A saga e o inimigo

"Quem viveu, vai se identificar; quem não viveu, se espantará com o que se passou".  Assim alerta Miriam Leitão em seu mais recente livro, "Saga Brasileira", sobre a história monetária do país nos últimos 30 anos.

Apesar da pouca idade, vivi parcialmente o período de descontrole inflacionário.  Incluo-me, portanto, muito mais no segundo do que no primeiro grupo. E decididamente, o espanto é enorme. Mais assustador ainda é dar-se conta de que todo o sofrimento é causado por erros de políticas públicas — muitas vezes amparadas por uma teoria econômica errônea, quando não criminosa.

Além do espanto, é impossível não sentir profunda tristeza, ao deparar-nos com histórias pessoais de tragédia, causadas pela ingerência monetária de nossos governantes.

De Plano em Plano, políticas nocivas, o empobrecimento crescente, a redistribuição de riqueza visível e o povo na penúria.  Do Plano Cruzado veio o congelamento de preços e uma nova moeda.  Do congelamento de preços, a inevitável escassez.  Ou popularmente, o desabastecimento, naturalmente causado por impor preços aquém do que seriam em um livre mercado, desincentivando a oferta por gerar perdas aos produtores e inflando a demanda através de um preço artificialmente baixo.  Além disso, a fixação arbitrária de preços produzia distorções não somente de cunho econômico, mas também moral e legal, tornando criminoso o empresário que se recusava a praticar preços que o levariam à bancarrota, quando, na verdade, a grande contravenção era perpetrada desde Brasília que jorrava dinheiro na economia.  Na esfera econômica, Miriam relembra fatos bisonhos, frutos desta política insana, como o preço dos carros novos em relação aos usados:

Essa foi uma das várias distorções que surgiam. Como o carro zero tinha preço controlado, sumia das revendedoras, ou por demanda, ou por boicote dos produtores. O carro usado, que era mais difícil de ter preço congelado, já que seu valor dependia de inúmeros fatores, passou a ocupar mais espaço no comércio de veículos. Foi nessa época que o país conheceu o ágio. A mercadoria sumia, mas reaparecia quando o comprador aceitava pagar mais caro.[1]

O varejo acabava sendo o setor mais visado e suscetível a ataques políticos e populistas.  Em dado momento, o então delegado Romeu Tuma, poucas horas após o anúncio do Plano Cruzado, declarou "que qualquer cidadão podia prender o responsável [por aumentar os preços fora do congelamento]"[2].  Obviamente, logo após o incidente, foi obrigado a negar tal declaração.  Varejistas eram criminosos.  Os políticos, os salvadores. Infelizmente a população em geral comprava essa idéia e assumia sua responsabilidade em "fiscalizar" os preços diariamente, enquanto em Brasília, a gastança continuava solta.

É difícil identificar qual política é a mais danosa a economia.  Mas com grande segurança podemos afirmar que inundar a economia com dinheiro e congelar preços é uma combinação extremamente destrutíva.  Criminosa.  O desabastecimento generalizado é o inevitável resultado.  No Plano Cruzado, a situação foi tão crônica que o IBGE já não conseguia calcular adequadamente alguns índices de preços, pois simplesmente não mais se encontravam diversos produtos nas prateleiras[3].

E o que dizer dos efeitos nefastos à vida familiar, que acabava por ocasionar embates nos lares das famílias (principalmente de classe média e mais pobres) que faziam malabarismo para comprar o estritamente necessário à sua sobrevivência cada vez que recebiam seus salários?  Maridos reclamavam que suas esposas não sabiam calcular e esgotavam a renda familiar, enquanto estas nada podiam fazer com um dinheiro que perdia o seu valor a cada dia.

Quem viveu intensamente este Plano, certamente se recordará do episódio de grande simbolismo desta época: a Polícia Federal sobrevoando fazendas para encontrar bois gordos e desapropriá-los, na vã tentativa de forçar os produtores a reabastecer o mercado com carne, o bem que simplesmente sumiu dos supermercados[4]. Uma verdadeira comédia, não fosse realidade.

Nos planos que se seguiram pouco mudou, pois a verdadeira causa do aumento de preços na economia não era atacada.  As distorções seguiam e a hiperinflação se aproximava.  A bizarrice daqueles tempos era estampada nos jornais com matérias sob o título de "Deu a louca nos preços":

Um fogão de brinquedo poderia custar mais do que um fogão de verdade. Você poderia comprar um blazer de linho ou uma geladeira pelo mesmo valor; podia escolher fazer um estoque de 42 conjuntos de calcinha e sutiã ou comprar um carro zero; adquirir um vidro de óleo Johnson ou cinco quilos de carne. Os jornais traziam comparações para que as pessoas não se perdessem naquele labirinto[5].

