...'

    E quem foi que disse que é óbvia a idéia de que as leis da natureza possam ser compreendidas pela mente humana? Ou pior ainda, que existe consenso sobre isso?
    Se a gente ainda estivesse na idade média era até compreensível alguém pensar isso, mas hoje, depois da física quântica, do Cern...
    Quanto mais você sabe sobre a posição de uma partícula, menos você pode saber sobre o momentun dela. E vice versa.E agora? Concordas que não dá pra saber tudo? Se concorda você disse a mesma coisa, que achar que dá pra saber tudo pela ciência é um ato de FÉ sim, já que as evidências apontam na direção contrária

    'A religiosidade deste site é muito destrutiva. Não da pra confiar em alguém que acredita em homem mágico no céu para argumentar sobre economia.'

    Como é engraçado justamente um cético/ateu que se acha tão lógico, tão racional, vir com um argumentum ad hominen patético desses
  • Marcelo Aguiar Cerri  29/06/2011 18:53
    Pedro,

    Recomendo que vc assista ao programa inteiro de Thomas Woods, que foi citado pelo Marcelo logo acima.
    Também é válido notar que autor do texto que estamos comentando era ateu, se eu não me engano.

    Abs!
  • Robson Cota  29/06/2011 19:18
    O ponto do autor é que a cosmovisão católica, em contraposição à cosmovisão calvinista, explica o fato de que os pensadores oriundos de países católicos (sobretudo pré-Smith) terem contribuído para um teoria econômica mais correta.

    Porém percebi que essa análise está muito centrada na figura de Smith. O autor tenta atribuir a sua teoria do valor-trabalho à sua fé calvinista. É muito temerário chegar a esse tipo de conclusão. É um tipo de falácia no qual o autor tenta atribuir todas as idéias de uma pessoa com base apenas em sua religião.

    Ele diz também que os países católicos França e Itália já vinham de uma tradição laissez-faire oriunda de influência tomista. Mas a análise pára por aí, porque ele não explica a causa de os países protestantes calvinistas puritanos terem se desenvolvido MELHOR do que os católicos a partir do século XVIII.

    Falar que a Escócia era a mais solidamente calvinista, e por isso a mais atrasada entre os anglo-saxões é ignorar que os EUA TAMBÉM eram solidamente calvinistas no século XVIII, como também a Holanda, e esses dois alcançaram ótimos resultados.

    Ou seja, esse artigo de Rothbard nada mais é que um ATAQUE à cosmovisão calvinista e um elogio injustificado à tradição católica, mesmo que esta não tenha ajudado em nada no período pós-Smith.
  • Absolut teólogo  02/07/2011 13:09
    Robson, você é livre-examinador até em relação aos textos sobre Economia?
  • Victoria  03/10/2014 21:02
    E a Escócia ainda hoje tem PIB per capita maior que Espanha, Itália... Só é pouco desenvolvida em relação aos seus pares protestantes. Sou calvinista, e andei lendo uns textos de Rothbard sobre o calvinismo e não gostei muito. Se os países calvinistas se desenvolveram mais que os católicos, foi por um motivo: o calvinismo, justamente por causa do valor que dá ao trabalho e à poupança, é extremamente a favor da lassez faire. Calvinistas são, por exemplo, contra a ideia de um salário mínimo - pois tira do homem a escolha sobre seu trabalho, sua divina vocação - e contra vitimização, sendo que cada um é responsável pelo seu sucesso. Ou seja, o calvinismo é muito antagônico à esquerda. Além disso, como ele próprio disse, foi o calvinismo que tornou a usura uma questão de consciência pessoal, enquanto os escolásticos não o fizeram. Quero entender de onde é que veio, no calvinismo, alguma teoria anticapitalista.
  • 4lex5andro  22/02/2017 18:20
    Quando se retirou a figura do intermediário entre o crente e Deus, os escritos da reforma legaram a liberdade de pensamento (ir além das interpretações ''oficiais''), item necessário ao progresso e inovação.

    Foi o mérito do protestantismo clássico, valorando o trabalho em vez do consumo, e a importância dos meios tanto quanto os fins.

    P.s. Não ignorando os contributos (que existem) da tradição católica nos países onde imperou.

  • Tiago Moraes  02/07/2011 10:31
    É sério Robson? Foi essa a interpretação que você tirou do texto de Rothbard??

    O autor descreveu a importância da religião na formação do pensamento econômico e pesa tanto o catolicismo quanto o protestantismo na mesma balança, não existe aqui um ataque ao protestantismo e uma apologia descarada ao catolicismo, se você leu isso no artigo ou o html do teu browser travou e você não conseguiu ler o texto na íntegra ou você tem sérias dificuldades de interpretação textual. Nem eu que não sou muito fã de religião consegui ler o que você descreveu.

    O fato da religião ter um papel secundário nos dias de hoje (em que você vive) não significa que naquela época ocorria o mesmo, o peso e influência da religião na época descrita por Rothbard era superior inclusive ao poder dos Estados Nacionais, uma análise da conjuntura da época com desprezo a religião só porque o é atualmente é uma típica demonstração de anacronismo analítico. Além do mais, releia o texto e você irá ver que o Rothbard foi bem claro ao abordar o trabalho da sua principal fonte de referência como ESPECULATIVA.

  • Fernando  02/07/2011 13:48
    Acho que a base do texto foi mostrar que em dois países diferentes (França e Inglaterra) com pensamentos religiosos diferentes, tivemos resultados diferentes no campo econômico. Na Inglaterra as pessoas viam o trabalho como sua atitude correta diante de Deus, enquanto que na França desfrutar da vida é que era divino.

    O resultado é que a Inglaterra teve capacidade para produzir e gerar poupança enquanto que na França não. E todo mundo por aqui sabe que não existe produção de capital sem poupança.
  • Leandro  02/07/2011 14:05
    O objetivo do texto não é e nem poderia ser este. O artigo é simplesmente um trecho de uma obra extremamente volumosa, que analise todo o histórico da evolução do pensamento econômico.

