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Por que o Banco Central é a raiz de todos os males

Qual seria a medida essencial que, uma vez implantada, representaria um passo definitivo rumo à liberdade?  Ou, colocando-se de outra forma, qual seria a medida sem a qual o avanço da liberdade seria praticamente impossível?

É claro que economistas libertários e entusiastas da liberdade em geral não se contentam em assinalar apenas uma medida.  Quase sempre eles irão apresentar uma enorme lista contendo todas as medidas que julgam essenciais e inegociáveis a serem implantadas para que a liberdade finalmente chegue ao Brasil.

Listar todas elas seria um trabalho infindável e improdutivo, porém é possível resumir as 10 principais, aquelas que sempre aparecem em todas as listas — e não necessariamente nessa ordem de importância:

1) Reduzir acentuadamente os gastos do governo;

2) Reduzir acentuadamente todos os impostos;

3) Desregulamentar e desburocratizar todos os setores da economia;

4) Descriminalizar a produção, a venda e o consumo de todas as drogas;

5) Abolir ministérios e agências reguladores;

6) Privatizar todas as estatais;

7) Acabar com a previdência pública compulsória;

8) Liberar o porte irrestrito de armas;

9) Acabar com o monopólio estatal sobre a justiça e a segurança;

10) Acabar com a obrigatoriedade do diploma e liberar o ensino domiciliar (homeschooling).

Ainda que somente uma dessas medidas fosse implantada, é indiscutível que o avanço da liberdade já seria notável.

Entretanto, dentre todas essas medidas, a primeira da lista, os gastos do governo, é a fonte de toda a tirania.  É por meio de seus gastos que o governo consegue impor, aplicar e fazer cumprir todos os seus éditos. 

Os gastos do governo são a origem de toda a nossa servidão, e são eles que financiam a própria máquina arrecadadora de impostos; as burocracias e agências reguladoras, que proíbem a livre concorrência; a infindável e nociva guerra contra as drogas, que só faz gerar mais violência; a criação e perpetuação de dezenas de ministérios (todos eles inúteis) e de seus milhares de parasitas; a criação e manutenção de estatais que não apenas monopolizam o mercado como também são invariáveis cabides de empregos; a previdência compulsória que rouba a renda e a poupança do trabalhador assalariado em troca da simples promessa de que ele irá receber algo no futuro; a fiscalização e a proibição do porte de armas para os cidadãos honestos, ao mesmo tempo em que bandidos imperturbadamente conseguem suas armas no mercado negro; o monopólio da justiça para seus tribunais e da segurança para sua polícia; e a imposição do diploma, a perpetuação de universidades públicas e suas fábricas de militantes.

Portanto, uma única medida que, uma vez adotada, representaria um duro golpe em todas as outras seria, sem dúvidas, a redução dos gastos do governo.  Fosse o mundo mais simples, bastaria conseguir fazer com que o governo reduzisse amplamente seus gastos — e todas as outras nove medidas listadas acima seriam implantadas quase que por gravidade.

Porém, há um fato incômodo: os gastos do governo nunca serão reduzidos enquanto houver um banco central.  Não apenas a teoria explica isso, como a própria prática já tratou de confirmar: não há um único país no mundo, desde a segunda metade da década de 1970 — quando os últimos resquícios do padrão-ouro foram abolidos —, que tenha genuinamente reduzido seus gastos.

A real função do Banco Central

Como tentei explicitar neste artigo, um banco central tem duas funções reais: (1) proteger o sistema bancário, cartelizando-o e permitindo que opere reservas fracionárias sem riscos de insolvência, e (2) financiar os déficits do governo federal.

A primeira função não será o escopo desse artigo, pois já foi discutida amplamente em vários outros artigos desse site (inclusive no artigo linkado acima).  A segunda função, no entanto, é mais obscura e sempre merece ser esclarecida.

Para o governo federal gastar, ele precisa arrecadar dinheiro.  Isso é algo óbvio.  Para arrecadar dinheiro, o governo cobra impostos ou emite títulos da dívida, os quais são comprados pelos bancos.  Via de regra, ele utiliza um combinação desses dois mecanismos.  Assim como qualquer instituição, quando o governo se endivida, ele tem de pagar juros sobre essa dívida.  Até aí, nenhuma novidade. 

Entretanto, essa abordagem adquire uma nova realidade quando você passa a considerar também a existência do Banco Central. 

Caso não existisse um banco central, a quantidade de dinheiro na economia se manteria relativamente constante; ela poderia ser aumentada temporariamente pelo sistema bancário caso este praticasse reservas fracionárias, porém essa expansão seria relativamente restrita (os motivos de ser assim também estão explicados no artigo linkado acima).  Sendo assim, com a quantidade de dinheiro relativamente constante, haveria um limite tanto para a quantidade que o estado poderia arrecadar via impostos quanto para a quantidade que ele poderia tomar emprestado junto aos bancos.

Quanto mais o estado se endividasse, quanto mais dinheiro ele tomasse emprestado, menos dinheiro sobraria para os bancos emprestarem para pessoas e empresas.  Consequentemente, maiores seriam os juros cobrados sobre esses empréstimos — afinal, a quantidade de dinheiro a ser emprestada ficou reduzida, pois o governo abocanhou grande parte para cobrir seus gastos.

Logo, o estado simplesmente não poderia sair se endividando continuamente, pois inevitavelmente chegaria um momento em que os juros estariam em níveis calamitosamente astronômicos.  Da mesma forma, ele não poderia sair aumentando impostos para saciar sua sede por recursos, pois poderia acabar incitando uma revolta popular.

É nesse cenário que entra a genialidade por trás da criação de um banco central.  Um banco central resolve esses dois problemas numa só tacada: imprimindo dinheiro.

(Os leitores já familiarizados com o funcionamento de um banco central podem pular para a próxima seção (Consequência dos déficits); os leitores familiarizados também com a explicação de como os déficits do governo provocam aumento na quantidade de dinheiro na economia podem pular para a seção Implicações)

Atualmente, o Banco Central brasileiro não imprime dinheiro para entregá-lo diretamente ao governo.  A Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2000, proibiu esse tipo de financiamento direto.  Entretanto, isso ocorria até meados da década de 1990.  Naquela época, o governo mandava para o Congresso uma proposta pedindo autorização para que o Banco Central imprimisse uma determinada quantia de dinheiro para cobrir o déficit orçamentário do governo.  E o Congresso sempre aprovava.  Era simples assim mesmo: o governo coletava $1.000 em impostos, mas queria gastar $2.000.  Solução?  Imprima os $1.000 restantes.  Depois que a inflação de preços atingiu alguns bilhões por cento, os gênios finalmente resolveram acordar pra realidade. 

Hoje, como dito, o Banco Central não imprime dinheiro para entregá-lo diretamente ao Tesouro.  Entretanto, na prática, ele continua fazendo exatamente isso, só que agora de maneira indireta.  E é esse o truque genial do qual quase ninguém se dá conta.

Funciona assim: quando o Banco Central quer expandir a base monetária, ele precisa realizar aquilo que chamam de operações de mercado aberto (open market) — isto é, o Banco Central compra títulos públicos que estão em posse dos bancos; exatamente aqueles títulos que os bancos adquiriram do Tesouro quando emprestaram dinheiro ao governo. 

Falando mais explicitamente, o Banco Central cria dinheiro para comprar esses títulos que estão em posse do sistema bancário.  Atualmente, essa é a única maneira legal de o Banco Central criar dinheiro.  Como o Banco Central faz isso?  Grosso modo, ele aperta um botão no computador e acrescenta alguns dígitos na conta (as reservas compulsórias) que o banco que está vendendo os títulos possui junto ao Banco Central.  De onde veio esse dinheiro?  De lugar nenhum.  O Banco Central o criou do nada.  Nenhuma outra conta foi debitada.  A base monetária expandiu magicamente; as reservas desse banco aumentaram.

Agora, imagine que você é um banqueiro.  Você, por causa das reservas fracionárias, pode criar dinheiro do nada e utilizar esse dinheiro em algum investimento.  Você também sabe que a maneira como o Banco Central cria dinheiro é comprando títulos públicos que estão em sua posse.  Logo, não é preciso ser nenhum gênio das finanças para entender que o investimento mais óbvio e seguro que você pode fazer é justamente comprar os títulos públicos que o Tesouro põe à venda.  Em outras palavras, você alegremente vai financiar o déficit do governo, pois sabe que esses títulos que você vai comprar do Tesouro serão mais tarde comprados pelo Banco Central, pois é assim que ele faz política monetária.

É justamente por saberem que os títulos do Tesouro serão comprados pelo Banco Central — o que significa que eles possuem um mercado de revenda garantido e de alta liquidez —, que os bancos animadamente financiam o déficit do governo.  Ou seja, aquilo que antes era feito diretamente — com o BC dando dinheiro diretamente para o Tesouro —, agora passou a ser feito indiretamente, só que um adicional: agora os bancos entraram nesse arranjo e lucram enormemente com isso.

Consequência dos déficits — aumento da quantidade de dinheiro na economia

Uma vez estabelecido esse arranjo, os limites sobre a expansão do governo estão virtualmente extintos.  Sempre que incorre em um déficit orçamentário — isto é, quando gasta mais do que arrecada —, o governo vende títulos para arrecadar dinheiro extra para financiar esse déficit.  Os bancos compram esses títulos.  Como consequência, o setor bancário fica com menos dinheiro disponível para conceder empréstimos ao setor privado.  Adicionalmente, isso também faz com que a quantidade de dinheiro disponível para o mercado interbancário (aquele em que os bancos emprestam uns para os outros com o intuito de manter suas reservas em níveis estipulados pelo BACEN) fique reduzida, pois agora há dinheiro sendo demandado de todos os lados (governo e setor privado).

Nesse cenário, caso o Banco Central nada fizesse, a tendência seria que a taxa de juros desse mercado interbancário subisse muito.  E a taxa de juros do mercado interbancário, como se sabe, nada mais é do que a SELIC.  Mas como o BACEN trabalha com uma meta para a SELIC, ele não pode deixar que ela suba.  Consequentemente, ele tem de injetar dinheiro no mercado interbancário justamente para evitar que ela aumente.

Ou seja: de um lado, o governo pega dinheiro emprestado dos bancos, o que tende a elevar a SELIC; de outro, o Banco Central injeta dinheiro nos bancos, justamente para evitar que a SELIC suba.  Resultado?  O governo obtém o dinheiro de que necessita e os bancos ficam com a mesma quantidade de dinheiro em suas reservas que tinham antes de emprestar para o governo.  Logo, houve um aumento da quantidade de dinheiro na economia.

