Seis erros fundamentais da atual ortodoxia econômica
por , segunda-feira, 6 de junho de 2011

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5216.jpgÀ medida que a recessão nos EUA e na Europa foi se aprofundando e a derrocada financeira foi progredindo de rompante em rompante ao longo dos últimos 20 meses, comentários sobre os problemas da economia mundial foram se avolumando assustadoramente.  Especialistas fizeram suas perorações; jornalistas e editores reportaram e opinaram; comentaristas de rádio sopraram e bufaram; políticos e burocratas falaram mais incoerências do que o habitual; acadêmicos desajeitados e inábeis, reagindo perante a luz das câmeras como cervos assustados com os faróis dos automóveis, gaguejaram e se enrolaram durante suas breves exposições como personagens televisivas.  Todos nós fomos inundados por uma efusão interminável de diagnósticos, prognósticos e receitas, sendo que pelo menos 95% de tudo que foi dito tem sido pavorosamente ruim.

Já o essencial de tudo o que foi dito também foi ruim pelas mesmas razões.  A maioria das pessoas que se arvora possuir algum conhecimento especializado sobre economia baseia-se em um arranjo comum de pressuposições e modos de pensamento.  Rotulei essa mixórdia pseudointelectual de "keynesianismo vulgar".  Trata-se exatamente da mesma conversa oca que tem sido confundida com sabedoria econômica por mais de 50 anos e que, ao que tudo indica, se originou com a primeira edição do livro Economics (1948), de Paul Samuelson — o livro-texto de economia mais vendido de todos os tempos e com o qual uma pluralidade de várias gerações de universitários aprendeu tudo o que sabe sobre análise econômica.

Desde então, essa visão foi se arraigando nos discursos adestrados, na mídia e na política, e acabou se estabelecendo como uma ortodoxia.

Infelizmente, essa maneira de pensar o funcionamento da economia — em particular, suas flutuações gerais — é um emaranhado de erros tanto de encargo quanto de omissão.  O pior de tudo tem sido as implicações políticas derivadas desse modo de pensar — acima de tudo, a noção de que o governo pode e deve utilizar políticas monetárias e fiscais para controlar a macroeconomia e estabilizar suas flutuações.  Apesar de ter se originado há mais de meio século, essa visão parece ter sido tão vital em 2009 e 2010 quanto foi em 1949.

Consideremos, então, brevemente, os seis mais egrégios aspectos dessa infeliz abordagem, para que possamos entender e lidar com os ciclos de expansão e recessão de economia.

Agregação

John Maynard Keynes persuadiu seus colegas economistas (e estes, depois, persuadiram todo o público) de que faz sentido pensar a economia em termos de um punhado de agregados econômicos: renda ou produto total, consumo total, investimento total, gasto governamental total e exportações líquidas totais.  Se as pessoas ainda se lembram de algo de suas aulas introdutórias de economia, elas provavelmente irão se lembrar da equação: Y = C + I + G + (X - M).

Algumas vezes, as variáveis do lado direito da equação são substituídas por Q x P, dando a ideia de que a oferta agregada (o produto físico vezes o nível de preços) é igual à demanda agregada, que, por sua vez, é igual à soma dos quatro tipos de gastos monetários com bens e serviços finais recém-produzidos.

Essa maneira de condensar diversas transações de vasta amplitude econômica em variáveis únicas possui o efeito de suprimir todas as complexas relações e diferenças que existem dentro de cada um desses agregados.  Assim, dentro desse sistema, o efeito de se adicionar $1 milhão de gastos em investimento para aumentar os estoques de ursinhos de pelúcia é o mesmo de se adicionar $1 milhão de gastos em investimentos para a escavação de novas minas de cobre.  Do mesmo modo, $1 milhão em gastos de consumo com ingressos de cinema possui o mesmo efeito de $1 milhão em gastos de consumo com gasolina.  Igualmente, $1 milhão em gastos governamentais com vacinas contra a paralisia infantil possui o mesmo efeito de $1 milhão em gastos governamentais com a aquisição de munições 7,62 milímetros.

Não é necessário raciocinar muito para se imaginar algumas maneiras em que a supressão das diferenças dentro de cada um dos agregados irá fazer com que nosso pensamento econômico entre em sério desarranjo.

A realidade é que "a economia" não produz uma massa indiferenciada de coisas a que chamamos de "produto".  Ao contrário, os milhões de produtores que geram "oferta agregada" fornecem uma variedade quase infinita de bens e serviços específicos que se diferem entre si de inúmeras maneiras.  Ademais, uma imensa porção das atividades que ocorrem em uma moderna economia de mercado consiste em transações entre produtores que não ofertam bens e serviços "finais", mas sim matérias-primas, componentes, produtos intermediários e serviços entre si. 

Dado que esses produtores estão conectados entre si por meio de um intrincado padrão de relações — as quais devem assumir determinadas proporções para que todo o arranjo funcione corretamente —, haverá consequências críticas dependendo do que, em particular, será produzido, quando, onde e como.

Essas extraordinariamente complexas micro-relações são aquilo a que realmente nos referimos que falamos sobre "a economia".  Definitivamente não se trata de um processo único e simples no qual se produz uma gororoba uniforme e agregada.  Ademais, quando falamos de "ação econômica", estamos nos referindo às escolhas que milhões de distintos indivíduos fazem quando selecionam um modo de ação e reservam uma possível alternativa.  Se não há escolha, se o indivíduo não estiver limitado pela escassez, não há uma genuína ação econômica. 

Assim, o keynesianismo vulgar, o qual se pretende um modelo econômico, ou no mínimo um arcabouço coerente de análise econômica, acaba por excluir a própria possibilidade de uma genuína ação econômica, substituindo-a por uma simples concepção mecânica — o equivalente intelectual a um brinquedo de bebê.

Preços relativos

O keynesianismo vulgar não leva em consideração os preços relativos e nem as mudanças em tais preços.  No arcabouço keynesiano, há somente um preço, o qual é chamado de "o nível de preços", e representa uma média ponderada de todos os preços monetários pelos quais são vendidos todos os incontáveis bens e serviços da economia.  (Há também a taxa de juros, a qual é tratada como um preço de uma maneira limitada e enganosa, e sobre a qual falarei mais tarde).  Se os preços relativos mudam — algo que obviamente sempre ocorre, mesmo durante os períodos mais estáveis —, calcula-se apenas a média dessas mudanças, de modo que o nível agregado de preços é afetado apenas de modo discreto e analiticamente irrelevante.

Portanto, se a economia se expande em determinados setores, mas não em outros, de modo que a configuração dos preços relativos foi alterada, os keynesianos vulgares sabem que "demanda agregada" e a "oferta agregada" aumentaram, porém eles não têm a mínima ideia do porquê e nem de que maneira ambas aumentaram.  Tampouco eles se importam com isso.  Na sua visão, o produto agregado da economia — o único produto que eles tratam como digno de observação — é guiado pela demanda agregada, sendo que a oferta agregada irá reagir mais ou menos automaticamente a essa demanda agregada.  E não importa se aumentou apenas a demanda por pepinos ou, para citar um exemplo que o próprio Keynes utilizou, apenas a demanda pela construção de mais pirâmides.  Tudo o que importa para a economia é aumentar a demanda agregada.[1]

Como o keynesiano vulgar não tem consideração pela estrutura de produção da economia, ele não consegue entender por que a expansão da demanda em certas linhas de produção, mas não em outras, pode ser algo problemático.  Na sua visão, não é possível haver, digamos, um excesso de casas e apartamentos.  Um aumento nos gastos por casas e apartamentos, na visão dele, será algo bom sempre que a economia estiver com recursos ociosos (desempregados), independentemente de quantas casas e apartamentos estejam hoje vazios e independentemente de quais tipos específicos de recursos estejam ociosos e onde eles estejam nesta vasta terra. 

Ainda que os trabalhadores desempregados sejam, por exemplo, habilidosos mineiros que trabalham na extração de prata em um extremo do país, supostamente será algo bom se, de alguma forma, a demanda por apartamentos tiver aumentado no outro extremo do país, pois, para o keynesiano vulgar, não existem classes de trabalhadores individuais ou mercados de trabalho distintos: mão-de-obra será sempre uma mesma e única variável.  Se alguém — não importam suas habilidades, preferências ou localização — estiver desempregado, então, no arcabouço keynesiano, esse alguém voltará a estar empregado tão logo a demanda agregada seja aumentada suficientemente, não importa em que o dinheiro venha a ser gasto, seja em cosméticos ou em computadores.