    O artigo, escrito por um agnóstico, não tem nenhuma intenção de defender uma religião e criticar outra. Trata-se apenas de um apanhado sobre como a religião moldou a visão de mundo de determinadas pessoas e como isso influenciou o pensamento econômico da época.

    Visto hoje, pode parecer exagero imputar às religiões todo esse poder. Porém, vale lembrar que na época descrita pelo artigo (Idade Média), não ter uma religião era algo impensável. Não acreditar em Deus, então, era algo que simplesmente sequer era cogitado. Logo, hoje pode parecer absurdo, mas na época era praticamente impossível não levar a religião em conta na criação de qualquer teoria.

    Portanto, sim, as religiões tiveram um papel na moldagem do pensamento econômico que não pode ser ignorada.
  • francisco baldassini  21/07/2011 10:39
    Caro Rhyan...

    Primeiro que minha pergunta não foi essa. Continuo ainda querendo saber a respeito dos fundamentos "científicos" para você afirmar tal coisa: "Eles não usaram a fé para fazer ciência. Isso nunca aconteceu". Tem algum? Fora isso, foi continuar suspeitando de que não passas de um palpiteiro.

    "Qual avanço científico foi achado por meio da fé?" - o próprio artigo que estamos discutindo responde sua pergunta. Ou você não o leu?

    Mas há tantos exemplos.

    1. Fé de que o mundo possuí uma ordem intrínseca
    2. Fé de que a ordem intrínseca do mundo pode ser conhecida
    3. Fé de que o mundo não foi criado há cinco segundos atrás
    4. Fé de que o mundo não é uma entidade divina ou povoado por Deuses, mas uma realidade natural distinta de um Deus, como propõe a Fé e Dogma Cristão no primeiro Artigo do Credo (aliás, foi justamente esta fé uma das grandes responsáveis pelo avanço da ciência na modernidade, leia as fontes que citei e saberá disso)

    Palavras de Einstein

    "Nunca encontrei uma expressão melhor do que a 'religiosa' para definir a confiança na racional natureza da realidade e de sua peculiar acessibilidade à mente humana. Onde não há essa confiança, a ciência degenera, tornando-se uma procedimento sem inspiração"

    "O certo é que a convicção, semelhante ao sentimento religioso, da racionalidade ou inteligibilidade do mundo, está por trás de todo trabalho científico de uma ordem superior. Essa crença firme em uma mente superior que se revela no mundo da experiência, ligada a profundo sentimento, representa minha concepção de Deus"

    Palavras de Erwin Schrödinger

    "O quadro científico do mundo a minha volta é muito deficiente. Ele me dá muitas informações factuais, põe toda nossa experiência em uma ordem magnificamente coerente, mas mantém um horrível silêncio sobre tudo o que é caro ao nosso coração, o que é realmente importante para nós. Esse quadro não me diz uma palavra sobre a sensação de vermelho ou azul, amargo e doce, sentimentos de alegria e tristeza. Não sabe nada de beleza e fealdade, de bom e de mau, de Deus e de eternidade. A ciência, às vezes, finge responder a essas perguntas, mas suas respostas, quase sempre, são tão tolas que não podemos aceitá-las seriamente. A ciência é reticente também quando se trata de uma pergunta sobre a grande Unidade da qual nós, de alguma forma, fazemos parte, à qual pertencemos. Agora, em nosso tempo, o nome mais popular para isso é Deus, com D maiúsculo. A ciência tem sido, costumeiramente, rotulada de ateísta e, depois de tudo o que já dissemos, isso não é de surpreender. Se o quadro do mundo da ciência não contém beleza, alegria, tristeza, se personalidade foi eliminada dele, por comum acordo, como poderia conter a idéia mais sublime que se apresenta à mente humana?"



  • Rhyan  21/07/2011 18:52
    Você usa a palavra "fé" para um tipo de crença sobre a realidade, e não fé religiosa.

    A Ayn Rand, se não me engano, também chegou a essas conclusões sobre a realidade. Agora pergunta pra ela se ela tem fé. Num vídeo um entrevistador pergunta isso a ela, ela diz que não tem fé, e sim convicção na sua razão.

    A religião é totalmente desnecessária à ciência. Ainda mais hoje em dia.

    Sobre as citações, eu já vi várias citações falsas de Einstein, sobre religião e até sobre espiritismo.

    Um cientista pode ser religioso, e ainda assim, ser um ótimo cientista. Mas dizer que ciência e religião se misturam é um absurdo.

    Pra começar existem várias religiões, vários deuses, várias vertentes.
  • francisco baldassini  21/07/2011 19:59
    Caro Rhyan

    Se você prestasse atenção ao que lê,a respeito de disso: "Você usa a palavra 'fé' para um tipo de crença sobre a realidade, e não fé religiosa". Leia meu item 4. E as referências que citei no primeiro comentário.

    Ayn Rand é tão pequena em filosofia que nem vale a pena o esforço, seu "Objetivismo" é vulgar. Aliás, o próprio Rothbard a colocou no devido lugar.
    A respeito da sua "convicção na razão", isso não explica nada, Ayn Rand é um péssimo exemplo no que diz respeito à religião, afinal, era uma preconceituosa descabelada. Não à toa sua polêmica com William Buckley Jr. Mas esses são detalhes que não vale a pena discutir.

    Você se esquivou e ainda não respondeu minha pergunta. Mas eu cito minhas fontes, sobre Einstein você pode consultar o estudo do Físico Max Jammer. "Einstein e a Religião", pela Contraponto.

    Um cientista pode ser religioso, e ainda assim, ser um ótimo cientista. Mas dizer que ciência e religião se misturam é um absurdo

    Não mude o foco da nossa discussão. Primeiro, eu não está em jogo dizer que a religião e ciência se mistura. Eu mesmo defendo, epistemologicamete falando, uma distinção entre as duas.