Portanto, sempre que o governo gasta mais do que arrecada e emite títulos para cobrir esse déficit, ele está aumentando a quantidade de dinheiro na economia.  E quem, no final, orquestra todo esse arranjo é o Banco Central.

Implicações

É impossível enfatizar o quão importante são as implicações geradas pela conclusão acima.  Quando se entende que toda a gastança governamental pode ser, em última instância, financiada pela simples impressão de dinheiro do Banco Central, compreende-se, finalmente,

1) por que a utilização de dinheiro de papel (que pode ser criado a custo baixíssimo) é o arranjo favorito de todos os governos;

2) por que os gastos nunca param de subir; e

3) por que os governos impõem uma moeda única e de curso forçado sobre seus súditos.

Os mais céticos poderiam perguntar: "Ora, se é tão fácil assim, por que os governos cobram impostos, uma medida sempre impopular?  Por que não imprimem dinheiro para financiar tudo?"  Felizmente, ou infelizmente (depende do ponto de vista), os brasileiros que viveram a inflação de preços da década de 1980 e a hiperinflação da primeira metade de década de 1990 sabem a dolorosa resposta.  Por mais que seja o ímpeto perdulário do governo, ele precisa se refrear para não deixar que a inflação de preços corroa sua popularidade.

Uma recente e sensacional reportagem da revista ÉPOCA mostra que, atualmente, o governo federal possui algum tipo de participação ou influência em pelo menos 675 empresas de todos os setores imagináveis, sendo que o governo controla nada menos que 276.  Desde a década de 2000, mais especificamente desde o advento do governo Lula, a participação estatal na economia só vem aumentando.  Isso só ocorre por causa da contínua criação de dinheiro do Banco Central.

Da mesma forma, toda a intrusão governamental na vida dos cidadãos só é possível de ser financiada porque há essa expansão contínua na quantidade de dinheiro na economia.  Ministérios que querem impor tanto o que nossos filhos devem aprender na escola como até a opção sexual deles; agências reguladoras que querem determinar o que podemos e o que não podemos comprar nas farmácias (agora vão proibir remédios para emagrecimento); todas as burocracias, regulamentações e tarifas que tanto os ministérios quanto as agências impõem sobre o mercado a fim de cartelizá-lo em benefício de empresas com boas conexões políticas; subsídios concedidos a grandes empresas via BNDES — tudo isso só ocorre continuamente por causa da criação de dinheiro do Banco Central.

Para enfatizar: nossas liberdades civis e econômicas são continuamente tolhidas e pisoteadas porque há um banco central com liberdade irrestrita para imprimir dinheiro — não há absolutamente nenhuma lei impondo limites na quantidade de dinheiro que o Banco Central pode criar. 

Veja, por exemplo, esse gráfico que mostra a quantidade de títulos públicos pendentes que foram vendidos pelo Tesouro para conseguir cobrir o déficit do orçamento (em outras palavras, o gráfico mostra a dívida bruta do governo federal).

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Em julho de 1994, a dívida total do governo federal era de R$ 68,4 bilhões.  Em abril de 2011, o valor da dívida já estava em R$ 2,372 trilhões.  Ou seja, em 17 anos, o endividamento total do governo federal aumentou 34 vezes. 

Nesse mesmo período, a base monetária, que é todo o dinheiro criado diretamente pelo Banco Central, aumentou de R$ 6,495 bilhões em julho de 1994 para R$ 179,926 bilhões em abril de 2011, quase 28 vezes.  Não fosse essa criação de dinheiro, teria sido impossível o Tesouro aumentar nesse volume suas vendas de títulos.

(Uma nota técnica: se a quantidade de dinheiro tivesse aumentado no mesmo ritmo que aumentou a venda de títulos — 34 vezes —, a quantidade destes estaria estagnada ou até mesmo declinante.  Porém, a inflação de preços estaria nas alturas).

O volume dessa dívida — a qual pode ser vista como a soma dos déficits — representa o tanto que o Brasil está menos rico em relação ao que poderia estar caso os recursos que o governo consumiu com esse dinheiro tivessem sido utilizados pelos setores produtivos da economia brasileira.

Quando se visualiza as coisas desta forma, fica mais fácil entender por que os déficits orçamentários (no caso, os déficits nominais, que o governo brasileiro constantemente apresenta) e os impostos são nocivos.  Cada real que o governo tributa ou toma emprestado para gastar representa o consumo de um recurso que deixou de estar disponível para o setor privado fazer investimentos e para construir capital (máquinas, ferramentas e equipamentos). 

Mais ainda: cada real em posse do governo, além de representar um real a menos em bens que poderiam ser utilizados para aumentar o padrão de vida do povo brasileiro, é um real que será utilizado para financiar a expansão do estado e de todas as suas destrutivas intervenções.

Consequências

Portanto, além dos ciclos econômicos, da inflação de preços e da redistribuição de renda de pobres para ricos, o Banco Central também gera o agigantamento do estado, o consumo de riqueza por parte do governo e, consequentemente, a perda de nossas liberdade civis e econômicas.  Sem essa capacidade de imprimir dinheiro e financiar gastos crescentes do governo federal, não haveria como este expandir continuamente seus gastos.  Mais ainda: não haveria como o Tesouro emitir dívidas ad eternum para cobrir aquela fatia do orçamento que não cabe apenas dentro dos impostos.

Extinga o Banco Central e uma gigantesca parte da monstruosa burocracia estatal vem abaixo. 

Além de impossibilitar as políticas protecionistas baseadas na desvalorização da moeda, todas as outras políticas que o governo porventura quisesse manter seriam impiedosamente restringidas.  O governo iria manter apenas aqueles programas governamentais que ele fosse capaz de bancar por meio do dinheiro que ele conseguisse extrair impunemente da população — espoliação essa que agora seria muito visível e sensível para a população.  Uma enorme fatia do setor público teria de ser simplesmente abolida.  Regulamentações e leis idiotas seriam extintas por falta de recursos para serem impingidas.  Seria a maior benção já vivenciada pelo setor produtivo da sociedade.

E não só o setor público perderia: o setor bancário passaria a ser uma indústria como outra qualquer, tendo de se virar sem a proteção do governo (leia-se do Banco Central), e sendo sujeitada aos testes de lucros e prejuízos do mercado.  Bancos em apuros — porque criaram via reservas fracionárias mais dinheiro do que deveriam — não mais poderiam ser socorridos pelo Banco Central.  O mesmo ocorreria com todas as outras grandes empresas que recebem vários subsídios do governo, e que agora teriam de concorrer abertamente no livre mercado com empresas pequenas.

Como Mises explicou, embora aumentos na quantidade de dinheiro não façam a economia crescer, eles alteram a estrutura da mesma; embora variações na oferta monetária não produzam impacto no crescimento agregado da economia, elas certamente afetam a maneira como os recursos da economia são alocados e distribuídos.  Ou seja, as variações da oferta monetária determinam como será a estrutura produtiva da economia, mas não o nível da produção.  Variações na oferta monetária sempre serão benéficas apenas para o governo e para suas empresas favoritas — como o setor bancário e os grandes industriais amigos do rei —, que são os primeiros a receber o novo dinheiro criado.

Conclusão

A existência de um banco central faz com que o governo fique igual a uma dondoca que tem liberdade para usar o cartão de crédito do marido rico: enquanto o cartão de crédito estiver ativo, ela vai gastar desbragadamente e jogar a conta final para os outros.  Quanto mais ela gasta, mais oprime o marido trabalhador.  Porém, tão logo o cartão seja cancelado, ela abruptamente ver-se-á na obrigação de voltar à realidade, tendo de trabalhar para se sustentar — ou fazer muitos agrados no marido, sempre cuidadosa para não irritá-lo.

Traduzindo para o governês: enquanto houver um banco central, o governo seguirá gastando e se endividando, jogando a conta (os juros da dívida) sobre a geração futura.  Quanto mais gasta, mais oprime o setor produtivo da sociedade.  Porém, tão logo o banco central seja abolido, a fonte de financiamento barato será extinta, e o governo terá de se adaptar à nova realidade: viver só com aquilo que arrecada — e ainda assim temeroso de não incitar a revolta dos explorados.

Embora a abolição do Banco Central não signifique a concomitante eliminação de todos aqueles 10 itens da lista apresentada no início deste artigo, tal medida inevitavelmente faria com que muitos daqueles itens fossem, na pior das hipóteses, redimensionados para baixo.  Já a eliminação de qualquer um daqueles itens, sem a eliminação do Banco Central, seria uma medida apenas temporária, pois jamais faltariam "verbas" para a sua reativação.

Além do totalitarismo governamental, a abolição do Banco Central (1) preservaria o poder de compra da moeda (acabando com a contínua inflação de preços que aturamos); (2) deixaria a sociedade mais rica, pois os ciclos econômicos — que sempre destroem capital e riqueza — seriam bastante atenuados, senão eliminados por completo; (3) faria com que as pessoas não mais tivessem de perder tempo e recursos pesquisando várias formas de investimento financeiro com o intuito de apenas proteger o poder de compra de seu dinheiro, permitindo que elas direcionem seus esforços para atividades mais produtivas que trariam um aumento no padrão de vida de todos; e (4) acabaria com a justificativa para esquemas fraudulentos como a Previdência Social, uma vez que a moeda ganharia poder de compra com o tempo.

Conservadores que não querem mais ver um governo esquerdista com inúmeros programas para perverter a moral e os bons costumes devem pedir a abolição do Banco Central; esquerdistas que não querem um governo de conservadores impondo moral e bons costumes devem pedir a abolição do Banco Central.

Todos os países hoje são menos livres do que eram há uma década.  Em todos os países onde há um banco central, a liberdade regrediu.  Os únicos que se mantêm relativamente livres são justamente aqueles onde não há um banco central propriamente dito — como Hong Kong — ou aqueles onde não há uma autoridade monetária, como Mônaco, Andorra, Liechtenstein.  Nos EUA, em particular, é impressionante como as liberdades civis e econômicas estão se evaporando em uma velocidade espantosa.

A questão monetária é hoje o assunto mais premente para quem preza a liberdade.  Estatais, agências reguladoras e ministérios perdem importância frente à máquina de criar dinheiro.  Aqueles não resistiriam muito tempo sem esta.


3 votos

autor

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Rhyan  16/06/2011 02:27
    Gostaria de entender melhor uma questão: Se o governo apresentar superávits nominais por algum tempo, sem abolir o BC, qual seriam as consequências para o governo, os bancos e a população?
  • Leandro  16/06/2011 10:07
    Rhyan, superávits nominais indicam que o governo arrecadou uma quantia suficiente não apenas para pagar suas despesas correntes, como também para pagar os juros. E ainda sobrou dinheiro.