Essa total simplicidade existe porque o produto agregado (Q) é uma simples função crescente da mão-de-obra agregada (L): Q = f(L), onde dQ/dL > 0.

Observe que essa "função de produção agregada" possui apenas uma entrada, a mão-de-obra agregada.  Os trabalhadores aparentemente produzem sem a ajuda de bens de capital!  Se pressionado, o keynesiano vulgar irá admitir que os trabalhadores de fato utilizam bens de capital, mas irá insistir que o estoque de capital pode ser considerado como "dado" e constante no curto prazo.  E — esse é um ponto muito importante — todo o seu aparato de raciocínio é voltado exclusivamente para ajudá-lo a compreender esse curto prazo.  No longo prazo, ele pode insistir, estaremos "todos mortos", como Keynes famosamente disse[2]; ou ele poderá simplesmente negar que chegaremos ao longo prazo caso raciocinemos em cima de uma série de "curtos-prazos", um encaixado diretamente no outro.

O keynesiano vulgar, com efeito, considera que viver para o presente, e apenas para o presente, é uma grande virtude.  Em qualquer momento oportuno, o futuro pode ser seguramente deixado de lado, pois este irá se resolver sozinho.

A taxa de juros

O keynesiano vulgar se importa com a taxa de juros, mas apenas em um sentido muito restrito.  Para ele, a taxa de juros é o "preço do dinheiro" — isto é, um aluguel pago sobre o dinheiro emprestado.  Tal ato de pegar emprestado é sempre bom, e quanto maior for o volume de empréstimos, melhor, pois os indivíduos utilizam dinheiro emprestado para comprar bens de consumo, desta forma "criando empregos"; e um emprego é a melhor coisa que existe no universo conhecido.  Assim, quanto menor a taxa de juros, mais as pessoas irão se endividar e gastar, e melhor a economia irá funcionar, pelo menos enquanto ainda houver algum desemprego em qualquer região do país.

Dado que algum desemprego sempre vai existir, o keynesiano vulgar está sempre querendo que a taxa de juros seja menor do que ela é, independentemente de quão baixa ela esteja.  Se ela puder ser artificialmente reduzida por meio de intervenções do banco central, ele ardorosamente irá defender tais ações.  Nos EUA, o Fed já reduziu a taxa básica de juros — a taxa que os bancos cobram uns dos outros em seus empréstimos interbancários — para o valor de zero; ainda assim, conceituados economistas já sugeriram a excêntrica ideia de que a taxa de juros deve ser negativa — veja Mankiw 2009. (Onde eu assino para um empréstimo?)

O keynesiano vulgar não entende o que realmente significa a taxa de juros.  Ele é incapaz de compreender que se trata de um crucial preço relativo — o preço de bens disponíveis hoje em relação ao preço de bens disponíveis no futuro.  Lembre-se, o keynesiano vulgar jamais pensa em termos de preços relativos, sendo assim perfeitamente natural que ele seja incapaz de reconhecer como a taxa de juros afeta a escolha entre consumo e poupança — isto é, agir de modo a possibilitar mais consumo futuro, porém sem consumir a renda atual.  Em um livre mercado, uma redução na taxa de juros é consequência do desejo de se consumir menos no presente, direcionando mais consumo para o futuro.

Um livre mercado abrangeria ofertantes de fundos para serem emprestados e demandantes destes fundos, de modo que a taxa de juros prevalecente no mercado seria aquela que iguala a quantidade que os demandantes querem pegar emprestado à quantidade que os ofertantes querem emprestar.  Entretanto, tanto ofertantes quanto demandantes estão fazendo suas escolhas de acordo com sua "preferência temporal", isto é, a taxa na qual estão dispostos a trocar bens presentes por bens futuros.  Pessoas com uma "alta taxa de preferência temporal" estão ávidas para gastar hoje ao invés de deixar para mais tarde; logo, para induzi-las a abrir mão de seu consumo presente, os tomadores de empréstimo devem compensá-las pagando uma taxa de juros mais alta para poderem utilizar seus fundos.

Embora os keynesianos vulgares reconheçam que uma taxa de juros mais baixa irá estimular as empresas a pegar mais dinheiro emprestado e investi-lo, eles imaginam que os planos de investimento das empresas são naturalmente volúveis e essencialmente irracionais — guiados, como disse Keynes, pelo "espírito animal" (1936, 161-62) dos empreendedores.  Por conseguinte, a intensidade na qual o investimento reage a uma alteração na taxa de juros é pequena e pode ser praticamente desconsiderada.

Para os keynesianos vulgares, a importância da taxa de juros é que ela regula a quantidade que os indivíduos irão pegar emprestado para financiar suas compras de bens de consumo.  Esse consumismo, de acordo com os keynesianos, é o elemento essencial para determinar o quanto as empresas irão produzir e o quanto elas irão investir para expandir sua capacidade de produzir.  Entretanto, e novamente, nesse arcabouço não importa qual tipo de investimento irá ocorrer: tudo o que importa é que haja algum investimento.

O capital e sua estrutura

Como já observado, o keynesiano vulgar considera o estoque de capital como algo "dado".  Se e quando ele pensa a respeito, ele o considera um tipo de herança do passado e pressupõe que nada que possa ser acrescentado ou subtraído dele no curto prazo irá provocar alterações suficientes para gerar inquietações.  Porém, se ao capital ele dá pouca atenção, à sua estrutura ele não dá atenção alguma.  A estrutura do capital é o conjunto bem azeitado de padrões de especialização e de interrelação entre as inúmeras formas específicas de bens de capital, os quais incorporam toda a poupança e todo o investimento do passado.  No arcabouço keynesiano, não importa se as empresas investem em novos telefones ou em novas usinas hidrelétricas: o capital já é dado e o que importa é investir em qualquer capital.

Uma vez que nesse arcabouço a estrutura do estoque de capital é desconsiderada, não se procura entender como alterações na taxa de juros criam alterações na estrutura do estoque de capital.  Afinal, por que se preocupar com algo que sequer reconhecem, como a estrutura do capital?  Essa cegueira intencional e obstinada fez com que vários economistas, inclusive o recém-laureado com o Prêmio Nobel de economia, Paul Krugman (1998), interpretassem erroneamente a teoria austríaca dos ciclos econômicos, dizendo que se trata de uma teoria sobre "investimentos excessivos", o que definitivamente não é verdade.

A realidade é que a teoria desbravada por Ludwig von Mises e F.A. Hayek na primeira metade do século XX — uma teoria que quase caiu em esquecimento após a macroeconomia ter sido tomada de assalto pela revolução keynesiana — é uma teoria sobre investimentos errôneos, o que significa dizer que se trata de uma teoria que explica como uma taxa de juros artificialmente reduzida faz com que as empresas invistam nos tipos errados de capital, mais especificamente em bens de capital duradouros, tais como construções residenciais e industriais, em contraste com estoques, equipamentos e softwares, que possuem uma vida relativamente curta.  Assim, na visão austríaca, taxas de juros artificialmente reduzidas — como aquelas vigoraram na economia americana entre 2002 e 2005 — levam as empresas a sobreestimar projetos de longo prazo intensivos em capital, direcionando seus gastos em investimento nessa direção, produzindo, dentre outras coisas, um boom expansionista na construção civil.  Essa mudança de investimento faria sentido econômico caso a taxa de juros houvesse sido reduzido em um livre mercado, o que significaria que as pessoas estariam assim desejando adiar o consumo presente e poupar uma fatia maior de sua atual renda.

Porém, se as pessoas não tiverem mudado suas preferências e, por isso, continuarem preferindo o consumo presente na mesma intensidade que antes, então as empresas irão cometer erros caso escolham esses tipos de investimentos, os quais são, com efeito, tentativas de antecipar demandas futuras que jamais se consolidarão.  Quando os projetos finalmente começarem a dar prejuízo, a expansão econômica criada pela redução artificial das taxas de juros irá entrar em colapso e gerar uma recessão, com um concomitante aumento nas falências e no desemprego da mão-de-obra, à medida que projetos insustentáveis vão sendo liquidados e recursos vão sendo direcionados — dolorosamente, na maioria dos casos — para usos mais viáveis.