    No entanto, o que estamos discutindo é o quanto a fé em Deus ou a fé religiosa influencia na ciência, não é mesmo? Você está fugindo do assunto... e ainda não explicou sua afirmação: "Eles não usaram a fé para fazer ciência. Isso nunca aconteceu"! Prove-me cientificamente a veracidade dessa frase!

    Att
    F.
  • Rhyan  02/08/2011 06:53
    Francisco,

    O quarto item descarta as religiões politeístas. E baseia-se na mitologia cristã.

    Não sei porque o monoteísmo está correto, nem porque o cristianismo é verdadeiro.

    Sobre a frase, só quis dizer que na ciência não entra misticismo, pensamento mágico e superstições religiosas.
  • Rhyan  02/08/2011 07:03
    Francisco,

    1. A aparente ordem que existe é apenas uma alucinação da mente humana. É resultado das forças da natureza, física e química. Desconhecemos outros universos com outras forças naturais para comparação. É possível afirmar que há muita desordem no mundo, em vários sentidos.

    2. Tudo pode ser estudado.

    3. Isso já um debate sobre a realidade e metafísica. Ayn Rand contribuiu com esse debate.

    4. Já escrevi sobre esse item.
  • Paulo Sergio  14/12/2011 04:53
    '2. Tudo pode ser estudado.'

    Até isso já é um ato de fé.

  • josiberto  21/07/2011 11:10
    Acho que o Rhyan se referia a fé das religiões, em Deus. É você (francisco) se refere a fé nas nossas convicções. são coisas diferentes ao meu ver.
  • francisco baldassini  21/07/2011 11:43
    Caro Josiberto,

    Item 1, 2 e 4, por favor!
  • anônimo  27/07/2011 21:47
    Rhyan,

    "Não há nenhuma evidência cientificamente aceita de vida após a morte."

    Também não há nenhuma evidência cientificamente aceita de que não há vida após a morte.

    O seu argumento se anula.
  • josiberto  27/07/2011 22:33
    Anônimo

    Se a prova da existência da fada-do-dente não existe, não podemos afirmar que ela não exista por que a prova que ela não existe também é inexistente. É valido?

    Seguinte: Uma coisa não pode ser ao mesmo tempo premissa e objeto de análise, isso é outra contradição. Se alguém quer tomar algo por premissa essa coisa precisa ser:

    a) Axiomática(Auto-evidente).
    b) Provada com evidencias.

    Apenas no caso de A é possível ter um principio, em B é necessário outro principio.
  • Rhyan  02/08/2011 06:36
    Quando vejo a pergunta "Qual a falácia mais idiota?" eu sempre penso na "Inversão do Ônus da Prova".
  • Angelo T.  02/08/2011 09:28
    Uma falácia bem comum que vejo por aí é a falácia ad ignorantiam. O que a torna interessante é o fato de geralmente ser usada por pessoas versadas em lógica.
    Um exemplo dela:
    "Até o momento não há evidências de vida após a morte. Logo, vida após a morte não existe."
  • Rhyan  02/08/2011 10:17
    Não é uma certeza, é mas ou menos "segundo nosso conhecimento atual não existe vida após a morte". Da mesma forma que no nosso conhecimento atual não exista vida fora da Terra.

    As minúsculas evidências de vida após a morte foram colocadas em xeque por algumas pesquisas científicas, principalmente na área da neurologia. Um ex.: Experiências de Quase-Morte.

    Não é uma questão de ausência de evidência, e sim evidência de ausência.

    De qualquer forma "alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias".

    Como o ônus da prova é de vocês, boa sorte!
  • Angelo T.  02/08/2011 10:59
    Ryan, guarde suas garras para quem defende a vida após a morte. Não é o meu caso.

    Abraço.
  • Paulo Sergio  14/12/2011 04:46
    'Não é uma certeza, é mas ou menos "segundo nosso conhecimento atual não existe vida após a morte". Da mesma forma que no nosso conhecimento atual não exista vida fora da Terra.'

    Essa é uma conclusão burra e simplista, que vem de uma filosofia burra e simplista.
    No conhecimento de vcs não existe vida NENHUMA porque vcs não sabem o que é a vida.
    Vcs só relacionam certos fatos da biologia com onde já se sabe INTUITIVAMENTE onde é que existe vida.
    Não sei se tu vai entender, ou se vai fingir que não entende mas...vamos lá...
    Se vc imaginar uma bola vermelha encima do teu monitor, onde é que está essa bola? Fisicamente ela não está lá, nos neurônios também não, nenhuma conexão de neurônios sai da tua cabeça, vai pra cima do monitor e cria a forma de uma bola ali.
    Então a bola existe? Se não existe como é que tu ta vendo ela? Ela só existe na sua consciência.O fato é que vc está vendo na sua frente a prova de que existe sim algo além da matéria, mas a filosofia simplista que os ateus acham o máximo te impede de concluir isso.

  • Mauro Mendes  28/07/2011 23:55
    Josiberto,

    Você está fugindo do plano da discussão, comparando um assunto sério debatido por grandes filósofos (vida após a morte) com fada do dente (debatido por...).

    Ademais o foco do artigo também foi desviado, pois se trata de discussão da contribuição da religião em relação a teoria econômica, e não de discussão sobre religião.
    Em respeito a todos e principalmente os articulistas, não tornarei a debater o assunto, ficando a sua replica livre.

    Abraços,

    Mauro Mendes



  • josiberto  29/07/2011 09:25
    O Anonimo ali que começou a falar besteira.Só comparei com fada-do-dente para vocês religiosos verem o quanto é ridículo usar este argumento. Mudando o nome dá fada por Deus, dá na mesma coisa.Concordo que discussão sobre religião aqui não dá.
  • francisco razzo  31/07/2011 16:33
    É verdade Josiberto...