    Caso essa política se mantivesse continuamente, eis o que ocorreria:

    1) O Tesouro não mais precisaria lançar títulos públicos para se financiar, o que quer dizer que o governo não mais se endividaria.

    2) A quantidade de títulos públicos em posse dos bancos, das empresas e das pessoas iria diminuir constantemente, pois eles estariam sendo quitados.

    3) Como os bancos não mais estariam emprestando dinheiro para o Tesouro, haveria mais dinheiro disponível para o setor privado, o que faria com que os juros sobre os empréstimos caíssem.

    4) Dado que a SELIC é a taxa com que os bancos emprestam dinheiro entre si no interbancário para manter o nível de suas reservas, e dado que os bancos não mais emprestam para o governo, então a SELIC cairia, pois haveria mais dinheiro disponível para o interbancário.

    5) Os preços começariam a apresentar deflação.

    6) No extremo final, toda a dívida seria quitada, não mais haveria títulos públicos no mercado e o Banco Central perderia sua capacidade (até mesmo sua desculpa) para fazer política monetária. Qualquer criação de dinheiro seria vista como um ato explícito de privilégio, pois o BC teria de dar o dinheiro diretamente para o recebedor, e em troca de nada.

    Ou seja: não se trata de uma política nem um pouco popular para o poder, muito embora ela possa vir a ser seguida em um mês ou outro, tempo este em que nenhum dos efeitos acima pode surgir.

    Abraços!
  • Rhyan  16/06/2011 12:47
    Certo, pensei em algumas dessas consequências. Então seria péssimo pra mim se eu fosse um banqueiro, né?
  • Djalma  16/06/2011 08:20
    Ótimo artigo !
  • Fernando  16/06/2011 08:24
    Olá,

    1-Existe um movimento na internet dizendo que como nosso sistema monetário é baseado na dívida então a quantidade de dinheiro na economia nunca é o suficiente para os pagamentos de juros. De acordo com eles esse é o motivo da expensão monetária: Tornar possível algo que é um absurdo matemático (Dinheiro Circulante < Dívida).
    Depois de pensar sobre isso cheguei a conclusão de que essa ideia é errada uma vez que o mesmo dinheiro pode ser usado mais de uma vez. Eu estou certo? Ou realmente existe esse bug do sistema?

    2-O FED(Banco Central dos EUA) é uma empresa privada, logo é de se imaginar que todos os bancos centrais também são. Isso se aplica a todas as instituições que são imaginadas como públicas? Como Hospitais, escolas, etc? Ou seja, usar da faixada pública para ter privilégios privados?

    3-Esquecendo do nosso sistema monetário. Mesmo depois de séculos de discussão em torno da usura, a economia colocou uma pedra sobre o assunto. Mas não seria a hora de rever esse assunto tendo em vista que os contratos comerciais se baseiam em valores fixos em um mundo que não tem nada de fixo? Os contratos comerciais não colocariam em posição de perigo milhões de pessoas? Não seria muito mais vantajoso, estimulante, honesto para a sociedade a proibição da usura e a promoção do investimento baseado em confiança?

    4-A Ordem Executiva 6102, confiscou o ouro dos americanos em 1933 e colocou nas mãos do Federal Reserve. Sabendo disso, não é um tremendo de um erro apoiar o padrão ouro, como a maioria dos economistas austríacos fazem?

    5-Os primeiros habitantes dos Estados Unidos usavam um papel-moeda que garantia ser aceito no pagamento de impostos, sem dívida. O que causou a fúria dos grandes banqueiros... Se causou a fúria dos banqueiros, então o sistema parece bom, não seria mais ideal apoiar esse então?

    Muito Obrigado!
  • Felix  16/06/2011 08:26
    Parece que a inflação não acompanha o nível de expansão monetária como esperado.
    Se os EUA aumentaram a base de 800 bi para 2,4 tri porque a inflação ainda não deu 300% ?
    Segundo este artigo acima, de 1994 para cá a base no Brasil aumentou 28x,
    e na calculadora do cidadão
    ( https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/exibirFormCorrecaoValores.do?method=exibirFormCorrecaoValores&aba=1)
    dá uma inflação de 1995 para cá de 330% segundo o IGPM.
    Resumindo, uma expansão de 100% não implica inflação de 100% (conforme o senso comum imaginaria). Porquê?
  • Leandro  16/06/2011 10:55
    Felix, trata-se de uma confusão comum, que muita gente comete. Aliás, seria realmente muito estranho se o nível de preços aumentasse exatamente na mesma razão da expansão da oferta monetária.

    Explico.

    Em primeiro lugar, a base monetária não é o melhor indicador. Uma das variáveis dela mensura a quantidade de dinheiro parado no cofre dos bancos. E trata-se de uma variável significativa. Portanto, o M1 seria mais de acordo.

    Segundo, e mais importante, você está partindo da premissa Chicago-keynesiana de que a consequência da inflação monetária é apenas o aumento dos preços, quando o certo seria analisar como os preços seriam na ausência da inflação monetária.

    Se a oferta monetária fosse fixa, os preços tenderiam a cair -- e é essa queda em potencial que é completamente ignorada por todos os índices de preços divulgados. Assim, para termos a exata noção do efeito de uma expansão monetária sobre os preços, temos antes de considerar qual seria a queda potencial nos preços caso essa expansão monetária não tivesse ocorrido.

    E esse raciocínio tem de ficar claro. Em uma economia de mercado, todos os indivíduos trabalham de modo a produzir bens e serviços de maneira cada vez mais eficiente. Nesse cenário, em que a oferta de bens e serviços aumenta constantemente, se a oferta monetária fosse fixa, o preço de cada bem e serviço inevitavelmente cairia com o passar do tempo. Qualquer comportamento diferente desse seria incompreensível.

    Assim, se você considera a inflação apenas aumento de preços, então a estatística que você utiliza está necessária e sistematicamente ignorando a queda natural de preços que também é parte da inflação.

    Para ficar mais claro: suponhamos que, em uma economia qualquer, na qual a oferta monetária fosse fixa, os preços no mercado caíssem naturalmente 5% ao ano. Agora, suponha que um banco central tenha sido criado e que, já no ano seguinte, ocorresse um aumento de 5% nos preços em relação ao ano anterior. Nesse cenário, os economistas diriam que a inflação foi de meros 5%. Mas isso estaria errado. A inflação não foi de meros 5%. Para sabermos a real inflação ocorrida, temos de comparar esse novo nível de preços com o nível que ocorreria caso não tivesse ocorrido uma expansão monetária -- isto é, caso o banco central não tivesse sido criado.

    Assim, tomemos como base o ano anterior à expansão monetária. O nível de preços seria 100 (apenas para facilitar os cálculos). No ano seguinte, caso tudo continuasse como antes -- isto é, com oferta monetária fixa -- haveria uma queda de 5% nos preços. Logo, o nível de preços seria de 95. Porém, como houve uma expansão monetária e os preços subiram 5%, o nível dos preços foi de 105.

    Qual a inflação real do período? Ora, se o nível de preços era para ser de 95, mas foi de 105, então a inflação real do período foi de 105/95 = 10,5%. Ou seja, nesse exemplo simples, a estatística oficial, ao declarar inflação de apenas 5%, declarou menos da metade da real inflação de preços ocorrida na economia.

    Portanto, sempre que você vir um IPCA indicando 6,5%, pense em como ele seria caso não tivesse havido expansão na quantidade de dinheiro na economia. Se a economia tiver produzido 5% a mais de bens e serviços, então o IPCA teria de ser de, por exemplo, -5%. A diferença entre -5% e 6,5% (106,5/95 = 12,1%) foi a real inflação de preços ocorrida.

    Traduzindo, jamais se deve ignorar os efeitos insidiosos da inflação. Analisar apenas índices de preços é algo um tanto afastado da realidade. Caso tenha ocorrido expansão monetária, mesmo que uma economia apresente 0% em algum índice de inflação, ainda assim houve inflação de preços -- haveria deflação na ausência dessa expansão.

    Grande abraço!
  • Gabriel Oliva  16/06/2011 08:50
    "um banco central tem duas funções reais: (1) proteger o sistema bancário, cartelizando-o e permitindo que opere reservas fracionárias sem riscos de insolvência"

    Leandro,

    Você sabe se alguém já escreveu alguma resposta ao George Selgin, que afirmou que todos os bancos de 100% de reservas da história foram patrocinados por governos? O artigo em que ele disse isso é este: www.freebanking.org/2011/05/31/the-state-and-100-percent-reserve-banking/
  • Leandro  16/06/2011 11:36
    Gabriel, o que eu realmente achei interessante nesse artigo do Selgin é que ele próprio, o maior defensor de um sistema bancário com reservas fracionárias mas sem banco central, afirma que todas essas experiências resultaram em quebras bancárias.

    Releia o 5º e o 6º parágrafos. No 5º parágrafo, de acordo com o próprio autor, todos os bancos que operaram reservas fracionárias sem a proteção do governo quebraram. Mesmo aqueles que mantiveram reservas bem altas, de um terço. Pior ainda: foi por causa dessas quebras que o governo passou a se envolver no setor bancário. Tá tudo lá, no 5º parágrafo:

    "Banking in the medieval and renaissance period was a notoriously risky business, so despite typically holding reserves of roughly a third of their deposits private banks often failed. It was partly in response to these failures, and partly out of fiscal motives, that governments first began venturing into the banking business"

    Já no 6º parágrafo, a coisa ficou ainda mais bizarra. De acordo com o autor pró-reservas fracionárias, um banco de reservas fracionárias só "tomou mercado" do banco de reservas cheias porque foi apadrinhado pelo governo. Pior ainda: "it twice had to suspend payments, in each case for many years."

    Ou seja, mesmo sob o guarda-chuvas do governo, o banco de reservas fracionárias teve de suspender a restituição de ouro.

    Eu juro que não entendi como esses argumentos podem ser utilizados a favor das reservas fracionárias.