Como o keynesiano vulgar não considera essas microdistorções e não vê a necessidade de elas serem corrigidas após o término do crescimento econômico artificialmente induzido, ele é incapaz de entender a importância e a necessidade das falências e do desemprego que inevitavelmente ocorrem durante uma reestruturação econômica (recessão).  Supõe o keynesiano: se ao menos o governo interviesse e incorresse em déficits orçamentários para compensar essa redução no investimento privado e nos gastos em consumo, as empresas iriam recuperar sua lucratividade e os trabalhadores estariam reempregados sem que para isso houvesse a necessidade de qualquer tipo de reestruturação econômica.

Não é surpresa alguma, portanto, que as pessoas que seguem tal linha de pensamento estão atualmente empenhadas em dar continuidade às mesmas políticas que contribuíram enormemente para produzir a expansão econômica insustentável que ocorreu no período 2002-2006 nos EUA e na Europa — no caso, empréstimos baratos ou subsidiados para pretensos donos de imóveis, os quais não eram capazes sequer de preencher os requisitos normais de qualificação comercial para receber tais empréstimos.  Não ocorre aos keynesianos vulgares que um excesso de recursos foi direcionado para a construção de imóveis; tampouco lhes ocorre que emprestar para pessoas que só podem adquirir um imóvel caso sejam subsidiadas é sinal de que recursos estão sendo direcionados para fins não racionais e não econômicos, e tudo à custa dos pagadores de impostos que, direta ou indiretamente, financiaram esses subsídios.

Investimentos errôneos e criação de dinheiro

Munidos de sua grande, simples e inabalável fé na eficácia dos gastos do governo em equilibrar as condições macroeconômicas, os keynesianos vulgares desconsideram a ocorrência de todo e qualquer investimento errôneo, no passado e no futuro, e defendem que o governo gaste muito mais do que arrecada, sendo essa diferença coberta por empréstimos.  É claro, eles defendem intervenções do banco central voltadas para fazer com que tais empréstimos sejam baratos para o governo.  Com efeito, eles cronicamente preferem que o banco central adote políticas de "crédito fácil e barato" ao invés de políticas mais restritivas.

Como observado anteriormente, eles preferem esse crédito fácil e barato não apenas porque tal medida reduz o custo visível de se financiar os déficits do governo, mas também porque ela induz os indivíduos a tomarem emprestado mais dinheiro para gastar em bens de consumo — tal aumento do consumo sendo visto como algo sempre bom, não obstante a taxa de poupança dos americanos já sendo de quase zero nos últimos anos. 

Keynesianos vulgares não perdem muito tempo se preocupando quanto ao potencial inflacionário de suas medidas; pelo contrário, eles são dominados por um temor irracional de que possa haver o menor sinal de deflação.  Caso a inflação saia do controle e venha a se tornar um problema inegável, pode ter a certeza de que eles irão defender políticas de controle de preços, as quais, baseando-se em conhecimentos superficiais a respeito de tais controles durante a Segunda Guerra Mundial, eles estão convencidos de que podem funcionar muito bem.

Incerteza do regime

Keynesianos vulgares não são nada mais do que ativistas políticos.  Assim como Franklin D. Roosevelt, eles acreditam que o governo deveria "tentar alguma coisa", e, caso isso não funcione, deveria então tentar qualquer outra coisa (Roosevelt 1933, 51).  Melhor ainda seria se o governo tentasse várias coisas ao mesmo tempo e, caso o truque não funcionasse, apenas continuar despejando mais dinheiro nesses programas, indefinidamente, além de tentar também algo totalmente novo — pois uma hora vai dar certo.

As épocas que eles consideram nostalgicamente como sendo as mais gloriosas da história político-econômica dos EUA, por exemplo, são o primeiro mandato de Roosevelt como presidente e os primeiros anos de Lyndon B. Johnson na presidência.  Nesses períodos, testemunhamos uma efusão de novas medidas governamentais para gastar, tributar, regular, subsidiar e em geral criar danos econômicos em uma escala extraordinária e inaudita.  O governo Obama e seus ambiciosos planos de ação governamental encantam os keynesianos vulgares e os enchem de esperança de que um terceiro Grande Salto Para a Frente já começou.

O keynesiano vulgar não entende que o extremo ativismo político pode funcionar contra a prosperidade econômica, pois cria aquilo que chamo de "incerteza do regime", uma difusa e generalizada incerteza quanto à própria natureza da iminente ordem econômica, especialmente em relação a como o governo irá tratar os direitos de propriedade no futuro (Higgs 1997).  Esse tipo de incerteza desestimula especialmente os investidores, deixando-os temerosos de colocar dinheiro em projetos de longo prazo.  Tais investimentos de longo prazo, que desapareceram dos EUA quase que por completo após 1929, só vieram a se recuperar plenamente após a Segunda Guerra Mundial.

Alguns observadores já comentaram, nos últimos meses, que de fato se criou nos EUA uma incerteza de regime em decorrência da frenética série de pacotes governamentais de socorro, de resgate, de empréstimos de emergência, de aquisições, de estímulo e de outras medidas extraordinárias condensadas em um período de menos de um ano (ver, por exemplo, Boettke 2008, Gonigam 2009 e Lam 2009).  Com o governo Obama no comando da situação e com as eleições se aproximando, tudo indica que haverá uma continuação desse tipo de ativismo político frenético.  Bem não pode fazer, mas pode machucar um bom bocado.

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Referências

Boettke, Peter. 2008. "Regime Uncertainty." The Austrian Economists, October 6.

Cantor, Paul. 2002. "Keynes and the Pyramids." Mises Daily, October 14.

Gonigam, Dave. 2009. "Regime Uncertainty." The Daily Reckoning, March 4.

Hennings, K. H. 1987. "Capital as a Factor of Production," in The New Palgrave: A Dictionary of Economics edited by John Eatwell, Murray Milgate, and Peter Newman, 327-33. New York: Stockton Press.

Higgs, Robert. 1997. "Regime Uncertainty: Why the Great Depression Lasted So Long and Why Prosperity Resumed after the War." The Independent Review 1, no. 4 (spring): 561-90.

Keynes, John Maynard. 1936. The General Theory of Employment, Interest, and Money. New York: Harcourt, Brace and World.

Krugman, Paul. 1998. "The Hangover Theory: Are Recessions the Inevitable Payback for Good Times?", Slate, December 4.

Lam, Carlos. 2009. "'Regime Uncertainty' Further Delays Economic Growth." Seeking Alpha, April 3.

Mankiw, N. Gregory. 2009. "It May Be Time for the Fed to Go Negative." New York Times, April 18.

Roosevelt, Franklin D. 1933. Looking Forward. New York: John Day.

Samuelson, Paul A. 1948. Economics: An Introductory Analysis. New York: McGraw-Hill.

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Notas

[1] Em seu A Teoria Geral, Keynes escreveu: "Construir pirâmides, terremotos e até mesmo guerras podem ser úteis para aumentar a riqueza" (1936, 129).  Provocado pela afinidade keynesiana para com a construção de pirâmides, Paul Cantor graceja: "Se Keynes gostava de pirâmides, então deveria haver algo de errado com elas; e de fato parece haver uma conexão entre gostar de pirâmides e gostar e gostar de um governo grande" (2002).

[2] Essa declaração frequentemente citada de Keynes na realidade não é tão ridícula quanto normalmente aparenta ser.  Sua declaração contextualizada, em seu Tract on Monetary Reform, de 1923, é: "O longo prazo é uma orientação enganosa para as questões atuais.  No longo prazo todos estaremos todos mortos.  Os economistas se impõem uma tarefa muito fácil e muito inútil se, em épocas de tempestade, eles se resumirem a nos dizer que quando a tormenta passar o oceano ficará calmo novamente".  Essa citação está disponível na Wikiquote.


Robert Higgs um scholar adjunto do Mises Institute, é o diretor de pesquisa do Independent Institute.