    Como os grandes da filosofia (Platão, Agostinho, Tomas, Descartes, Leibniz, Kant etc) não viram que era só trocar "Deus" por "fada-do-dente" que todo problema estaria resolvido. Você é um gênio meu caro!

    Ridícula é a sua comparação e o jeito como fugiu da discussão inicial! Até agora estou esperando a prova científica de que a Religião, ou melhor, a fé não influenciou a ciência, sobretudo, a ciência econômica.
  • josiberto  31/07/2011 20:52
    Mauro Mendes

    Não fugi da discussão inicial, se ver meus comentários eu nem cheguei a entrar nela! concordo que a religião influencia o pensamento, influencia como qualquer ideologia. Agora e realmente R I D I C U L O acreditar sem qualquer prova cabível na existência dessa força superior chamada Deus. Quando foi que eu disse que estava resolvido, você não entendeu o que escrevi, leia tudinho antes de me chamar de Gênio. Acima de tudo entenda a minha logica para depois critica-la.Convido-o a vir no fórum Ateus.net lá poderemos ter uma melhor discussão sobre religião e Deus, Aqui nesse tópico é muito irrelevante falar sobre isso não acha?
  • Fernando Z  31/07/2011 22:19
    Sua discussão é muito pobre. Você fala de Deus como se o tal fosse uma coisa a ser provada, sendo está mais para experiência individual, uma relação.
    Se você quer falar de Deus, seja pelo menos honesto, é idiota demais exigir uma prova científica para algo que não cabe dentro do método científico.

    Quando vc entra no Ateus.net, e clica em sobre temos:
    André Cancian tem 29 anos e mora em Catanduva, SP. Formado em letras pela IMES-FAFICA, trabalha como escritor, tradutor e programador.
    Dorival R. Martins Jr, 54 anos, formado em Engenharia Civil, com especialização em Engenharia de Segurança, bacharel em Direito, já foi bancário e professor no nível médio e cursinhos pré vestibulares.
    Adriano Ogata, 33 anos, técnico em processamento de dados pela Unicamp, graduado em engenharia de computação pela EFEI e mestre em ciência da computação pela USP.
    Jairo de Souza Moura tem 25 anos. É professor de inglês formado em letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e atualmente é graduando em Direito na mesma universidade.

    Se os responsáveis pelo site nem se deram ao trabalho de estudar religião, que autoridade eles tem sobre o assunto??!?!?
    É evidente que isso é uma questão pessoal, tal como foi para Nietzsche. Não caia nessa!
  • francisco razzo  01/08/2011 16:39
    Caro Josiberto,

    Obrigado pelo convite ao Ateus.Net, mas tenho o meu próprio site a respeito do assunto. www.franciscorazzo.com.br ou dê uma olhada no teismo.net
    O pessoal do teismo.net, diferente do ateus.Net é realmente dedicado ao estudo acadêmico da epistemologia da Fé e da experiência religiosa como um todo.

    Como indicou bem o Fernando Z, sua atitude não é parece outra senão a de uma "religiofobia".


    Você diz:

    Agora e realmente R I D I C U L O acreditar sem qualquer prova cabível na existência dessa força superior chamada Deus. Quando foi que eu disse que estava resolvido, você não entendeu o que escrevi, leia tudinho antes de me chamar de Gênio.

    E olha o que você escreveu: "Só comparei com fada-do-dente para vocês religiosos verem o quanto é ridículo usar este argumento."

    Então vamos lá: qual argumento usa os religiosos do qual você acha ridículo? Você acha mesmo que a prova da existência de Deus está definitivamente refutada simplesmente por comparar "Deus" com "Fada-do-Dente" ou Pai Noel? Será que em anos de discussão filosófica a respeito do assunto nenhum filósofo daria conta dessa infantil comparação? Esse problema de comparar Deus com Fada-do-Dente, pra um bom leitor e conhecedor de história da filosofia, sabe que já foi resolvido, olha só, por um pagão no século V a.C, Xenófanes.

    Dizer que "a religião influencia o pensamento como qualquer ideologia" é outro problema a ser discutido. Não foi fosse realmente quem disse que não influencia, mas o Rhyan. Poderíamos abrir uma discussão a respeito do quanto "ideológica" é uma terminada religião e se, no caso do cristianismo, isso realmente vale. Ou melhor, como se mede o valor de uma ideologia? Aliás, como você reconhece que o seu ateísmo anti-religioso não é uma mera ideologia também?
  • josiberto  02/08/2011 09:55
    Ambos são mera ideologia.
  • Fernando Z  31/07/2011 18:10
    Que discussão idiota.... é evidente que a religião influencia na mente humana, logo influencia na ação humana logo influencia na economia. Isso não é óbvio???

    Pra mim isso está parecendo uma "religiofobia".
  • Rhyan  02/08/2011 06:38
    Influencia, com certeza, mas isso não quer dizer que a religião seja algo positivo ou verdadeiro.
  • Fernando Z  02/08/2011 16:28
    O que vc quer dizer com isso??? Você quer deixar no espaço que a religião é o contrário? Que é negativo e falso? Se não fosse a moderação já teria perdido a educação com vc cara. Vc está sendo um farsante, desonesto demais!!!

    As pessoas religiosas que eu conheço são MUITO superiores que as não religiosas. Os ambientes que eu frequentei que eram religiosos é MUITO superiores!! Cidades em que a religião tinha influencia em que tive a oportunidade de passar eram MUITO superiores.

    Qual é o seu problema hein cara? É raiva de alguém que é religioso que vc conhece? Qual é a sua?!?!

    Aliás, o que vc está fazendo aqui?!?!? Se você não sabe anti-religião é coisa de técnica comunista e você caiu que nem um patinho por causa do seu orgulhosinho.
  • Rhyan  02/08/2011 17:24
    Nossa perdeu a linha...