    Abraços!
  • Rodrigo Constantino  16/06/2011 09:20
    Leandro, raiz de TODOS os males? Aí você pegou pesado e foi simplista demais! Antes da existência de bancos centrais havia o que? Perfeição? Menos...
  • Fernando  16/06/2011 09:45
    Acho que ele acertou, uma vez que a maior arma que inimigos usam contra governos é a dívida. Como Napoleão Disse uma vez: "A mão que dá está por cima da que recebe". Quando um banco, ou um conjunto deles representados pelo banco central faz um empréstimo ele pode fazer exigências que corroem a liberdade, a moral, a honra, e a confiança dos cidadãos.
    E portanto, dizer que o banco central é a raiz está MUITO LONGE de ser simplista ou pesado, MUITO pelo contrário, nunca vi a palavra raiz ser empregada com tanta exatidão!
  • Roberto Chiocca  16/06/2011 09:45
    Ótimo artigo Leandro.
    Apenas deixo aqui meu lamento pela moderação dos comentários permitir a publicação de comentários como o acima, o sujeito claramente leu apenas o título do artigo, trollagem nao deveria ser tolerada neste site.
  • mcmoraes  16/06/2011 13:20
    Obrigado aos moderadores por publicarem o referido comentário.
  • Jeferson  16/06/2011 16:28
    Moderar os comentários vai de encontro aos princípios de liberdade defendidos pelo IMB! "Livre Mercado" também nos "mercados" ideológicos e de expressão! Hehehehe...\r
    \r
    A propósito, excelente texto. Estou cada vez mais "austríaco".
  • Leandro  16/06/2011 09:57
    Constantino, não precisa se apegar ao termo 'Banco Central'. Qualquer substituto é válido. Antes do BACEN havia a SUMOC, e antes da SUMOC havia também o Banco do Brasil sempre pronto a dar crédito fácil aos amigos do rei, bem como o Banco dos Estados Unidos do Brasil, o que nos remonta ao encilhamento de Rui Barbosa.

    Ademais, quem era pobre nos anos 1980 e primeira metade da década de 1990 discorda de você. Não é só porque seu algoz se tornou um pouquinho mais manso que você já deve poupá-lo de críticas -- ademais, diga-se de passagem, de julho de 1994 a maio deste ano, seu dinheiro já foi desvalorizado em 404,4%.

    E essa é apenas a faceta mais explícita dessa instituição perniciosa. Caso consiga me dizer o que está errado no texto, mesmo se há algum conceito incorreto, ficarei grato.

    Grande abraço!
  • Getulio Malveira  16/06/2011 09:55
    Muito bom! Levando em consideração o pequeno mas importante avanço da LRF e o atual impasse nos EUA sobre a elevação do teto da dívida americana, creio que há boas razões para pensar que em um não longo prazo poderemos ter uma discussão sobre a restrição do financiamento do BC ao TN via política monetária. É preciso ser um pouco otista às vezes!
  • Zeca  16/06/2011 10:15
    Sr. Leandro,\r
    Antes de mais nada, + um excelente artigo.\r
    Agora, minhas dúvidas: \r
    Já me perguntaram certa vez o seguinte: Se o governo imprime dinheiro, porque ele se dá ao luxo de pedir emprestado pagando juros? Por que não imprimir o montante suficiente para a sua fome insaciável de gastos evitando tomar empréstimos?\r
    Então eu respondi argumentando que a tomada de dinheiro emprestado via títulos públicos pelo Governo se tratava de um mecanismo complexo utilizado para represar parte da dinheirama colocada na praça, uma vez que as aplicações nos bancos rendem algum trocado para os aplicadores/poupadores/investidores de papéis do Governo. Caso não houvesse esse imenso mercado de títulos públicos remunerados a juros fixados pelo próprio Estado, essa massa de recursos vazaria para o sistema, inflacionando ainda mais os agregados monetários provocando elevações maiores nos preços. Então, o Governo, sabidamente, controla esse fluxo via gerenciamento do juro básico da economia. Quanto maior o juro, maior a retenção desses recursos nos bancos - viabilizando o governo se endividar eternamente...\r
    \r
    Então, lhe pergundto: Faz sentido essa resposta?\r
    \r
    Abraços,\r
    Zeca.
  • Leandro  16/06/2011 10:30
    Prezado Zeca, não apenas faz sentido como é praticamente isso o que ocorre.

    O presidente do IMB, Helio Beltrão, tem uma teoria para a taxa básica de juros no Brasil, a SELIC, ser alta. Segundo ele, um dos principais motivos da SELIC ser alta é porque, durante a década de 1980 e primeira metade da de 1990, muita gente aplicava em títulos públicos apenas para se proteger da inflação. Isso elevou enormemente o M3 e o M4, que é o agregado monetário que considera os títulos públicos.

    Sendo assim, os agregados monetários hoje podem ser vistos como um há hoje um "triângulo invertido" (com a base monetária representada pela ponta da pirâmide, embaixo, e o M3/M4 sendo a base da pirâmide, acima).

    Nos países centrais a pirâmide invertida é "magra", ou seja, a relação entre M3/M4 e a base monetária é bastante menor que no Brasil. Isso significa que no Brasil há enorme pressão ou potencial de que os poupadores (M3 e M4) queiram transformar sua poupança em "dinheiro" (M1), para gastar. Quem segura e impede a conversão é a taxa de juros de curto prazo (SELIC, que é muito próxima ao CDI).

    Porém, com a engorda da pirâmide invertida, a pressão de conversão aumenta - o M3/M4 começa a "pingar" ainda mais no M1. Sendo assim, se a taxa SELIC fosse mais baixa, o pinga-pinga viraria uma cachoeira inflacionária -- e como o Banco Central trabalha com metas de inflação, ele não pode deixar isso acontecer.

    Grande abraço!
  • Getulio Malveira  16/06/2011 17:08
    Ei, interessante essa tese do Hélio. Há algum texto aqui no site ou fora dele onde é exposta mais detalhadamente?
  • Leandro  16/06/2011 17:24
    Ainda não, Getulio. Essa é uma tese própria que o Helio patenteou e só compartilha se lhe pedirem com carinho para que escreva um artigo sobre isso.
  • Getulio Malveira  16/06/2011 19:21
    Ah, então vou pedir com carinho: Hélio, por favor, presentei-nos com um artigo sobre isso! Não seja modesto e, principalmente, não seja egoísta! rsrs\r
    \r
    Acho que mais carinho do que isso "pegaria mal", mas se não funcionar vou fazer uma campanha.
  • Fernando  16/06/2011 10:31
    Pergunta simples, Reposta que chocaria qualquer um: Porque o dinheiro, e a impressora não é de propriedade do governo, mas dos bancos privados!

    Henry Ford certa vez falou que se as pessoas soubessem como que o sistema monetário funciona, no dia seguinte haveria manifestações em todo país! rs
  • Leandro  16/06/2011 10:43
    A resposta não é totalmente correta, Fernando. Em última instância, quem define a criação de dinheiro é o Banco Central. Sem ele, os bancos de fato poderiam expandir meios fiduciários, mas teriam de fazê-lo com muita restrição, pois não haveria Banco Central para salvá-los -- e o Banco Central, vale lembrar, só salva os bancos se quiser.

    Caso o governo do momento não tenha simpatias por determinado banqueiro, o banco dele pode ir à lona. Por outro lado, se o governo tiver muitas simpatias por determinado banqueiro, o Banco Central fará de tudo para ajudá-lo caso esteja em apuros.

    Caso seu problema seja com os bancos, a extinção do Banco Central faria com que eles perdessem uma considerável parcela do poder que detêm hoje.

    O Banco Central é a instituição máxima do planejamento central: é ele quem planeja a quantidade de dinheiro na economia, quem influencia o valor do poder de compra da unidade monetária e quem manipula as taxas de juros para empréstimos. Que mais falta?

    É por isso que ele deve ser abolido.
  • Fernando  16/06/2011 11:24
    Você fala de um jeito como se o Banco Central fosse do governo, mas algumas auto-biografias comprovam que o Federal Reserve, por exemplo, é de propriedade privada e com donos muito bem definidos(O estranho é que sempre tem judeu na jogada...).
    Tanto é, que o tempo de cargo de presidência do Fed não tem relação com o tempo de cargo de presidência da república. Existe hoje uma tal defesa da independência do FED, que ele não pode ser auditado, investigado por governo nenhum!!
    "Isso é muito importante para garantir que assuntos políticos não se envolvam nas questões monetárias"----> faz algum sentido isso?

    Não é MEU problema com banco, é só um reconhecimento do poderio que eles exercem. E com a palavra o ilustre Mayer Amschel Rothschild:

    "Dê-me o controle do dinheiro de uma Nação e pouco me importa quem faça suas leis".
  • Leandro  16/06/2011 11:30
    Fernando, o Banco Central brasileiro é totalmente estatal.

    Já o Federal Reserve é misto. Dizer que o Fed é privado é uma afirmação um tanto forçada. O presidente do Fed é apontado pelo presidente americano, e a autoridade do Fed é derivada do Congresso americano, o qual tem poderes de supervisão sobre o Fed -- embora não tenha -- em tese! -- poderes sobre a política monetária que este adota.

    Ademais, o presidente do Fed, após ser escolhido pelo presidente americano, precisa ser aprovado pelo Congresso.

    É também o governo quem determina os salários de alguns dos funcionários do alto escalão do Fed.

    Agora, o Fed é "privado" em dois sentidos:

    1) Suas 12 sucursais (Boston, Nova York, Filadélfia, Cleveland, Richmond, Atlanta, Chicago, St. Louis, Minneapolis, Kansas City, Dallas e San Francisco) são geridas privadamente (é como se as sucursais do Banco Central no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza etc. tivessem gerência privada). Mas elas apenas obedecem às ordens do Fed de Washington, que é quem manda em todo o sistema.

    2) O Fed como um todo não sofre qualquer auditoria política. Trata-se de uma caixa-preta mais impenetrável que a CIA.

    De resto, concordo com suas afirmações.

    Grande abraço!
  • Fernando Ulrich  16/06/2011 14:06
    Leandro, vale lembrar também que a autorização para o FED funcionar foi concedida pelo congresso americando no Federal Reserve Act de 1913. Logo, tecnicamente, a existencia legal do FED depende sim do governo. Mas seu controle acionário se dá através de instituições privadas.
  • Ronald  18/08/2012 17:10
    Tecnicamente sua resposta está correta, mas na prática, no dia a dia, os principais banqueiros do País participam ativamente de todas as decisões tomadas e tem ciência delas muito antes de todos nós.Além disso tem uma influência muito grande, que não dá aqui para especificar, uma vez que, para a própria liberdade e sossego deles, é melhor que seja assim. Um comando quase invisível e imperceptível. O BC parece mesmo estatal e tudo indica que é, mas nós sabemos muito bem que há este "comando" poderoso por trás.
  • Edik  17/06/2011 11:58
    Fernando,

    O que tem de estranho ter judeu na jogada?
  • Rodrigo Constantino  16/06/2011 12:32
    Meu ponto foi simples, contra o simplismo: o Fed só foi criado em 1913! E antes, havia algo perto da "liberdade plena" que alguns ancaps insistem em acreditar ser algo possível?\r
    \r
    O artigo é bom sim, e chamar a atenção para os riscos do BC é sempre válido (eu mesmo tenho alguns artigos nessa linha, chegando a demandar o fim do banco central). Só não gostaria de cair na falácia de vender uma "solução fácil" ou "mágica" para os problemas econômicos. O título do artigo passou esta impressão. A raiz dos males está no próprio ser humano, logo, SISTEMA ALGUM pode evitá-los. Alguns podem produzir MENOS males, mas é só. Quem sonha com "soluções" precisa acordar logo.
  • Helio  16/06/2011 12:55
    Rodrigo, um artigo qualquer, não pretende nem pode ser uma explicação completa de um fenômeno, e muito menos uma teoria sistemática. E há a famosa licença poética, que deve ser usada em artigos, mas não abusada, claro. O título se utiliza desta licença, mas o texto explica bem o que se quer dizer.
  • Fernando Chiocca  16/06/2011 12:59
    Falando em licença poética em títulos: Sou Imbecil e Ignorante
  • Rodrigo Constantino  16/06/2011 14:04
    Hélio, entendo, mas tenho certo receio desta estratégia, ainda mais quando sei que alguns ancaps realmente acreditam que há "soluções mágicas" para os males que assolam as sociedades, e que tudo se resume à abolir o estado. Simples assim! Contra estes, que adotam postura de seita, eu tento argumentar.
  • Fernando Chiocca  16/06/2011 15:17
    Muito importante ressaltar o quão nefasto o Banco Central é para a liberdade, pois é a fonte maior de alimento do maior inimigo da liberdade, o estado.