Tradução de Leandro Roque


28 comentários
28 comentários
Manoel 06/06/2011 12:45:21

Post interessante. Tenho muito o que aprender... Mas ainda não consigo compreender qual é a maneira alternativa de se olhar para os fatos econômicos do nosso tempo. Entre criticar o olhar econômico atual (que concordo possui diversas incoerências) e apresentar um método coerente e eficaz da realidade, uma "teoria da relatividade", que produza resultados concretos do ponto de vista das ações econômicas de Milhões de indivíduos, acredito que falta ainda uma anti-tese sólida.\r
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Levou muito tempo para alguém apresentar um método coerente para desafiar as leis de newton... Mas um iluminado, um dia, consegui. Por enquanto não li A nova proposta econômica, mas sigo na torcida.

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Leandro 06/06/2011 17:54:35

Manoel, no fundo, existem apenas duas teorias econômicas. Uma diz que as pessoas serão ricas e felizes dependendo do quão corretas e pontuais forem as intervenções do governo na economia. A intensidade e extensão dessas intervenções variam de escola para escola, indo desde a máxima (marxismo) até a pequena (Escola de Chicago), passando pela média-alta (keynesianismo).

A outra teoria econômica (da Escola Austríaca) diz que a economia é complexa demais para que qualquer ser humano tenha a pretensão divina de querer controlá-la. Parafraseando Hayek, a função da verdadeira ciência econômica é demonstrar para os homens o quão pouco eles sabem sobre aquilo que eles imaginam poder planejar.

Por melhor que sejam as suas intenções, sempre que você intervier em uma área da economia, com a intenção de ajudar determinado grupo social, você vai desarranjar outra área da economia, criando uma classe de vitoriosos que você sequer contemplava em seus planos -- pior ainda: uma classe de vitoriosos à custa de uma classe de explorados. Todas as intervenções governamentais sempre beneficiam um grupo à custa de vários outros, algo injusto por natureza. Todas as intervenções geram perdedores e vencedores, sendo que quem está em cada grupo nunca será quem você queria que fosse.

O melhor arranjo econômico, o mais justo, é exatamente aquele em que não há intervenções, em que todas as trocas são voluntárias, sem coerção. Apenas arranjos voluntários e sem coerção podem gerar resultados ótimos (caso discorde disso, fica a seu encargo provar que totalitarismo é preferível à liberdade).

Uma coisa é inventar uma teoria que diz que todo mundo vai ficar rico e feliz em decorrência de sucessivas intervenções governamentais. Outra é entender que, quanto mais livres forem as pessoas, quanto menos gerenciadas e controladas forem a interação voluntária entre essas pessoas, melhor será o resultado final.

A economia é um arranjo que engloba a interação diária e voluntária de bilhões de pessoas em todo o mundo. Alguém achar que não apenas pode controlar isso, como também que pode criar resultados ótimos para todos por meio de suas várias intervenções é, no mínimo, um lunático; alguém que quer brincar de Deus.

E é exatamente isso que os governos atuais fazem.

Grande abraço!

Responder
JORGE 06/06/2011 23:46:53

Leandro \r
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Permita-me alguns comentários.\r
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"A intensidade e extensão dessas intervenções variam de escola para escola, indo desde a máxima (marxismo) até a pequena (Escola de Chicago), passando pela média-alta (keynesianismo)."
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Se formos pensar apenas no que Marx escreveu no Manifesto de quais seriam as 10 medidas que os comunistas deveriam tomar após a tomada do poder o marxismo seria o "máximo", porém, o marxismo não é uma doutrina voltada para a sociedade como um todo, o marxismo quer por os proletários no poder (sob o comando dos intelectuais comunistas) e instituir a ditadura do proletariado, tudo o mais será eliminado, literalmente.\r
Burgueses, pequenos-burgueses, socialistas burgueses, democratas, sistema de salários, propriedade privada, e tudo o mais "da sociedade burguesa" será eliminado na ditadura do proletariado.\r
Não podemos pensar o marxismo como sendo algo similar (em escala) ao que quer a Escola de Chicago e Keynes, porque o marxismo é excludente, não quer democracia, quer a ditadura do proletariado, e apenas do proletariado.\r
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"Todas as intervenções governamentais sempre beneficiam um grupo à custa de vários outros, algo injusto por natureza. \r
Todas as intervenções geram perdedores e vencedores, sendo que quem está em cada grupo nunca será quem você queria que fosse."
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A economia de uma nação tem semelhanças com a economia de uma fazenda privada ou de uma industria privada, nelas o dono precisa intervir para evitar problemas, não pode deixar seu negócio ao sabor do vento, essa é a função do empresário, ele não é vidente nem tem todas as respostas, mas ele pode tentar acertar, as ferramentas são planejamento e a anãlise constante do processo, e investimento onde é necessário, e tal necessidade tem motivos empíricos setoriais.\r
Em uma grande fazenda a área em que existe plantação de milho em um determinado ano pode necessitar de mais intervenção do que a área onde está plantado soja, essa é uma das funções do administrador de empresas.\r
Governos democratas e liberais devem atuar neste sentido também.\r
Isso nada tem a ver com o governo fazer doações.\r
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"Apenas arranjos voluntários e sem coerção podem gerar resultados ótimos (caso discorde disso, fica a seu encargo provar que totalitarismo é preferível à liberdade)."
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Totalitários eram Getúlio, Peron, Salazar, Franco, etc.\r
Em uma democracia liberal não se pode entender como sendo totalitarismo a intervenção macroeconômica do governo na economia.\r
Existe uma grande diferença entre um governo "empresário" (que tem empresas estatais, como o nosso regime militar) e intervém diretamente na economia e um governo que atua em termos de controle macroeconômico e investimento.\r
Ninguém tem a chave da perfeição, nem governantes nem empresários, apenas sabemos por experiência do passado que a economia não pode ser deixada totalmente livre, pois os humanos se tiverem total liberdade irão trapacear, e em muitos casos a trapaça só será descoberta após o rombo, na medida do humanamente possível deve existir uma monitoração da economia devido as imperfeições humanas, pois são humanos os agentes dela.\r
Mises disse - "Liberalismo não é anarquismo", e ele estava magistralmente correto!\r
Abraço.

Responder
Leandro 07/06/2011 00:05:22

Prezado Jorge, essa é aquela falácia de sempre: "No mundo real, os seres humanos são imperfeitos e trapaceiros; logo, enquanto as pessoas não virarem santas, elas irão trapacear; portanto, será necessário ter algum poder superior para controlar as pessoas".

Ok, mas quem vai habitar esse "poder superior"? Quem vai estar no controle supremo de tudo? Esses mesmos "seres humanos imperfeitos e trapaceiros"? Ou haverá uma casta genuinamente superior, não apenas em termos de cargos que ocupam, mas também em termos de moralidade? Quem serão essas pessoas? Quem irá escolhê-las? Tudo o que temos atualmente é Sarney, Calheiros, Palocci et caterva. E, pelo que entendi, no que depender de você, esses mesmos cavalheiros devem continuar gerindo nossas vidas.

Ademais, qual a lógica de dizer que "No mundo real, os seres humanos são imperfeitos e trapaceiros; portanto, será necessário ter algum poder acima para controlar as pessoas. Logo, precisamos dar o poder supremo a esses mesmos seres humanos imperfeitos e trapaceiros, pois apenas seres humanos imperfeitos e trapaceiros podem controlar os outros seres humanos imperfeitos e trapaceiros"?

É realmente preciso ter muita fé para achar que tal arranjo poderia funcionar. Tal arranjo funcionaria apenas se anjos e santos ocupassem o poder supremo, e não meros seres humanos imperfeitos e trapaceiros.

Percebeu como não tem sentido algum tal posição? Percebeu como é preciso um "salto lógico" ou um "salto de fé" para justificar esse injustificável?

Grande abraço!


P.S.: Desconsiderei o restante de sua observação porque, obviamente, um indivíduo gerenciando sua empresa ou sua propriedade é algo totalmente diferente de um bando de políticos espoliando um país. Os incentivos são totalmente distintos, bem como os resultados esperados. Quem compara a gerência de um país com a gerência de uma propriedade privada ainda não entendeu o conceito de propriedade privada, tampouco os estímulos econômicos por trás de cada um desses dois arranjos.