Antes da estabilidade, tivemos que enfrentar uma das maiores aberrações em termos de política econômica, o confisco do Plano Collor.  Com muita perspicácia, Miriam relata inúmeras histórias de dramas pessoais, frutos deste inesquecível episódio.  Ironicamente, foi nesta época que medidas importantes para o avanço do país foram tomadas, como a abertura da economia e o início das privatizações.  O estado começava a diminuir. Ademais, pequenas liberdades na área cambial foram concedidas aos cidadãos brasileiros.  Não seria mais preciso carregar todo o dinheiro em espécie ou em traveller checks em viagens ao exterior.  Com a permissão do cartão de crédito internacional os brasileiros passaram a ser turistas normais, e não mais estrangeiros suspeitos com pilhas de notas de 100 dólares escondidos ao redor do corpo[6].

Com a chegada do Real, parecia haver vida após o amanhã.  O horizonte foi alargado.  Finalmente seria possível planejar, poupar e investir com relativa segurança.  As privatizações continuaram e o sistema financeiro se aperfeiçoou.  São inegáveis os avanços institucionais no âmbito monetário.  Nos quinze anos de 1979 a 1994 o Brasil teve treze Ministros da Fazenda e um aumento de preços medido pelo IPCA de 13.342.346.717.617,70%. Sim, treze trilhões e nem-vale-a-pena-escrever-o-resto por cento. Nos quinze anos seguintes, até dezembro de 2009, foram apenas três Ministros da Fazenda e um aumento de 196,87% no IPCA[7].  Sem dúvida alguma, uma diferença gritante.

Identificando o inimigo

Miriam Leitão escreveu este livro para que "os que já se esqueceram possam se lembrar, para que os não viveram possam saber.  E todos contem aos filhos e netos o que se lembram daquela loucura.  E, assim, sabedores do que é uma tragédia inflacionária, os brasileiros possam se proteger contra esse inimigo, que, mesmo derrotado, sobrevive à espreita, aguardando uma fraqueza, um erro, uma leniência qualquer"[8].

É preciso louvar o extraordinário trabalho realizado pela autora.  Trazer à tona os fatos de um passado tragicômico, não muito distante, é realmente notável.  Recuperar à nossa lembrança as situações estapafúrdias, as tragédias pessoais, o empobrecimento generalizado do nosso país, e o tempo perdido naqueles anos loucos é algo digno de elogio.  Talvez nenhum outro período da história do país tenha contribuído tanto para a concentração de riqueza e a desigualdade.  A leitura desta obra é obrigatória para economistas e leigos interessados em conhecer o passado recente e louco que o povo brasileiro enfrentou.  No entanto, ao terminar o livro, algumas perguntas permanecem sem respostas conclusivas: quem é o inimigo?  O que causa a inflação?  O que é a inflação?

Em economia se ensina que a inflação é um aumento generalizado dos preços.  Esta é, também, a noção popular deste fenômeno.  Entretanto, esta definição é imprecisa e incorreta.  Inflação, na verdade, significa um aumento de dinheiro em circulação.  Quando isto ocorre, tudo o mais constante, os preços tendem a subir. Inflar a moeda, aumentar a quantidade de dinheiro em circulação, criação de meios fiduciários ou de pagamento, injetar liquidez, expandir a oferta monetária, impressão de dinheiro, entre outras expressões do gênero, são todos sinônimos de inflação, e a consequência inevitável é um aumento generalizado dos preços.

Se há uma maior oferta monetária (dinheiro em circulação) e uma mesma quantidade de bens e serviços a serem adquiridos, os preços destes tendem a subir — ou, dito de outra forma, o poder de compra da moeda tenderá a cair, pois serão necessárias mais unidades monetárias para adquirir o mesmo bem.  O dinheiro perdeu valor.  A moeda depreciou-se.  Os produtos encareceram.

Mas quem emite a moeda?

O Banco Central.

Então quem gera inflação, causando um aumento generalizado de preços é o próprio Banco Central[9]?

Exatamente.

Por que somente ao BC é concedido o direito de emitir moeda?

Segundo o Art. 164 de nossa Constituição de 1988, é competência da União emitir moeda, a qual será exercida exclusivamente pelo BC.

Por que compete somente à União emitir moeda?

Pois exatamente assim foi definido na mesma Constituição, artigo 21.