    Essa pesquisa realizada um tempo atrás mostra que mesmo os libertários não estavam muito a par do que representa esta instituição.

    Na é poca eu comentei:
    "Fiquei impressionado com o número de votos que recebeu "Padronização da moeda".
    Este é um dos setores que o governo intervém que é mais destrutivo à sociedade.
    Acho que seria o primeiro da minha lista de inadimissíveis.
    O pessoal precisa estudar um pouco mais economia."
  • André Ramos  16/06/2011 15:24
    O que é melhor: os artigos do Leandro ou suas explicações nos comentários?
    Parabéns, Leandro!
  • Leandro  16/06/2011 15:33
    Você é muito gentil e bondoso, André. E exagerado também. Obrigado!
  • Daniel  16/06/2011 15:49
    A existência do banco central fez emergir uma aberração conceitual: ativo livre de risco, um nome bonito para os títulos do governo. No livre mercado e, na verdade, em todo campo da ação humana é possível a existência de um ativo/investimento livre de risco? Creio que não. O prof. Iorio faz questão de enfatizar que "a economia é ação humana ao longo do tempo, nos mercados, sob condições de incerteza genuína". Sem maiores elucubrações sobre "risco-país", os títulos do governo recebem o rótulo de ativos livre de risco porque em última instância podem ser pagos com a impressão de moeda (falsificação) ou com impostos (expropriação de riqueza), fenômenos estranhos à uma estrutura social baseada na propriedade privada e no livre mercado.
  • Lucas Mendes  16/06/2011 17:39
    Parabéns pela excelente aula, Leandro!
  • ANDRE LUIS  16/06/2011 21:34

    É sempre um prazer visitar este site. Quero deixar aqui registrado a minha gratidão pelo esforço de todos vcs em tornar acessível alguns conceitos econômicos, essenciais para o entendimento do mundo em que vivemos. Vejo aqui, por parte de todos os articulistas, a intenção maior de educar, de se fazer claro. Os temas tratados aqui, tais como o do presente artigo, estão presentes em nosso noticiário todos os dias e jamais são compreendidos em sua essência. Qual é o verdadeiro papel do BC? Sua existência, segundo um correto senso das proporções, trazem mais benefícios do que prejuízos para o conjunto dos brasileiros? Estas perguntas não são respondidas nos noticiários ocos e sem senso de valores, nem por pessoas que, ao invés de refutar ponto a ponto o que lêem, preferem recorrer, do alto de sua pretensa superioridade, a velha desculpa de que "economia é muito complicado". A estes, sugiro que elegantemente os ignore até que venham com sólidos argumentos ok.

    Um abraço
  • Diogo Siqueira  16/06/2011 22:54
    ABAIXO AO BANCO CENTRAL!
  • Daniel V.  16/06/2011 23:50
    Ignorando todas as demais consequencias de uma pol. monetária comandada por um BC, apenas a bagunça no cálculo econômico causado pela inflação e incerteza sobre inflação futura ja é razao suficiente para repensar o sistema de reservas frácionárias/BC.\r
    Pensem quantas empresas não foram enganadas com lucros imaginarios por um longo período (vendem ativos pós inflação e apuram como lucros), quantas populações tiveram as poupança de vidas inteiras sendo espoliadas ou ainda setores inteiros inflados pelas intervencoes na ETTJ como bem descreve a TAC.\r
    Enfim, resta-nos comemorar como os governantes e a ata de hj a "pequena" inflação de 7%a.a e espernear que o Brasil é menos arriscado que os EUA (isso ai, CDS é um puta mercado relevante, todo mundo compra para se proteger de um calote americano)\r
  • Jônatas Alves  17/06/2011 11:57
    Leandro, parabéns pelo artigo.

    Não sei se aqui é o local apropriado para perguntar, mas gostaria de saber se o Mises Brasil pretende iniciar algum curso online? Seria muito interessante um curso de economia ministrado online - eu sei que aqui não é o ambiente mais recepitivo- à semelhança do Instituto Olavo de Carvalho. Há algum projeto nessa linha? Pergunto pois isso ajudaria e muito aqueles que, como eu, querem estudar a Teoria Econômica Austriaca.
  • Leandro  17/06/2011 12:15
    Caro Jônatas, obrigado.

    Temos sim. A alta cúpula está planejando cursos online para o ano que vem. E o método do Instituto Olavo de Carvalho está sendo observado por nós como um dos modelos a ser seguido.

    Grande abraço!
  • EUDES  17/06/2011 17:17
    Excelente artigo. A análise da evolução da dívida do governo federal mostra claramente a ferocidade da irresponsabilidade fiscal no Brasil; tudo isso acontecendo numa época que se falou muito, e ainda se fala, em responsabilidade fiscal. Pior ainda, é saber que nada, ou praticamente nada, de importante foi feito no país nos últimos 17 anos; o que realmente temos é o caos aéreo, estradas acabadas, uma capacidade elétrica instalada que é uma ameaça constante de apagão, enfim, uma infraestrutura em ruínas. Para piorar ainda mais a situação, nosso Estado paquiderme impede a iniciativa privada de fazer as importantes obras de infraestrutura, obras essas que são vitais para a nação.
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  19/06/2011 11:12
    Prezado Leandro e equipe IMB\r
    \r
    Mais um excelente texto sobre economia e liberdade feito pelo site.\r
    \r
    O estatismo tem várias facetas e instrumentos como pode ser visto pelo 10 itens exposto no início do texto.\r
    \r
    Mas nenhum instrumento estatal é tão emblemático como o banco central.\r
    \r
    É o banco central que viabiliza o aumento do estado e engole as liberdades individuais das pessoas.\r
    \r
    O banco central, com sua impressão de dinheiro sem lastro, garante que os 9 itens seguintes da lista constante do início do texto sejam realizados, o que o texto demonstra de forma clara.\r
    \r
    Os textos que eu considero mais interessantes sobre economia são aqueles que falam sobre o funcionamento do sistema bancário pois tem-se uma exata medida de como se opera a intervenção do governo na economia.\r
    \r
    A questão monetária é o principal ponto de uma economia de mercado porque a abolição do banco central e o estabelecimento do padrão ouro clássico são garantias efetivas de uma sociedade livre.\r
    \r
    Outro ponto que considero de grande apelo popular é a demonstração da forma como o estado se financia (tributos, inflação e empréstimos), pois este tema afeta, de forma objetiva, as finanças das pessoas.\r
    \r
    Dá até para considerar este texto como uma declaração de princípios libertários.\r
    \r
    Abraços\r
    \r
  • Luciano  19/06/2011 13:03
    O que o tesouro faz quando os títulos públicos em posse do BC vencem, ele os resgata, se sim o que o BC faz com o dinheiro?
  • Leandro  19/06/2011 18:14
    Luciano, quando os títulos públicos que estão em posse do Banco Central vencem, eles são simplesmente rolados -- no caso, o BC pode "comprar diretamente títulos emitidos pela União para refinanciar a dívida mobiliária federal que estiver vencendo na sua carteira." (Como explicado neste artigo).

    Parte do lucro obtido pelo Banco Central em suas operações com títulos públicos é remetida para o Tesouro. Ou seja, o Tesouro lucra com toda a criação de dinheiro do Banco Central.


    Erik, resumiu perfeitamente. Obrigado pelos elogios.


    Abraços!
  • Cerqueira  19/06/2011 20:35
    '10) Acabar com a obrigatoriedade do diploma e liberar o ensino domiciliar (homeschooling).'

    Isso vai ser praticamente comprar briga com a classe dos professores.
  • Thiago Martins  28/06/2011 04:42
    Eu tenho só uma informação para você:

    A ferramenta para acabar com o Banco Central chegou, ela se chama: BITCOIN!

    Abraço!
    Thiago
  • Guiomar de Oliveira  28/06/2011 17:57
    Ola,\r
    \r
    Quero agradecer a publicacao deste rico e informativo artigo que e de grande importancia para "acordar" e informar o povo brasileiro sobre as parafernalias e disadvantages do banco central. Gostaria de saber quando os curos online comecarao, pois tenho grande admiracao por este instituto e quero poder usufruir dele o tanto que eu puder.\r
    \r
    Obrigada pelas informacoes!
  • Edu  20/10/2011 20:01
    Muito bom o texto, Leandro.

    O engraçado é que, o sistema de mercado aberto é inconstitucional. Vejam o que diz a nossa incrível constituição de 88:

    Art. 164. A competência da União para emitir moeda será exercida exclusivamente pelo banco central.

    § 1º - É vedado ao banco central conceder, direta ou indiretamente, empréstimos ao Tesouro Nacional e a qualquer órgão ou entidade que não seja instituição financeira.

    § 2º - O banco central poderá comprar e vender títulos de emissão do Tesouro Nacional, com o objetivo de regular a oferta de moeda ou a taxa de juros.


    Como você disse, é óbvio que dar liquidez e fomentar o mercado secundário (§ 2º) faz o mercado primário ser mais atraente e, portanto, o BCB ajuda o tesouro a tomar empréstimos (§ 1º).

    Esquecendo a contradição acima, tem mais coisas estranhas...existem as operações chamadas "associadas". Nelas os bancos comerciais compram os títulos federais de emissão primária (direto do tesouro, dívida nova), mas os pagam com grana tomada emprestada do BCB, por meio do redesconto!! Essa grana ainda pode sair de graça, caso os bancos paguem o empréstimo no mesmo dia ao BCB.