Responder
mcmoraes 07/06/2011 00:22:34

Et caterva? Essa eu não conhecia, Leandro. Muito boa! :)

Responder
JORGE 07/06/2011 01:11:50

Prezado Leandro\r
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"essa é aquela falácia de sempre: "No mundo real, os seres humanos são imperfeitos e trapaceiros; logo, enquanto as pessoas não virarem santas, elas irão trapacear; portanto, será necessário ter algum poder superior para controlar as pessoas"."
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Para mim essa é a mais pura realidade.\r
Eu trabalhei em grande estatal e também tive empresas, e a realidade tanto em uma como na outra é essa, humanos trapaceiam e muito, e se não existir controle a empresa vai a falência.\r
E isso vale também para o estado.\r
Obs. não me refiro ao estado que existe no Brasil.\r
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"Ok, mas quem vai habitar esse "poder superior"? Quem vai estar no controle supremo de tudo? "
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Não existe nenhum "poder superior" em uma democracia liberal e muito menos um "controle supremo".\r
Mises ensina também de forma magistral do que se trata o Liberalismo.\r
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" Esses mesmos "seres humanos imperfeitos e trapaceiros"?"
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Sim claro, humanos imperfeitos, da mesma forma que também serão humanos imperfeitos que irão comandar uma polícia privada em um sistema anarcocapitalista, e que se forem deixados livres usarão em proveito próprio de forma ilícita o poder de polícia que tem.\r
Em qualquer sistema que os humanos inventarem para uma sociedade, no atual estágio evolutivo do ser humano, a trapaça praticada por humanos sempre estará atuando.\r
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"Ou haverá uma casta genuinamente superior, não apenas em termos de cargos que ocupam, mas também em termos de moralidade? Quem serão essas pessoas? Quem irá escolhê-las? Tudo o que temos atualmente é Sarney, Calheiros, Palocci et caterva. E, pelo que entendi, no que depender de você, esses mesmos cavalheiros devem continuar gerindo nossas vidas."
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Vc entendeu errado.\r
Isso que você supôs jamais passou pela minha cabeça. \r
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"Ademais, qual a lógica de dizer que "No mundo real, os seres humanos são imperfeitos e trapaceiros; portanto, será necessário ter algum poder acima para controlar as pessoas."
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A lógica é a lógica da vida, a realidade.\r
A civilização humana não chegou ao estado porque queriam, chegaram porque estavam cansados de se matarem por milênios para resolverem divergências pessoais.\r
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"É realmente preciso ter muita fé para achar que tal arranjo poderia funcionar. Tal arranjo funcionaria apenas se anjos e santos ocupassem o poder supremo, e não meros seres humanos imperfeitos e trapaceiros."
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Mises disse exatamente isso não do Liberalismo, disse exatamente isso do anarquismo, apenas com santos e anjos um sistema anarquista funcionaria, disse Mises.\r
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"P.S.: Desconsiderei o restante de sua observação porque, obviamente, um indivíduo gerenciando sua empresa ou sua propriedade é algo totalmente diferente de um bando de políticos espoliando um país."
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Você também desconsiderou o que eu disse sobre o marxismo, evidentemente não tem problema algum, desconsidere da forma que quiser.\r
Seu conceito de estado tem muito a ver com o que existe no Brasil....\r
Não é meu caso.\r
Uma empresa é administrada pelos mesmos tipos humanos q administram o estado, é apenas uma questão estrutural.\r
O estado que existe na Noruega, onde existe a melhor qualidade de vida do mundo, é algo bem diferente do estado que existe no Paraguai.\r
Abraço.\r

Responder
anônimo 07/06/2011 08:06:01

Para mim essa é a mais pura realidade.
Eu trabalhei em grande estatal e também tive empresas, e a realidade tanto em uma como na outra é essa, humanos trapaceiam e muito, e se não existir controle a empresa vai a falência.
E isso vale também para o estado.


Deixe-me ver se entendi. As pessoas são trapaceiras. Por isso, devemos dar poder a um grupo de pessoas não-trapaceiras, e esse grupo vai controlar as outras pessoas. É isso?

Não existe nenhum "poder superior" em uma democracia liberal e muito menos um "controle supremo".
Mises ensina também de forma magistral do que se trata o Liberalismo.


É claro que existe um poder superior e um controle supremo em uma democracia liberal. O que evita que um grupo tome todo o poder para si é o fato de que há uma briga de vários grupos pelo poder. Eu tenho o direito de não aceitar uma lei? Eu posso se negar a pagar impostos porque acho que eles estão indo para um grupo de empresários amigos do governo? Eu estou insatisfeito com o uso do dinheiro público do BNDES para financiar grandes empresas. O que eu posso fazer? Ora, eu tenho o maravilhoso poder do voto! É o meu poder do voto contra o poder de uma máquina que toma meu dinheiro para financiar grandes empresas que fazem gordas doações em troca de favores e programas assistencialistas de compra de votos! Realmente, meu poder é incrível. Eu tenho UM VOTO! hehehe

Sim claro, humanos imperfeitos, da mesma forma que também serão humanos imperfeitos que irão comandar uma polícia privada em um sistema anarcocapitalista, e que se forem deixados livres usarão em proveito próprio de forma ilícita o poder de polícia que tem.
Em qualquer sistema que os humanos inventarem para uma sociedade, no atual estágio evolutivo do ser humano, a trapaça praticada por humanos sempre estará atuando.


Há uma diferença grande, gigante, um abismo entre uma polícia privada e uma polícia estatal. Uma polícia estatal pode usar um conjunto de leis, criadas em um universo paralelo (Brasília), contra você. Se você for um cara rico, com advogados bons e boas conexões, pode até fazer algo a respeito. Se não for... bem, resta-lhe obedecer e VOTAR (para fazer de conta que isso vai mudar alguma coisa). Uma polícia privada não pode obrigá-lo a nada, já que você está pagando por seus serviços voluntariamente, e pode deixar de pagar.

Vc entendeu errado.
Isso que você supôs jamais passou pela minha cabeça.


Veja bem, o que o Leandro fez foi mostrar quais são as pessoas que comandam a política. As alternativas não são lá muito cheirosas também. O que você responde é "você entendeu errado". Ok, mas quais pessoas comandariam a política no seu mundo ideal? Não seriam seres extra-terrestres oniscientes, mas sim as mesmas pessas imperfeitas e trapaceiras.

A lógica é a lógica da vida, a realidade.
A civilização humana não chegou ao estado porque queriam, chegaram porque estavam cansados de se matarem por milênios para resolverem divergências pessoais.


Não é a lógica da vida. É uma lógica torta que usa a "teoria poliana da história", segundo a qual a história seguiu o rumo que seguiu porque era o melhor que poderia acontecer. As pessoas por acaso se matam menos frequentemente por divergências pessoais? As pessoas se matam menos frequentemente porque um estado existe? O estado mata pouco? Seguindo sua lógica, o estado surgiu porque umas pessoas, cansadas de ver as outras se matarem, gritaram: "Chega! Agora eu, ser bonzinho e preocupado com o próximo, vou criar um conjunto de leis e tudo ficará lindo!". Se assim fosse, os estados primitivos não se preocupariam em dominar e matar os vizinhos.

Você também desconsiderou o que eu disse sobre o marxismo, evidentemente não tem problema algum, desconsidere da forma que quiser.
Seu conceito de estado tem muito a ver com o que existe no Brasil....
Não é meu caso.
Uma empresa é administrada pelos mesmos tipos humanos q administram o estado, é apenas uma questão estrutural.
O estado que existe na Noruega, onde existe a melhor qualidade de vida do mundo, é algo bem diferente do estado que existe no Paraguai.


A cultura que existe na Noruega é algo bem diferente da cultura que existe no Paraguai. Se você acha que a diferença entre Paraguai e Noruega está no Estado, isso quer dizer que você deposita no Estado todo o bem e toda a graça, como se o Estado fosse um Deus. O estado é só um grupo de pessoas que decide o que as outras podem ou não podem fazer.