Satisfeito com esta resposta?  Imagino que não.

Julgamos necessário fazer uma breve digressão para que o leitor compreenda o que é e como surgiu o dinheiro. Pois bem, a moeda, ou o dinheiro em sentido amplo, surgiu no mercado através das inúmeras relações de troca entre os indivíduos em um dilatado período de tempo.  O dinheiro, ou o meio de troca, resolvia o problema do escambo: se tenho pão em abundância e necessito adquirir uma camisa, preciso encontrar alguém que tenha camisa e queira receber pão em troca.  As trocas diretas, ou escambo, reduziam as possibilidades de transações. A forma que os indivíduos encontraram foi trocar bens mais comercializáveis não com intuito de consumi-los, mas para posteriormente trocá-los pelo bem que era realmente desejado, a chamada troca indireta.  Logo, o meio de troca, comumente chamado de dinheiro, possibilita uma infinidade de transações, permitindo a divisão ou especialização do trabalho e o desenvolvimento da economia.

Historicamente, os bens que se sobressaíram nesta função foram o ouro e, em menor medida, a prata.  Nenhum governo, monarca, ditador, ou afim, precisou decretar que algo era dinheiro. As pessoas, pacificamente e livremente, escolheram estes metais como os bens que melhor desempenhavam a função de meio de troca. Desgraçadamente, através de um longo processo histórico, e com o intuito de financiar seus crescentes gastos, governos se apropriaram da produção deste bem, culminando no atual arranjo monetário de papel-moeda emitido monopolisticamente pelos governos.

O leitor atento poderá pertinentemente pensar: "Muito bem, ainda que o estado detenha o monopólio de emissão de moeda, nada impede os cidadãos de livremente escolher outra moeda para transacionar". Infelizmente, este direito também nos foi tirado.  A moeda emitida pelo Banco Central tem curso legal forçado, isto é, condição definida em lei, que torna obrigatória a aceitação da cédula ou moeda nacionais nas transações econômicas realizadas no país[10]. São vedadas também aos cidadãos brasileiros, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de pagamento expressas em, ou vinculadas a, ouro ou moeda estrangeira, conforme Lei nº 10.192, de 14 de fevereiro de 2001.

Em suma, é vedado exercer o direito de escolha no que tange às questões monetárias.  O que os indivíduos elegeram livremente como dinheiro por milênios, o ouro, é hoje proibido por lei de ser utilizado em transações comerciais. No Brasil, este mesmo arranjo legal e monetário imperou pelo menos durante os últimos 30 anos.  E assim seguimos hoje em dia[11].

Após esse curtíssimo resumo histórico e legal da moeda, podemos retornar ao ponto central e constatar que o verdadeiro inimigo é o próprio estado brasileiro, sob o comando do Banco Central.

Inflação é uma política, não um fenômeno sem causa conhecida[12].  O responsável por aumentos de preços de mais de 80% ao mês, 20%, ou 0,5% ao mês, continua sendo o mesmo, o Banco Central.  Sendo parte intrínseca do problema, o BC jamais será a solução.

O que precisa ser debatido no país não é que nível de inflação seria o mais atraente ao crescimento econômico, mas sim se este é acima de tudo um sistema viável e benéfico.  Apesar de infinitamente menos prejudicial, IPCA ao redor de 200% nos últimos 15 anos não é algo desejável.  Almejar IPCA em 4%, 6%, ou 2% é uma mera tecnicalidade que ofusca o verdadeiro problema: o próprio sistema em si.  Perseguir uma dada taxa de aumento de preços é reduzir o poder de compra da moeda ano após ano, sistematicamente.  Moeda que perde seu poder de compra constantemente não é precondição para prosperidade econômica e tampouco pode ser uma política a ser adotada.

Não devemos negar os enormes avanços institucionais realizados nos últimos 20 anos e em especial desde a introdução do Real.  No entanto, é preciso reconhecer que o sistema que gerou inflação de milhares por cento ao ano é o mesmo que gera 6,5% ao ano.  A extinção da conta-movimento, a privatização de Bancos Estaduais que financiavam a gastança de estados perdulários, o fim da política cambial que gerava ainda mais inflação, a relativa ordem na área fiscal, entre outros, foram melhorias e avanços fundamentais dentro de um mesmo sistema[13], isto é, Banco Central com monopólio de emissão de moeda amparado por leis de curso forçado.  Felizmente, o Plano Real trouxe avanços consideráveis, permitindo que o sistema estancasse a emissão maciça de moeda, destruindo o poder de compra da mesma.