    Além disso, quando os bancos compram as emissões primárias de títulos diretamente com seu próprio caixa, ou quando saldam a obrigação com o BCB, isso causa queda na liquidez do sistema, na oferta de moeda, como diz a CF/88. E o que faz o BCB? Compra títulos do mercado para restaurar a liquidez e empurrar a selic para a meta!!

    Se nada disso não é financiar o tesouro, então não sei o que seria. Alguém quer entrar com uma ação de inconstitucionalidade??
  • Leandro  20/10/2011 20:23
    Exatamente, Edu.

    Existem várias maneiras de o Banco Central agir indiretamente como financiador direto do Tesouro, o que torna todo o sistema essa máquina nefasta de comer poder de compra do trabalhador (inflação de preços já em 7,5%) e de aumentar continuamente a dívida, algo que se reflete em crescentes quantias dispendidas com o pagamento de juros.

    E vale ressaltar que boa parte destes juros é paga diretamente para o Banco Central, que repassa uma parte ao Tesouro. Ou seja, somos espoliados para pagar juros para o próprio governo. Além de impostos, pagamos também juros para o governo.

    É lamentável que o povo não saiba disso. Como disse Henry Ford, se as pessoas realmente soubessem como funciona o sistema monetário, haveria uma revolução amanhã de manhã.

    Obrigado por sua participação.

    Grande abraço!
  • EUDES  20/10/2011 23:30
    Às vezes pensava nas ordenanças da Constituição de 1988 como também na impressora do Banco Central. Mas, por outro lado, sempre me vinha à mente que nossa Carta Magna não é um livro levado a sério, principalmente pelos políticos.

    "O Brasil não é um país sério", teria dito Charles De Gaulle. Será que o Supremo Tribunal Federal ( STF )está sendo uma instituição séria ? Para muitos, hoje em dia, os ministros do STF são exatamente o contrário do que deveriam ser, ou seja, estas eminentes autoridades estão sendo apenas e meros subalternos do Poder Executivo. Portanto, uma ação de inconstitucionalidade insere pessimismo em muitos brasileiros.

    Leandro, poderia explicar melhor para um leigo esse negócio de o Banco Central receber juros de títulos que estão em posse dele ( BC ) ?
  • Leandro  21/10/2011 00:30
    Eudes, os títulos públicos que estão em posse do Banco Central (os quais o BC comprou do sistema bancário imprimindo dinheiro) continuam coletando juros normalmente, juros estes pagos por nós. Parte desta receita com juros é utilizada para financiar as operações do Banco Central. O que sobra é remetido ao Tesouro.

    Portanto, além dos impostos pagamos também juros ao governo. Mas dá pra contar nos dedos quem realmente sabe disso.

    Abraços!

    P.S.: mensalmente, a imprensa publica notícias do tipo "o resultado fiscal do governo central (Tesouro, Previdência e Banco Central) foi de tantos bilhões". Observe que eles indicam se o BC teve lucro ou prejuízo. Tal contabilidade se refere justamente a este fato de o BC coletar dinheiro de juros. (Veja aqui o mais recente exemplo. O fato de o BC ter tido prejuízo significa justamente que o volume que ele repassou ao Tesouro foi superior ao que ele precisava reter para custear suas operações).
  • mcmoraes  17/05/2012 08:03
    Acabo de assistir a um espetáculo da logística associada ao banco central. Havia dezenas de policiais do grupo de operações especiais armados com fuzis e vestidos com aquele uniforme de guerra camuflado de cinza claro e escuro. Havia também muitos carros do último ano do tipo pick-up preta. No centro de tudo um caminhão lotado de notas fresquinhas recém impressas do banco central. Eu já tinha assistido ao espetáculo muitas vezes pois há anos moro perto de um depósito local do BC. O que mudou dessa vez foi a minha percepção do evento. É impressionante como mudei depois que comecei a estudar a EA. Só posso agradecer por vocês curarem a minha miopia. Muito obrigado!
  • Ramirez  25/12/2012 03:20
    "aquelas que sempre aparecem em todas as listas"

    Amigo Leandro, a quais listas exatamente voce se refere? Todas as listas de neoliberalistas? Como voce definiria liberdade? Seriam a Suecia, a Finlandia e a Dinamarca paises menos livres que o Brazil?

    1) Reduzir acentuadamente os gastos do governo;
    2) Reduzir acentuadamente todos os impostos;

    Sem os gastos do governo perderiamos a variavel mais importante da demanda agregada. A unica capaz de alterar o equilibrio da economia que pode existir num cenario de recessao por exemplo.


    3) Desregulamentar e desburocratizar todos os setores da economia;
    5) Abolir ministérios e agências reguladores;

    Economia sem intervencao do governo converge a monopolios. Monopolios nao repeitam as leis de mercado que os liberalistas tanto exaltam.


    4) Descriminalizar a produção, a venda e o consumo de todas as drogas;

    Nao se conhece os efeitos de longo prazo disso na sociedade. Eh um tanto quanto "irresponsavel" esta afirmacao.


    6) Privatizar todas as estatais;

    Quem teria dinheiro para comprar??? Quando todos os setores estrategicos do pais estiverem na mao de extrangeiros, o que dirao os inflamados que expulsavam o FMI e ainda inflam o peito para defender a soberania nacional e criticar o maquiavelico "imperialismo americano" ???


    7) Acabar com a previdência pública compulsória;

    Em uma sociedade cada vez mais individualista, quem vai tomar conta dos idosos que vao se amontoar pelas ruas a pedir esmolas como no Mexico?

    8) Liberar o porte irrestrito de armas;

    Num pais onde bebados matam milhares de pessoas todos os anos nas estradas talvez nao fosse tao boa ideia arma-los tambem. Infelizmente nao somos um povo com uma maioria de pessoas responsaveis e instruidas.


    9) Acabar com o monopólio estatal sobre a justiça e a segurança;

    A quem serveria a tal justica e policia privada?


    10) Acabar com a obrigatoriedade do diploma e liberar o ensino domiciliar (homeschooling).

    Quem nao gostaria de ser operado por um medico sem diploma??? Ou morar no vigesimo andar de um predio projetado por um profissional que nao eh engenheiro?


    Eu acho que o pessoal que escreve essa lista a que voce se refere cai na mesma tentacao que o PT caia antes de assumir o governo. A tentacao de criticar sem ter a responsabilidade de se comprometer com o resultado.
  • Leandro  26/12/2012 12:08
    Prezado Ramirez, o que seria "neoliberalistas"? Não tenho a mínima ideia do significado deste termo, embora tenha uma singela desconfiança de sua origem. Se você quiser nos rotular, ao menos dê-se ao mínimo trabalho de pesquisar em que realmente acreditamos. Aqui vai uma dica sobre o que pensamos deste tal neoliberalismo:

    Mises contra os neoliberais -- as origens desse termo e seus defensores

    Sobre Suécia, Finlândia e Dinamarca, todos são sobremaneira mais livres do que o Brasil em todos os quesitos que você mencionou, como desregulamentação e desburocratização, ministérios e agências reguladoras, e privatização de estatais. Na Dinamarca, por exemplo, a quantidade de estatais são ínfimas (ao menos em relação ao Brasil).

    Adicionalmente, lá você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil); as tarifas de importação estão na casa de 1,3%, na média (7,9% no Brasil); o imposto de renda de pessoa jurídica é de 25% (34% no Brasil); o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições); os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para um cafezinho); e, horror dos horrores, o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. E tudo com o apoio dos sindicatos, pois eles sabem que tal política reduz o desemprego. Estrovengas como a CLT (inventada por Mussolini e rapidamente copiada por Getulio Vargas) nunca seriam levadas a sério por ali.

    Isso tudo fomenta a acumulação de capital, a qual tem de ser muito alta para alimentar todo o consumo de capital feito pelo governo. É sim possível uma sociedade ter uma alta carga tributária e continuar enriquecendo, mas sua população tem de ser altamente poupadora e incrivelmente produtiva, e a economia tem de ser altamente desregulamentada. Ele precisa acumular capital a uma taxa maior do que o consumo feito pelo governo. Caso a acumulação de capital consiga ser maior do que o consumo de capital feito pelo governo, a sociedade pode enriquecer.


    "Sem os gastos do governo perderiamos a variavel mais importante da demanda agregada. A unica capaz de alterar o equilibrio da economia que pode existir num cenario de recessao por exemplo."

    Se isso fosse verdade, recessões seriam coisas do passado. Bastaria o governo gastar e a prosperidade infinita seria atingida. Nunca mais haveria recessões -- principalmente no Brasil e nos EUA, países em que os gastos do governo crescem anualmente em uma porcentagem superior ao crescimento do PIB. Gostaria, adicionalmente, de saber os fundamentos dessa teoria. Como é que o governo tomar dinheiro de uns para gastar com outros pode enriquecer a todos. Desde quando se você tirar água da parte funda da piscina e jogá-la na parte rasa o nível geral de água na piscina irá aumentar?

    Gentileza deixar a ideologia de lado e se entregar com mais afinco ao estudo sincero das ciências econômicas. Adicionalmente, se quiser dois exemplos práticos de como um genuíno corte de gastos reviveu uma economia, veja aqui:

    1920 - a última depressão na qual um governo não se intrometeu foi também a mais rápida

    Um conto de duas grandes depressões

    Um governo em dieta -- quando os gastos realmente foram cortados

    "Economia sem intervencao do governo converge a monopolios. Monopolios nao repeitam as leis de mercado que os liberalistas tanto exaltam."

    Intervenções do governo é que levam a monopólios. A definição de monopólio é a proibição à entrada de concorrência no mercado. Apenas o governo pode impor barreiras, como a criação de agências de reguladoras, burocracia e carga tributária.

    Monopólios, oligopólios e cartéis só são duradouros quando contam com a proteção do governo, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam, seja por meio de burocracia.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis e oligopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, postos de gasolina etc.).

    E quando não era assim, o que ocorria? Quando o governo não tinha ainda poderes para se intrometer, havia formação de cartel entre os poderosos? Havia "exploração"? Não. O que ocorria era isso.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=366

    Recomendo também este outro artigo: Monopólio bom e monopólio ruim - como são gerados e como são mantidos

    E este outro: Sobre as privatizações (Parte 1)


    "Quem teria dinheiro para comprar???"

    Acho que só um ponto de interrogação basta (é o supra-sumo da arrogância achar que é possível derrubar montanhas de argumentos por meio de um mero aceno ortográfico, eivado desta afetação de superioridade).