Responder
Vitor 07/06/2011 11:02:56

To gostando da discussão. Vou tentar colocar a minha visão:

1 - "Deixe-me ver se entendi. As pessoas são trapaceiras. Por isso, devemos dar poder a um grupo de pessoas não-trapaceiras, e esse grupo vai controlar as outras pessoas. É isso?"

Não acho que o conceito de estado liberal seja isso. É impossível impedir que pessoas trapaçem eventualmente (acho que isso é um fato), então você nomearia um juiz "imparcial" (eu sei, imparciais são as pedras) para arbitrar questões. Qual a vantagem de um juiz estatal em cima de um privado? Na minha opinião, um juiz estatal teria menos chance de ser coagido por motivos financeiros (teoria, teoria!)

"Eu tenho o direito de não aceitar uma lei?" - Putz, só deveria. Essa acho que é a condição número um de um estado liberal. Só que, num estado liberal não existiriam leis que afetam as pessoas apenas individualmente. Explico: A lei anti-fumo é absurda, afeta as pessoas num âmbito apenas pessoal. Agora, a lei que impede uma pessoa de andar no meio da rua não, ela organiza de maneira lógica o funcionamento do trânsito (pesoas na calçada, carros na rua)e não é prejudicial a ninguém individualmente.

3 - "(...)Uma polícia estatal pode usar um conjunto de leis, criadas em um universo paralelo (Brasília), contra você(...)"

Novamente, temos uma diferença muito grande entre um estado liberal teórico e o brasileiro. Pensa assim. Se uma constituição garante o direito a vida e a propriedade, nada que o estado faça pode alterar isso, a não ser que ele quebre as próprias leis. Isso pode acontecer num sistema anarco-capitalista (um grupo se armando e descendo a lenha em geral?) Pode, né? E numa democracia? Pode, mas ela deixa de ser democracia.

4 - "Não é a lógica da vida. É uma lógica torta que usa a "teoria poliana da história(...)"

Bem, você está ignorando que sim, proporcionalmente nos matamos muito menos hoje que quando vivíamos em tribos. Índios não faziam guerras por disputas comerciais ou de território, queria eram matar e devorar TODOS os outros membros de tribos, batalhas genocidas mesmo. Seriam os portugas que catequizaram na porrada a bugrada mais morais? Bem, por menos politicamente correto que isso pareça, sim!
Nem por isso MAIS estado quer dizer MAIS respeito à vida, essa relação é falaciosa. Again, estado não quer dizer morte, assim como "não-estado" não quer dizer vida.

5 - "Se você acha que a diferença entre Paraguai e Noruega está no Estado, isso quer dizer que você deposita no Estado todo o bem e toda a graça, como se o Estado fosse um Deus"

Não, ele não quis dizer isso. Sua primeira afirmação está perfeita, a cultura interfere de maneira incomensurável em como se trata a res publica (a coisa pública!). Tem muito mais coisas que diferenciam a Noruega do Paraguai. Tamanho do estado é uma delas. Cultura conta. Economia conta. Educação conta.....e vamo-que-vamo.




Mas ae, pergunta para a reflexão. Se colocássemos o pessoal do Mises Brasil no poder, mudaria alguma coisa? Lembre-se que vocês ainda estão sobre a constituição e não podem alterá-la. Se a resposta for "sim, seremos menos dispendiosos, pararemos de imprimir moeda, acabaremos com as leis que interferem no direito individual(...)" então temos a prova teórica que nem todo estado é totalitário, depende do tipo de gente que nele está e que nele vota. Ora bolas.

Responder
JORGE 07/06/2011 16:58:22

Vitor\r
\r
Concordo com toda a sua argumentação, é bom saber que existem aqueles que entendem as coisas como as entendemos e que compreendem o que falamos de forma clara !\r

Responder
Cerqueira 07/06/2011 12:38:49

'Ora, eu tenho o maravilhoso poder do voto! É o meu poder do voto contra o poder de uma máquina que toma meu dinheiro para financiar grandes empresas que fazem gordas doações em troca de favores e programas assistencialistas de compra de votos! Realmente, meu poder é incrível. Eu tenho UM VOTO!'

Supondo que o povo não seja estúpido, se algo for escandaloso mesmo nunca vai ser só UM voto contra aquilo.Não foi só um voto que tirou os socialistas do governo em portugal.
Aliais, há alguns anos atras quando existia um pingo de esperança,também não foi só UM voto que tirou o collor do poder.


Responder
Cerqueira 07/06/2011 14:16:56

E só mais uma coisa

'A cultura que existe na Noruega é algo bem diferente da cultura que existe no Paraguai. Se você acha que a diferença entre Paraguai e Noruega está no Estado'

Cultura não cai do céu, ela é criada pelas pessoas, ele nunca disse que a diferença estava no estado, na forma que eu vejo o estado é consequência, ele depende de como as pessoas pensam, de como elas votam.
Num lugar com pessoas conscientes o estado nunca vai poder fazer tudo o que quer.Se na civilização alguém tentasse fazer o que a quadrilha petista faz aqui, já estariam atrás das grades há muito tempo.

Responder
anônimo 07/06/2011 14:33:06

Cultura não cai do céu, ela é criada pelas pessoas, ele nunca disse que a diferença estava no estado, na forma que eu vejo o estado é consequência, ele depende de como as pessoas pensam, de como elas votam.

Num lugar com pessoas conscientes o estado nunca vai poder fazer tudo o que quer.Se na civilização alguém tentasse fazer o que a quadrilha petista faz aqui, já estariam atrás das grades há muito tempo.


Se o estado é consequência, não é causa. Logo, o estado em si não garante nada. Portanto, num lugar com pessoas conscientes, não é o estado que mantém a ordem. São as pessoas.