É necessário enfatizar que um Banco Central não é uma evolução natural do livre mercado.  Fazendo uma análise histórica, verificamos sucessivos privilégios concedidos ao sistema bancário praticante de reserva fracionária, em que os direitos de propriedade dos depositantes eram sumariamente revogados, permitindo que os bancos atuassem à margem dos princípios tradicionais do direito.  As fortes pressões deste setor, para que o governo os socorresse durante as inerentes crises deste sistema, culminou na criação da figura do Banco Central, uma entidade capaz de orquestrar a expansão monetária e resgatar a banca em momentos de apuros.  Bancos Centrais nasceram do privilégio legal, e assim permanecem operantes nos dias de hoje.  Um Banco Central representa, portanto, o ápice da intervenção estatal no âmbito monetário.

Um governo pode financiar-se com impostos ou empréstimos.  Com um Banco Central e seu monopólio de emissão da moeda, o estado pode arcar com seus gastos através de uma terceira via: impressão de dinheiro. Nos anos 80 e início dos 90, era exatamente essa forma que prevalecia.  Após a introdução do Real, tal via foi substancialmente reduzida.  Entretanto, ainda segue em funcionamento.

Quanto à independência do BC, podemos dizer que é um debate inútil.  Em primeiro lugar, pois evita a questão central sobre se sequer é necessário existir tal instituição.  Em segundo, o que há entre o Banco Central e o governo é uma total interdependência e confluência de interesses.  Sem a chancela do estado, o BC não existe; e na ausência deste, o estado não é capaz de financiar-se e continuar expandindo-se além da economia ano após ano.

Conclusão

O país não venceu a hiperinflação.  O governo parou de hiperinflacionar.  Enquanto não desmistificarmos definitivamente o inimigo, jamais poderemos erradicá-lo.  Enquanto a população acreditar que a inflação é algo do além, sem causa devidamente explicada, a ser combatido por todos e, ironicamente, capitaneado pelo governo, jamais poderemos por um fim nesta política insana.

Com o Plano Collor o estado iniciou o processo de redução da sua interferência na economia.  Fernando Henrique Cardoso deu sequência a este processo reduzindo ainda mais o estado-empresário.  Infelizmente, testemunhamos o caminho inverso no último mandato do ex-presidente Lula, parcialmente justificado sob o pretexto da crise financeira de 2008.  Os infindáveis desembolsos praticados pelo BNDES, o inchaço da máquina estatal e o inevitável aumento generalizado dos preços nos últimos meses são consequências diretas do sistema monetário sob o qual somos obrigados a viver.

Será que voltaremos àqueles anos de índices de inflação de dois dígitos ao ano?  Ao mês?  Faz-nos refletir quando assistimos o que se passa no nosso vizinho argentino, onde o governo parece estar determinado a acabar com a economia, multando empresas que divulgam índices de inflação acima dos oficiais (leia-se maquiados)[14], enquanto o estado imprime dinheiro sem parar acabando com o valor de sua moeda.

Se existe um bem que não deve estar na mão do estado é justamente o dinheiro.  No mercado ele surgiu, e este deve ser o seu guardião.  Críticos de moeda privada alegam que esta não funciona.  O que não funciona é o governo sujeito as restrições da moeda privada.  É uma crucial diferença.

Miriam Leitão define a "Saga Brasileira" como sendo "a longa luta de um povo por sua moeda".  Humildemente, ofereço uma leve, mas essencial, alteração: a longa luta de um povo contra a moeda imposta pelo estado.

___________________________________________________________________

Notas

[1] Leitão, Miriam, Saga Brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda (São Paulo, Editora Record, 2011), Pg. 58

[2] Ibid, Pg. 66

[3] Ibid, Pg. 68

[4] Ibid, Pg. 74

[5] Ibid, Pg. 127

[6] Ibid, Pg. 241

[7] Ibid, Pg. 243

[8] Ibid, Pg. 136

[9] Não é intenção deste artigo identificar todos os causadores de inflação (aumento de dinheiro em circulação), como o sistema bancário supervisionado pelo BC e o sistema de reservas fracionárias que cria depósitos do nada, o chamado multiplicador bancário. Portanto, nos focaremos no Banco Central, por ser este o elo principal do atual arranjo monetário sob o qual vivemos.