    Resposta: quaisquer empreendedores (e os há aos montes ao redor do globo) que julguem ser o preço condizente com uma boa perspectiva de rentabilidade no longo prazo.

    [u]"Quando todos os setores estrategicos do pais estiverem na mao de extrangeiros, o que dirao os inflamados que expulsavam o FMI e ainda inflam o peito para defender a soberania nacional e criticar o maquiavelico "imperialismo americano" ???"[/b]

    E por que estaria eu preocupado com dinossauros?


    "Em uma sociedade cada vez mais individualista, quem vai tomar conta dos idosos que vao se amontoar pelas ruas a pedir esmolas como no México?"

    Isso porque no cenário atual, em que o governo cuida de tudo e todos, e transborda de amor pela população, não há ninguém se amontoando pelas ruas a pedir esmolas, né? Em qual país você vive?


    "Num pais onde bebados matam milhares de pessoas todos os anos nas estradas talvez nao fosse tao boa ideia arma-los tambem. Infelizmente nao somos um povo com uma maioria de pessoas responsaveis e instruidas."

    Já está fazendo campanha para proibir o comércio de automóveis? Se ainda não está, você é um baita incoerente e totalmente despreocupado com a vida alheia. Ah, sim, só de curiosidade: você se considera parte da minoria "responsável e instruída"? Se eu disser que não o considero e que, portanto, defendo que todas as suas liberdades sejam tolhidas, você aceitaria meu veredito sem esboçar nenhuma reação? Questão de coerência. Se você quer determinar o que outros podem fazer, também deve aceitar que outros determinem o que você pode fazer.

    "A quem serveria a tal justica e policia privada?"

    Aos ditames do mercado. Empresas vistas como corruptas perderiam seus clientes e faliriam. Agora é a minha vez: quem supervisiona a justiça e a polícia estatal? A quem elas servem?


    "Quem nao gostaria de ser operado por um medico sem diploma??? Ou morar no vigesimo andar de um predio projetado por um profissional que nao eh engenheiro?"

    Tão original e hilário! Você realmente deve achar que foi o primeiro a fazer tais gracejos. Deve até ter dado soquinhos no ar, gritando: "Agora peguei no pulo estes 'neoliberais' malditos!"

    Pode começar por aqui:

    A obrigatoriedade do diploma - ou, por que a liberdade assusta tanto?

    Educação e liberdade

    A educação livre

    Desregulamentar profissões. Todas!

    O Enem e a liberdade individual

    O cartel dos advogados


    Você ainda está muito contaminado pela ideologia estatizante pregado no ensino brasileiro. Sua escrita pobre e repleta de acenos ortográficos repetitivos (mas pronunciados com aquela afetação de intelectualidade) é um explícito comprovante de sua educação. Gentileza se entregar com mais afinco aos estudos.

    Grande abraço!
  • Henrique Mareze  27/01/2013 00:00
    "permitindo que opere reservas fracionárias sem riscos de insolvência"
    O que significa isso?
  • livre-pensador pertubado  31/01/2013 18:04
    Leandro por favor esclareça(eu e os demais leitores internautas).O banco central enquanto banco emissor possui qual percentagem de papel moeda e moeda metalicas em relação a seu ativo e por acaso você saberia me responder qual é a proporção que ele usa para encomendar as notas e moedas à casa da moeda do brasil(ex.x% para a nota de R$100,00,y% para a nota de R$50,00 e assim sucessivamente de acordo com a demanda)e se existe essa informação no site do banco central qual seria o link.
    O IMB continua a cada dia melhor.
  • Emerson Luis  15/01/2015 13:12

    "6) Privatizar todas as estatais" e desestatizar a economia.

    O Banco Central foi inventado basicamente para realizar o oposto do que afirmam ser sua função: em vez de combater a inflação, ele a mantém em doses controladas. Sua abolição enfrenta dois problemas, entre outros: (1) a maioria nasceu e cresceu após sua criação e o considera parte natural e fundamental da sociedade e economia; (2) ele proporciona enorme fonte de poder e os "donos da bola" não querem ficar menos poderosos.

    * * *
  • Juliana  06/03/2015 12:50
    Prezados,

    Há dias, talvez semanas, que eu estou para fazer esta pergunta, e encontrei um bom lugar: vocês acreditam mesmo em tudo o que o artigo diz?

    Na verdade é uma pergunta que serve para trocentos assuntos, mas este aqui - relativo aos bancos centrais - é simplesmente perfeito: além de ser dos mais favoritos, é também supostamente a raiz de todos os males. Queria saber se alguém realmente acredita nisto. Seria bom se alguém pudesse responder.

    Abraços!
  • Paes  06/03/2015 13:22
    Sem tirar nem acrescentar. E pode ler esse aqui também, que dá um passo adiante nesse tema:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1966
  • Juliana  06/03/2015 17:11
    Perfeita recomendação, Paes, porque é exatamente disto que eu estou falando. O site impecavelmente oferece as análises, as informações, o conhecimento, e também soluções ou alternativas, mas sem querer impor nenhuma delas como sendo certas ou trabalhar nelas como um projeto. Até aí é compreensível.

    Agora o leitor não precisaria de toda essa formalidade não. Vejo muitos elogios, muitos tapinhas nas costas, mas ninguém que diga "é isso!", no sentido de fazer o Brasil entender - hoje mesmo - porque o Banco Central precisa ser abolido, ou operar de acordo com os ensinamentos da escola austríaca, ou com um Currency Board,... Mas é só uma especulação minha.

    E muito obrigada pela resposta.

    Grande abraço!
  • Charles  27/05/2015 04:02
    Muitos educadores financeiros recomendam o tesouro direto como forma de investimento mais segura e mais rentável do que a poupança, devido ao fato de o primeiro ser garantido diretamente pelo tesouro nacional. Mas, a julgar pelo teor do presente artigo e de outros, uma boa parte da própria inflação considerada para os cálculos dos rendimentos e preservação do poder de compra no futuro parece ser criada justamente pelo fato de esses títulos públicos existirem e serem negociados nos mercados.

    O individuo pode fazer o que quiser com seu dinheiro, é claro, mas por princípio, após conhecer o modus operandi dos bancos centrais, um libertário deveria se abster de investir em títulos públicos?
  • Gabriel  22/07/2015 23:46
    Boa noite, Leandro não seria mais viável politicamente proibir o tesouro de emitir títulos? visto que propor a abolição do bacen seria um suicídio político?
  • Leandro  24/07/2015 20:24
    Apóio na hora, mas teria de ser um projeto de lei bem claro. Explico.

    Proibir o Tesouro de emitir títulos significa que o governo, dali em diante, tem de incorrer em um déficit nominal zero.

    Isso é bom?

    Sim, se o déficit for zerado por meio exclusivamente de corte de gastos. Não, se o déficit for zerado por aumento de impostos.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1996
  • Enrico  24/07/2015 22:27
    Ainda que o déficit nominal zero fosse atingido por aumento de impostos, não seria uma melhoria relativa?

    Afinal, haveria mais crédito disponível e as gerações futuras estariam livres de uma dívida que governos eleitos por gerações anteriores.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  28/07/2015 13:30
    Leandro,

    Que taxa de crescimento da base monetária (M0) seria razoável o BCB projetar para trazermos a inflação abaixo de 2-2,5%, considerando o multiplicador monetário para os empréstimos bancários (a efetiva entrada do dinheiro na economia), um crescimento de pib da ordem de 3,0% e um superávit de 0,5% pib no Balanço de Pagamentos (câmbio a R$3,00)? E levando em conta um ajuste possível com o atual arranjo do bacen?

    Notei que de 2008 pra cá a base monetária simplesmente dobrou (2x). No mesmo período, os empréstimos bancários quadruplicaram (4x, nominais). Em contrapartida, tivemos um aumento pequeno no Produto e superávits no Balanço de Pagamentos (em 2011, bastante razoável, por exemplo). É claro que uma parte desse crédito concedido se transformou em investimento (ainda que o processo de desindustrialização siga sua marcha), mas o resultado foi uma inflação acumulada de 55% (IPCA).

    PIB: www.tradingeconomics.com/charts/brazil-gdp.png?s=wgdpbraz&d1=20080101&d2=20151231

    Inflação: www.tradingeconomics.com/charts/brazil-inflation-cpi.png?s=bzpiipcy&d1=20080101&d2=20151231

    M0: www.tradingeconomics.com/charts/brazil-money-supply-m0.png?s=brazilmonsupm0&d1=20080101&d2=20151231

    Empréstimos: www.tradingeconomics.com/charts/brazil-loans-to-private-sector.png?s=brazilloatoprisec&d1=20080101&d2=20151231

    BoP: agnrn.com/wp-content/uploads/2014/09/superavit-e1411590846912.jpg

    Produção Industrial: www.tradingeconomics.com/charts/brazil-industrial-production.png?s=bzipyoypct&d1=20080101&d2=20151231

    Crédito ao setor privado: www.tradingeconomics.com/charts/brazil-private-sector-credit.png?s=brazilpriseccre&d1=20080101&d2=20151231


    Essa conta, se elaborada na ponta do lápis, mais ou menos fecha?! É por aí mesmo?

    Abraço, Mestre.


  • Daniel Ribeiro  29/01/2016 17:54
    Ótimo artigo.

    A propósito, só acrescentando que a prática de aumentar a base monetária já existia desde o Império Romano, quando vários imperadores diminuíam a porcentagem de metais preciosos das moedas para fabricarem mais quantidade delas e desta maneira cobrirem seus gastos - e isso gerou obviamente inflação. Ou seja, não existia Banco Central, mas a prática falaciosa é a mesma. Incrível como a história se repete!

    Mas eu gostaria de tirar uma dúvida, Leandro.

    Muitas vezes, quando argumento nos debates que o governo utiliza esta tática de impressão de dinheiro para cobrir seus gastos, os debatedores me perguntam: "Me prove que o governo imprimiu dinheiro, principalmente recentemente!". Isto é, eles querem provas reais de que houve expansão monetária. Daí eu não consigo responder. Tento investigar em algum site do governo sobre emissão de títulos públicos, mas não encontro evidência - pelo menos pra mim, que sou leigo.
    Às vezes eu uso o argumento de que a maior prova da expansão monetária é a inflação, mas daí esse argumento, embora óbvio para alguns, não é suficiente para muitos. Eles querem uma prova real e incontestável de que tenha havido emissão de dinheiro, e em quais datas específicas.

    Então eu pergunto, como obter essas provas reais?

    Abraços

    Ps: a pergunta foi dirigida ao Leandro, mas quem puder me ajudar na resposta, por favor fique à vontade para escrever.
  • Coeficiente 100%  29/01/2016 18:57
    Daniel,

    a resposta a sua pergunta é:

    sistema bancário de reservas fracionárias. É daí que vem a expansão creditícia ex nihilo.