    Faça uma comparação entre os países com maior índice de descrença e os países com menor.

    Se isso não resolver, veja os índices de ateísmo dentro dos presídios e compare com o índice da população geral.
  • Fernando Z  02/08/2011 18:47
    Blz, fui novamente ao Ateus.net, busquei "índices"
    De cara me deparo com o seguinte artigo:
    Os ateus são mais inteligentes
    ateus.net/artigos/entrevistas/os-ateus-sao-mais-inteligentes/

    Pelos meu conhecimentos de psicologia, um artigo com esse título pode ser renomeado para:
    Eu sou mais inteligente! (a pessoa que escreveu)
    Daí já dá pra imaginar o que se segue...
    Ignorando a incrível vontade de jogar meu computador no chão eu clico no artigo.

    "ÉPOCA - E o Brasil, como está?
    Lynn - O Brasil segue a lógica, um porcentual baixíssimo de ateus (1%) e Q.I. mediano (87). É um país muito miscigenado e sofreu forte influência do catolicismo de Portugal e dos negros da África. Fica difícil mensurar a participação de cada raça no Q.I. atual. O que posso dizer é que a história do país se reflete em sua inteligência."

    Olha que fraude suja cara. O sujeito coloca o percentual de ateus(nem sei da onde ele tirou isso mas vamos la) e afirma que o motivo do QI Brasileiro ser mediano é porque o Percentual de ateus é baixo. O_O!!!! Bom...eu não acho o povo brasileiro religioso não(consumismo, carnaval, bebedeira, luxúria, movimento revolucionário na universidade, novelas).... mas o cara é ateu, ele é muito inteligente e deve saber do que fala!!!

    "ÉPOCA - Segundo seu estudo, há países em que a média de Q.I. é alta, assim como o número de pessoas religiosas.
    Lynn - Sim, mas são exceções. A média da população dos Estados Unidos, por exemplo, tem Q.I. 98, alto para o padrão mundial, e ao mesmo tempo cerca de 90% das pessoas acreditam em Deus. A explicação é que houve um grande fluxo de imigrantes de países católicos, como México, o que ajuda a manter índices altos de religiosidade nas pesquisas. Mas, se tirarmos as imigrações ao longo dos últimos anos, a população americana teria um índice bem maior de ateus, parecido com o de países como Inglaterra (41,5%) e Alemanha (42%)."

    _Ih cara! A pesquisa mostrou que os cristão valem alguma coisa!
    _Meu DEUS! O que vamos fazer!?!?!?!?
    _Sei lá cara! Diz que é um exceção!
    Piadas a parte, a Constituição Americana foi escrita com base no cristianismo...

    "ÉPOCA - Cuba é um país mais ateu que os Estados Unidos, mas o nível de Q.I. não é tão alto.
    Lynn - Você tem razão. É outra exceção. Pela porcentagem de ateus (40%), o Q.I. (85) dos cubanos deveria ser mais alto que o dos americanos. Mas há também aí um fenômeno não natural que interferiu no resultado. Lá, o comunismo forçou a população a se converter. Houve uma propaganda forte contra a crença religiosa. Não se chegou ao ateísmo pela inteligência. A população cubana não se tornou ateia porque passou a questionar a religião. Foi uma imposição do sistema de governo."

    (...)Nada a declarar...

    Muito Obrigado pelas pesquisas!! Mande mais! E me desculpa se perdi a linha é que sou cristão e não costumo ser tão educado quanto exemplares ateus como Fidel Castro!

    Abraços!
  • Jonas  02/08/2011 21:34
    "As pessoas religiosas que eu conheço são MUITO superiores que as não religiosas. Os ambientes que eu frequentei que eram religiosos é MUITO superiores!! Cidades em que a religião tinha influencia em que tive a oportunidade de passar eram MUITO superiores".

    Superiores em quê?

    Não use uma experiência pessoal como um paradigma da realidade.
  • anônimo  02/08/2011 20:35
    Olha, não sou religioso, mas discordo da correlação feita entre desenvolvimento e ateísmo. Acho que o correto seria entre misticismo e racionalidade, e o desenvolvimento de uma nação. Acho que por mais incorreto(e erros ocorrem) que possam ser raciocínios de alguns crentes ou mesmo ateus(e existem ateus que chegam ao ateísmo por raciocínios muito errados), desde que se busque sempre o conhecimento com a razão, creio que é assim que se influencia de forma positiva uma sociedade. Quero dizer, olhem para radicais islâmicos e os compare aos, com o perdão da palavra, "progressistas" Bahá'í ou aos Batistas...

    No rol dos misticismos eu colocaria além do misticismo religioso, o misticismo cultural/social: por isso países "ateus" como China, Cuba e o que sobrou da URSS não são necessariamente exemplos de desenvolvimento, ao passo que uma nação "majoritariamente cristã" como os EUA (sobretudo até o começo do século XX) o é(até agora).

  • josiberto  03/08/2011 01:59
    China, cuba e a antiga urss são comunistas, comunismo a meu ver e como se fosse um dogma,lá existem ateus não por pensamento próprio, mas por que o estado não deixava que eles adorassem algo que o mesmo não mandasse. eles deviam adorar só o estado.Não permitiam nenhum tipo de concorrência(é o que acho).
  • anônimo  04/10/2014 02:08
    'Faça uma comparação entre os países com maior índice de descrença e os países com menor.

    Ahan, ateísmo nos países comunistas sempre esteve firme e forte.E era o inferno na terra.

    'Se isso não resolver, veja os índices de ateísmo dentro dos presídios e compare com o índice da população geral.'

    Coisa que não vale absolutamente nada, esses idiotas nem sabem o que falam.Já alguns dos maiores genocidas da história da humanidade eram ateus, como o pessoal da antiga URSS.