[10] Banco Central do Brasil - Meio Circulante, Terminologia http://www.bcb.gov.br/?MECIRGLOSS

[11] Curiosamente nosso BC está estudando a possibilidade de permitir o uso de moedas estrangeiras para pequenas transações em virtude da Copa de 2014 http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/05/bc-defende-uso-de-moeda-estrangeira-por-turistas-no-brasil.html

[12] Ver Mises http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=577

[13] Para maiores detalhes nas causas de inflação e hiperinflação dos anos 80 e 90 ver o artigo de Leandro Roque http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=313

[14] No dia 30/05/2011, o jornal Valor Econômico publicou a bizarra notícia de que na Argentina o restaurante McDonald's não mais publicava ou anunciava os preços do BigMac, nem mesmo dentro de suas próprias lojas, supostamente por pressão governamental. http://www.valoronline.com.br/impresso/especial/101/433903/sem-reajuste-big-mac-desaparece-das-lojas-argentinas-do-mcdonalds

 

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SOBRE O AUTOR

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 


Meu caro, pelo seu discurso você nunca foi liberal e nunca entendeu o que é ser liberal. E ainda tem coragem de vir com esse apelo sobre pobreza.

Gostaria de fazer uma pergunta a todos vocês:
Pois não.

Vocês já foram Pobres pra saber?
Nasci pobre, muito prazer.

Vocês já tiveram um parente morto por bala perdida?
O que isso tem a ver com capitalismo/liberalismo? Você está misturando segurança pública (que é MONOPOLIO do estado), que alias é altamente ineficiente (no Brasil, morrem 56.000 pessoas por ano, o maior indice do mundo, a gente perde até pra India, que é 43.000 por ano, outro país com alto controle estatal e burocrático) com conceitos economicos. O estado nega aos seus cidadãos o próprio direito de se defender com uma arma e mesmo assim é incapaz de solucionar o problema.

Falam tanto em mercado, economia. Mas nunca vi um liberal que enriqueceu graças a todo seu conhecimento na área, algum de vocês é rico por acaso? Maioria que vejo é classe média, acho gozado porque se manjam tanto de produzir valor e riqueza vocês deveriam ser ricos..Mas não é isso que eu vejo.

Ai meus deuses... essa foi triste.
1) O Brasil está muito longe de ser um país livre, economicamente. É o país que fica em 118 lugar no índice de liberdade econômica.

2) Ser liberal não é uma formula para ser rico e sim defender que as pessoas tenham a liberdade para efetuarem trocas entre si sem intervenção constante do Estado por via de impostos e regulações. É dessas trocas de valor que a riqueza é produzida. Cada um teria a liberdade de crescer de acordo com suas habilidades e viver num patamar de vida que julga confortável, mas repito, o Brasil NÃO É E NUNCA FOI UM PAÍS LIVRE, ECONOMICAMENTE. Você se dizia liberal e não sabe desse básico. Aham. To vendo.

Eu já fui liberal, ai cai na real com a vida, vi que esse papo de mercado não é bem assim.
Não, amigo, você nunca foi liberal. Sinto muito. Ou você está mentindo ou você diz ser uma coisa que nunca entendeu direito o que é (o que mostra o seu nível de inteligência).

Inclusive, um amigo meu foi pra Arabia Saudita, ele disse que lá existem muitas estatais e assistencialismo e o país enriqueceu assim mesmo...

Aham, beleza, usando a Arabia Saudita como exemplo:

Saudi Arabia's riches conceal a growing problem of poverty

"The state hides the poor very well," said Rosie Bsheer, a Saudi scholar who has written extensively on development and poverty. "The elite don't see the suffering of the poor. People are hungry."

The Saudi government discloses little official data about its poorest citizens. But press reports and private estimates suggest that between 2 million and 4 million of the country's native Saudis live on less than about $530 a month – about $17 a day – considered the poverty line in Saudi Arabia.


Opa, perai, como é que 1/4 da população da Arabia Saudita vive abaixo da linha da pobreza? Você não disse que era um país ótimo, rico, cheio de estatal e assistencialismo? Explique isso então.


Falam de acabar com o imposto mas negam toda a imoralidade que a ausência deste geraria, como injustiças e até coisas que ninguém prever.

Que imoralidades, cara-palida? Favor discorrer.

Favor, tentar novamente. Essa sua participação foi muito triste.


Poderiam responder o comentário desse Leonardo Stoppa:
Estranho, hipócrita é dizer que o socialismo atual compete com o capitalismo. Comunismo sim complete com capitalismo mas socialismo é uma forma de redistribuição que, quando interpretada por pessoas que estudam economia a partir de livros de economia (e não Olavo de Carvalho) é uma espécie de segurança ao capitalismo.