Responder
JORGE 07/06/2011 16:38:53

anônimo \r
\r
Prezado anônimo.\r
\r
"Deixe-me ver se entendi. As pessoas são trapaceiras. Por isso, devemos dar poder a um grupo de pessoas não-trapaceiras, e esse grupo vai controlar as outras pessoas. É isso?"
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\r
\r
Não, não é isso, é bem diferente disso.\r
\r
\r
\r
"É claro que existe um poder superior e um controle supremo em uma democracia liberal."
\r
\r
Não, não existe.\r
Poder superior existe no Irã, o aiatola da vez.\r
Em uma democracia liberal existe o Estado de Direito onde ninguém é "supremo".\r
\r
\r
"O que evita que um grupo tome todo o poder para si é o fato de que há uma briga de vários grupos pelo poder. Eu tenho o direito de não aceitar uma lei? Eu posso se negar a pagar impostos porque acho que eles estão indo para um grupo de empresários amigos do governo? Eu estou insatisfeito com o uso do dinheiro público do BNDES para financiar grandes empresas. O que eu posso fazer? Ora, eu tenho o maravilhoso poder do voto! É o meu poder do voto contra o poder de uma máquina que toma meu dinheiro para financiar grandes empresas que fazem gordas doações em troca de favores e programas assistencialistas de compra de votos! Realmente, meu poder é incrível. Eu tenho UM VOTO!"
\r
\r
Vc tem um voto e todos tem um voto, juntando todos são muitos.\r
O teu voto não pode ter "poder supremo" de decidir os destinos da nação sozinho, mas, se existirem muitos que pensam como vc ai sim terão.\r
Nem um indivíduo pode fazer o que quiser se vive em sociedade. \r
Se o que vc acha certo não é o que a maioria acha certo vc vai ter que aceitar isso se quiser viver em sociedade.\r
Uma lei em uma democracia liberal não foi feita por uma pessoa, foi aprovada por toda a sociedade, e se vc vive nessa sociedade vc tem que acatar a vontade da maioria.\r
Não existe uma lei específica para vc, a lei é para todos.\r
\r
Ninguém "toma o poder" em uma democracia onde vigore o Estado de Direito (não é o caso do Brasil), nela quem vence as eleições irá conduzir os destinos da nação de acordo com o que rege a Constituição da nação.\r
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"Há uma diferença grande, gigante, um abismo entre uma polícia privada e uma polícia estatal. Uma polícia estatal pode usar um conjunto de leis, criadas em um universo paralelo (Brasília), contra você."
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O Brasil é um estado corrupto, irresponsável, incompetente, e não serve de modelo para nada.\r
Estamos aqui falando de "estado", e não do Brasil em especial.\r
Vamos usar um estado mais digno do nome, a polícia na Noruega não tem nada de "paralelo", ela atua de acordo com o que foi decidido por toda a sociedade.\r
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"Veja bem, o que o Leandro fez foi mostrar quais são as pessoas que comandam a política. "
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O que ele fez foi talvez mostrar a política do Brasil, mas, como já disse, o Brasil não é modelo para nada em política.\r
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"Ok, mas quais pessoas comandariam a política no seu mundo ideal? Não seriam seres extra-terrestres oniscientes, mas sim as mesmas pessas imperfeitas e trapaceiras."
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\r
\r
Não existe mundo ideal, o universo é caos, a natureza é caos, a mente humana é caótica.\r
Os seres humanos em virtude desse caos, por milênios se estraçalhavam em duelos e lutas grupais para decidir quem tinha razão.\r
\r
Depois de muito sofrimento os humanos foram sendo um pouco menos burros e foram criando mecanismos (leis) para tentarem sair da barbárie, muitas tentativas existiram, o Direito Romano é o que mais se disringuiu na busca por alguma justiça, 2000 anos de passaram até surgir a democracia liberal e o Estado de Direito, onde os povos buscam um pouco de justiça na sociedade, uma busca muito difícil pois os humanos continuam a ser os mesmos de sempre e sempre que tiverem uma chance vão trapacer.\r
E a justiça humana não tem anjos para exerce-la, são os próprios humanos, em qq sistema, que irão ser os protagonistas.\r
\r
Quem já foi na Europa, por exemplo na Alemanha ou na Noruega, sabe que lá existem os mesmos tipos humanos que aqui no Brasil, sempre pensando neles próprios e achando que os demais são idiotas... \r
a diferença entre eles e nós é que eles, depois de milênios de barbárie e sofrimento, conseguiram criar uma sociedade (um estado, uma constituição, uma cultura) menos ruim que a nossa, e com isso obtiveram melhor resultado em termos de qualidade de vida e justiça social.\r
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"Não é a lógica da vida. É uma lógica torta que usa a "teoria poliana da história", segundo a qual a história seguiu o rumo que seguiu porque era o melhor que poderia acontecer."
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\r
Isso jamais passou pela minha cabeça.\r
A história sempre segue o rumo dos acontecimentos que envolvem nações e indivíduos.\r
E nem sempre é o melhor caminho, obviamente.\r
A história encaminhou o mundo para a segunda guerra mundial, achar que isso foi o que melhor que poderia acontecer não tem sentido.\r
Os acontecimentos históricos fizeram Cesar ir sozinho no Senado Romano e ser assassinado, achar que isso foi o melhor não tem sentido.\r
Mas a vida é isso, Cesar descuidou e foi assassinado, Gandhi descuidou e foi assassinado, John Kennedy descuidou e foi assassinado, esta é a realidade da vida humana.\r
E quem achar que em um suposto mundo livre de governos isso não vai existir com muito maior força vai pagar muito caro pelo descuido.\r
\r
\r
\r
"A cultura que existe na Noruega é algo bem diferente da cultura que existe no Paraguai. Se você acha que a diferença entre Paraguai e Noruega está no Estado, isso quer dizer que você deposita no Estado todo o bem e toda a graça, como se o Estado fosse um Deus."
\r
\r
\r
Como eu já disse, quem já foi no "mundo desenvolvido" sabe que os humanos que lá existem são iguais ao que existem aqui.\r
A diferença da Noruega para o Paraguai está justamente no que vc citou, na cultura, na sociedade.\r
Por essa razão o culpado não é o estado!\r
\r
O estado na Noruega funciona bem, no Paraguai funciona extremamente mal. \r
de quem é a culpa diante deste fato ?\r
\r
Obviamente a culpa é do povo e não do estado, a culpa é da sociedade paraguaia que não teve competência para criar um estado que funcione bem.\r
Mas a sociedade norueguesa conseguiu um estado que funciona muito bem!\r
\r
Abraço.\r

Responder
Miguel A. E. Corgosinho 07/06/2011 18:02:01

JORGE disse: "Não existe mundo ideal, o universo é caos, a natureza é caos, a mente humana é caótica."

Einstein antes de sua morte deixou um enigma intrigante que me incitou a decifrá-lo:

Quem tem uma pedra na mão pode "ser" a perspectiva comum a todos (relatividade do mundo exterior)? O mistério a este respeito propicia a anti-tese da moeda, com a seguinte questão: :

Einstein, após arremessar uma pedra ao longe disse: "Uma pedra é uma pedra. Einstein quer ser Einstein". Fazendo analogia de ser com a pedra, (ao lançá-la no infinito): Einstein viu a alienação humana"...uma pedra é uma pedra..." na infinitude não reproduz o seu domínio.

Ora, ao lançar a pedra Einstein queria o ato de transformar sua ação na realidade que o cercava (A é A, ser no espaço e tempo), mas a pedra caiu no lugar de expropriação, porque soberania ninguém pode lançar como preço alheio; é um valor que lhe pertence.

Porque se conclui que a economia está com o mesmo problema com o qual "Einstein quer ser Einstein"? a forma de retorno (para si mesmo) por falta de base exterior de conversão?

Estamos na mera superfície do mundo que nos exige a reflexão exterior (A=A) para resultado do produção de uns com outros, oposta num ponto fixo - a razão de referência de tempo espaço. Somente uma economia remetida ao espaço exterior pode fixar X (distinções da razão pura tempo A=A), como a base do conteúdo (determinação de ser) em moeda de verossimilhança do mundo real.

O que a pedra trás a tona: os países sabem fazer a senhoriagem de verossimilhança dos objetos com a moeda (sujeito e objeto) para soberania do seu próprio meio exterior?

De certo, os países carecem da forma determinada para cada nação "Ser" em si, sem o preço das reservas fracionárias e os investimentos externos - de curso (preço) forçado.

Então, precisamos falar em "Ser" pela razão de referência da moeda (A=A); que, diante de um ser, move pelos contrários, e se opera a esfera de "regressus" - em termos de representatividade? A resposta em que a passagem da pedra (auto-ilusão), flui como moeda - comunica ação ao ato do caso soberano - viria do nosso o valor, como um poder que possui a força geral da de produção; embora ainda não quero revelar o segredo do valor com discernimento das classes dessa organização.

Mas, tenha-se a idéia que Einstein, ao invés de dar ocasião à própria especulação, sabia a união monetária (passividade da produção), agora, em analogia a alienação das nações, e concluamos: O "ser" não está na razão inversa à pedra. Disse Einstein: (uma pedra é uma pedra); mas, o seu valor de trabalho pode se fixar com base nos limites comuns das trocas (são classes de formar uma unidade da moeda); porém, se as possuo do ponto fixo no cosmo - espelho realista do espaço e tempo.

Imagine-se lançando os limites da realidade (compreendendo-a datada como pedra fundamental) para um meio exterior representar a sua existência em nova natureza (externa); ou seja, "o começo absoluto" da historia da produção... Isto exige a separação do sujeito e objeto no firmamento de dois mundos: ao primeiro a variação da realidade (superfície) e, pelo lado exterior, o conversível a dimensão real do valor da origem. Portanto, essa "razão de referência" unifica a fratura limitante do trabalho e produção - Ao primeiro dia do novo milênio - na qual a moeda estabelece o "REGRESSUS" do Mundo Real, em que se quer "SER".

Responder
JORGE 08/06/2011 00:00:41

Prezado Miguel.\r
Tem uma frase de um filósofo inglês para quem tem dúvidas sobre a realidade (ou a relatividade), disse ele - aqueles que tem dúvida quanto a existência do mundo exterior podem dar um chute em uma pedra para senti-lo.\r

Responder
Cerqueira 06/06/2011 16:16:08

1 'Na sua visão, não é possível haver, digamos, um excesso de casas e apartamentos. Um aumento nos gastos por casas e apartamentos, na visão dele, será algo bom sempre que a economia estiver com recursos ociosos (desempregados), independentemente de quantas casas e apartamentos estejam hoje vazios'

Não entendi esse exemplo, como pode ter aumento nos gastos por casas se tem casas desocupadas?