    E mesmo o fato de supostamente haver um grande número de ateus em alguns países ricos não significa que o ateísmo seja causa de nada.A hipótese mais racional é de que esses países com uma economia mais forte tem mais gente com acesso a universidade, e é lá que essas pessoas são domesticadas em todo tipo de besteira que infesta o ensino superior: apologia ao feminismo, abortismo, luta pelas minorias oprimidas etc, e entre essas coisas, o ateísmo.
  • william só um desabafo  02/08/2011 21:22
    Sou Ateu e fico extremamente consternado a me deparar com afirmações tais como essa de o fato de ser ateu lhe coloca em posição inferior (moralmente) a alguém, por esta pessoa acreditar em jesus, alá,krishna,osíris,ogun,o inefável,o onisciente,rá,apep,mitra,zeus,unicórnio rosa invisível,monstro espaguete voador.
    Vejo que a religião ajudou a humanidade mas também foi artífice de gigantescas barbaridades, apesar de hoje haver grandes movimentos para tentar reescrever tais fatos,como os socialistas/comunistas fazem muito bem ( com os revisionistas).O ateu não crê(apesar de esse termo não ser o mais apropriado) ,seja em deus seja na fada do dente;acreditar em um estado onisciente, onipresente,que tudo resolve só pode ter vindo de alguém como Marx que nasceu em uma família com laços religiosos , podemos talvez vislumbrar tal fato na relação sociedade/estado na obra de Ernest Cassirer O mito do estado,onde encontramos a dependência humana da segurança , e de relegar a um ser, qualquer que seja,grandes feitos, isso é um ato de fé.Hoje como em outros tempos também tivemos a participação de ateus , porem mais difíceis de serem comprovada pois a igreja controlava tudo, como a coréia do norte que até hoje sua população acredita que a guerra acabou pois seu presidente em exercício na ocasião fez com que acabasse.Ateus fizeram monstruosidades, teísmo e ateísmo são aspectos humanos, é claro que a meu ver sem nenhuma comprovação do divino, talvez não precise de comprovação já que a religião se vale desse raciocínio.Certamente viver em um mundo onde o amor cristão se manifesta da forma com foi visto aqui , e a igreja nem tem o poder que detinha,seria difícil não ser cristão, imagine outrora declarar-se ateu com uma ideia que fosse , ou viver em uma aldeia onde não se praticava esse culto e ser identificado como ,usando as palavras do colega;INFERIORES,INFERIORES,INFERIORES.
    O texto a meu ver trata tão somente da importância do cristianismo para ciência econômica e não da religião como um todo. Não me surpreende o fato de os religiosos não aceitarem qualquer ligação com fatos que contradiga o texto. Mas provavelmente o autor deve esta correto.Sou apenas um mero ateu não tenho moral para descordar.
  • Moisés  03/08/2011 03:05
    \r
    Não posso, usando um raciocínio verdadeiro e honesto, ser um ateu, pelo simples e grandioso fato que tudo a minha volta, deve ter necessariamente uma causa ou origem. A experiência humana demonstra isto! Desde o homem primitivo ao homem moderno, tudo que ele encontra pelo caminho, lhe ocorre o seguinte pensamento: "quem fez isto?" Se um paleontólogo encontra uma tigela de barro em suas escavações, e por mais "científico","ateu" ou "evolucionista" que seja, certamente dirá: "quem fez isto?" Ou seria razoável ele dizer: "isto ninguém fez, mas simplesmente é um produto do acaso. Por milhões e milhões de anos os grumos de argilas foram se agrupando e acabaram formando esta maravilhosa tigela de barro que coincidentemente podemos usar para servir alimentos???" Não! Simplesmente não! Se à simples objetos feitos por mãos humanas, creditatamos uma autoria, ainda que desconhecida, por que deveria ser considerado loucura, creditar o surgimento de um universo tão grande, maravilhoso e belo, a um Ser supremo, um Ser infinitamente capaz, sábio e inteligente que os cristãos chamam de Deus???\r
    \r
    O engano do "raciocínio" cientifista,ateu e evolucionista é concluir apressadamente que se algo não pode ser feito ou criado por mãos de seres conhecidos, homens ou animais, então ninguém mais pode fazer ou criar, porque esse Alguém, ninguém ainda viu! É um espécie de reducionismo de possibilidades. Ou seja, se não se pode ver,sentir,tocar,cheirar ou ouvir, também não se pode provar, e se não se pode provar, então não existe. Como se o homem fosse um ser perfeito,absoluto e plenamente capaz de perceber e conhecer todas as coisas que ocorrem no universo ou fora dele!\r
    \r
    Infeliz e desgraçadamente, é isso o que muitos chamam de,... "raciocínio lógico"!
  • RenE  15/12/2011 10:55
    "precisamos imprimir mais bíblias e menos dinheiro"
  • André caniné  22/07/2012 21:03
    Mais um texto brilhante do Rothbard!
    Comparem esse artigo dele com qualquer asneira escrita por Dawkins, Harris ou Hitchens. A diferença de categoria e a honestidade são gritantes.
  • Renato  27/09/2012 09:31
    Tenho uma tradução condensada de "A Riqueza das Nações". Então, o que vou dizer a seguir baseia-se num texto incompleto, e pode estar errado. Corrijam-me, por favor, se for esse o caso. Pelo que percebi, Smith dá muito pouca atenção a essa assunto do valor das coisas. Ele discorre muito longamente sobre as virtudes da liberdade de preços e da liberdade de comércio, sobre monopolios e seus efeitos, sobre os danos do engessamento do mercado de trabalho, sobre a forma como o mercado tende a regular naturalmente os preços e induzir a uma boa aplicação dos recursos Fala bastante sobre o dinheiro, mostra que ele é um bem como outro qualquer. Sobre esses assuntos ele dá inúmeros exemplos, faz cálculos, mostrando que meditou muito, leu muito, buscou dados. Mas pelo que percebi, fala sobre valor dos bens de passagem. Fica a nítdida impressão de que ele quase não pensou sobre o assunto, aparentemente apenas repetiu algo do senso comum.\r
    \r
    Note-se ainda que o a idéia de valor-trabalho está em franca oposição lógica ao conjunto de sua teoria. Se o valor da mercadoria é o conjunto do trabalho necessário para oferta-la, então o trabalho teria de ser quantificado monetariamente de forma precisa. Ora, mas de acordo com a sua própria teoria, o preço do trabalho é um preço como qualquer outro, variavel conforme as leis do mercado. Não existe maneira de comparar o preço de uma hora de trabalho de um alfaiate com uma hora de trabalho de um mestre de obras ou de um médico, a não ser pelo valor que o mercado dá a cada forma de trabalho. Assim, é impossivel estabelecer de forma natural o custo da produção de um bem pelo trabalho necessário para a sua produção, visto que só no mercado o trabalho tem um valor atribuido. O erro é tão primário que parece só ser possivel pela falta de meditação, o que reforça a minha opinião de erro por falta de atenção dada ao assunto. Talvez Smith tenha querido dizer algo muito mais simples do que os seus leitores entenderam. Ou talvez seja simplesmente um assunto ao qual ele não deu atenção, como eu suponho.
  • anônimo  27/09/2012 09:44
    Ainda sobre Adam Smith, noto que o fato de muitas das coisas que ele disse não serem novas, não lhe retira o brilho. Justamente as falhas de sua análise são evidência de que pouco conheceu das obras dos predecessores escolásticos, mesmo porque esses viveram em tempos bem mais antigos, em outros países. Não se pode comparar a produção de um pensador quase isolado com uma tradição longa de pensadores, em que cada um acrescentava ao trabalho dos antecessores. Pela obra de Smith, parece que ele estava cerdado de pensadores que defendiam o mercantilismo.\r
    \r
    Também não se pode atribuir a Smith o fato das obras dos economistas escolásticos terem ficado no limbo. Ele é bem posterior, e aparentemente o conhecimento dos escolásticos já havia sido colocado no limbo por outros motivos. Creio que se ele tivesse acesso a essas obras, certamente não as ignoraria, e elas o teria influenciado.
  • anônimo  27/09/2012 10:24
    Continuando, penso que uma grande virtude de Smith é que ele admoestou os governantes a mudar suas políticas errôneas. Ele analisou inúmeros casos específicosn das leis e instituições britânicas e disse o que estava sendo feito de errado. "A Riqueza das Nações" está cheia de exemplos tirados da situação real, com ásperas críticas. Inclusive as políticas desastrosas de Portugal e Espanha são execradas. Na verdade, foi através de Adam Smith que compreendi como Portugal pode se tornar tão pobre.\r
    \r
    Esse é um ponto importante. Não lí ainda os economistas escolásticos. Talvez os autores italianos tenham tido alguma influência naquelas paregens, mas os autores portugueses e espanhois parecem não ter tido influência nenhuma sobre os governos de seus respectivos países. Não sei se eles não os criticaram claramente, ou se suas críticas foram ignoradas, mas a política econômica desses países foi um imenso desastre mercantilista, como a história o prova.\r
    \r
    Depois escreverei mais.
  • Sérgio  07/03/2013 08:18
    O texto muito bom. Mostra o quanto a Igreja contribuiu com a criação da Ciência Econômica.