Se um dia você entender que existe conhecimento além do que você conhece você vai ver que dentro do conceito atual de socialismo estão as formas de redistribuição de renda (SUS, Fies, Bolsas). Em países de primeiro mundo a galera acaba usando essa grana inclusive para comprar iPhone, logo, é um socialismo que serve ao capitalismo pois deixar essa grana parada na conta de um milionário vai resultar na venda de 1 iPhone para apple, agora, quando redistribuído vira vários iPhones.

O problema da sua visão é que você estuda em materiais criados sob encomenda. Você deixa de estudar em livros de economia para aprender pelas palavras de um cara que é pago por aqueles que pagam os impostos, ou seja, aqueles que são contra a redistribuição, logo, você abre mão do conhecimento para a alienação.

Socialismo não é comunismo. Pode vir de certa forma assemelhado nos livros antigos, mas depois da segunda guerra mundial e principalmente depois da queda da URSS, ficou claro que não há em se falar em controle centralizado e ausência de propriedade privada, mas quem estuda um pouco de economia e sociologia sabe que a intervenção e a redistribuição são importantes atividades governamentais para salvaguardar a atividade industrial.

A final, de que adianta ter industrias de ultima geração se apenas 1% do povo compra seus produtos??

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • void  07/06/2011 10:59
    ÓTIMO artigo! Adorei isso aí.
  • Felix  07/06/2011 11:18
    Ouço diariamente os comentários da Mirian na CBN,
    creio que ela não compreende a origem do processo inflacionário
    mas não tenho certeza pois ela tem muito conhecimento e experiência...
  • augusto  07/06/2011 11:53
    Ela entende perfeitamente a parte "tecnica" do processo inflacionario: imprimir dinheiro = inflacao. Mas como a maioria dos economistas, ela acredita que basta ter as "pessoas certas" no "comando" da economia, que nao teremos inflacao.
  • Fernando Ulrich  07/06/2011 12:02
    No livro ela não deixa claro entender perfeitamente o que gera aumento de preços. Em várias passagens ela se refere a expansão monetária, em inúmeras outras ela afirma que não há uma simples causa da inflação, é um processo muito complexo. Não dá para saber se ela entende de fato. Ouso dizer que não.
  • Breno Almeida  07/06/2011 18:54
    Também me parece que ela não entende o que seja inflação.
  • Daniel Marchi  07/06/2011 13:07
    Excelente artigo, Fernando. Conheço algumas pessoas que leram e gostaram desse livro. No entanto repetem a mesma falha da autora, qual seja, o desconhecimento das verdadeiras causas do inferno vivido nos anos 80 e 90.

    Você mencionou aqueles que entendem que a inflação vem do além, Mas a definição tradicional (e errada) de inflação faz surgir no imaginário popular uma outra interpretação danosa. Ao se definir a inflação como aumento do "nível geral de preços" fica fácil concluir que a mesma é causada pelos empresários. Afinal de contas, quem é que em última instância aumenta os preços? Claro, os empresários com a sua ganância incontrolável. Tem-se, então, um ambiente assaz favorável ao governo. Ele gera a inflação e as pessoas culpam os empresários por isso. Note-se que, não por acaso, a definição errada de inflação conta com intensa "propaganda" estatal.

    sds.
  • Heber  07/06/2011 21:09
    O Estado, juntamente com seus bajuladores e beneficiários, criou essa definição de que a inflação vem do além com a intenção de legitimar este processo. A referida comentarista e autora é uma dessas que propagandeiam essa versão cor de rosa estatal
  • Fernando Ulrich  07/06/2011 14:27
    Perfeita observação Daniel.
  • Daniel Marchi  07/06/2011 18:18
    Ainda especulando sobre o regime monetário e o "imaginário popular". No padrão-ouro, por exemplo, o pacato cidadão percebe que de tempos em tempos os bens e serviços caem de preço ou melhoram de qualidade). O empresário é bem visto e admirado. Sob o fiat-money, a elevação dos preços é uma constante na vida das pessoas, sem falar na deterioração dos produtos. Os empresários são criticados diariamente e estão sempre sob suspeita. Em qual desses dois regimes o cidadão comum demandará mais intervenção do estado? Certamente no segundo. A intervenção que culmina no papel moeda de curso forçado acaba por geram um ambiente político favorável a mais e mais intromissões do estado na sociedade.
  • Angelo Noel  07/06/2011 14:34
    Parabéns pelo artigo, Ulrich.
    Já tinha lido algumas vezes sobre o tal do "dragão inflacionário", mas com os exemplos do livro q vc expôs, pude ter uma mínima noção da destruição financeira q o estado promove.