2 ' O governo Obama e seus ambiciosos planos de ação governamental encantam os keynesianos vulgares e os enchem de esperança de que um terceiro Grande Salto Para a Frente já começou.'

Qual foi o primeiro?

Responder
Leandro 06/06/2011 17:23:00

Cerqueira,

1- É exatamente essa irracionalidade que está acontecendo agora nos EUA. Os preços das casas insiste em cair e o governo insiste em dar estímulos e subsídios para evitar que eles caiam (curiosamente, o governo sempre quis que todo mundo tivesse casa. Aí quando acontece o fenômeno de mercado que permite a realização de tal desejo -- preços mais baixos -- o governo vem e diz que tá errado).

Não bastasse tudo, continua a construção de mais imóveis, pois se trata de um setor que gera muito emprego e o governo não quer saber de contração nele, por mais sobredimensionado e desperdiçador de recursos que ele seja.

2- Os dois primeiros foram, como mencionado no parágrafo, os governos de Roosevelt e Johnson.

Grande abraço!

Responder
SuperK 10/06/2011 22:44:41

Se pensar de maneira direta, isto é, elas não servirem para serem hipotecadas ou financiadas,creio que você está certo. O problema é que se os financiadores executarem as hipotecas não conseguirão resgatar o capital emprestado, não ? Como Obama e toda a curriola são mais ou menos "patrimonialistas" o USA não tem outro caminho! Se não bye bye financiamento de campanha!

Responder
Anon 06/06/2011 17:25:13

"Não entendi esse exemplo, como pode ter aumento nos gastos por casas se tem casas desocupadas?"

E eu pergunto de volta, então como existem tantas casas desocupadas, se não foi devido ao gasto despendido nelas enquanto não havia ninguém pra ocupá-las?

Responder
Cerqueira 06/06/2011 19:08:44

Anon, por aumento nos gastos eu tinha entendido aumento de pessoas gastando dinheiro pra comprar casas.
Mas agora o Leandro já explicou.

Responder
Felipe Rosa 07/06/2011 01:47:12

Excelente artigo!!!

FIquei curioso sobre essa citação do Hayek usada por ti Leandro? Muito boa por sinal!!! Em que obra encontra-se?

"a função da verdadeira ciência econômica é demonstrar para os homens o quão pouco eles sabem sobre aquilo que eles imaginam poder planejar."

Abraços!!!

Responder
Cerqueira 07/06/2011 15:21:43

Sim, são as pessoas, mas o estado é a ferramenta delas pra isso.Um estado assim não ia poder fazer o que as pessoas acham errado.

'Mas ae, pergunta para a reflexão. Se colocássemos o pessoal do Mises Brasil no poder, mudaria alguma coisa? Lembre-se que vocês ainda estão sobre a constituição e não podem alterá-la. Se a resposta for "sim, seremos menos dispendiosos, pararemos de imprimir moeda, acabaremos com as leis que interferem no direito individual(...)" então temos a prova teórica que nem todo estado é totalitário, depende do tipo de gente que nele está e que nele vota. Ora bolas.'
é isso aí

Responder
anônimo 10/06/2011 07:45:50

Sim, são as pessoas, mas o estado é a ferramenta delas pra isso.Um estado assim não ia poder fazer o que as pessoas acham errado.

Que é esse tal de "as pessoas"? Seu erro é pensar em um "acham errado" coletivo. Já que é para pensar assim, melhor pensar que o estado deve ter maior controle sobre as pessoas e, em um mundo cheio de pó mágico e duendes lindos, as pessoas simplesmente conseguem fazer algo a respeito quando estão insatisfeitas com o estado.

'Mas ae, pergunta para a reflexão. Se colocássemos o pessoal do Mises Brasil no poder, mudaria alguma coisa? Lembre-se que vocês ainda estão sobre a constituição e não podem alterá-la. Se a resposta for "sim, seremos menos dispendiosos, pararemos de imprimir moeda, acabaremos com as leis que interferem no direito individual(...)" então temos a prova teórica que nem todo estado é totalitário, depende do tipo de gente que nele está e que nele vota. Ora bolas.'

Você acha que o Mises Brasil iria conseguir mudar muitas coisas? Lembre-se de que estamos falando sobre política. O Mises Brasil certamente não conseguiria aprovar muitas das leis necessárias para se diminuir de verdade o tamanho do estado, pois isso enfureceria muita gente poderosa. É muito mais fácil alguém se eleger prometendo mundos e fundos com dinheiro público, como sempre é feito.

Responder
Cerqueira 10/06/2011 10:52:31

'que é esse tal de 'pessoas'?Seu erro é pensar em um "acham errado" coletivo. "
Essa foi a resposta pra outro anônimo, não sei se foi vc, que falando da noruega,disse:

'Se o estado é consequência, não é causa. Logo, o estado em si não garante nada. Portanto, num lugar com pessoas conscientes, não é o estado que mantém a ordem. São as pessoas.'

Então quem achou errado que a noruega era boa por causa das pessoas, foi ele.

'Você acha que o Mises Brasil iria conseguir mudar muitas coisas? Lembre-se de que estamos falando sobre política. O Mises Brasil certamente não conseguiria aprovar muitas das leis necessárias para se diminuir de verdade o tamanho do estado, pois isso enfureceria muita gente poderosa. '

E qual a solução então? Revolta armada?

Responder
Andre Poffo 09/06/2011 23:23:11

Artigo Excelente!
Gostei da expressão keynesianismo "vulgar"..

Responder
Gustavo Guedes 12/06/2011 19:47:03

Acho que o autor n percebeu algumas similaridades de Keynes e Mises e esta equivocado a alguns aspectos da teoria keynesiana\r
Não me considero um Keynesiano, mas acredito que existem alguns mal entendidos em relação a visão de Keynes e a taxa de juros,no que se refere a influencia da mesma sobre a poupança e sobre PRINCIPALMENTE o investimento. Acredito que há uma relação bem próxima de Keynes e Mises em alguns aspectos da analise de Keynes.\r
\r
Começando pela parte do investimento, apesar de Keynes realmente falar sobre a instabilidade do investimento ( o fator I da demanda agregada , a formulazinha que esta no texto) keynes defendia que a taxa de juros era extremamente importante nas decisões de investimentos em bens de capital e gostaria de dizer que nesse aspecto a visão Keynesiana é extremamente subjetivista ao determinar a eficiência marginal do capital(EFmgK) , como sendo o valor futuro na expectativa do agente que será ganho com a aquisição desse bem a sua produção descontando a preferencia intertemporal do dinheiro) sendo jogada contra a taxa de juros para ser um dos fatores decisivos na decisão de se investir. Vale observar que Keynes utiliza a incerteza como fenômeno preponderante do investimento ao tratar da EFmgK , pois essa representa para cada empresário diferente o retorno ESPERADO (ou seja, de acordo com sua expectativa sobre o futuro) . Isso não significa que uma taxa de juros, coeteris paribus, não influencie o investimento e sim que influencia a dada expectativa (de demanda futura individual e no caso da economia a agregada). \r
Vale lembrar que o modelo IS-LM , de onde vem Y=(1/PmgP)(C1+I+G- PmgC(T) ) não foi formulado por Keynes e sim por Hicks, e não corresponde exatamente a visão do mesmo sobre o tema.\r
\r
Sobre a relação da poupança e taxa de juros, Keynes não negava uma correlação , porem afirmava que a influencia era mínima para pequenas variações na taxa de juros E caso aumentasse muito a poupança (na visão de Keynes) ela voltaria a taxa anterior em virtude da diminuição do multiplicador e não pelas razões expostas\r

Responder
Gustavo Guedes 12/06/2011 19:59:15

Obs: nesse aspecto(valor do bem do capital) a teoria keynesiana se APROXIMA mais da austriaca do que de frank kight. Devido a enfase de Keynes na relação da taxa de juros,espectativa e investimento e não explicação total da participação da preferencia intertemporal na valoração do capital eu n poderia dizer que são identicas.

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 24/12/2014 19:28:40


Em resumo, a arrogância fatal, a velha hybris.

pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%BAbris

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