    Mas eu acho que texto peca ao dizer que os protestantes eram mais áusteros que os católicos. Não eram. Vou pegar a vertente mais áustera e mais radical do protestantismo: os puritanos e comparar com os monges da Igreja Católica. Já houve algum reverendo puritano que fez como o São Francisco de Assis, que abandonou toda a riqueza para dar aos pobres? Ou um reverendo puritano que vivesse um vida ascética como os monges católicos, como os eremitas, digamos? Não há. Por isso que eu discordo quando o texto diz que os protestantes eram mais austeros do que os católicos. Peca mais ainda em falar em "hedonismo equilibrado". Os monges católicos não hedonistas, pelo contrário, eles abandonavam todos os confortos, todos os prazeres da vida por uma causa nobre, pela fé. Houve algum protestante que fez isso? Não.
  • Emerson Luis  28/01/2015 12:57

    As religiões místicas (mistério) de modo geral encaravam a realidade percebida pelos sentidos como uma ilusão, os fenômenos naturais como causados pelo capricho de entidades sobrenaturais e o intelecto como um obstáculo para conectar-se a "Deus" (visto como uma Força Cósmica impessoal). A "fé" mística significava acreditar emocionalmente nos dogmas misteriosos, sem provas e sem raciocínio.

    A linhagem judaico-cristã original encarava o mundo como real, os fenômenos naturais como regidos por leis naturais racionais e o intelecto como fundamental para conectar a "Deus" (visto como um Ser Cósmico vivo e autoconsciente). A "fé" judaico-cristã era a confiança em axiomas e acreditar racionalmente a partir deles e de provas.

    Sim, os judeus e cristãos muitas vezes se afastaram bastante desse modelo no decorrer da História e grande parte deles hoje têm uma "fé" mística. Mas isso não muda a concepção judaico-cristã original de "fé", que serviu de base filosófica para o método científico.

    Isso não prova por si mesmo que todas as doutrinas judaico-cristãs sejam verídicas. Porém, é interessante que foi o modo de pensar delas que resolveu o impasse racionalismo x empirismo e deu origem à ciência moderna e ao liberalismo.

    * * *
  • Silvio  05/02/2015 18:08
    Mas que interessante. Poderia indicar algum livro ou artigo que trata sobre esse assunto?
  • Emerson Luis  15/02/2015 13:06

    Posso, mas agora estou terminando uma faculdade e sem tempo. O que escrevi é uma síntese de diversas fontes. Pode encontrar essas informações em materiais sobre história da religião (em especial do protestantismo), da filosofia e da ciência, além do estudo sistemático da Bíblia. Por exemplo, o teólogo Agostinho teria dito que Deus produziu dois livros: o Universo e as Escrituras.