    Abraço a todos.
  • Diogo F  07/06/2011 15:26
    Parabéns, excelente artigo. Sugiro trocar o "destrutível" por "destrutivo" [6º parágrafo].
  • Felipe André  07/06/2011 16:17
    Excelente artigo, Fernando. Parabéns!
  • Mauricio  07/06/2011 16:27
    Blame de message, not the messenger!!!!!
  • Ricardo Sulyak  07/06/2011 17:43

    Show de Bola!!

    A não compreensão da verdadeira causa do que se difunde como sendo a inflação, ou melhor, a incompreensão do verdadeiro conceito de inflação em sua origem, resulta no insucesso de impedir a manifestação de seus efeitos na economia, tudo isso porque na realidade ao invés de se tratar da causa, alterando-a de modo a fomentar o progresso, procuram sempre trabalhar em seus efeitos somente;

    De modo que, tal aspecto é análogo ao tratamento de um enfermo em estado febril em que os doutores se esforçam somente no controle da temperatura para que este não se encontre mais em estados precários delírio e calafrio em função da alta temperatura do corpo, esquecendo-se ou ignorando de tratar e buscar a infecção no organismo de modo a eliminar a fonte desse mesmo estado febril...


    Abraços

  • Getulio Malveira  07/06/2011 17:53
    Muito boa indicação de leitura. Sobre as causas da inflação é interessante notar que muitos economistas não-austríacos identificam o processo inflacionário como um mecanismo de redistribuição de renda ou "poupança forçada". Talvez eu esteja apenas vendo o que prefiro ver, mas acho que muitos deles compreendem, mesmo que imperfeitamente, as causas da inflação. Lendo "Industrialização e Desenvolvimento Econômico do Brasil" de Werner Baer, por exemplo, isso me fica muito claro.
  • augusto  07/06/2011 18:12
    Estranho voce dizer que inflacao eh vista como um processo de poupanca forcada. A primeira coisa que acontece no processo inflacionario eh a destruicao da poupanca e o estimulo ao consumo imediato: nao comprar hoje significa nao poder mais comprar amanha.
  • Getulio Malveira  07/06/2011 19:09
    Como não sou economista profissional, não sei se estou fazendo uma correta interpretação desses autores, mas no meu entender a noção de "poupança forçada" normalmente aplicada para explicar a inflação entre as décadas de 40 e 60 implica a idéia de um mecanismo de transferência de renda entre setores da economia (primário para o secundário) e entre consumidores e empresas já que os setores subsidiados ou financiados pelo governo seriam favorecidos pela desvalorização contínua da moeda. Realmente o termo "poupança" aí parece bem inadequado porque a abstenção de consumo presente induzida pela inflação não implicaria em consumo futuro, o que está implícito no próprio conceito de poupança. Penso que o que o governo promoveu no período foi pura e simples redistribuição de renda com claro efeito de concentração, o que de certo modo continua a fazer até o hoje.
  • Erick Skrabe  07/06/2011 19:47
    Augusto,

    O termo "poupança forçada" foi traduzido do "forced saving" mas ñ é muito preciso.

    Talvez "poupança imaginária" ou "poupança percebida" fossem melhor: a inflação cria a ilusão de que existem mais recursos na sociedade (ou poupança) do que efetivamente existem. É só é uma ilusao: só existe mais papel.

    Por coincidencia o Prof. Ubiratan estava comentando exatamente isso hj.

    Getulio - ótimo ponto... mas eu ainda acho q os economistas ñ austríacos ñ dizem coisa com coisa. Na verdade as bases do estudo da Economia hoje em dia são baseados em premissas erradas.

    A começar pela medição de inflação. Pra que é que o governo precisa medir ? - ñ sei se vc entende o meu ponto: além de gerar a inflação, o governo ainda usa os índices de inflação para interferir ainda mais na economia.
  • Getulio Malveira  07/06/2011 20:19
    Concordamos inteirametne, Erick. Mas ainda acho válido o esforço para entender mainstream economics, nem que seja para traçar contrapontos.\r
    \r
    A questão dos indices de inflação me parece se encaixar na questão mais geral sobre a matematização da economia, principalmente quanto aos agregados normalmente tratados pela atual macroeconomia. Concordo inteiramente contigo: a mensuração é outro instrumento de intervenção - talvez esteja aí a grande sacada do governo: enquanto se elabora indices de inflação a partir da variação dos preços dos bens, a variação dos preços é tomada como se fosse a própria inflação, quando não é mais que seu efeito.
  • mcmoraes  07/06/2011 22:21
    @Erick Skrabe: "Pra que é que o governo precisa medir?"