    Tem diversos artigos aqui no site a respeito.
  • Leandro  29/01/2016 21:14
    Primeiro comece por aqui (este artigo aborda apenas a teoria; caso já a domine, pode ignorá-lo):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=344

    Depois vá aqui (mostra o funcionamento do sistema bancário na prática):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387

    Depois pule pra cá (mostra os números da expansão do crédito):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1854


    E então termine com esse gráfico do Banco Central, que representa todo o dinheiro que existe na economia:

    postimg.org/image/kqmo8pvzp/
  • Leonardo Furtado  20/05/2016 17:58
    Leandro,

    Poderia por gentileza sanar uma única dúvida minha nesse processo feito pelo BC...

    Quando o BC compra os títulos em poder dos bancos privados, esses títulos ficam sobre propriedade do banco central. Sendo assim, como fica as remunerações que o governo deve repassar (indexação Selic)? O governo perde a obrigatoriedade?

    Certo de sua atenção.
  • Leandro  20/05/2016 19:08
    Continua pagando juros normalmente. E essa receita de juros é contabilizada pelo BC em seu resultado de exercício e engrossa seus lucros operacionais.
  • anônimo  20/05/2016 22:29
    Uma boa medida seria entrar na zona do Euro.

    Esse turma do banco central brasileiro vai afundar o país.

    Por mais maluco que sejam os europeus, eles são mais responsáveis do que nós.
  • Raphael Nurow  09/07/2017 02:07
    Olá, Leandro. Tudo tranquilo?

    Depois de ler vários textos seus e de diversos outros autores/analistas do Mises Brasil e do Mises USA, e especialmente de ver inúmeros vídeos de caras como Peter Schiff e Mike Maloney, comecei a investir em ouro e prata, e me tornei um ferrenho defensor desta maneira de pensar (e agir).

    Pois bem, outro dia estava debatendo com um amigo sobre investir no Tesouro (a grande vedete de todo mundo aqui no Brasil, ao que me parece...) X investir em metais preciosos. Entre outras coisas, escrevi isto aqui, defendendo uma "teoria" um tanto surpreendente pra ele:

    "A diferença é que comprar ouro e prata é investir em real money, enquanto que ir pra qualquer modalidade que tenha a ver com em Real, Dólar, Euro etc. é investir em currency (números na tela de um computador/papéis coloridos infinitamente inflacionáveis, sem lastro em nada – ou melhor, com lastro em dívida – e com valor intrínseco zero). Currency é algo bem diferente de real money, e o desconhecimento em relação a isso faz com que as pessoas em geral não entendam como as coisas funcionam.

    Investir no Tesouro significa depositar confiança no Real. Só que nossa moeda (que, claro, é currency, e não real money) é tão fraca que conseguiu a façanha de levar apenas 23 anos pra se desvalorizar num percentual que o Dólar – que está em queda livre e colapso iminente – levou cerca de 100 anos pra se desvalorizar. E investir no Tesouro também significa depositar confiança Estado brasileiro, aquele polvo mastodôntico que está há décadas e décadas impedindo que o país se desenvolva economicamente. Que belezura, não?

    Fora o óbvio fato de que investir no Tesouro (ou títulos públicos em geral) significa contribuir diretamente para o aumento do montante de dívida do Estado, já que os títulos emitidos são nada mais que novas dívidas em cima de dívidas pré-existentes. Ora, se as duas vias básicas que o Estado usa para saldar dívidas, no fim das contas, são a inflação e o aumento da carga tributária, então investir em títulos públicos significa automaticamente 1) contribuir diretamente para que o Estado se mantenha numa bola de neve de endividamento; e 2) pagar para manter a própria moeda em constante desvalorização. A própria emissão dos títulos já aumenta automaticamente, inclusive, o volume de moeda circulante na economia. Isso tudo significa, também, contribuir para que os mais pobres continuem sendo esmagados pela inflação e pelos impostos, e manter os empreendedores (e o setor privado como um todo) com dificuldade para poupar, investir, acumular capital e consequentemente aumentar a produtividade.
    Em suma, olhando a partir de uma visão menos míope: INVESTIR EM TÍTULOS PÚBLICOS AJUDA A EMPOBRECER O PAÍS. [Ok, muitos investidores vão converter os lucros em acúmulo de capital e aumento de produtividade, mas isso talvez só mantenha o jogo no "zero a zero", porque o cobertor é sempre curto...]
    A bala é até bonitinha, mas o tiro sai pela culatra.

    Viva o keynesianismo! Viva a inversão (falaciosa e criminosa) de prioridades! Viva o Estado gigante!

    Enfim: considerando isso tudo, será mesmo que é um investimento inteligente? Há mesmo comparação, em qualquer grau, entre investir no Tesouro e investir em ouro e prata?"

    Minha pergunta, Leandro: você acha que eu estou missing something? Minha explicação é infundada? Ou você concorda comigo?
    Sua palavra é de valia inestimável pra mim.

    Obrigado.
    Abraços!
  • Leandro  09/07/2017 15:11
    Tudo o que você falou está corretíssimo. Agora, quanto a ser um "investimento inteligente", bom, aí vai depender do seu conceito de "inteligente".

    Para alguns, ganhar acima da inflação de preços é algo inteligente. Travar uma alta taxa de retorno por um longo período de tempo também é considerado inteligente por alguns. Não entrarei neste juízo de valor.

    Mas o fato é que, para quem realmente sabe operar no Tesouro Direto (isto é, entrando e saindo nos momentos certos), tal pessoa certamente irá enriquecer muito em termos reais. E isso pode ser considerado inteligente.
  • Raphael Nurow  09/07/2017 17:16
    Obrigado por responder, Leandro.
    Concordo com você que há possibilidade real de enriquecimento se a pessoa souber investir no Tesouro. Não há como questionar a alta probabilidade de ganho pessoal imediato.

    Mas levanto 2 questões:
    1) questão de ordem moral. Se eu sei que o investimento no Tesouro talvez seja o único que gera enriquecimento à custa do empobrecimento do país e da manutenção do cerne de nossos problemas econômicos (creio que isso não aconteça quando se investe em metais preciosos, na poupança ou em ações de empresas privadas), então isso automaticamente passa a ser um dilema pra mim.

    2) questão de ordem prática. Será que é mais jogo ser um cara, digamos, de "classe média alta" num país atrasado e estagnado como o Brasil ou ser um cara apenas de "classe média média" num país desenvolvido de 1º mundo? [A primeira opção representa o que um cidadão médio, comum, conseguiria fazendo investimentos no Tesouro. A segunda representa aquilo que eu profundamente gostaria que o cidadão médio brasileiro alcançasse, por meio de educação econômica e esforços para que o capitalismo, a liberdade de mercado e as ideias e práticas liberais em geral fossem finalmente uma realidade.]

    Enfim, divagações de um cara bastante crítico...

    Valeu!
  • Alfredo Balena  09/07/2017 17:44
    1) Concordo quanto aos metais, mas é só. Todas as outras aplicações financeiras estão ligadas ao governo. Mesmo que você aplique exclusivamente em fundos de investimentos e em CDBs, você estará emprestando para o governo. Os bancos sempre direcionam uma parte desse dinheiro para títulos do governo.

    Aliás, mesmo que você aplique em LCIs e LCAs, você ainda está emprestando para o governo. Empreendimentos imobiliários são feitos com recursos da Caixa e agricultores trabalham com empréstimos subsidiados do Banco do Brasil.

    Comprar ações? Certamente a empresa ou recebe subsídios do governo, ou trabalha em um mercado regulado pelo governo, ou é protegida por tarifas de importação.

    Debêntures? São empresas de infraestrutura ou de energia elétrica, todas as quais fazem obras para o governo com dinheiro de impostos.

    No Brasil, não tem como escapar.

    2) Eu já me peguei pensando bastante a este respeito. Eu sou um cara de classe média alta, e não trocaria minha vida no Brasil para ser classe média baixa nos EUA. Aqui no Brasil, poupar recompensa. Ser frugal compensa. Lá fora, não. Minha maior preocupação no Brasil é ter moeda forte, que me possibilite viajar e importar coisas baratas. Havendo isso, não troco o Brasil por nada. Moro no interior, a segurança é boa, os preços são baixos. Sou bem servido naquilo que desejo. Quando quero, viajo. Não preciso de mais do que isso.

    Isso é algo que um sueco não consegue (quantas vezes você já viu um família sueca em viagem para o exterior?).
  • Raphael Nurow  09/07/2017 23:11
    Obrigado por comentar, Alfredo.
    1) Interessante seu ponto. Realmente uma infinidade de coisas estão intrincadas de uma forma ou de outra com os tentáculos do Estado. Ainda assim, creio que haja uma diferença entre investimentos privados que "acabam - ou não - tendo alguma relação com a atuação estatal" e investimentos que só são possíveis à custa, necessariamente, de empobrecimento do país.
    Do jeito que o sistema funciona, até o próprio mercado de ouro e prata sofre manipulações. Anyway, investir em metais ainda é a forma mais, digamos, "isenta" (e sensata) de pensar sobre isso tudo.

    2) Entendo teu ponto. É algo bastante pessoal, claro. Joguei a pergunta só pra reflexão mesmo.
    Mas... como você mesmo concorda, uma condição essencial pra que valha realmente a pena se "contentar" com o Brasil é a moeda ser forte, só que isso não poderia estar mais longe da realidade por aqui. Como eu mencionei antes, não só o Real é currency, como é uma currency fraca pra caramba, que se desvaloriza numa velocidade absurda.
    Além disso, acho bastante discutível a ideia de que "poupar aqui compensa, mas lá (EUA), não". No atual cenário, já presente há muitas décadas, creio que sejam similares as dificuldades e as vantagens da frugalidade, seja aqui ou lá. Muitos dos problemas econômicos daqui e de lá têm, de certa forma, raízes semelhantes. O brabo pra eles é ter de lidar recorrentemente com crashes econômicos (como o próximo que está por vir e será avassalador). Mas se a poupança for feita com base em real money, dá pra vida ficar mais tranquila...

    3) Pra fechar: o "lá" também pode ser Europa, Canadá, Austrália etc. Apesar de eu não ter base concreta pra comentar sobre o lance da família sueca em viagem, creio que haja uma série de fatores (uns mais culturais, outros mais circunstanciais) que geram essa diferença de comportamento. Pra mim, sempre fará sentido ser poupador em países mais desenvolvidos e disciplinados economicamente do que o nosso, ainda mais se a moeda for forte e o Estado for tradicionalmente mais estável no campo político-econômico.

    Abraços!


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