    Muitos dos primeiros cientistas e filósofos modernos tiveram suas ideias, não apesar, mas justamente porque eram cristãos ou viviam em culturas de origem cristã, ainda que secularizadas. E essas ideias não contradiziam, mas consoavam suas convicções.

    Como latinos, estamos habituados com as versões místicas de cristianismo. Mas o próprio movimento pentecostal foi uma reação emocionalista ao racionalismo que imperava no protestantismo tradicional.

    A ioga genuína é um exercício praticado pelos hindus para bloquear o intelecto, que acreditam ser um obstáculo para as experiências místicas que supostamente conectam com "Deus" - entendido como uma energia cósmica impessoal. Outras religiões politeístas têm conceitos e práticas semelhantes. A natureza é regida por deuses caprichosos que podem alterar o seu funcionamento a qualquer momento se não forem continuamente aplacados.

    Já os judeus tinham a ordem de amar a Deus - um ser imaterial, mas vivo e inteligente - não apenas "de todo o coração" (emocional), mas também de "toda a mente" (intelecto). Sua religião girava em torno de um livro de princípios que deveria ser estudado e aplicado com racionalidade por todos. As sinagogas eram chamadas de "casa de estudo". Esse modo de pensar ficou impregnado nos judeus, mesmo que sejam agnósticos ou ateus. Não é coincidência que tantos grandes pensadores sejam de origem judaica.

    Para os judeus, a natureza era regida por leis naturais imutáveis instituídas por Deus. O Sol, a Lua e as estrelas não eram divindades, apenas fontes de luz. E assim por diante. Essa cosmovisão, somada à metodologia do pensamento grego e em ambientes de liberdade econômica, deu origem à ciência moderna e à ética moderna, incluindo o liberalismo.

    * * *
  • Silvio  18/02/2015 22:26
    Veja só, nas minhas perambulações pelo YouTube achei um vídeo a respeito desse assunto: https://www.youtube.com/watch?v=H05nF4TR1GA. Se puder assisti-lo e compartilhar suas impressões, ser-lhe-ia grato.
  • Rennan Alves  19/02/2015 11:50
    Estranho, quando clico no link fica "https//www.youtube.com/watch?v=H05nF4TR1GA", sem o ":".
  • Silvio  19/02/2015 16:57
    Strange indeed... Tente agora: www.youtube.com/watch?v=H05nF4TR1GA
  • anônimo  05/02/2015 01:08
    Excelente artigo.

    A única coisa que não concordo com Rothbard é sobre o conservadorismo.
    Não sou conservador, mas conservadorismo é apenas ruim quando se quer preservar sistemas que tiram nossa liberdade.

    Se conseguíssemos implementar um sistema libertário, seria consevador desse sistema com muito prazer.
  • anônimo  05/02/2015 12:57
    Conservadorismo não é conservar por conservar, aprendi isso aqui mesmo no IMB
  • Renato Souza  06/02/2015 03:23
    Acho que você deu a resposta certa. O ateísmo não é a causa da riqueza dos países ricos. A economia desses países começou a crescer muito quando as pessoas lá não eram ateias. Ocorre que pessoas ricas podem mandar seus filhos para as universidades e estas seguem ideologias ateístas.
  • anônimo  19/02/2015 17:29
    Pra fazer um ateu perder o chão, basta perguntar pra ele o seguinte:
    'Não é uma coisa meio hipócrita a maioria dos ateus se achar cético e exigir evidência da existência de Deus, mas acreditar cegamente sem evidência nenhuma em tudo quanto é besteira esquerdista?'
  • Ex-microempresario  31/05/2017 14:12
    Bem, sou ateu e meu chão continua no mesmo lugar, mesmo porque nunca fui "de esquerda". Porque vc acha que ateu = esquerdista ? Eu prefiro ver esquerdistas como alguém que trocou um deus por outro, mas continua com o mesmo comportamento dogmático e intolerante.
  • vladimir  31/05/2017 00:20
    sobre a fé não posso responder mas sobre ciência\tecnologia

    Sobre ciência é que hoje é fato amanhã não é exs:

    a)É impossível ultrapassar a velocidade da luz.
    b) não se pode criar matéria do nada.
    c)É impossível viagens do tempo.
    d)Não se pode reverter a entropia.
    é) Não se pode criar vida artificialmente.
    f) Não se pode neutralizar a inércia.
    h) Não se pode produzir petróleo artificialmente.
    i) não existem civilizações antigas com nível tecnológico igual ao nosso.
    l) Não se podem criar planetas iguais a Terra.
    E por aí vai.
  • Ex-microempresario  31/05/2017 14:25
    a) Parece ser uma lei fundamental.
    b) Pode-se transformar energia em matéria e vice-versa (E=mc2), mas estamos longe de dominar o processo.
    c) Parece ser um princípio fundamental, também: o tempo flui em um só direção.
    d) Acho que não entendi bem o que vc diz com "reverter"
    e) Em princípio não há nada que impeça, mas como em (b) estamos longe de alcançar esta tecnologia.
    f) Outro princípio fundamental, parece
    h) Não é difícil, só é demorado e caro, e portanto sem utilidade prática. Mas existem "derivados de petróleo" que na verdade não são obtidos do petróleo, são sintetizados. P. Ex. o óleo do motor do meu carro.
    i) Pelo menos não descobrimos evidências arqueológicas que mostrem isso.
    l) Para criar um planeta, vc precisa de uma grande quantidade de matéria-prima e de meios de movimentá-la.

    Muitas confusões surgem de palavras mal-usadas e de expressões distorcidas (propositalmente ou não). Um bom cientista não diz "é impossível fazer X", e sim "no momento não temos conhecimento para fazer X".


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