    Ótima pergunta! Eu nunca tinha pensado dessa forma, mas faz todo o sentido. É puro sadismo. É o mesmo que dar um soco em uma pessoa, tentar medir a quantidade de dor que essa pessoa sentiu por causa do soco e, ainda por cima, dizer que o soco é para o próprio bem da pessoa. Valha-me Deus!
  • anônimo  08/06/2011 08:02
    A começar pela medição de inflação. Pra que é que o governo precisa medir ? - ñ sei se vc entende o meu ponto: além de gerar a inflação, o governo ainda usa os índices de inflação para interferir ainda mais na economia.

    A ideia, até onde consigo entender, é mais ou menos assim: o governo pode fazer uma economia crescer de imprimir uma certa quantidade de dinheiro e, ao mesmo tempo, criar programas de "investimento em infra-estrutura" e "programas sociais". Esse dinheiro adicional seria supostamente distribuído de tal maneira que a economia realmente passaria a crescer e o país ficaria mais rico.
    Na teoria, isso poderia até funcionar. Porém, essa ação dependeria de um grupo de pessoas que soubesse exatamente onde injetar dinheiro, como injetar dinheiro, por que injetar dinheiro, quando injetar dinheiro e por quanto tempo injetar dinheiro. Isso também dependeria de uma leitura de todas as mentes de todos os indivíduos, além de um estudo detalhado de todas as necessidades de todas as pessoas.
  • augusto  08/06/2011 09:22
    "Na teoria, isso poderia até funcionar."\r
    \r
    Esse site eh inteiramente dedicado a mostrar que isso nao funciona - nem na teoria, nem na pratica... :-)
  • rafael  08/06/2011 19:51
    > Na teoria, isso poderia até funcionar. Porém, essa ação dependeria de um grupo de pessoas que soubesse exatamente onde injetar dinheiro, como injetar dinheiro, por que injetar dinheiro, quando injetar dinheiro e por quanto tempo injetar dinheiro. Isso também dependeria de uma leitura de todas as mentes de todos os indivíduos, além de um estudo detalhado de todas as necessidades de todas as pessoas.

    este artigo fala sobre isso, talvez lhe interesse www.mises.org.br/Article.aspx?id=852
  • JORGE  08/06/2011 00:34
    \r
    "Miriam Leitão define a "Saga Brasileira" como sendo "a longa luta de um povo por sua moeda". Humildemente, ofereço uma leve, mas essencial, alteração: a longa luta de um povo contra a moeda imposta pelo estado."
    \r
    \r
    Gostaria de fazer também uma alteração.\r
    Foi "a longa luta do povo que produz para deixar de ser roubado."\r
    \r
    Mas não adiantou muito, o povo que produz parou de ser roubado de uma forma e passou a ser roubado de outra.\r
    A nova forma de roubar o povo que produz foi a geração de uma imensa dívida interna e a cobrança de uma enorme carga tributária para paga-la.\r
  • @negoailso  08/06/2011 01:23
    o confisco da poupança que collor cometeu acho que foi meio que alguém explicou, mal e mal, o que era a inflação, ou seja, excesso de grana. daí ele confiscou a grana toda. JÊNIO [e ladrão]
  • Ricardo Sulyak  09/06/2011 00:01

    Show de Bola!!

    A não compreensão da verdadeira causa do que se difunde como sendo a inflação, ou melhor, a incompreensão do verdadeiro conceito de inflação em sua origem, resulta no insucesso de impedir a manifestação de seus efeitos na economia, tudo isso porque na realidade ao invés de se tratar da causa, alterando-a de modo a fomentar o progresso, procuram sempre trabalhar em seus efeitos somente;

    De modo que, tal aspecto é análogo ao tratamento de um enfermo em estado febril em que os doutores se esforçam somente no controle da temperatura para que este não se encontre mais em estados precários de delírio e calafrio em função da alta temperatura do corpo, esquecendo-se ou ignorando de tratar e buscar a infecção no organismo de modo a eliminar a fonte desse mesmo estado febril...


    Abraços
  • Emerson Luis, um Psicologo  30/12/2014 09:40

    O pior de tudo é constatar que tantos anos de sofrimento absurdo não geraram nenhum aprendizado na maioria da população. Tanto é que em 2014 escolheram continuar com o governo mais demagógico, mais intervencionista e (consequentemente) mais gerador de inflação.

    * * *


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